{"id":62404,"date":"2020-09-15T09:03:27","date_gmt":"2020-09-15T12:03:27","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=62404"},"modified":"2020-09-15T11:04:58","modified_gmt":"2020-09-15T14:04:58","slug":"irmaos-como-dom-a-experiencia-de-francisco-de-assis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/irmaos-como-dom-a-experiencia-de-francisco-de-assis\/","title":{"rendered":"Irm\u00e3os como dom, a experi\u00eancia de Francisco de Assis"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Para S\u00e3o Francisco, a fraternidade n\u00e3o \u00e9 uma teoria abstrata, mas um presente concreto de Deus para cada um e para todos. O Pobrezinho de Assis nos lembra, ainda hoje, que n\u00e3o podemos ser verdadeiros irm\u00e3os se n\u00e3o nos reconhecermos como filhos de um \u00fanico Pai.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Alessandro Gisotti<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco de Assis volta a inspirar o Papa, o primeiro na hist\u00f3ria a tomar o seu nome. Cinco anos atr\u00e1s, foi o louvor a Deus pela Cria\u00e7\u00e3o, o C\u00e2ntico das Criaturas, a dar uma alma \u00e0 Enc\u00edclica<i>\u00a0Laudato si\u2019<\/i>, desta vez o foco de aten\u00e7\u00e3o do novo documento magisterial \u00e9 a fraternidade (e a amizade social) que ser\u00e1 assinado na terra natal de S\u00e3o Francisco no pr\u00f3ximo dia 3 de outubro. Mas o que s\u00e3o, ou melhor, quem s\u00e3o os &#8220;irm\u00e3os&#8221; de S\u00e3o Francisco? Uma resposta \u00edntima e reveladora \u00e9 encontrada no in\u00edcio de seu\u00a0<i>Testamento<\/i>, onde, ap\u00f3s narrar o encontro com os leprosos \u2013 aos quais Cristo o conduziu, porque tinha avers\u00e3o a eles &#8211;\u00a0 afirma: &#8220;E depois que o Senhor me deu os\u00a0<i>frades<\/i>, ningu\u00e9m me mostrava o que deveria fazer, mas o pr\u00f3prio Alt\u00edssimo me revelou que eu deveria viver de acordo com a forma do Santo Evangelho&#8221;.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe!<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-62404-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/09\/15\/11\/135717705_F135717705.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/09\/15\/11\/135717705_F135717705.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/09\/15\/11\/135717705_F135717705.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os\u00a0<i>frades<\/i>, os irm\u00e3os, portanto, se apresentam a Francisco, antes de tudo, como um presente de Deus. Um presente inesperado e, para dizer a verdade, n\u00e3o indolor porque traz uma nova situa\u00e7\u00e3o que o &#8220;for\u00e7a&#8221; a pedir ajuda ao Senhor, porque ningu\u00e9m sabe lhe dizer o que fazer. Os irm\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o nossa &#8220;conquista&#8221;, nem s\u00e3o como desejar\u00edamos que fossem. S\u00e3o o trabalho vivo do Criador oferecido gratuitamente a cada um de n\u00f3s. S\u00e3o doados, por isso n\u00e3o podemos escolh\u00ea-los ou possu\u00ed-los, mas apenas acolh\u00ea-los e am\u00e1-los assim como s\u00e3o, com suas fraquezas e diferen\u00e7as. Diferen\u00e7as (\u00e0s vezes dissonantes) que no final s\u00f3 o Senhor pode recompor porque, como diria o Papa, a harmonia n\u00e3o \u00e9 feita por n\u00f3s, mas pelo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que emerge claramente em Francisco de Assis, e que encontra confirma\u00e7\u00e3o neste escrito fundamental na par\u00e1bola conclusiva de sua vida terrena, \u00e9 que para ele a fraternidade n\u00e3o \u00e9 uma ideia, uma teoria abstrata, mas um fato concreto, uma experi\u00eancia que muda a vida. Al\u00e9m deste fato da realidade, e ainda mais relevante porque \u00e9 a fonte, descobrimos que para Francisco n\u00e3o h\u00e1 fraternidade se n\u00e3o reconhecermos (e n\u00e3o aceitarmos) a filia\u00e7\u00e3o comum do Pai celeste. Somos\u00a0<i>todos<\/i>\u00a0irm\u00e3os porque somos\u00a0<i>todos<\/i>\u00a0filhos do mesmo Pai. Portanto, ningu\u00e9m \u00e9 mais estrangeiro do que o outro.\u00a0\u00a0Uma revolu\u00e7\u00e3o de perspectiva que, na vida de Francisco, levar\u00e1 a escolhas surpreendentes recapituladas na famosa visita ao Sult\u00e3o do Egito. Aqui est\u00e1 o n\u00facleo da convers\u00e3o do Santo de Assis e com ele podemos dizer de cada mulher e homem que autenticamente encontrou Jesus Cristo. Pois se n\u00e3o reconhecermos o plano comum de amor do Pai por n\u00f3s, n\u00e3o ser\u00e1 suficiente sermos irm\u00e3s ou irm\u00e3os. Nem mesmo biologicamente. De fato, \u00e9 um irm\u00e3o de sangue que mata Abel. E o mata porque o \u00f3dio fechou os olhos de Caim que, n\u00e3o vendo mais o amor do Pai, n\u00e3o reconhece nem mesmo seu irm\u00e3o como tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, para Francisco de Assis a fraternidade n\u00e3o \u00e9 um presente &#8220;est\u00e1tico&#8221;, um fim em si mesmo. Ela se alimenta e cresce nutrindo-se da caridade. E isso sempre traz a paz. A rela\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os tra\u00e7a um caminho, inicia um processo que se desenvolve em uma dimens\u00e3o comunit\u00e1ria. \u00c9 depois do encontro com seus\u00a0<i>frades<\/i>, de fato, que o Senhor lhe revela que deve viver o Evangelho\u00a0<i>sine glossa<\/i>, e diz ainda: que se deve conformar a este, tomar a pr\u00f3pria forma do &#8220;santo Evangelho&#8221;. Por\u00e9m, fazer isso de forma radical, &#8220;sem calmantes&#8221; para retomar uma imagem eficaz do Papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o Padroeiro da It\u00e1lia, cuidar dos outros como a si mesmo torna-se o caminho e o espa\u00e7o privilegiado para a evangeliza\u00e7\u00e3o. Portanto, n\u00e3o pode existir um\u00a0<i>frade<\/i>\u00a0que se retira em condi\u00e7\u00e3o de isolamento. Seria um contrassenso, um testemunho contr\u00e1rio. Para o santo, de fato, o amor ao Pai cresce tanto quanto o amor ao irm\u00e3o em cujo rosto se encontram as caracter\u00edsticas do Criador. Um amor que em Francisco se expande at\u00e9 se tornar c\u00f3smico porque a fraternidade se torna um abra\u00e7o para cada criatura: at\u00e9 mesmo o Sol \u00e9 chamado de irm\u00e3o e a irm\u00e3 de Lua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oito s\u00e9culos depois, apesar do crescimento dos ego\u00edsmos e do surgimento de barreiras de todos os tipos, o mundo ainda tem sede de fraternidade e de paternidade. Est\u00e1 constantemente em busca dela. O testemunho do Pobrezinho de Assis, que se torna &#8220;irm\u00e3o de todos os homens&#8221;, \u00e9 mais do nunca atual e nos exorta, junto com outro Francisco, a trilhar o caminho da fraternidade.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para S\u00e3o Francisco, a fraternidade n\u00e3o \u00e9 uma teoria abstrata, mas um presente concreto de Deus para cada um e para todos. 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