{"id":6428,"date":"2015-08-18T13:19:21","date_gmt":"2015-08-18T16:19:21","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cultura-da-bocalidade\/"},"modified":"2017-04-11T11:02:48","modified_gmt":"2017-04-11T14:02:48","slug":"cultura-da-bocalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cultura-da-bocalidade\/","title":{"rendered":"Cultura da bo\u00e7alidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/animacao.png\" border=\"0\" align=\"left\" \/>O mundo vive a fascina\u00e7\u00e3o e a idolatria dos megaeventos, mega igrejas, mega esportivos, megatraficantes, mega corrup\u00e7\u00e3o, junto \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e aos despejos de moradores para adequar o espa\u00e7o urbano \u00e0s necessidades do capital. Vivemos o horror da guerra, dos refugiados, do terrorismo, da terr\u00edvel crise ecol\u00f3gica e das v\u00e1rias modalidades da viol\u00eancia. Vivemos a dissemina\u00e7\u00e3o da demoli\u00e7\u00e3o dos valores e a dominante\u00a0 bestializa\u00e7\u00e3o dos telespectadores por meio da a\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica em seus telejornais, filmes, novelas, document\u00e1rios ideol\u00f3gicos e reality shows. <br \/>A era superficial, virtual, parcial e infernal da internet e das redes sociais \u00e9 uma com\u00e9dia de l\u00e1grimas depressivas, de um circo com palha\u00e7o psicopata e muitos internautas navegam no mar de bo\u00e7alidades. Assim como dizia a fil\u00f3sofa alem\u00e3 Hannah Arendt (1906-1975), sobre a \u201cbanalidade do mal\u201d, podemos dizer que esse sistema virtual \u00e9 a conex\u00e3o de banalidade com bo\u00e7alidade.<br \/>Na Gr\u00e9cia antiga, a tragicom\u00e9dia era um subg\u00eanero teatral que alternava ou mesmo misturava com\u00e9dia, trag\u00e9dia, farsa e melodrama, podendo ser encontrada em diversas pe\u00e7as, como por exemplo, o Alceste de Eur\u00edpides (485 a.C. &#8211; 406 a.C.), que, em raz\u00e3o do seu \u201cfinal feliz\u201d e pelo tom levemente humor\u00edstico de algumas passagens, \u00e9 vista por alguns eruditos como um drama sat\u00edrico ou uma tragicom\u00e9dia &#8211; mais do que uma trag\u00e9dia. Algumas pe\u00e7as do grande dramaturgo ingl\u00eas William Shakespeare (1564 -1616), como O Rei Lear, t\u00eam muito da tragicom\u00e9dia, de forma que a ironia e a comicidade contribuem para a maior riqueza de significados do texto. Por\u00e9m \u00e9 somente no s\u00e9culo XX, com o teatro do absurdo, que a utiliza\u00e7\u00e3o do riso n\u00e3o necessariamente exclui a profundidade dram\u00e1tica, o que fez com que o cinema se apropriasse e utilizasse desse recurso tragic\u00f4mico em muitos momentos de sua hist\u00f3ria como bem podemos nos lembrar do filme Carlitos do genial cineasta Charles Chaplin (1889-1977),\u00a0 que usou o humor com maestria para satirizar a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho oper\u00e1rio nas f\u00e1bricas do in\u00edcio do s\u00e9culo XX em seu famoso \u201cTempos Modernos\u201d.<br \/>O linguista renomado, fil\u00f3sofo desconcertante e ativista pol\u00edtico no m\u00ednimo pol\u00eamico, Avram Noam Chomsky, nascido em Filad\u00e9lfia em 7 de dezembro de 1928 tem seu nome associado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da gram\u00e1tica ge(ne)rativa transformacional e evidentemente \u00e0 c\u00e9lebre Hierarquia de Chomsky, que versa sobre as propriedades matem\u00e1ticas das linguagens formais. Al\u00e9m de seu premiad\u00edssimo trabalho acad\u00eamico, tanto como professor quando pesquisador em lingu\u00edstica, Chomsky tornou-se muito conhecido pela defesa de suas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de esquerda\u00a0 &#8211;\u00a0 descrevendo -se como socialista libert\u00e1rio &#8211; bem como por seu corrosivo posicionamento de cr\u00edtico contumaz tanto da pol\u00edtica norte-americana quanto de seu uso da comunica\u00e7\u00e3o de massa para manipular a opini\u00e3o p\u00fablica. Em uma de suas frases de efeito, Chomsky afirma que \u201ca propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete (ou repress\u00e3o da pol\u00edcia pol\u00edtica) significa para o estado totalit\u00e1rio\u201d.<br \/>Em seu livro A Manipula\u00e7\u00e3o do P\u00fablico, em coautoria com Edward S. Herman, Chomsky aborda este tema com profundidade apresentando seu modelo de propaganda dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, documentado com numerosos estudos de caso, extremamente detalhados (*).<\/p>\n<p>A ind\u00fastria da manipula\u00e7\u00e3o, da aliena\u00e7\u00e3o e do condicionamento \u00e9 uma poderosa fonte de lucro em detrimento da infelicidade de multid\u00f5es. \u00c9 a cultura da bo\u00e7alidade. Estupidalizar, estuporar e bo\u00e7alizar \u00e9 capitalizar riquezas colossais com a fiel certeza de dominar, controlar sem fim o povo. \u201cA elite\u201d, \u201cos donos do poder\u201d, \u201cos senhores do capitalismo mundial\u201d, s\u00e3o detentores da fortuna econ\u00f4mica do planeta.<br \/>Boa parte da imprensa, da religi\u00e3o e do governo com a arte do engano, presta um servi\u00e7o destruidor da dignidade da pessoa humana. Corrup\u00e7\u00e3o, mentiras e viol\u00eancia \u00e9 o p\u00e3o de cada dia que eles fabricam e d\u00e3o ao povo. \u201cCom o tempo uma imprensa c\u00ednica e corrupta formar\u00e1 um p\u00fablico t\u00e3o vil quanto ela\u201d, disse Joseph Pulitzer (1847-1911), jornalista e editor estadunidense.<br \/>Tenhamos consci\u00eancia de uma atitude urgente de liberta\u00e7\u00e3o em prol do povo. Mais do que nunca, a miss\u00e3o prof\u00e9tica se faz necess\u00e1ria pela paz, pela justi\u00e7a, pela vida e pela fraternidade universal!<br \/>Pe. In\u00e1cio Jos\u00e9 do Vale<br \/>Professor do Instituto de Teologia Bento XVI<br \/>Soci\u00f3logo em Ci\u00eancia da Religi\u00e3o<br \/>Fraternidade Sacerdotal Jesus C\u00e1ritas<br \/>E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo vive a fascina\u00e7\u00e3o e a idolatria dos megaeventos, mega igrejas, mega esportivos, megatraficantes, mega corrup\u00e7\u00e3o, junto \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e aos despejos de moradores para adequar o espa\u00e7o urbano \u00e0s necessidades do capital. Vivemos o horror da guerra, dos refugiados, do terrorismo, da terr\u00edvel crise ecol\u00f3gica e das v\u00e1rias modalidades da viol\u00eancia. 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