{"id":63023,"date":"2020-10-05T09:36:50","date_gmt":"2020-10-05T12:36:50","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=63023"},"modified":"2020-10-05T12:41:44","modified_gmt":"2020-10-05T15:41:44","slug":"a-nova-enciclica-social-fratelli-tutti-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-nova-enciclica-social-fratelli-tutti-ii\/","title":{"rendered":"A nova enc\u00edclica social \u201cFratelli tutti\u201d (II)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A nova enc\u00edclica sobre a fraternidade e a amizade social, do Papa Francisco \u2013 que se inicia com as palavras de S\u00e3o Francisco de Assis: \u201cFratelli tutti\u201d, em italiano, \u201cTodos irm\u00e3os\u201d, em portugu\u00eas \u2013 foi publicada neste domingo: s\u00e3o oito densos cap\u00edtulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No cap\u00edtulo I, intitulado \u201cAs sombras de um mundo fechado\u201d (n. 9-55), o Santo Padre exp\u00f5e, sem pretender ser exaustivo, algumas tend\u00eancias do mundo atual que atrapalham ou mesmo impedem a fraternidade universal. Eis suas palavras: \u201cSem pretender efetuar uma an\u00e1lise exaustiva nem tomar em considera\u00e7\u00e3o todos os aspetos da realidade que vivemos, proponho apenas manter-nos atentos a algumas tend\u00eancias do mundo atual que dificultam o desenvolvimento da fraternidade universal\u201d (n. 9). E quais s\u00e3o essas sombras?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00e3o muitas: as regress\u00f5es na hist\u00f3ria que reacendem conflitos anacr\u00f4nicos que se consideravam superados, ressurgem nacionalismos fechados, exacerbados, ressentidos e agressivos, ideologias ego\u00edstas, nacionalistas e fechadas ao pr\u00f3ximo (cf. n. 11 e 37); o mundo globalizado que se desinteressa pelo bem comum e, por isso, em vez de aproximar, afasta as pessoas. \u201cO avan\u00e7o deste globalismo favorece normalmente a identidade dos mais fortes que se protegem a si mesmos, mas procura dissolver as identidades das regi\u00f5es mais fr\u00e1geis e pobres, tornando-as mais vulner\u00e1veis e dependentes. Desta forma, a pol\u00edtica torna-se cada vez mais fr\u00e1gil perante os poderes econ\u00f4micos transnacionais que aplicam o lema \u2018divide e reinar\u00e1s\u2019\u201d (n. 12); parece reinar um \u201c\u2018desconstrucionismo\u2019, em que a liberdade humana pretende construir tudo a partir do zero. De p\u00e9, deixa apenas a necessidade de consumir sem limites e a acentua\u00e7\u00e3o de muitas formas de individualismo sem conte\u00fado [&#8230;]. Para isso, precisam de jovens que desprezem a hist\u00f3ria, rejeitem a riqueza espiritual e humana que se foi transmitindo atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es, ignorem tudo quanto os precedeu\u201d (n. 13); perde-se, assim, a identidade espiritual e social com seus grandes conceitos norteadores; semeia-se o des\u00e2nimo e a polariza\u00e7\u00e3o, especialmente no campo pol\u00edtico. Nesse contexto, \u201ca pol\u00edtica deixou de ser um debate saud\u00e1vel sobre projetos a longo prazo para o desenvolvimento de todos e o bem comum, limitando-se a receitas ef\u00eameras de marketing cujo recurso mais eficaz est\u00e1 na destrui\u00e7\u00e3o do outro\u201d (n. 15). Tamb\u00e9m os defensores do meio ambiente ou da \u201ccasa comum\u201d s\u00e3o ridicularizados (cf. n. 17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda: a \u201ccultura do descarte\u201d \u00e9 denunciada com \u00eanfase: \u201cno fundo, as pessoas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o vistas como um valor prim\u00e1rio a respeitar e tutelar, especialmente se s\u00e3o pobres ou deficientes, se \u2018ainda n\u00e3o servem\u2019 (como os nascituros) ou \u2018j\u00e1 n\u00e3o servem\u2019 (como os idosos). Tornamo-nos insens\u00edveis a qualquer forma de desperd\u00edcio, a come\u00e7ar pelo alimentar, que aparece entre os mais deplor\u00e1veis. A falta de filhos, que provoca um envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, juntamente com o abandono dos idosos numa dolorosa solid\u00e3o, exprimem implicitamente que tudo acaba conosco, que s\u00f3 contam os nossos interesses individuais\u201d (n. 18-19). N\u00e3o deixa o Papa de lembrar ainda os baixos sal\u00e1rios a prejudicar os mais vulner\u00e1veis que por vezes prescindem do necess\u00e1rio para viver (cf. n. 20-21); os direitos humanos n\u00e3o s\u00e3o iguais para todos, as mulheres sofrem preconceitos e uma nova forma de escravid\u00e3o atinge a n\u00e3o poucas pessoas em v\u00e1rias partes do mundo. Usam-se para se seduzir mulheres e crian\u00e7as as redes sociais e desse tr\u00e1fico de pessoas surgem gravidezes e, por conseguinte, abortos (cf. n. 23-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Temos ainda as guerras, os atentados, as persegui\u00e7\u00f5es por motivos raciais ou religiosos e tantas afrontas contra a dignidade humana; o etnocentrismo, ou seja, tudo o que vem do outro ou de um grupo diferente do meu \u00e9 suspeito ou n\u00e3o aproveit\u00e1vel (cf. n. 25-27); nesse cen\u00e1rio, surge o crime organizado ou as m\u00e1fias. S\u00e3o palavras do Papa: \u201cA solid\u00e3o, os medos e a inseguran\u00e7a de tantas pessoas que se sentem abandonadas pelo sistema, fazem com que se crie um terreno f\u00e9rtil para as m\u00e1fias. Com efeito, estas imp\u00f5em-se apresentando-se como \u2018protetoras\u2019 dos esquecidos, muitas vezes atrav\u00e9s de v\u00e1rios tipos de ajuda, enquanto perseguem os seus interesses criminosos\u201d (n. 28 e 38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 ainda uma obsess\u00e3o pelo pr\u00f3prio bem-estar que os demais s\u00e3o esquecidos; apareceu tamb\u00e9m a Covid-19 que poder\u00e1 ajudar a humanidade a repensar o seu futuro e trocar o exagero do \u201ceu\u201d pela grandeza do \u201cn\u00f3s\u201d (cf. n. 31-35); no campo virtual, tem-se um paradoxo: as pessoas podem perder sua intimidade expondo-se, mas tamb\u00e9m h\u00e1 o isolamento de quem troca o virtual pelo real e \u00e9 nas redes sociais que, quase sempre, surgem ofensas contra o pr\u00f3ximo. \u00c9 preciso romper essas barreiras e encontrar-se, de fato, com o outro na sadia conviv\u00eancia (cf. n. 42-50). O Santo Padre conclui o cap\u00edtulo com uma mensagem alentadora: \u201cConvido \u00e0 esperan\u00e7a que \u2018nos fala duma realidade que est\u00e1 enraizada no mais fundo do ser humano, independentemente das circunst\u00e2ncias concretas e dos condicionamentos hist\u00f3ricos em que vive. Fala-nos duma sede, duma aspira\u00e7\u00e3o, dum anseio de plenitude, de vida bem-sucedida, de querer agarrar o que \u00e9 grande, o que enche o cora\u00e7\u00e3o e eleva o esp\u00edrito para coisas grandes, como a verdade, a bondade e a beleza, a justi\u00e7a e o amor. (\u2026) A esperan\u00e7a \u00e9 ousada, sabe olhar para al\u00e9m das comodidades pessoais, das pequenas seguran\u00e7as e compensa\u00e7\u00f5es que reduzem o horizonte, para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna\u2019 (<em>Discurso no encontro com os jovens do Centro Cultural Padre F\u00e9lix Varela<\/em> (Havana \u2013 Cuba 20 de setembro de 2015): <em>L\u00b4Osservatore Romano<\/em> (ed. semanal portuguesa de 24\/IX\/2015), 9.). Caminhemos na esperan\u00e7a!\u201d (n. 55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No cap\u00edtulo II, intitulado \u201cUm estranho no caminho\u201d (n. 56-86), o Papa Francisco deixa \u2013 como ele mesmo afirma \u2013 as respostas \u00e0s quest\u00f5es levantadas no cap\u00edtulo I para refletir sobre a conhecida par\u00e1bola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Eis as palavras do Sumo Pont\u00edfice: \u201cCom a inten\u00e7\u00e3o de procurar uma luz no meio do que estamos a viver e antes de propor algumas linhas de a\u00e7\u00e3o, quero dedicar um cap\u00edtulo a uma par\u00e1bola narrada por Jesus Cristo h\u00e1 dois mil anos. Com efeito, apesar desta enc\u00edclica se dirigir a todas as pessoas de boa vontade, independentemente das suas convic\u00e7\u00f5es religiosas, a par\u00e1bola em quest\u00e3o \u00e9 expressa de tal maneira que qualquer um de n\u00f3s pode deixar-se interpelar por ela\u201d (n. 56). Em se tratando de um texto b\u00edblico apto a despertar profundas reflex\u00f5es, convido a cada um(a) a l\u00ea-lo e medit\u00e1-lo com vagar e, em seguida, tomar o cap\u00edtulo II da \u201cFratelli tutti\u201d e sentir-se desafiado pelas reflex\u00f5es do Papa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sem \u201cestragar\u201d o gosto de beber na pr\u00f3pria fonte da enc\u00edclica, chamo a aten\u00e7\u00e3o para alguns pontos mais interpeladores. O primeiro \u00e9 a s\u00edntese \u201catualizada\u201d que Francisco oferece da par\u00e1bola ao escrever: \u201cA par\u00e1bola mostra-nos as iniciativas com que se pode refazer uma comunidade a partir de homens e mulheres que assumem como pr\u00f3pria a fragilidade dos outros, n\u00e3o deixam constituir-se uma sociedade de exclus\u00e3o, mas fazem-se pr\u00f3ximos, levantam e reabilitam o ca\u00eddo, para que o bem seja comum. Ao mesmo tempo, a par\u00e1bola adverte-nos sobre certas atitudes de pessoas que s\u00f3 olham para si mesmas e n\u00e3o atendem \u00e0s exig\u00eancias inilud\u00edveis da realidade humana\u201d (n. 67). Nessa passagem b\u00edblica, \u201cj\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre habitante da Judeia e habitante da Samaria, n\u00e3o h\u00e1 sacerdote nem comerciante; existem simplesmente dois tipos de pessoas: aquelas que cuidam do sofrimento e aquelas que passam ao largo; aquelas que se debru\u00e7am sobre o ca\u00eddo e o reconhecem necessitado de ajuda e aquelas que olham distra\u00eddas e aceleram o passo\u201d (n. 70). E, recorrendo aos Santos Padres, vai al\u00e9m: \u201cS\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo expressou, com muita clareza, este desafio que se apresenta aos crist\u00e3os: \u2018Queres honrar o Corpo de Cristo? N\u00e3o permitas que seja desprezado nos seus membros, isto \u00e9, nos pobres que n\u00e3o t\u00eam que vestir, nem O honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto l\u00e1 fora O abandonas ao frio e \u00e0 nudez\u2019 (<em>Homiliae in Matthaeum<\/em>, 50, 3-4: <em>PG<\/em> 58, 508)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, vem outro problema: Quem \u00e9 o meu pr\u00f3ximo? \u2013 pergunta o jovem a Jesus. Da\u00ed uma explica\u00e7\u00e3o: \u201cImporta notar que para os israelitas s\u00f3 era considerado \u2018pr\u00f3ximo\u2019 dois pastores que se associam (<em>re\u2019a<\/em>), os amigos, os s\u00f3cios, os compatriotas, pois eles n\u00e3o deviam se misturar com outros (cf. Lv 19,19). O estrangeiro, salvo se fosse um oficial romano, n\u00e3o tinha valor algum. Ningu\u00e9m era obrigado a ajud\u00e1-lo. Certo \u00e9 que em Lv 19,34 e Dt 10,19 \u00e9 preceituado o amor ao estrangeiro, por\u00e9m n\u00e3o a qualquer um, mas, sim, apenas, ao estrangeiro domiciliado em Israel e, de certo modo, assimilado, por ado\u00e7\u00e3o ao povo de Israel (<em>ger<\/em>). Eis, pois, um importante pano de fundo da par\u00e1bola\u201d (<em>Recorramos a Santa Gertrudes de Helfta<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultor de Livros, 2019, p. 81 \u2013 nota 42). Dito isso, notemos \u2013 com o Papa \u2013 que tal mentalidade foi se abrindo no pr\u00f3prio Antigo Testamento (cf. Tb 4,15; Sir 18,13 etc.), mas s\u00f3 ganha contornos claros no Novo Testamento (cf. Mt 7,12; Mt 5,45; Lc 6,36; 1Ts 3,12 etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao olhar, no entanto, o sacerdote, o levita e o samaritano, somos confrontados. Da\u00ed a indaga\u00e7\u00e3o firme do Santo Padre: \u201cCom quem te identificas? \u00c9 uma pergunta sem rodeios, direta e determinante: a qual deles te assemelhas? Precisamos de reconhecer a tenta\u00e7\u00e3o que nos cerca de se desinteressar dos outros, especialmente dos mais fr\u00e1geis. Digamos que crescemos em muitos aspetos, mas somos analfabetos no acompanhar, cuidar e sustentar os mais fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis das nossas sociedades desenvolvidas. Habituamo-nos a olhar para o outro lado, passar \u00e0 margem, ignorar as situa\u00e7\u00f5es at\u00e9 elas nos ca\u00edrem diretamente em cima\u201d (n. 64).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, como o Bom Samaritano, \u201cgozamos dum espa\u00e7o de corresponsabilidade capaz de iniciar e gerar novos processos e transforma\u00e7\u00f5es. Sejamos parte ativa na reabilita\u00e7\u00e3o e apoio das sociedades feridas\u201d (n. 77). E mais: fazer tudo por amor de Deus, ou seja, sem esperar recompensa humana alguma: \u201cO samaritano do caminho partiu sem esperar reconhecimentos nem obrigados. A dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o era a grande satisfa\u00e7\u00e3o diante do seu Deus e na pr\u00f3pria vida e, consequentemente, um dever. Todos temos uma responsabilidade pelo ferido que \u00e9 o nosso povo e todos os povos da terra. Cuidemos da fragilidade de cada homem, cada mulher, cada crian\u00e7a e cada idoso, com a mesma atitude solid\u00e1ria e sol\u00edcita, a mesma atitude de proximidade do bom samaritano\u201d (n. 79). Cristo est\u00e1 nos abandonados e exclu\u00eddos (cf. Mt 25,40.45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aprendamos, pois, a olhar os problemas de nosso tempo e a enfrent\u00e1-los por amor de Deus que \u00e9 tamb\u00e9m amor ao pr\u00f3ximo. Ambos s\u00e3o indissoci\u00e1veis, pois ningu\u00e9m consegue amar a Deus a quem n\u00e3o v\u00ea, se n\u00e3o ama o irm\u00e3o a quem v\u00ea (cf. 1 Jo 4,20-21). Pe\u00e7amos a gra\u00e7a de uma f\u00e9 que opera pela caridade (cf. Gl 5,1-6) perante todos os necessitados que o Senhor coloca em nosso caminho a fim de que lhes sejamos tamb\u00e9m bons samaritanos do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A nova enc\u00edclica sobre a fraternidade e a amizade social, do Papa Francisco \u2013 que se inicia com as palavras de S\u00e3o Francisco de Assis: \u201cFratelli tutti\u201d, em italiano, \u201cTodos irm\u00e3os\u201d, em portugu\u00eas \u2013 foi publicada neste domingo: s\u00e3o oito densos cap\u00edtulos. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No cap\u00edtulo I, intitulado \u201cAs sombras de um mundo fechado\u201d (n. 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