{"id":63972,"date":"2020-11-03T08:39:53","date_gmt":"2020-11-03T11:39:53","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=63972"},"modified":"2020-11-02T22:40:47","modified_gmt":"2020-11-03T01:40:47","slug":"um-estranho-e-o-samaritano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-estranho-e-o-samaritano\/","title":{"rendered":"UM ESTRANHO E O SAMARITANO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0O segundo cap\u00edtulo da enc\u00edclica sobre a amizade e a fraternidade social, que desafia o mundo a experimentar \u201cas alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo (56)\u201d tem por base a mais enigm\u00e1tica das par\u00e1bolas que o Mestre nos contou. A hist\u00f3ria do Bom Samaritano \u201c\u00e9 expressa de tal maneira que qualquer um de n\u00f3s pode deixar-se interpelar por ela (id)\u201d, independentemente das suas convic\u00e7\u00f5es religiosas, diz o Papa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O desafio da mensagem est\u00e1 na conclus\u00e3o do evangelista que a pormenorizou: \u201cVai e faz tu tamb\u00e9m o mesmo\u201d (Lc 10, 25-37), depois da grande pergunta comum a qualquer ser humano: \u201cMestre, que hei de fazer para possuir a vida eterna\u201d. Francisco nos lembra ser esta a perspectiva de fundo dos grandes dilemas existenciais e cita o s\u00e1bio Hillel, cujo preceito est\u00e1 bem formulado em Mateus (7,12): \u201cO que quiserdes que vos fa\u00e7am os homens, fazei-o tamb\u00e9m a eles, porque isto \u00e9 a Lei e os Profetas\u201d. A hist\u00f3ria hebraica nos fornece esse apelo de fraternidade. \u201cComo motivo para alargar o cora\u00e7\u00e3o a fim de n\u00e3o excluir o estrangeiro, invoca-se a mem\u00f3ria que o povo judeu conserva de ter vivido como estrangeiro no Egito (61)\u201d. As cicatrizes do passado lembram suas dores e estas reascendem com desejos de vingan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cFoi por alguma raz\u00e3o que, perante\u00a0 tenta\u00e7\u00e3o das primeiras comunidades crist\u00e3s criarem grupos fechados e isolados, S\u00e3o Paulo exortava os seus disc\u00edpulos a ter caridade uns para com os outros \u2018e para com todos\u2019 (62)\u201d, pois a f\u00e9 crist\u00e3 exige a abertura para o mundo, porque \u201cao amor n\u00e3o lhe interessa se o irm\u00e3o ferido vem daqui ou dacol\u00e1\u201d. Perder tempo com o deca\u00eddo, o marginalizado, o ferido na estrada n\u00e3o \u00e9 uma tarefa que agrada. Antes, \u201cn\u00e3o queremos perder tempo por culpa dos problemas alheios (65)\u201d e a\u00ed est\u00e1 uma hist\u00f3ria que se repete em qualquer sociedade, independentemente de sua f\u00e9. \u201cHoje, h\u00e1 cada vez mais feridos. A inclus\u00e3o ou exclus\u00e3o da pessoa que sofre na margem da estrada define todos os projetos econ\u00f4micos, pol\u00edticos, sociais e religiosos (69)\u201d. Aqui Francisco coloca o dedo na ferida de todos n\u00f3s. E sentencia: \u201cNos momentos de crise, a op\u00e7\u00e3o torna-se premente; poder\u00edamos dizer que, neste momento, quem n\u00e3o \u00e9 salteador e quem n\u00e3o passa ao largo, ou est\u00e1 ferido ou carrega aos ombros algum ferido (70)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas acontece que apenas um, representante de um povo estigmatizado e tamb\u00e9m sofredor, se disp\u00f4s a ajudar. \u201cO paradoxo \u00e9 que, \u00e0s vezes, quantos dizem que n\u00e3o acreditam podem viver melhor a vontade de Deus do que os crentes (74)\u201d. Eis nosso dilema. \u201cAo engano de que \u2018tudo est\u00e1 mal\u2019 corresponde o dito \u2018ningu\u00e9m o pode consertar\u2019 (75)\u201d. Isso \u00e9 o que chamamos de politicagem dos acomodados. \u201cDeixemos que outros continuem a pensar na pol\u00edtica ou na economia para os seus jogos de poder. Alimentemos o que \u00e9 bom, e coloquemo-nos ao servi\u00e7o do bem (77)\u201d. Aqui Francisco desafia o mundo a construir uma corrente de Amor. \u201cMas que n\u00e3o o fa\u00e7amos sozinhos, individualmente, pois \u201cn\u00f3s estamos chamados a convidar outros e a encontrar-nos num \u2018n\u00f3s\u2019 mais forte do que a soma de pequenas individualidades (78)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cJesus prop\u00f4s esta par\u00e1bola para responder a uma pergunta: \u2018Quem \u00e9 o meu pr\u00f3ximo?\u2019 (Lc 10,29). A palavra \u2018pr\u00f3ximo\u2019 na sociedade do tempo de Jesus costumava indicar a pessoa que est\u00e1 mais vizinha, mais pr\u00f3xima. Um samaritano \u201cn\u00e3o estava inclu\u00eddo entre o pr\u00f3ximo a quem se deveria ajudar (80)\u201d Essa atitude de exclus\u00e3o social \u00e9 o mal maior das sociedades que se dizem progressistas, din\u00e2micas, modernas. At\u00e9 a comunidade crist\u00e3 j\u00e1 agiu assim, quando se beneficiou do sistema escravocrata e \u201cv\u00e1rias formas de viol\u00eancia\u201d para impor a f\u00e9. Muitos religiosos ainda passam ao largo sem um \u201cmea culpa\u201d para \u201camar e acolher a todos (86)\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0O segundo cap\u00edtulo da enc\u00edclica sobre a amizade e a fraternidade social, que desafia o mundo a experimentar \u201cas alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo (56)\u201d tem por base a mais enigm\u00e1tica das par\u00e1bolas que o Mestre nos contou. 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