{"id":63443,"date":"2020-10-16T13:44:51","date_gmt":"2020-10-16T16:44:51","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=63443"},"modified":"2020-10-16T13:44:51","modified_gmt":"2020-10-16T16:44:51","slug":"dai-a-cesar-dai-a-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dai-a-cesar-dai-a-deus\/","title":{"rendered":"\u201cDai a C\u00e9sar (&#8230;) dai a Deus&#8230;\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDai, pois, a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar, e a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d com esta s\u00e1bia resposta concluiu-se o Evangelho de Mateus 22,15-21, do 29\u00ba domingo do Tempo Comum. A quest\u00e3o que os interlocutores trazem a Jesus \u00e9 complexa e n\u00e3o pode ser simplesmente respondida com sim ou n\u00e3o, com simplifica\u00e7\u00f5es superficiais, com preconceitos. Ou ter as motiva\u00e7\u00f5es descritas na passagem b\u00edblica: \u201capanhar Jesus em alguma palavra\u201d, ou por \u201cmaldade\u201d, ou \u201cpreparar uma armadilha\u201d. Trata-se se \u00e9 l\u00edcito ou n\u00e3o pagar imposto? Trata-se da rela\u00e7\u00e3o f\u00e9 e pol\u00edtica; da rela\u00e7\u00e3o da Religi\u00e3o e Estado; da rela\u00e7\u00e3o entre o poder de Deus e do mundo? Encontramo-nos diante de realidades distintas, mas n\u00e3o distantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta dada por Jesus \u00e9 s\u00e1bia e ao mesmo tempo complexa, como \u00e9 pr\u00f3prio do tema. Para atra\u00edrem a simpatia de Jesus fazem o seguinte elogio: \u201cMestre sabemos que \u00e9s verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. N\u00e3o te deixar influenciar pela opini\u00e3o dos outros, pois n\u00e3o julgas um homem pelas apar\u00eancias\u201d. A pergunta veio a Jesus como uma armadilha e qualquer resposta que fosse \u00f3bvia cairia na armadilha. A resposta de Jesus n\u00e3o \u00e9 uma maneira elegante de se esquivar da pergunta-armadilha, mas coloca o problema em outro n\u00edvel abrindo novas perspectivas in\u00e9ditas e impens\u00e1veis. A resposta de Jesus vai no caminho da verdade, pois somente ela \u00e9 fundamento seguro. Que significa devolver a C\u00e9sar o que \u00e9 dele e a Deus o que \u00e9 de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta de Jesus, certamente, exclui dois extremos: a tenta\u00e7\u00e3o teocr\u00e1tica e a tenta\u00e7\u00e3o espiritualista. A tenta\u00e7\u00e3o teocr\u00e1tica \u00e9 entrar no limite do que \u00e9 de C\u00e9sar que pode at\u00e9 dar resultados positivos, mas com o tempo ter\u00e1 efeitos negativos, pois todas as media\u00e7\u00f5es e estruturas s\u00e3o limitadas e com o tempo ficam superadas. A tenta\u00e7\u00e3o espiritualista leva a recolher-se ao isolamento intimista e progressivamente vai distanciando-se do servi\u00e7o da justi\u00e7a, da paz, da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus pede uma moeda e pergunta \u201cde quem \u00e9 a figura e a inscri\u00e7\u00e3o da moeda?\u201d Respondem que \u00e9 \u201cde C\u00e9sar\u201d. Simbolicamente na moeda est\u00e1 expresso o poder temporal.\u00a0 Fazendo uso da moeda revelam que necessitam dela para viverem na sociedade. Jesus reconhece a legitimidade e a autonomia da esfera civil e pol\u00edtica. Como tamb\u00e9m declara que \u00e9 leg\u00edtimo, al\u00e9m de ser um dever humano pagar impostos. Isto \u00e9, devolver a moeda a quem ela pertence.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m afirma que \u00e9 preciso dar a Deus o que lhe pertence. Um autor an\u00f4nimo, do in\u00edcio do cristianismo, escreve: \u201cA imagem de Deus n\u00e3o est\u00e1 gravada no ouro, mas no g\u00eanero humano. A moeda de C\u00e9sar \u00e9 de ouro, a de Deus \u00e9 a humanidade (&#8230;) Portanto, concede a tua riqueza material a C\u00e9sar, mas conserva para Deus a inoc\u00eancia singular da tua consci\u00eancia, onde Deus \u00e9 contemplado (&#8230;) Com efeito, C\u00e9sar pediu que a sua imagem fosse gravada em cada moeda, mas Deus escolheu o homem, que Ele mesmo criou, para refletir a sua Gl\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano est\u00e1 assinalado com a imagem de Deus, portanto \u00e9 seu eterno devedor. Nenhum poder, pessoa pode desfigurar a marca que homem possui, ser imagem de Deus. Santo Agostinho, comentando esta passagem do Evangelho, escreveu: \u201cSe C\u00e9sar reclama a pr\u00f3pria imagem na moeda, n\u00e3o exigir\u00e1 Deus do homem a imagem esculpida nele?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos diante de realidades distintas, mas n\u00e3o distantes. \u00c9 importante ter presente duas coisas: primeiro, Deus n\u00e3o exime o homem de suas responsabilidades; segundo, o poder de C\u00e9sar n\u00e3o pode ser divinizado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDai, pois, a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar, e a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d com esta s\u00e1bia resposta concluiu-se o Evangelho de Mateus 22,15-21, do 29\u00ba domingo do Tempo Comum. 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