{"id":63301,"date":"2020-10-13T13:27:34","date_gmt":"2020-10-13T16:27:34","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=63301"},"modified":"2020-10-13T13:27:34","modified_gmt":"2020-10-13T16:27:34","slug":"01-a-cesar-o-que-e-de-cesar-e-a-deus-o-que-e-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/01-a-cesar-o-que-e-de-cesar-e-a-deus-o-que-e-de-deus\/","title":{"rendered":"01 A C\u00c9SAR O QUE \u00c9 DE C\u00c9SAR E A DEUS O QUE \u00c9 DE DEUS."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Este precioso ensinamento de Jesus se tornou um lema para seus seguidores (Mt 22,15-21). Entretanto, nem sempre se penetra fundo no seu significado. Esta f\u00f3rmula n\u00e3o visa, de plano, determinar uma linha de demarca\u00e7\u00e3o entre o temporal e o espiritual e, menos ainda, justificar os que querem restringir o aspecto religioso \u00e0 estrita esfera da vida privada. \u00c9 preciso analisar o contexto no qual\u00a0 Jesus a proferiu. Ele percebera bem as m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es de seus interlocutores, os quais n\u00e3o procuravam uma solu\u00e7\u00e3o para uma quest\u00e3o que os preocupava e, menos ainda, estavam em busca da verdade. Eles tentavam armar uma cilada da qual Jesus n\u00e3o pudesse escapar. Uma resposta afirmativa t\u00ea-lo-ia tornado mal visto pelo povo que o julgaria partid\u00e1rio do opressor\u00a0 estrangeiro; se negativa\u00a0 t\u00ea-lo- ia\u00a0 feito\u00a0 passar por rebelde\u00a0 e agitador contra a autoridade do C\u00e9sar romano. Fulgiu, por\u00e9m, a sabedoria do Mestre divino que lhes pede uma pe\u00e7a da moeda do tributo. A moeda era o sinal por excel\u00eancia da autoridade, pois cunhar a moeda era um direito do poder pol\u00edtico. Os fariseus aceitavam a moeda romana, pois eles a tinham consigo e a mostraram a Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viviam, portanto, dentro do jogo econ\u00f4mico dirigido pelo ocupante, aceitando assim sua soberania inclusive o imposto por ele estabelecido. Jesus patenteia ent\u00e3o a incoer\u00eancia de seus interlocutores. Que ent\u00e3o dessem a Cesar o que era de C\u00e9sar e a Deus o que era de Deus. Jesus, por\u00e9m, se serviu daquele epis\u00f3dio para ministrar uma li\u00e7\u00e3o espiritual profunda, abrindo o esp\u00edrito deles ao que estava na B\u00edblia. Foi por isto que Ele perguntou de quem era a efigie que estava na moeda. Era a imagem da autoridade suprema do Imp\u00e9rio romano que tinha sobre os judeus um evidente poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, focalizando este aspecto da imagem, Cristo queria que se pensassse em uma outra imagem. Quem trazia a moeda com a imagem de C\u00e9sar que lhe desse o que lhe era devido. No entanto, aqueles que acreditavam em Deus trazem em si a imagem de Deus e a Deus cumpre Lhe dar o que Lhe \u00e9 devido. Nas primeirasp\u00e1ginas da B\u00edblia, lemos que Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">disse: \u201cFa\u00e7amos o homem a nossa imagem e semelhan\u00e7a\u201d [&#8230;] \u201cDeus criou o homem a sua imagem, a imagem de Deus Ele o criou, homem e mulher os criou\u201d. Mediante estas palavras a m\u00e1xima de Jesus ganhou um esplendor peculiar. Os fariseus levantavam uma quest\u00e3o econ\u00f4mica, mas o principal, por\u00e9m, era o significado espiritual que Jesus ressaltou, ou seja, dar a Deus o que \u00e9 de Deus. Para viver, acatamos as normas do jogo da economia, mas isto n\u00e3o \u00e9 tudo em nossa vida. Cumpre estar atentos \u00e0s exig\u00eancias da vida espiritual. A presen\u00e7a de Deus, por vezes, \u00e9 facilmente esquecida, porque se trata de uma presen\u00e7a discreta. Deus n\u00e3o se imp\u00f5e, Ele se prop\u00f5e. Somos chamados a viver em comunh\u00e3o com Ele. Se o dinheiro que traz a marca da autoridade pol\u00edtica lembrava os deveres pol\u00edticos como o\u00a0 pagamento dos impostos, a pessoa humana traz, contudo,a marca da imagem divina, devendo se voltar continuamente para o seu Criador. Esta volta para Aquele que marcou em nosso cora\u00e7\u00e3o sua imagem se d\u00e1 n\u00e3o somente no fim de nossa trajet\u00f3ria terrena.\u00a0 O importante \u00e9 reconhecer a presen\u00e7a de Deus em nossa vida cotidiana, como ensinam os grandes te\u00f3logos. Eis por que \u00e9 preciso viver na presen\u00e7a divina, j\u00e1 que o ser humano \u00e9 criado \u00e0 imagem de Deus. Ao Estado pagamos cada dia, direta ou indiretamente, impostos, mas nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus deve tamb\u00e9m ser ininterrupta. A press\u00e3o espiritual do Senhor sobre seus fi\u00e9is \u00e9 claramente menos forte que a coa\u00e7\u00e3o fiscal do Estado, mas cabe ao fiel, usando sua liberdade, voltar-se sempre para o seu Senhor, consagrando-Lhe com fervor tempo reservado \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e se dirigindo a Ele com fervorosas invoca\u00e7\u00f5es durante todo o dia. Marcado com o selo do Esp\u00edrito, durante toda a vida, o fiel deve ser uma oferenda cont\u00ednua ao seu Senhor\u00a0 e estar no servi\u00e7o ao\u00a0 pr\u00f3ximo, vendo nele a imagem de\u00a0 Cristo. Al\u00e9m disto, o engajamento nas diversas pastorais \u00e9 outra maneira de dar a Deus o que \u00e9 de Deus. Trata-se de organizar sabiamente a vida espiritual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este precioso ensinamento de Jesus se tornou um lema para seus seguidores (Mt 22,15-21). 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