{"id":64053,"date":"2020-11-05T09:21:12","date_gmt":"2020-11-05T12:21:12","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=64053"},"modified":"2020-11-05T11:22:09","modified_gmt":"2020-11-05T14:22:09","slug":"yitzhak-rabin-ha-25-anos-um-testemunho-de-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/yitzhak-rabin-ha-25-anos-um-testemunho-de-paz\/","title":{"rendered":"Yitzhak Rabin: h\u00e1 25 anos um testemunho de paz"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Invoca\u00e7\u00e3o em prol da Paz na Terra Santa com o Papa Francisco e os presidentes Shimon Peres e Mahmoud Abbas nos Jardins do Vaticano em 8 de junho de 2014\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSabemos fazer guerras, mas prefiro n\u00e3o as fazer, prefiro arriscar com a paz&#8221;. Palavras do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin assassinado a tiros 4 de novembro de 1995. Uma trag\u00e9dia que abalou o Oriente M\u00e9dio e o mundo inteiro<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Francesca Sabatinelli \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era s\u00e1bado \u00e0 noite e cerca de 100 mil manifestantes ouviam discursos pol\u00edticos e cantavam pela paz com os palestinos. Dois anos antes, Israel assinara com a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) o acordo de Oslo, que previa, em primeiro lugar, o reconhecimento m\u00fatuo. Tinha como base o conceito de terra por paz: durante a fase intermedi\u00e1ria de negocia\u00e7\u00f5es, Israel entregaria \u00e0 administra\u00e7\u00e3o palestina territ\u00f3rios da faixa de Gaza e da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 21h30 o radical judeu, Yigal Amir matou a tiros o primeiro-ministro Yitzhak Rabin no final da manifesta\u00e7\u00e3o. O local do assassinato, na \u00e9poca chamava-se pra\u00e7a dos Reis de Israel, a partir daquele momento foi chamada de Pra\u00e7a Rabin, em mem\u00f3ria da coragem de um soldado primeiro e de um pol\u00edtico. Com Shimon Peres e Yasser Arafat, presidente futura Autoridade Nacional Palestina, Yitzhak Rabin recebeu o Pr\u00eamio Nobel da Paz em 1994.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>A dor de uma testemunha<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuela Dviri, escritora e jornalista italiana, naturalizada israelense, continua com firmeza sua campanha pela vida e contra a guerra, e tem uma clara mem\u00f3ria dos momentos dram\u00e1ticos do ataque. Entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Manuela Dviri:<\/b>\u00a0No momento em que anunciaram a morte de Rabin, lembro-me de dizer para mim mesma: Rabin morreu pela paz, agora a paz triunfar\u00e1. Eu tinha certeza disso! Tamb\u00e9m porque eu tinha visto todos aqueles jovens, adolescentes, na Pra\u00e7a Rabin, chorando, velas acesas por toda a pra\u00e7a, todos desesperados, os ministros, Peres, os generais, vi pessoas chorando que eu nunca imaginei ver chorar, e disse a mim mesmo: com certeza a paz triunfar\u00e1, n\u00f3s continuaremos e essa ser\u00e1 a maneira de recordar Rabin. E ao inv\u00e9s nada disso aconteceu, porque no final o mal venceu, e o projeto de paz ficou bloqueado naquela ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Pode-se realmente dizer que aqueles tiros disparados nas costas por Yigal Amir mudaram a hist\u00f3ria&#8230;<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Manuela Dviri:<\/b>\u00a0Mudaram a hist\u00f3ria para pior, porque Peres, que concorreu \u00e0s elei\u00e7\u00f5es alguns meses depois, foi derrotado. E desde ent\u00e3o, os representantes da paz daqueles anos, exceto por um breve per\u00edodo Ehud Barak (Primeiro-Ministro de Israel de maio de 1999 a mar\u00e7o de 2001 ndr.), nunca mais voltaram ao governo e, devo dizer, foi uma grande derrota&#8230; Para mim, sin\u00f4nimo de paz \u00e9 vida, paz \u00e9 vida, paz \u00e9 boa, e em vez disso h\u00e1 aqueles que, ainda hoje, dizem &#8220;os delinquentes de Oslo&#8221;, assim como costumavam dizer de Rabin &#8220;o delinquente de Oslo&#8221; e hoje praticamente n\u00e3o se fala mais sobre os Acordos de Oslo. \u00c9 muito triste admitir que venceu o mau e n\u00e3o o bem. Para mim a paz \u00e9 o bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O que gerou na sociedade israelense da \u00e9poca e de hoje o trauma desta morte?<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Manuela Dviri:\u00a0<\/b>Na minha opini\u00e3o, Israel n\u00e3o fez as contas o suficiente, e isto talvez seja a coisa mais dif\u00edcil de dizer, mas n\u00e3o fez as contas detalhadamente. Yigal Amir, o assassino, foi punido, est\u00e1 na pris\u00e3o, mas o acordo de Oslo est\u00e1 dormindo, o projeto de paz \u00e9 quase inexistente, o que significa que n\u00e3o fizemos as contas, digo isto com muita tristeza, mas \u00e9 a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Um pol\u00edtico israelense disse que o legado de Rabin \u00e9 a confian\u00e7a&#8230;<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Manuela Dviri:\u00a0<\/b>\u00c9 verdade, confian\u00e7a, mas tamb\u00e9m coragem. Ele era um chefe de Estado que sabia muito bem o que eram guerras e que teve a coragem de dizer: &#8220;Sabemos como fazer guerras. Somos muito bons em faz\u00ea-las, mas prefiro n\u00e3o as fazer, prefiro arriscar com a paz&#8221;, porque a paz \u00e9 um risco, pode tamb\u00e9m n\u00e3o funcionar. Yitzhak Rabin arriscou, quis arriscar, e pagou com sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Cerca de um ano antes da sua morte Rabin encontrou Jo\u00e3o Paulo II no Vaticano. Os observadores destacaram que ambos tinham muitas coisas em comum, eram muito humanos. Rabin, al\u00e9m disso, estava convencido de que o papel da Santa S\u00e9 teria uma import\u00e2ncia cada vez maior no processo de paz do Oriente M\u00e9dio&#8230;<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Manuela Dviri:\u00a0<\/b>A import\u00e2ncia desses momentos \u00e9 que eles realmente continuaram, embora com outras pessoas. Na Pra\u00e7a Rabin, durante a manifesta\u00e7\u00e3o, a pessoa mais pr\u00f3xima de Rabin era Shimon Peres. As rela\u00e7\u00f5es com a Santa S\u00e9 prosseguiram muito bem precisamente atrav\u00e9s de Peres que foi, entre outras coisas, tamb\u00e9m primeiro-ministro e presidente do Estado de Israel. Em uma dessas reuni\u00f5es, tive tamb\u00e9m a honra de participar, e foi uma bela reuni\u00e3o de paz, nos Jardins do Vaticano, (<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2014\/june\/documents\/papa-francesco_20140608_invocazione-pace.html\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\">Invoca\u00e7\u00e3o em prol da Paz, 8 de junho de 2014<\/a>\u00a0na presen\u00e7a do Patriarca Bartolomeu I) foi uma grande alegria para mim estar l\u00e1, estavam presentes Abu Mazen, Shimon Peres, e o Papa Francisco.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Invoca\u00e7\u00e3o em prol da Paz na Terra Santa com o Papa Francisco e os presidentes Shimon Peres e Mahmoud Abbas nos Jardins do Vaticano em 8 de junho de 2014\u00a0 \u201cSabemos fazer guerras, mas prefiro n\u00e3o as fazer, prefiro arriscar com a paz&#8221;. 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