{"id":64171,"date":"2020-11-09T08:18:32","date_gmt":"2020-11-09T11:18:32","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=64171"},"modified":"2020-11-09T00:19:34","modified_gmt":"2020-11-09T03:19:34","slug":"um-mundo-aberto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-mundo-aberto\/","title":{"rendered":"UM MUNDO ABERTO"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO ser humano est\u00e1 feito de tal maneira que n\u00e3o se realiza, n\u00e3o se desenvolve, nem pode encontrar a sua plenitude \u2018a n\u00e3o ser no sincero dom de si mesmo (87)\u201d. Assim Papa Francisco inicia o terceiro cap\u00edtulo de Fratelli Tutti, sua mais recente enc\u00edclica. Assim Francisco pensa, nos dois sentidos (reflete e cura), dando inicio ao mais pol\u00eamico dos cap\u00edtulos de sua mensagem. Um mundo aberto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com o pensamento e a a\u00e7\u00e3o humana, o ideal e a pr\u00e1tica, a solidariedade e a cura&#8230; \u201cN\u00e3o h\u00e1 vida quando se tem a pretens\u00e3o de pertencer apenas a si mesmo e de viver como ilhas: nestas atitudes prevalece a morte (id)\u201d.<\/p>\n<p>Solidariedade \u00e9 a palavra-chave. \u201cA minha rela\u00e7\u00e3o com uma pessoa, que estimo, n\u00e3o pode ignorar que esta pessoa n\u00e3o vive s\u00f3 para a sua rela\u00e7\u00e3o comigo, nem eu vivo apenas relacionando-me com ela (89)\u201d. Essa \u00e9 a abertura que falta nas rela\u00e7\u00f5es humanas e, por conseguinte, nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. O mundo s\u00f3 ser\u00e1 melhor, mais justo e toleravelmente mais humano, quando suas fronteiras deixarem de ser barreiras separatistas. \u201cNingu\u00e9m amadurece nem alcan\u00e7a a sua plenitude, isolando-se (95)\u201d. As sociedades abertas s\u00e3o as que mais integram, pois t\u00eam plena consci\u00eancia de que \u201ccada irm\u00e3 ou cada irm\u00e3o que sofre, abandonado ou ignorado pela minha sociedade, \u00e9 um forasteiro existencial, embora tenha nascido no mesmo pa\u00eds (97\u201d. Esse \u00e9 o perigo das fronteiras segregacionistas, aquelas que se fecham \u00e0 realidade do mundo. \u201cSe uma globaliza\u00e7\u00e3o pretende fazer a todos iguais, como se fosse uma esfera, tal globaliza\u00e7\u00e3o destr\u00f3i a riqueza e a singularidade de cada pessoa e de cada povo\u201d. Aqui Francisco n\u00e3o veste luvas, mas toca forte na ferida da falsa diplomacia. E vaticina: \u201cEste falso sonho universalista acaba por privar o mundo da variedade das suas cores, da sua beleza e, em \u00faltima an\u00e1lise, da sua humanidade (100)\u201d.<\/p>\n<p>Afinal, queremos ser \u201cpr\u00f3ximos\u201d ou \u201cs\u00f3cios\u201d? Queremos liberdade, igualdade e fraternidade, como nos lembra aquela revolu\u00e7\u00e3o que resgatou a dignidade do povo franc\u00eas, ou apenas garantir os lucros advindos do nosso ego\u00edsmo constitucionalizado? \u201cAqueles que s\u00e3o capazes apenas de ser s\u00f3cios, criam mundos fechados (104)\u201d. Sem maiores comunh\u00f5es dos direitos e deveres coletivos n\u00e3o chegaremos ao mundo novo que sempre sonhamos. Come\u00e7a com maiores respeitos ao indiv\u00edduo que somos no meio. \u201cSe cada um vale assim tanto, temos de dizer clara e firmemente que \u2018o simples fato de ter nascido num lugar com menores recursos ou menor desenvolvimento n\u00e3o justifica que algumas pessoas vivam menos dignamente\u2019 (106)\u201d. Aqui a fraternidade campeia entre liberdade e igualdade. \u201cSe a sociedade se reger primariamente pelos crit\u00e9rios da liberdade de mercado e da efici\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 lugar para tais pessoas e a fraternidade n\u00e3o passar\u00e1 duma palavra rom\u00e2ntica (109)\u201d.<\/p>\n<p>Chegou a hora de resgatar esse trip\u00e9 com mais \u00eanfase na solidariedade entre os povos. Come\u00e7a pela fam\u00edlia, \u201co primeiro lugar onde se vivem e se transmitem os valores do amor e da fraternidade, da conviv\u00eancia e da partilha, da aten\u00e7\u00e3o e do cuidado pelo outro (114)\u201d, mas n\u00e3o isenta a sociedade, convidada que \u00e9 a servir e restaurar sua responsabilidade social. \u201cO servi\u00e7o \u00e9 \u2018em grande parte, cuidar da fragilidade (115)\u201d. Neste sentido, \u201co mundo existe para todos, porque todos n\u00f3s, seres humanos, nascemos nesta terra com a mesma dignidade (118)\u201d. Ent\u00e3o vem a grande verdade: \u201cIsto sup\u00f5e tamb\u00e9m outra maneira de compreender as rela\u00e7\u00f5es e o interc\u00e2mbio entre os pa\u00edses. Se toda a pessoa possui uma dignidade inalien\u00e1vel, se todo ser humano \u00e9 meu irm\u00e3o ou minha irm\u00e3 e se, na realidade, o mundo pertence a todos, n\u00e3o importa se algu\u00e9m nasceu aqui ou vive fora dos confins do seu pr\u00f3prio pa\u00eds (125)\u201d. O usufruto \u00e9 bem comum. O Papa conclui: \u201cSe n\u00e3o se fizer esfor\u00e7o para entrar nesta l\u00f3gica, as minhas palavras parecer\u00e3o um devaneio (127)\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO ser humano est\u00e1 feito de tal maneira que n\u00e3o se realiza, n\u00e3o se desenvolve, nem pode encontrar a sua plenitude \u2018a n\u00e3o ser no sincero dom de si mesmo (87)\u201d. Assim Papa Francisco inicia o terceiro cap\u00edtulo de Fratelli Tutti, sua mais recente enc\u00edclica. 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