{"id":63048,"date":"2020-10-05T09:19:46","date_gmt":"2020-10-05T12:19:46","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=63048"},"modified":"2020-10-05T13:22:49","modified_gmt":"2020-10-05T16:22:49","slug":"publicada-fratelli-tutti-a-enciclica-social-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/publicada-fratelli-tutti-a-enciclica-social-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Publicada \u201cFratelli tutti\u201d, a Enc\u00edclica social do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Fraternidade e amizade social s\u00e3o os caminhos indicados pelo Pont\u00edfice para construir um mundo melhor, mais justo e pac\u00edfico, com o compromisso de todos: pessoas e institui\u00e7\u00f5es. Reafirmado com vigor o n\u00e3o \u00e0 guerra e \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quais s\u00e3o os grandes ideais mas tamb\u00e9m os caminhos concretos para aqueles que querem construir um mundo mais justo e fraterno nas suas rela\u00e7\u00f5es quotidianas, na vida social, na pol\u00edtica e nas institui\u00e7\u00f5es? Esta \u00e9 a pergunta \u00e0 qual pretende responder, principalmente, \u201cFratelli tutti\u201d: o Papa define-a como uma &#8220;Enc\u00edclica Social&#8221; (6) que toma o seu t\u00edtulo das &#8220;Admoesta\u00e7\u00f5es&#8221; de S\u00e3o Francisco de Assis, que usava essas palavras &#8220;para se dirigir a todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s e lhes propor uma forma de vida com sabor do Evangelho&#8221; (1). A Enc\u00edclica tem como objetivo promover uma aspira\u00e7\u00e3o mundial \u00e0 fraternidade e \u00e0 amizade social. No pano de fundo, h\u00e1 a pandemia da Covid-19 que &#8211; revela Francisco &#8211; &#8220;irrompeu de forma inesperada quando eu estava escrevendo esta carta&#8221;. Mas a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria global mostrou que &#8220;ningu\u00e9m se salva sozinho&#8221; e que chegou realmente o momento de &#8220;sonhar como uma \u00fanica humanidade&#8221;, na qual somos &#8220;todos irm\u00e3os&#8221;. (7-8).<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-63048-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/10\/04\/12\/135739120_F135739120.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/10\/04\/12\/135739120_F135739120.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/10\/04\/12\/135739120_F135739120.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro de oito cap\u00edtulos, intitulado\u00a0<i>&#8220;As sombras dum mundo fechado&#8221;,<\/i>\u00a0o documento debru\u00e7a-se sobre as muitas distor\u00e7\u00f5es da \u00e9poca contempor\u00e2nea: a manipula\u00e7\u00e3o e a deforma\u00e7\u00e3o de conceitos como democracia, liberdade, justi\u00e7a; o ego\u00edsmo e a falta de interesse pelo bem comum; a preval\u00eancia de uma l\u00f3gica de mercado baseada no lucro e na cultura do descarte; o desemprego, o racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberra\u00e7\u00f5es como a escravatura, o tr\u00e1fico de pessoas, as mulheres subjugadas e depois for\u00e7adas a abortar, o tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os (10-24). Estes s\u00e3o problemas globais que requerem a\u00e7\u00f5es globais, sublinha o Papa, apontando o dedo tamb\u00e9m contra uma &#8220;cultura de muros&#8221; que favorece a prolifera\u00e7\u00e3o de m\u00e1fias, alimentadas pelo medo e pela solid\u00e3o (27-28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A muitas sombras, por\u00e9m, a Enc\u00edclica responde com um exemplo luminoso, o do bom samaritano, a quem \u00e9 dedicado o segundo cap\u00edtulo,\u00a0<i>&#8220;Um estranho no caminho&#8221;<\/i>. Nele, o Papa assinala que, numa sociedade doente que vira as costas \u00e0 dor e \u00e9 &#8220;analfabeta&#8221; no cuidado dos mais fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis (64-65), somos todos chamados a estar pr\u00f3ximos uns dos outros (81), superando preconceitos e interesses pessoais. De fato, todos n\u00f3s somos correspons\u00e1veis na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade que saiba incluir, integrar e levantar aqueles que sofrem (77). O amor constr\u00f3i pontes e n\u00f3s &#8220;somos feitos para o amor&#8221; (88), acrescenta o Papa, exortando em particular os crist\u00e3os a reconhecerem Cristo no rosto de cada pessoa exclu\u00edda (85). O princ\u00edpio da capacidade de amar segundo &#8220;uma dimens\u00e3o universal&#8221; (83) \u00e9 tamb\u00e9m retomado no terceiro cap\u00edtulo, &#8220;Pensar e gerar um mundo aberto&#8221;: nele, Francisco exorta cada um de n\u00f3s a &#8220;sair de si mesmo&#8221; para encontrar nos outros &#8220;um acrescentamento de ser&#8221; (88), abrindo-nos ao pr\u00f3ximo segundo o dinamismo da caridade que nos faz tender para a &#8220;comunh\u00e3o universal&#8221; (95). Afinal \u2013 recorda a Enc\u00edclica &#8211; a estatura espiritual da vida humana \u00e9 medida pelo amor que nos leva a procurar o melhor para a vida do outro (92-93). O sentido da solidariedade e da fraternidade nasce nas fam\u00edlias que devem ser protegidas e respeitadas na sua &#8220;miss\u00e3o educativa prim\u00e1ria e imprescind\u00edvel&#8221; (114).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O direito a viver com dignidade n\u00e3o pode ser negado a ningu\u00e9m, afirma ainda o Papa, e uma vez que os direitos s\u00e3o sem fronteiras, ningu\u00e9m pode ser exclu\u00eddo, independentemente do local onde nasceu (121). Deste ponto de vista, o Papa lembra tamb\u00e9m que \u00e9 preciso pensar numa &#8220;\u00e9tica das rela\u00e7\u00f5es internacionais&#8221; (126), porque cada pa\u00eds \u00e9 tamb\u00e9m do estrangeiro e os bens do territ\u00f3rio n\u00e3o podem ser negados \u00e0queles que t\u00eam necessidade e v\u00eam de outro lugar. O direito natural \u00e0 propriedade privada ser\u00e1, portanto, secund\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio do destino universal dos bens criados (120). A Enc\u00edclica tamb\u00e9m coloca uma \u00eanfase espec\u00edfica na quest\u00e3o da d\u00edvida externa: embora se mantenha o princ\u00edpio de que toda a d\u00edvida legitimamente contra\u00edda deve ser paga, espera-se, no entanto, que isto n\u00e3o comprometa o crescimento e a subsist\u00eancia dos pa\u00edses mais pobres (126).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao tema das migra\u00e7\u00f5es \u00e9, ao inv\u00e9s, dedicado em parte o segundo e todo o quarto cap\u00edtulo,\u00a0<i>&#8220;Um cora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo inteiro&#8221;<\/i>: com as suas &#8220;vidas dilaceradas&#8221; (37), em fuga das guerras, persegui\u00e7\u00f5es, cat\u00e1strofes naturais, traficantes sem escr\u00fapulos, arrancados das suas comunidades de origem, os migrantes devem ser acolhidos, protegidos, promovidos e integrados. Nos pa\u00edses destinat\u00e1rios, o justo equil\u00edbrio ser\u00e1 entre a prote\u00e7\u00e3o dos direitos dos cidad\u00e3os e a garantia de acolhimento e assist\u00eancia aos migrantes (38-40). Especificamente, o Papa aponta algumas &#8220;respostas indispens\u00e1veis&#8221; especialmente para aqueles que fogem de &#8220;graves crises humanit\u00e1rias&#8221;: incrementar e simplificar a concess\u00e3o de vistos; abrir corredores humanit\u00e1rios; oferecer alojamento, seguran\u00e7a e servi\u00e7os essenciais; oferecer possibilidade de trabalho e forma\u00e7\u00e3o; favorecer a reunifica\u00e7\u00e3o familiar; proteger os menores; garantir a liberdade religiosa. O que \u00e9 necess\u00e1rio acima de tudo&#8221; &#8211; l\u00ea-se no documento -, \u00e9 uma legisla\u00e7\u00e3o (<i>go\u00advernance)\u00a0<\/i>global para as migra\u00e7\u00f5es que inicie projetos a longo prazo, indo al\u00e9m das emerg\u00eancias individuais, em nome de um desenvolvimento solid\u00e1rio de todos os povos (129-132).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema do quinto cap\u00edtulo \u00e9 &#8220;A pol\u00edtica melhor&#8221;, ou seja, a que representa uma das formas mais preciosas da caridade porque est\u00e1 ao servi\u00e7o do bem comum (180) e conhece a import\u00e2ncia do povo, entendido como uma categoria aberta, dispon\u00edvel ao confronto e ao di\u00e1logo (160). Este \u00e9 o popularismo indicado por Francisco, que se contrap\u00f5e ao &#8220;populismo&#8221; que ignora a legitimidade da no\u00e7\u00e3o de &#8220;povo&#8221;, atraindo consensos a fim de instrumentalizar ao servi\u00e7o do seu projeto pessoal (159). Mas a melhor pol\u00edtica \u00e9 tamb\u00e9m a que protege o trabalho, &#8220;uma dimens\u00e3o indispens\u00e1vel da vida social&#8221; e procura assegurar que cada um tenha a possibilidade de desenvolver as suas pr\u00f3prias capacidades (162). A verdadeira estrat\u00e9gia contra a pobreza, afirma a Enc\u00edclica, n\u00e3o visa simplesmente a conter os necessitados, mas a promov\u00ea-los na perspectiva da solidariedade e da subsidiariedade (187). A tarefa da pol\u00edtica, al\u00e9m disso, \u00e9 encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para tudo o que atenta contra os direitos humanos fundamentais, tais como a exclus\u00e3o social; tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os, e tecidos humanos, armas e drogas; explora\u00e7\u00e3o sexual; trabalho escravo; terrorismo e crime organizado. Forte o apelo do Papa para eliminar definitivamente o tr\u00e1fico de seres humanos, &#8220;vergonha para a humanidade&#8221;, e a fome, porque \u00e9 &#8220;criminosa&#8221; porque a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;um direito inalien\u00e1vel&#8221; (188-189).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pol\u00edtica da qual h\u00e1 necessidade, sublinha ainda Francisco, \u00e9 aquela centrada na dignidade humana e que n\u00e3o est\u00e1 sujeita \u00e0 finan\u00e7a porque &#8220;o mercado por si s\u00f3, n\u00e3o resolve tudo&#8221;: os &#8220;estragos&#8221; provocados pela especula\u00e7\u00e3o financeira mostraram-no (168). Assumem, portanto, particular relev\u00e2ncia os movimentos populares: verdadeiros &#8220;torrentes de energia moral&#8221;, devem ser envolvidos na sociedade, de uma forma coordenada. Desta forma &#8211; afirma o Papa -, pode-se passar de uma pol\u00edtica &#8220;para&#8221; os pobres para uma pol\u00edtica &#8220;com&#8221; e &#8220;dos&#8221; pobres (169). Outro desejo presente na Enc\u00edclica diz respeito \u00e0 reforma da ONU: perante o predom\u00ednio da dimens\u00e3o econ\u00f4mica, de fato, a tarefa das Na\u00e7\u00f5es Unidas ser\u00e1 dar uma real concretiza\u00e7\u00e3o ao conceito de &#8220;fam\u00edlia de na\u00e7\u00f5es&#8221;, trabalhando para o bem comum, a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Recorrendo incansavelmente \u00e0 &#8220;negocia\u00e7\u00e3o, aos mediadores e \u00e0 arbitragem&#8221; &#8211; afirma o documento pontif\u00edcio &#8211; a ONU deve promover a for\u00e7a da lei sobre a lei da for\u00e7a (173-175).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do sexto cap\u00edtulo, &#8220;Di\u00e1logo e amizade social&#8221;, emerge tamb\u00e9m o conceito de vida como &#8220;a arte do encontro&#8221; com todos, tamb\u00e9m com as periferias do mundo e com os povos originais, porque &#8220;de todos se pode aprender alguma coisa, nin\u00adgu\u00e9m \u00e9 in\u00fatil, ningu\u00e9m \u00e9 sup\u00e9rfluo&#8221; (215). Particular, ent\u00e3o, a refer\u00eancia do Papa ao &#8220;milagre da amabilidade&#8221;, uma atitude a ser recuperada porque \u00e9 &#8220;uma estrela na escurid\u00e3o&#8221; e uma &#8220;liberta\u00e7\u00e3o da crueldade, da ansiedade que n\u00e3o nos deixa pensar nos outros, da urg\u00eancia distra\u00edda&#8221; que prevalecem em \u00e9poca contempor\u00e2nea (222-224). Reflete sobre o valor e a promo\u00e7\u00e3o da paz, o s\u00e9timo cap\u00edtulo, intitulado &#8220;Percursos dum novo encontro&#8221;, no qual o Papa sublinha que a paz \u00e9 &#8220;proativa&#8221; e visa formar uma sociedade baseada no servi\u00e7o aos outros e na busca da reconcilia\u00e7\u00e3o e do desenvolvimento m\u00fatuo. A paz \u00e9 uma &#8220;arte&#8221; em que cada um deve desempenhar o seu papel e cuja tarefa nunca termina (227-232). Ligado \u00e0 paz est\u00e1 o perd\u00e3o: devemos amar todos sem exce\u00e7\u00e3o &#8211; l\u00ea-se na Enc\u00edclica -, mas amar um opressor significa ajud\u00e1-lo a mudar e n\u00e3o permitir que ele continue a oprimir o seu pr\u00f3ximo (241-242). Perd\u00e3o n\u00e3o significa impunidade, mas justi\u00e7a e mem\u00f3ria, porque perdoar n\u00e3o significa esquecer, mas renunciar \u00e0 for\u00e7a destrutiva do mal e da vingan\u00e7a. Nunca esquecer &#8220;horrores&#8221; como a Shoah, os bombardeamentos at\u00f3micos em Hiroshima e Nagasaki, persegui\u00e7\u00f5es e massacres \u00e9tnicos &#8211; exorta o Papa &#8211; devem ser sempre recordados, novamente, para n\u00e3o nos anestesiarmos e manterem viva a chama da consci\u00eancia coletiva. E tamb\u00e9m \u00e9 importante fazer mem\u00f3ria do bem. (246-252).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte do s\u00e9timo cap\u00edtulo se det\u00e9m, ent\u00e3o, sobre a guerra: &#8220;uma amea\u00e7a constante&#8221;, que representa a &#8220;nega\u00e7\u00e3o de todos os direitos&#8221;, &#8220;o fracasso da pol\u00edtica e da humanidade&#8221;, &#8220;a vergonhosa rendi\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as do mal&#8221;. Al\u00e9m disso, devido \u00e0s armas nucleares, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas que afetam muitos civis inocentes, hoje j\u00e1 n\u00e3o podemos pensar, como no passado, numa poss\u00edvel &#8220;guerra justa&#8221;, mas temos de reafirmar fortemente &#8220;Nunca mais a guerra! A elimina\u00e7\u00e3o total das armas nucleares \u00e9 &#8220;um imperativo moral e humanit\u00e1rio&#8221;; em vez disso &#8211; sugere o Papa &#8211; com o dinheiro do armamento deveria ser criado um Fundo Mundial para acabar de vez com a fome (255-262). Francisco expressa uma posi\u00e7\u00e3o igualmente clara sobre a pena de morte: \u00e9 inadmiss\u00edvel e deve ser abolida em todo o mundo. &#8220;O homicida n\u00e3o perde a sua dignidade pessoal &#8211; escreve o Papa \u2013 e o pr\u00f3prio Deus Se constitui seu garante&#8221; (263-269). Ao mesmo tempo, a necessidade de respeitar &#8220;a sacralidade da vida&#8221; (283) \u00e9 reafirmada onde &#8220;partes da humanidade parecem sacrific\u00e1veis &#8220;, tais como os nascituros, os pobres, os deficientes, os idosos (18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No oitavo e \u00faltimo cap\u00edtulo, o Pont\u00edfice se det\u00e9m sobre &#8220;Religi\u00f5es ao servi\u00e7o da fraternidade no mundo&#8221; e reitera que o terrorismo n\u00e3o se deve \u00e0 religi\u00e3o, mas a interpreta\u00e7\u00f5es erradas de textos religiosos, bem como a pol\u00edticas de fome, pobreza, injusti\u00e7a e opress\u00e3o (282-283). Um caminho de paz entre a religi\u00f5es \u00e9, portanto, poss\u00edvel; por isso, \u00e9 necess\u00e1rio garantir a liberdade religiosa, direito humano fundamental para todos os crentes (279). Uma reflex\u00e3o, em particular, a Enc\u00edclica\u00a0 faz sobre o papel da Igreja: ela n\u00e3o relega a sua miss\u00e3o \u00e0 esfera privada e, embora n\u00e3o fazendo pol\u00edtica, n\u00e3o renuncia \u00e0 dimens\u00e3o pol\u00edtica da exist\u00eancia, \u00e0 aten\u00e7\u00e3o ao bem comum e \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o pelo desenvolvimento humano integral, segundo os princ\u00edpios evang\u00e9licos (276-278).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, Francisco cita o &#8220;Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da conviv\u00eancia comum&#8221;, assinado por ele mesmo em 4 de fevereiro de 2019 em Abu Dhabi, junto com o Grande Im\u00e3 de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib: desta pedra miliar do di\u00e1logo inter-religioso, o Pont\u00edfice retoma o apelo para que, em nome da fraternidade humana, o di\u00e1logo seja adoptado como caminho, a colabora\u00e7\u00e3o comum como conduta, e o conhecimento m\u00fatuo como m\u00e9todo e crit\u00e9rio (285).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Vatican News Service \u2013 IP &#8211; SP<\/b><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fraternidade e amizade social s\u00e3o os caminhos indicados pelo Pont\u00edfice para construir um mundo melhor, mais justo e pac\u00edfico, com o compromisso de todos: pessoas e institui\u00e7\u00f5es. 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