{"id":62615,"date":"2020-09-22T09:23:01","date_gmt":"2020-09-22T12:23:01","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=62615"},"modified":"2020-09-22T12:29:26","modified_gmt":"2020-09-22T15:29:26","slug":"ladaria-um-texto-necessario-diante-da-nova-legislacao-sobre-a-eutanasia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ladaria-um-texto-necessario-diante-da-nova-legislacao-sobre-a-eutanasia\/","title":{"rendered":"Ladaria: \u201cUm texto necess\u00e1rio diante da nova legisla\u00e7\u00e3o sobre a eutan\u00e1sia\u201d"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\"><span class=\"didascalia_img\">Cardeal Luis Francisco Ladaria Ferrer \u00a0 (\u00a9 2018 Catholic News Service)<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Entrevista com o prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 sobre a carta \u201cSamaritanus bonus\u201d: \u201cO documento oferece uma abordagem integral da pessoa humana, do sofrimento e da doen\u00e7a, do cuidado de quem se encontra nas fases cr\u00edticas e terminais da vida\u201d.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>VATICAN NEWS<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUm documento necess\u00e1rio\u201d diante de novas normas e leis cada vez mais permissivas sobre eutan\u00e1sia, suic\u00eddio assistido e disposi\u00e7\u00f5es sobre o fim da vida. Assim, o cardeal Luis Francisco Ladaria Ferrer, prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, nesta entrevista ao Vatican News, explica as raz\u00f5es que levaram o dicast\u00e9rio a publicar \u201cSamaritanus bonus\u201d, a nova carta dedicada aos temas do fim da vida.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-62615-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/09\/22\/12\/135724676_F135724676.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/09\/22\/12\/135724676_F135724676.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/09\/22\/12\/135724676_F135724676.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Emin\u00eancia, por que era necess\u00e1rio este novo documento da Congrega\u00e7\u00e3o sobre as quest\u00f5es do fim da vida?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNa conclus\u00e3o da Sess\u00e3o Plen\u00e1ria da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 de 2018, com rela\u00e7\u00e3o ao estudo das quest\u00f5es doutrinais e pastorais relativas ao acompanhamento dos doentes nas fases cr\u00edticas e terminais da vida, os sacerdotes sugeriram que era apropriado ter um documento que tratasse disso, n\u00e3o somente de forma doutrinalmente correta, mas tamb\u00e9m com uma forte \u00eanfase pastoral e uma linguagem compreens\u00edvel, de acordo com o progresso das ci\u00eancias m\u00e9dicas. Era uma quest\u00e3o de aprofundar os temas do acompanhamento e cuidado dos doentes do ponto de vista teol\u00f3gico e antropol\u00f3gico, focalizando tamb\u00e9m algumas quest\u00f5es \u00e9ticas relevantes envolvidas na proporcionalidade das terapias e relativas \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia e ao acompanhamento dos doentes terminais. \u00c0 luz destas considera\u00e7\u00f5es e embora o ensinamento da Igreja sobre o assunto j\u00e1 esteja contido em conhecidos documentos magisteriais, um novo pronunciamento org\u00e2nico da Santa S\u00e9 sobre o cuidado das pessoas nas fases cr\u00edticas e terminais da vida pareceu oportuno e necess\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual, caracterizada por um conte\u00fado legislativo civil internacional cada vez mais permissivo sobre a eutan\u00e1sia, o suic\u00eddio assistido e as disposi\u00e7\u00f5es sobre o fim da vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A carta \u201cSamaritanus bonus\u201d cont\u00e9m alguma novidade? E se sim, quais?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO documento oferece uma abordagem integral \u00e0 pessoa humana, ao sofrimento e \u00e0 doen\u00e7a, ao cuidado de quem se encontra nas fases cr\u00edticas e terminais da vida. Um cuidado que, por sua vez, n\u00e3o pode ser reduzido apenas \u00e0 perspectiva m\u00e9dica ou psicol\u00f3gica, mas consiste em cuidar inteiramente da pessoa necessitada. Porque, como \u00e9 bem dito no primeiro par\u00e1grafo do texto, o cuidado com a vida \u00e9 a primeira responsabilidade que o m\u00e9dico experimenta no encontro com o doente. N\u00e3o se reduz \u00e0 capacidade de curar o doente, visto que seu horizonte antropol\u00f3gico e moral \u00e9 mais amplo: mesmo quando a cura \u00e9 imposs\u00edvel ou improv\u00e1vel, o acompanhamento m\u00e9dico e de enfermagem, com o cuidado das fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas essenciais do corpo, junto com o acompanhamento psicol\u00f3gico e espiritual, \u00e9 um dever inevit\u00e1vel. O oposto seria um abandono desumano do doente. Samaritanus bonus insiste do come\u00e7o ao fim nesta dimens\u00e3o integral do cuidado. Neste sentido, o documento focaliza bem, retornando v\u00e1rias vezes, no fato de que a dor s\u00f3 \u00e9 existencialmente suport\u00e1vel se houver uma esperan\u00e7a confi\u00e1vel. E uma esperan\u00e7a semelhante s\u00f3 pode ser comunicada onde h\u00e1 um coro de presen\u00e7a que espera em torno do doente que sofre\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Por que se afirma no documento que \u201cincur\u00e1vel\u201d nunca \u00e9 sin\u00f4nimo de \u201cirremedi\u00e1vel\u201d?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Carta apela para uma experi\u00eancia humana universal: aquela para a qual a quest\u00e3o sobre o sentido da vida se torna ainda mais aguda quando o sofrimento paira e a morte se aproxima. O reconhecimento da fragilidade e vulnerabilidade da pessoa doente &#8211; mesmo que, em sua raiz, o ser humano como tal \u00e9 fr\u00e1gil e vulner\u00e1vel &#8211; abre espa\u00e7o, como j\u00e1 foi enfatizado, para a \u00e9tica do cuidado. Exercer a responsabilidade para com a pessoa doente significa garantir o seu cuidado at\u00e9 o fim: \u201cCurar se poss\u00edvel, cuidar sempre\u201d, escreveu Jo\u00e3o Paulo II. \u00c9 um olhar contemplativo, assim \u00e9 sugerido, um olhar total, um olhar para a pessoa como um todo, que permite uma amplia\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de cuidado. Esta inten\u00e7\u00e3o de curar sempre o doente, l\u00ea-se no documento, oferece o crit\u00e9rio para avaliar as diferentes a\u00e7\u00f5es a serem tomadas na situa\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a \u201cincur\u00e1vel\u201d: incur\u00e1vel nunca \u00e9 sin\u00f4nimo de irremedi\u00e1vel. A Igreja nunca deixa de afirmar o sentido positivo da vida humana como um valor percept\u00edvel pela justa raz\u00e3o, que a luz da f\u00e9 confirma e valoriza em sua dignidade inalien\u00e1vel. Afirmar a sacralidade e a inviolabilidade da vida humana significa n\u00e3o descartar o valor radical da liberdade da pessoa que sofre, fortemente condicionada pela doen\u00e7a e pela dor: tal descarte ocorreria no momento em que se consentisse ao pedido de negar, com a eutan\u00e1sia, qualquer outra possibilidade de rela\u00e7\u00e3o humana ben\u00e9fica\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Luis Francisco Ladaria Ferrer \u00a0 (\u00a9 2018 Catholic News Service) Entrevista com o prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 sobre a carta \u201cSamaritanus bonus\u201d: \u201cO documento oferece uma abordagem integral da pessoa humana, do sofrimento e da doen\u00e7a, do cuidado de quem se encontra nas fases cr\u00edticas e terminais da vida\u201d. 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