{"id":63839,"date":"2020-10-28T09:43:20","date_gmt":"2020-10-28T12:43:20","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=63839"},"modified":"2020-10-28T14:44:12","modified_gmt":"2020-10-28T17:44:12","slug":"o-papa-sonho-uma-europa-comunidade-solidaria-amiga-das-pessoas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-papa-sonho-uma-europa-comunidade-solidaria-amiga-das-pessoas-2\/","title":{"rendered":"O Papa: sonho uma \u201cEuropa-comunidade\u201d, solid\u00e1ria, amiga das pessoas"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Em uma carta ao Cardeal Parolin pelos 50 anos de colabora\u00e7\u00e3o entre a Santa S\u00e9 e as institui\u00e7\u00f5es europeias, Francisco revive a hist\u00f3ria e os valores do continente, esperando uma mudan\u00e7a de fraternidade em um per\u00edodo de grandes incertezas e risco de desvios individualistas. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de olhar &#8220;para o \u00e1lbum de recorda\u00e7\u00f5es&#8221;, mas para o futuro que pode ser &#8220;oferecido ao mundo&#8221;.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Alessandro De Carolis \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quatro sonhos &#8211; porque s\u00e9culos de civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o esgotaram seu \u00edmpeto propulsor &#8211; apoiados por uma \u00fanica convic\u00e7\u00e3o substancial: n\u00e3o pode haver uma Europa aut\u00eantica sem os pilares sobre os quais foi projetada desde a primeira intui\u00e7\u00e3o, ou seja, um espa\u00e7o de povos unidos pela solidariedade, depois de ter sido um tr\u00e1gico cen\u00e1rio de guerra e muros. A carta de Francisco ao Cardeal Pietro Parolin \u00e9 uma esp\u00e9cie de carta aberta ao Velho Continente, na qual sua vis\u00e3o &#8211; ideal e ao mesmo tempo ancorada no realismo da era do v\u00edrus &#8211; \u00e9 enriquecida pelos sonhos de dois ilustres predecessores, Robert Schuman, um dos pais fundadores da Europa, e S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, que defendia vigorosamente suas ra\u00edzes crist\u00e3s.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>A encruzilhada: divis\u00f5es ou fraternidade<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ocasi\u00e3o que inspira a longa carta de Francisco \u00e9 a comemora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios anivers\u00e1rios e eventos relacionados aos quais o Secret\u00e1rio de Estado participaria, desde os 50 anos de colabora\u00e7\u00e3o entre a Santa S\u00e9 e as institui\u00e7\u00f5es europeias, at\u00e9 os 40 anos do nascimento da Comece, a Comiss\u00e3o dos Episcopados das Comunidades Europeias. Dois anivers\u00e1rios dentro do quadro mais amplo dos 70 anos da Declara\u00e7\u00e3o Schuman, com os qual a Europa renunciava \u00e0s divis\u00f5es da guerra. E s\u00e3o precisamente as divis\u00f5es que hoje s\u00e3o poss\u00edveis, em um momento hist\u00f3rico que exige, em vez disso, compacidade, que levam o Papa a repetir um conceito muito sentido. \u201cA pandemia \u2013 escreve &#8211; \u00e9 como uma encruzilhada que obriga a tomar uma op\u00e7\u00e3o: ou prosseguimos pelo caminho embocado no \u00faltimo dec\u00eanio que aparece animado pela tenta\u00e7\u00e3o da autonomia, esperando-nos mal-entendidos, contraposi\u00e7\u00f5es e conflitos cada vez maiores; ou redescobrimos o \u2018caminho da fraternidade\u2019\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>\u201cEuropa, s\u00ea tu mesma\u201d<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise da Covid, observa Francisco, colocou em evid\u00eancia tudo isso: \u201cn\u00e3o s\u00f3 a tenta\u00e7\u00e3o de proceder sozinhos, procurando solu\u00e7\u00f5es unilaterais para um problema que ultrapassa as fronteiras dos Estados\u201d, enquanto que desde suas origens a Europa p\u00f3s-b\u00e9lica \u201cnasce da consci\u00eancia de que, juntos e unidos, somos mais fortes, que &#8211; como afirmou na\u00a0<i>Evangelium gaudium<\/i>\u00a0\u2013 \u2018a unidade \u00e9 superior ao conflito\u2019 e que a solidariedade pode ser \u2018um estilo de constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria\u2019\u201d. No cora\u00e7\u00e3o de Francisco ressoa o eco do que Jo\u00e3o Paulo II falou em 9 de novembro de 1982 de Santiago de Compostela, no final de sua peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 Espanha.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Ra\u00edzes profundas<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A famosa frase &#8220;Europa volta a encontrar-te. S\u00ea tu mesma &#8221; \u00e9 reinterpretada por Francisco com energia semelhante e ent\u00e3o, escreve, para a Europa &#8220;eu gostaria de dizer: tu, que foste uma forja de ideais ao longo dos s\u00e9culos e agora pareces perder o teu \u00edmpeto, n\u00e3o te detenhas a olhar o teu passado como um \u00e1lbum de recorda\u00e7\u00f5es. Com o tempo, at\u00e9 as mais belas recorda\u00e7\u00f5es se atenuam, e acabamos por deixar de as lembrar\u201d. \u201cEuropa, volta a encontrar-te! Volta a encontrar os teus ideais, que t\u00eam ra\u00edzes profundas. S\u00ea tu mesma! N\u00e3o tenhas medo da tua hist\u00f3ria milen\u00e1ria, que \u00e9 uma janela para o futuro mais do que para o passado\u201d. E portanto \u201cn\u00e3o tenhas medo da tua necessidade de verdade\u201d que prov\u00e9m desde a Gr\u00e9cia antiga, da \u201ctua necessidade de justi\u00e7a que se desenvolveu a partir do direito romano\u201d e, \u201cda tua necessidade de eternidade, enriquecida pelo encontro com a tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Europa, uma fam\u00edlia<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir destes valores, Francisco fala de quatro vis\u00f5es. &#8220;Eu sonho ent\u00e3o \u2013 sublinha por primeiro &#8211; com uma Europa que seja amiga da pessoa e das pessoas. Uma terra onde a dignidade de cada pessoa seja respeitada, onde a pessoa seja um valor em si mesma e n\u00e3o o objeto de um c\u00e1lculo econ\u00f4mico ou uma mercadoria&#8221;. Uma Europa com esta sensibilidade \u00e9 portanto, para o Papa, uma terra que &#8220;tutela a vida&#8221;, o trabalho, a educa\u00e7\u00e3o, a cultura, que sabe proteger &#8220;os que s\u00e3o mais fr\u00e1geis e mais fracos, especialmente os idosos, os doentes que precisam de tratamentos caros e os deficientes&#8221;. E como consequ\u00eancia natural de certa forma esta primeira vis\u00e3o leva \u00e0 segunda, que faz Francisco dizer: &#8220;Sonho com uma Europa que seja uma fam\u00edlia e uma comunidade&#8221;, em outras palavras, uma &#8220;fam\u00edlia de povos&#8221; capaz de &#8220;viver em unidade, valorizando as diferen\u00e7as, a partir da fundamental entre homem e mulher&#8221;. E aqui Francisco resume o sonho falando de &#8220;comunidade europeia&#8221;, solid\u00e1ria e fraterna, o oposto de uma terra dividida em &#8220;realidades solit\u00e1rias e independentes&#8221;, que facilmente ser\u00e1 &#8220;incapaz de enfrentar os desafios do futuro&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>A Europa que abre os olhos e as portas<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro sonho do Papa \u00e9 o de &#8220;uma Europa solid\u00e1ria e generosa&#8221;, um &#8220;lugar acolhedor e hospitaleiro, onde a caridade &#8211; que \u00e9 a virtude crist\u00e3 suprema &#8211; ven\u00e7a todas as formas de indiferen\u00e7a e ego\u00edsmo&#8221;. E como, observa ele, &#8220;estar solid\u00e1rio significa estar pr\u00f3ximo&#8221;, isto &#8220;para a Europa significa concretamente estar dispon\u00edvel, pr\u00f3ximo e desejosa de apoiar, atrav\u00e9s da coopera\u00e7\u00e3o internacional, os outros continentes, penso &#8211; diz o Papa &#8211; especialmente na \u00c1frica&#8221;, para se resolverem os conflitos em curso. E tamb\u00e9m para com os migrantes, n\u00e3o apenas assistidos em suas necessidades imediatas, mas acompanhados ao longo do caminho para a integra\u00e7\u00e3o. Em resumo, Francesco insiste em &#8220;uma Europa que seja uma &#8216;comunidade solid\u00e1ria'&#8221;, a \u00fanica capaz de &#8220;enfrentar este desafio de maneira frut\u00edfera, enquanto &#8211; evidencia &#8211; toda solu\u00e7\u00e3o parcial j\u00e1 mostrou sua inadequa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Al\u00e9m de confessionalismos e laicismos<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">E depois o quarto sonho, que o Papa expressa desta forma: &#8220;Uma Europa saudosamente laica, na qual Deus e C\u00e9sar apare\u00e7am distintos, mas n\u00e3o contrapostos&#8221;. O que para Francisco significa uma terra &#8220;aberta \u00e0 transcend\u00eancia, onde a pessoa crente se sinta livre para professar publicamente a f\u00e9 e propor o seu ponto de vista \u00e0 sociedade&#8221;. Uma Europa pela qual , o Papa reconhece que \u201cacabaram-se os tempos do confessionalismo, mas tamb\u00e9m \u2013 assim o esperamos \u2013 dum certo laicismo que fecha as portas aos outros e sobretudo a Deus,\u00a0 pois \u00e9 evidente que uma cultura ou um sistema pol\u00edtico que n\u00e3o respeite a abertura \u00e0 transcend\u00eancia, n\u00e3o respeita adequadamente a pessoa humana&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Um futuro a ser escrito<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u00faltimas considera\u00e7\u00f5es s\u00e3o para a &#8220;grande responsabilidade&#8221; dos crist\u00e3os em animar a mudan\u00e7a em todas as \u00e1reas &#8220;em que vivem e trabalham&#8221; e para confiar a &#8220;querida Europa&#8221; a seus santos padroeiros, Bento, Cirilo e Met\u00f3dio, Br\u00edgida, Catarina e Teresa Benedita da Cruz. Na &#8220;certeza &#8211; que Francisco cultiva &#8211; de que a Europa ainda tem muito a dar ao mundo&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma carta ao Cardeal Parolin pelos 50 anos de colabora\u00e7\u00e3o entre a Santa S\u00e9 e as institui\u00e7\u00f5es europeias, Francisco revive a hist\u00f3ria e os valores do continente, esperando uma mudan\u00e7a de fraternidade em um per\u00edodo de grandes incertezas e risco de desvios individualistas. 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