{"id":62182,"date":"2020-09-08T09:32:27","date_gmt":"2020-09-08T12:32:27","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=62182"},"modified":"2020-09-08T10:33:23","modified_gmt":"2020-09-08T13:33:23","slug":"perdoar-sempre-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/perdoar-sempre-2\/","title":{"rendered":"PERDOAR SEMPRE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Ap\u00f3stolo Pedro fez a Jesus uma indaga\u00e7\u00e3o concreta: \u201cSenhor, se meu irm\u00e3o pecar contra mim, quantas vezes lhe devo perdoar? At\u00e9 sete vezes\u201d? (Mt 18,21-35). O Mestre divino respondeu: \u201cN\u00e3o te digo at\u00e9 sete vezes, mas at\u00e9 setenta vezes sete, ou seja, indefinidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratava-se de uma falta cometida por uma pessoa pr\u00f3xima e n\u00e3o de uma reconcilia\u00e7\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Referia-se a um fato concreto, pessoal.\u00a0 Era uma quest\u00e3o n\u00e3o te\u00f3rica, mas um fato real, causado por algu\u00e9m pr\u00f3ximo do ofendido As faltas e os pecados das pessoas com as quais se tem maior liga\u00e7\u00e3o, as quais mais se amam, ferem muito mais do que as inj\u00farias e ofensas em geral recebidas no dia a dia. Neste caso \u00e9 mais dif\u00edcil administrar o ressentimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se ent\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o mais \u00edntima que ficou conturbada. O ap\u00f3stolo Pedro acrescentou algo na sua interroga\u00e7\u00e3o, ou seja, quantas vezes neste caso se deveria perdoar. Jesus respondeu de uma maneira definitiva, dizendo que n\u00e3o h\u00e1 limites, pois deve-se perdoar sempre. O fundamento deste limite ao perd\u00e3o Jesus o justifica de maneira indireta narrando a par\u00e1bola do servo sem miseric\u00f3rdia. Contrastante a atitude do rei que perdoa quem lhe devia uma alta quantia e a perversa atitude de quem fora perdoado pequena soma com rela\u00e7\u00e3o ao companheiro que pouco lhe devia, encarcerando-o at\u00e9 que pagasse o que devia. Ao<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">tomar conhecimento desta \u00edmpia atitude o senhor\u00a0\u00a0 recriminou esta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00edmpia maneira de agir e o entregou aos algozes at\u00e9 que pagasse tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus lan\u00e7ou ent\u00e3o seu not\u00e1vel ensinamento: \u201cAssim vos far\u00e1 tamb\u00e9m o meu Pai celeste se n\u00e3o vos perdoardes de cora\u00e7\u00e3o um ao outro\u201d. Deste<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">modo, como Deus perdoa sempre a cada um\u00a0\u00a0 suas faltas, do mesmo modo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">devemos anistiar o pr\u00f3ximo Aquele que recusa perdoar o outro sai do universo do perd\u00e3o sem limites de Deus. \u00c9 a consci\u00eancia do perd\u00e3o recebido que torna o pecador arrependido capaz de perdoar tamb\u00e9m o ofensor. Um crist\u00e3o n\u00e3o pode se dizer disc\u00edpulo de Jesus se n\u00e3o pratica o perd\u00e3o \u00e0 maneira de Deus. Raiva, c\u00f3lera, furor, ira, eis a\u00ed atitudes abomin\u00e1veis nas quais muitos de obstinam. \u00c9 ap\u00f3s perdoar o irm\u00e3o ou a irm\u00e3 pelo mal que fizeram \u00e9 que se deve suplicar a Deus a clem\u00eancia, reconhecendo que n\u00e3o h\u00e1 propor\u00e7\u00e3o alguma entre o mal praticado pelo pr\u00f3ximo e a inj\u00faria feita ao Senhor Todo-poderoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Donde a sublimidade do verdadeiro indulto, pois este ser\u00e1 sempre uma atitude humana, superficial, uma sombra diante da absolvi\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, perdoar \u00e9 ir al\u00e9m de tudo que \u00e9 do homem, ultrapassando a mis\u00e9ria da estreiteza de um ser limitado, imitando a imensid\u00e3o da generosidade do Criador. Deste modo o homem vai al\u00e9m de si mesmo e passa a realizar o que est\u00e1 na ora\u00e7\u00e3o que Jesus nos ensinou: \u201cPerdoai nossas ofensas, assim como n\u00f3s perdoamos a quem nos tem ofendido\u201d, portanto, em qualquer circunst\u00e2ncia. Um perd\u00e3o constante, perfeito, sem limites, sempre repetido. Isto \u00e9 poss\u00edvel se a gra\u00e7a de Deus acompanha sem cessar o verdadeiro disc\u00edpulo de Jesus, Deve-se ent\u00e3o concluir que o perd\u00e3o \u00e9 uma atitude vital, na exist\u00eancia cotidiana do crist\u00e3o. Trata-se de um dos pilares da perfei\u00e7\u00e3o crist\u00e3. \u00c9 algo essencial para o verdadeiro disc\u00edpulo de Cristo. \u00c9 a mais bela e sublime atitude oferecida pelo Evangelho. Trata-se do tesouro do cristianismo. \u00c9 um imperativo ao qual nunca se deve eximir quem se diz seguidor do Filho de Deus. Nem se deve esquecer que a miseric\u00f3rdia e o perd\u00e3o levam a uma not\u00e1vel capacidade de amadurecimento pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando uma pessoa perdoa, ela amadurece e se aperfei\u00e7oa psicol\u00f3gica e espiritualmente. Na medida que algu\u00e9m guarda rancor, ira, sua vida espiritual e psicol\u00f3gica fica enormemente debilitada. O perd\u00e3o \u00e9 o meio necess\u00e1rio para se atingir a paz do cora\u00e7\u00e3o. Isto implica o abandono do ressentimento e do rancor para com quem nos ofendeu, a ren\u00fancia a qualquer tipo de vingan\u00e7a; o esfor\u00e7o para responder o ofensor com bondade, generosidade e amor; rezando por todos os que nos tenham feito algum mal. Jesus quis mostrar que o amor de Deus deve ser imitado e \u00e9 sem limites.\u00a0 S\u00e3o Pedro queria uma limita\u00e7\u00e3o no gesto do perd\u00e3o, quando n\u00e3o h\u00e1 c\u00e1lculos mesquinhos a fazer. Os grandes santos ao se imergirem no braseiro ardente do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus aprenderam dele a amar plenamente, fazendo a experi\u00eancia luminosa da infinita dile\u00e7\u00e3o do Mestre divino. Saibamos multiplicar o perd\u00e3o e estaremos dando provas de que estamos sempre imitando o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus que \u00e9 um abismo de amor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Ap\u00f3stolo Pedro fez a Jesus uma indaga\u00e7\u00e3o concreta: \u201cSenhor, se meu irm\u00e3o pecar contra mim, quantas vezes lhe devo perdoar? At\u00e9 sete vezes\u201d? (Mt 18,21-35). O Mestre divino respondeu: \u201cN\u00e3o te digo at\u00e9 sete vezes, mas at\u00e9 setenta vezes sete, ou seja, indefinidamente. 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