{"id":64037,"date":"2020-11-03T10:37:26","date_gmt":"2020-11-03T13:37:26","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=64037"},"modified":"2020-11-03T11:38:55","modified_gmt":"2020-11-03T14:38:55","slug":"correcao-fraterna-6-dicas-para-corrigir-o-seu-proximo-sem-magoa-lo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/correcao-fraterna-6-dicas-para-corrigir-o-seu-proximo-sem-magoa-lo\/","title":{"rendered":"Corre\u00e7\u00e3o fraterna: 6 dicas para corrigir o seu pr\u00f3ximo sem mago\u00e1-lo"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se teu irm\u00e3o tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente&#8221; (Mt 18,15). Embora exija discernimento e caridade, a corre\u00e7\u00e3o fraterna pode ser considerada um ato de equil\u00edbrio. Como coloca-la em pr\u00e1tica sem humilhar ou ferir o irm\u00e3o?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea n\u00e3o sabe quando, como e por quais motivos corrigir os seus irm\u00e3os? Explicaremos tudo na forma de seis questionamentos, com a ajuda do Irm\u00e3o Dominique-Beno\u00eet, professor de teologia.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Qual \u00e9 a melhor maneira de fazer a corre\u00e7\u00e3o fraterna?<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o existe receita milagrosa. Cada corre\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser adaptada \u00e0 pessoa a ser corrigida, \u00e0 gravidade da falta e ao momento mais favor\u00e1vel. \u201cMostrar ao irm\u00e3o o \u201cpecadinho\u201d que ele cometeu n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa de conversar sobre um pecado grave\u201d, diz o irm\u00e3o Dominique-Beno\u00eet. A forma com que corrigimos tamb\u00e9m \u00e9 importante. Pode ser necess\u00e1rio seguir a f\u00f3rmula do \u201cbom exemplo\u201d. Quando Santa Teresa de \u00c1vila via uma de suas Irm\u00e3s agir mal, ela desenvolvia a virtude oposta: agir cada vez melhor. Os Padres do Deserto gostavam de dar o exemplo de forma inteligente. Abba Poemen relata: \u201cO monge geralmente fazia sua refei\u00e7\u00e3o com um disc\u00edpulo. Infelizmente, esse irm\u00e3o costumava colocar um p\u00e9 na mesa para a refei\u00e7\u00e3o. O velho n\u00e3o fazia coment\u00e1rios, pelo contr\u00e1rio, por muito tempo via isso e ficava em sil\u00eancio. Por fim, sem mais aguentar a situa\u00e7\u00e3o, confiou a outro anci\u00e3o o problema. Quando chegou a hora da refei\u00e7\u00e3o, o mais velho, muito rapidamente e antes que o jovem pudesse fazer o menor movimento, p\u00f4s os p\u00e9s sobre a mesa. O jovem ficou muito chocado e disse \u2018pai, isso \u00e9 impr\u00f3prio\u2019. O anci\u00e3o imediatamente tirou os dois p\u00e9s e disse: \u201cVoc\u00ea est\u00e1 certo, meu irm\u00e3o\u201d. O irm\u00e3o ent\u00e3o nunca mais se deixou levar por essa incongru\u00eancia\u201d. A nossa corre\u00e7\u00e3o fraterna pode ser feita tamb\u00e9m atrav\u00e9s do conselho de uma leitura oportuna (uma passagem do Evangelho, os escritos de um s\u00e1bio, etc.) ou atrav\u00e9s da recontagem de uma hist\u00f3ria (a vida de um santo ou alguns contos dos Padres do Deserto). A forma mais comum, no entanto, continua sendo uma discuss\u00e3o franca, direta e imediata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos concretos, para corrigir um amigo ou ente querido, basta um encontro individual de alguns minutos, em uma sala adequada e longe de ouvidos curiosos. \u201cNas poucas vezes que isso aconteceu, combinei de encontrar um amigo em minha casa para um drink. Foi tranquilo e s\u00e9rio ao mesmo tempo!\u201d, disse Guilherme, ex-l\u00edder dos escoteiros. O lugar e o ambiente s\u00e3o essenciais. Voc\u00ea n\u00e3o \u201ccorrige\u201d o outro em uma posi\u00e7\u00e3o desequilibrada \u2013 um sentado e outro em p\u00e9, por exemplo. \u201cEm geral, devemos ter o cuidado de conversar sentados em torno de uma mesa, tendo em mente que estamos l\u00e1 para nos ajudar e n\u00e3o para julgar uns aos outros\u201d, confidenciaram Claire e seu marido Xavier. Quanto mais pensarmos no que dizer com anteced\u00eancia, melhor ser\u00e1. Portanto, cada palavra conta e deve ser considerada cuidadosamente. Isso n\u00e3o exclui a franqueza ou alguma forma de improvisa\u00e7\u00e3o no momento para se adaptar \u00e0s rea\u00e7\u00f5es do outro. Guilherme tem a sua t\u00e9cnica: \u201cProcuro sempre partir dos meus pr\u00f3prios defeitos para mostrar os dos outros. Mostro que tamb\u00e9m n\u00e3o sou santo! \u201d<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Devemos seguir os quatro passos dados por Cristo?<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o devemos fazer algo \u201cautom\u00e1tico\u201d. \u201cO Evangelho n\u00e3o prev\u00ea procedimentos a serem seguidos estritamente como os procedimentos de nossos c\u00f3digos civil e penal\u201d, avisa o irm\u00e3o Dominique-Beno\u00eet. A gradualidade presente no Evangelho de S\u00e3o Mateus \u2013 o mais eclesiol\u00f3gico dos quatro Evangelhos \u2013 quer mostrar que \u201co pecado, mesmo sendo inicialmente pessoal, gera um impacto na comunidade que fere\u201d, especifica o Dominicano. Portanto, a ferida pessoal gerada pelo pecado \u00e9 tamb\u00e9m uma ferida em todo o corpo eclesial. \u201cA nossa exist\u00eancia est\u00e1 ligada \u00e0 dos outros, tanto no bem como no mal; o pecado, assim como as obras de amor, tamb\u00e9m tem uma dimens\u00e3o social\u201d, disse Bento XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que S\u00e3o Mateus insiste em ambos os aspectos, individual e eclesial. O \u00faltimo passo da corre\u00e7\u00e3o (\u201cSe o pecador se recusa a ouvir a Igreja, que seja considerado pag\u00e3o\u201d) \u00e9 um dos fundamentos da pr\u00e1tica da excomunh\u00e3o nas Escrituras. \u201cIsso n\u00e3o ocorre sempre e nem automaticamente. Deve-se atender \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a e de clara prud\u00eancia. A culpa deve ser de particular gravidade e causar um grave esc\u00e2ndalo na comunidade\u201d, diz o Irm\u00e3o dominicano.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Sobre quais assuntos podemos fazer a corre\u00e7\u00e3o fraterna?<\/b><\/h3>\n<div class=\"nativo-inread\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA corre\u00e7\u00e3o fraterna se refere a todo pecado venial ou mortal, porque todo pecado fere, at\u00e9 mesmo mata a caridade\u201d, diz o irm\u00e3o Dominique-Beno\u00eet. Portanto, a corre\u00e7\u00e3o fraterna n\u00e3o deve ser reduzida apenas \u00e0s faltas graves; ela tamb\u00e9m tem seu papel a desempenhar quanto a falhas leves que podem levar a falhas graves. \u201cPor exemplo, a gula pode se mostrar inicialmente como uma ligeira falta de temperan\u00e7a na bebida, mas se essa tend\u00eancia n\u00e3o for corrigida, corre-se o risco de evoluir para o pecado capital\u201d, ilustra o dominicano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Podemos corrigir a esposa, o marido, o chefe ou os filhos adultos?<\/b><\/p>\n<div id=\"article-desk-content-p6-ad_cp1_2020_11_03_correcao-fraterna-6-dicas-para-corrigir-o-seu-proximo-sem-magoa-lo\" class=\"css-y9mcup\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CNim4OrM5uwCFaQyuQYd3akM4A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_64500793\/PT_DESK_ARTICLE_WELCOME_1X1_2__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, mas com delicadeza. A corre\u00e7\u00e3o fraterna \u00e9 prefer\u00edvel entre duas pessoas moralmente iguais; isto \u00e9, sem que um tenha autoridade sobre o outro. \u201c\u00c9 assim no relacionamento a dois, entre irm\u00e3os e irm\u00e3s, entre irm\u00e3os batizados\u201d, explica o Irm\u00e3o. O sacerdote \u00e9 antes de tudo um batizado e se eu, um leigo, o vejo cometendo uma falta contra a moral comum a todos na Igreja, a corre\u00e7\u00e3o fraterna tem aqui o seu lugar. Onde n\u00e3o h\u00e1 igualdade, h\u00e1 espa\u00e7o para corre\u00e7\u00e3o paternal (do superior para subordinado)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, \u201cse um subordinado vir um superior cometendo uma falta contra a moral comum a todos, ele se dirigir\u00e1 ao superior n\u00e3o como superior, mas como irm\u00e3o e, portanto, igual\u201d. J\u00e1 para a rela\u00e7\u00e3o entre pais e filhos, a corre\u00e7\u00e3o ser\u00e1 paterna desde que o filho n\u00e3o seja adulto. Ao atingir a idade adulta, a corre\u00e7\u00e3o torna-se fraterna por causa de uma certa igualdade moral entre os adultos. \u201cMas \u00e9 preciso desenvolver um esp\u00edrito de delicadeza pois a experi\u00eancia de vida que um pai pode coloc\u00e1-lo, mesmo entre os adultos, em certa superioridade\u201d.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>E se eu n\u00e3o conseguir convencer o meu irm\u00e3o, devo perseverar ou me abster?<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante discernir com cautela. Santo Agostinho, retomado por S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, admite a possibilidade de se abster de repreender e corrigir os que praticam o mal por tr\u00eas motivos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. \u201cPorque esperamos o momento certo\u201d;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. \u201cPorque tememos que eles piorem\u201d;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. \u201cPorque tememos que, pressionando-os, eles se desviem da f\u00e9\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Tom\u00e1s acrescenta que, se \u201ca corre\u00e7\u00e3o fraterna p\u00f5e obst\u00e1culo \u00e0 melhora de nosso irm\u00e3o, que \u00e9 aqui a nossa finalidade, ela perde o sentido\u201d. \u201cO exerc\u00edcio da corre\u00e7\u00e3o fraterna, como o exerc\u00edcio de qualquer virtude (sendo ela virtude da caridade misericordiosa), analisa o irm\u00e3o Dominique-Beno\u00eet, deve ser regulado pela virtude da prud\u00eancia. Esta \u00faltima tem dois aspectos. Do ponto de vista intelectual, ela aprecia o caso concreto do ponto de vista da verdade: o ato cometido por meu irm\u00e3o \u00e9 um pecado em si mesmo e nas circunst\u00e2ncias precisas do caso? Mas a prud\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m uma virtude moral, no sentido de que deve avaliar as condi\u00e7\u00f5es concretas do presente caso e do ato. Se do ponto de vista intelectual se verifica que existe pecado, do ponto de vista moral, cabe a pergunta: devo intervir agora? Estou na posi\u00e7\u00e3o certa para fazer isso? Se n\u00e3o, devo informar algu\u00e9m em uma posi\u00e7\u00e3o melhor do que eu? Se sim, como podemos fazer isso da melhor maneira? Em outras palavras, a implementa\u00e7\u00e3o concreta da minha interven\u00e7\u00e3o deve ser apreciada\u201d.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Antes de dar li\u00e7\u00f5es de moral aos outros, n\u00e3o dever\u00edamos todos olhar as nossas pr\u00f3prias faltas?<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelho nos explica tudo. \u201cPor que olhas a palha que est\u00e1 no olho do teu irm\u00e3o e n\u00e3o v\u00eas a trave que est\u00e1 no teu? Como ousas dizer a teu irm\u00e3o: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu? Hip\u00f3crita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim ver\u00e1s para tirar a palha do olho do teu irm\u00e3o\u201d (Mt 7,3-5). Ao abordar nosso irm\u00e3o para corrigi-lo, n\u00e3o devemos afirmar ser bons ou nos colocar acima de qualquer cr\u00edtica. A corre\u00e7\u00e3o fraterna n\u00e3o \u00e9 julgamento, mas ajuda fraterna m\u00fatua. \u201cPortanto, eu tamb\u00e9m devo me tornar acess\u00edvel \u00e0s corre\u00e7\u00f5es dos outros, e talvez at\u00e9 do irm\u00e3o que estou corrigindo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Se teu irm\u00e3o tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente&#8221; (Mt 18,15). Embora exija discernimento e caridade, a corre\u00e7\u00e3o fraterna pode ser considerada um ato de equil\u00edbrio. Como coloca-la em pr\u00e1tica sem humilhar ou ferir o irm\u00e3o? Voc\u00ea n\u00e3o sabe quando, como e por quais motivos corrigir os seus irm\u00e3os? 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