{"id":6287,"date":"2015-08-06T14:50:17","date_gmt":"2015-08-06T17:50:17","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/grito-dos-excluidos-nenhum-trabalhador-sem-direitos\/"},"modified":"2017-04-11T10:00:57","modified_gmt":"2017-04-11T13:00:57","slug":"grito-dos-excluidos-nenhum-trabalhador-sem-direitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/grito-dos-excluidos-nenhum-trabalhador-sem-direitos\/","title":{"rendered":"Grito dos Exclu\u00eddos: nenhum trabalhador sem direitos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/vida em primeiro lugar.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/> O Grito dos Exclu\u00eddos\/as, que se realiza anualmente no dia 7 de setembro em todo o Brasil, chega a sua 21\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Em 2015, o lema questiona \u201cQue pa\u00eds \u00e9 este que mata gente, que a m\u00eddia mente e nos consome?\u201d e chama a aten\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia que afeta\u00a0 sobretudo as juventudes das periferias, bem como alerta para o poder que os meios de comunica\u00e7\u00e3o exercem na manipula\u00e7\u00e3o da sociedade. <\/p>\n<p>Eixo trabalho <\/p>\n<p>Embora a classe trabalhadora seja sujeito de fundamental import\u00e2ncia no desenvolvimento da na\u00e7\u00e3o, historicamente \u00e9 alvo vulner\u00e1vel de viola\u00e7\u00e3o de direitos e da explora\u00e7\u00e3o do capital. Viola\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o que se concretizam nas condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho e na falta de acesso aos direitos b\u00e1sicos da fam\u00edlia, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, moradia, lazer, levando milh\u00f5es de brasileiros \u00e0 exclus\u00e3o social. <\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada houve avan\u00e7os no Brasil, como a redu\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de desemprego; facilita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito e incentivo ao consumo; implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o de renda que contribu\u00edram para que o pa\u00eds sa\u00edsse das primeiras posi\u00e7\u00f5es no mapa mundial da mis\u00e9ria. No entanto, \u00e9 sabido que o capitalismo se reorganiza no mundo, o que exige organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores por seus direitos, bem como reformas estruturais que possam transformar essas melhorias em mudan\u00e7as. <\/p>\n<p>At\u00e9 porque, mesmo com a inclus\u00e3o de milh\u00f5es de exclu\u00eddos e exclu\u00eddas, direito reservado at\u00e9 ent\u00e3o para uma pequena elite, n\u00e3o houve ruptura com as estruturas que geram desigualdades sociais, e consequentemente sem tetos, famintos, sem terras, sem escolas, sem transporte, sem servi\u00e7os dignos de sa\u00fade, enfim. <\/p>\n<p>Como alerta o ditado popular, os direitos n\u00e3o s\u00e3o dados, mas conquistados. A luta de resist\u00eancia e de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores desde, principalmente o final do s\u00e9culo XIX, confluiu para a fixa\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00f5es com vistas a garantir os seus direitos e frear a sede de explora\u00e7\u00e3o dos empregadores. Assim, a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT), sancionada por decreto de Get\u00falio Vargas, em 1943, apesar de limitada, regulamentava as rela\u00e7\u00f5es de trabalho. <\/p>\n<p>Ataques aos direitos trabalhistas <\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, a CLT come\u00e7a a sofrer ataques que continuam ainda hoje. O governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso se propunha a \u201catualizar\u201d toda a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, vista na \u00e9poca como atrasada e pouco flex\u00edvel (do ponto de vista do patronato). Impedido pelo movimento social, partiu-se para introduzir modifica\u00e7\u00f5es pontuais, que flexibilizavam a forma de contrata\u00e7\u00e3o, o tempo de trabalho e a remunera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Para completar a nega\u00e7\u00e3o de direitos veio o PL 4330 de 2004, Projeto da Terceiriza\u00e7\u00e3o, que visa desregulamentar a CLT e tornar prec\u00e1rias ainda mais as rela\u00e7\u00f5es trabalhistas. A flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas contribui tamb\u00e9m para o aumento dos \u00edndices de acidente de trabalho (80% dos casos seguidos de morte s\u00e3o em empresas terceirizadas). Dados do Anu\u00e1rio Estat\u00edstico da Previd\u00eancia Social mostram que, no Brasil, em 2013, foram registrados 717.911 acidentes com 2.814 \u00f3bitos e 16.121 incapacidades permanentes. Al\u00e9m disso, os\/as trabalhadores\/as terceirizados tem uma remunera\u00e7\u00e3o em m\u00e9dia 24% menor e trabalham em m\u00e9dia 3 horas a mais que os empregados formais.<\/p>\n<p>Os ataques \u00e0s leis trabalhistas contribuem ainda para que se perpetue a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Sem falar das medidas provis\u00f3rias 664 e 665 que mexem com os direitos de aux\u00edlio-doen\u00e7a, pens\u00e3o por morte, seguro-desemprego, legisla\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria; a PEC 215 sobre a homologa\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas; a aus\u00eancia leis que viabilizem a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>A luta pela dignidade humana vai al\u00e9m da luta pelo trabalho\/emprego, ou pelos direitos trabalhistas. O conflito capital-trabalho perpassa todos os direitos dos trabalhadores\/as. \u00c9 preciso promover o trabalho para al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de renda; deve ser fortalecido enquanto um ato pol\u00edtico, e que os\/as trabalhadores\/as ajudem a determinar os rumos da sociedade.<br \/>Neste sentido, se faz necess\u00e1rio unir todas as pessoas na luta por garantia de direitos trabalhistas, sociais, pela garantia ao acesso \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de qualidade, ao direito a moradia digna, sal\u00e1rio e emprego, ou seja, direitos b\u00e1sicos \u00e9 mais um dos eixos que norteiam o Grito deste ano e cabe a todos n\u00f3s exigir que o Estado assuma suas responsabilidades na garantia de direitos b\u00e1sicos dos seus cidad\u00e3os e cidad\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Grito dos Exclu\u00eddos\/as, que se realiza anualmente no dia 7 de setembro em todo o Brasil, chega a sua 21\u00aa edi\u00e7\u00e3o. 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