{"id":61313,"date":"2020-08-10T08:58:36","date_gmt":"2020-08-10T11:58:36","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=61313"},"modified":"2020-08-10T11:00:14","modified_gmt":"2020-08-10T14:00:14","slug":"o-mar-e-seus-trabalhadores-uma-periferia-tao-amada-pelo-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-mar-e-seus-trabalhadores-uma-periferia-tao-amada-pelo-papa\/","title":{"rendered":"O mar e seus trabalhadores: uma &#8220;periferia&#8221; t\u00e3o amada pelo Papa"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">O respons\u00e1vel pelo setor do Apostolado do Mar no \u00e2mbito do Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral, pe. Bruno Ciceri, no centen\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o do Apostolado do Mar, se det\u00e9m em muitos temas relativos aos trabalhadores do setor mar\u00edtimo e suas fam\u00edlias tr\u00eas vezes, nos \u00faltimos meses, no centro da aten\u00e7\u00e3o do Papa Francisco.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Gabriella Ceraso e Luca Collodi \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem muitas fragilidades no mundo do mar e seus trabalhadores, um mundo precioso para a humanidade em termos de economia, com\u00e9rcio, alimenta\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o ambiental. Marinheiros e pescadores correm muitos riscos f\u00edsicos, enfrentam pesados desafios econ\u00f4micos, experimentam sofrimentos e dificuldades que a Covid-19 acentuou. Mas nada disso passa despercebido aos capel\u00e3es e volunt\u00e1rios que, desde o nascimento do Apostolado do Mar, os escutam em cerca de trezentos portos, atrav\u00e9s das m\u00eddias sociais e nas capelas dos navios, a todo momento.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-61313-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/08\/10\/12\/135681792_F135681792.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/08\/10\/12\/135681792_F135681792.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/08\/10\/12\/135681792_F135681792.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cem anos de funda\u00e7\u00e3o significa proximidade e, neste momento, tamb\u00e9m amplifica\u00e7\u00e3o da voz daqueles que, nas periferias do mundo, n\u00e3o t\u00eam voz, para que seus direitos sejam reconhecidos e protegidos e para que seu trabalho possa ser realizado em seguran\u00e7a. O m\u00eas central do ver\u00e3o europeu, agosto, na ora\u00e7\u00e3o do Papa \u00e9 dedicado ao mar e seus trabalhadores: mas \u00e9 apenas a \u00faltima de tr\u00eas ocasi\u00f5es que Francisco dedica ao tema, evidentemente por um interesse particular. Qual? N\u00f3s conversamos sobre isso como o\u00a0<b>pe. Bruno Ciceri, respons\u00e1vel pelo Apostolado do Mar no \u00e2mbito do Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Pe. Ciceri:<\/b> Existem raz\u00f5es espec\u00edficas para essas rea\u00e7\u00f5es do Santo Padre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas do mar. Em junho passado, ele agradeceu aos marinheiros pelo seu trabalho durante o per\u00edodo de confinamento, quando tudo estava parado, e os marinheiros continuaram transportando 90% da mercadoria e, sobretudo, transportaram equipamentos m\u00e9dicos de uma parte para outra do mundo. A segunda rea\u00e7\u00e3o do Santo Padre foi feita no dia 13 de julho, no chamado Domingo do Mar, um domingo em que ecumenicamente, com outras denomina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, procura-se agradecer aos mar\u00edtimos pelo trabalho que realizam, pois tornam a nossa vida mais f\u00e1cil. Depois a inten\u00e7\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o de agosto, tamb\u00e9m porque este ano celebramos o centen\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o do Apostolado do Mar e quisemos enfatizar essa nossa realidade. Penso que a principal raz\u00e3o pela qual o Santo Padre est\u00e1 t\u00e3o pr\u00f3ximo ao povo do mar \u00e9 porque o mundo mar\u00edtimo \u00e9 uma das periferias em que a Igreja est\u00e1 presente, onde a Igreja trabalha. Os portos est\u00e3o nas periferias das cidades. E n\u00f3s estamos presentes ali. Existem alguns temas no mundo mar\u00edtimo que s\u00e3o muito caros ao Papa Francisco, por causa do tipo de sofrimento das pessoas. Pensemos no trabalho for\u00e7ado, no tr\u00e1fico de pessoas, na escravid\u00e3o: por essas raz\u00f5es, o Santo Padre est\u00e1 pr\u00f3ximo \u00e0s pessoas do mar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Padre Ciceri, quem trabalha no mar, quem vive no mar tem uma vida dif\u00edcil e \u00e0s vezes perigosa: 745 pessoas morreram entre 2011 e 2020. H\u00e1 um perigo de vida, um perigo de trabalho for\u00e7ado, h\u00e1 polui\u00e7\u00e3o, existem regras da pesca que nem sempre s\u00e3o respeitadas. Que impacto todas essas coisas t\u00eam sobre os marinheiros?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Pe. Ciceri:\u00a0<\/b>Um impacto muito forte sobre suas fam\u00edlias. Primeiramente, falamos dos perigos naturais: existe a tempestade, o furac\u00e3o e mesmo que esses navios sejam enormes, quando se confrontam com a for\u00e7a da natureza, se tornam pequenos galhos jogados aqui e ali no mar. Depois h\u00e1 os perigos criados pelo homem, e aqui falo da pirataria. Alguns anos atr\u00e1s, em 2011-2012, era o principal problema, agora se fala pouco, mas ainda temos grandes problemas com a pirataria em algumas partes do mundo. Depois, a situa\u00e7\u00e3o da Covid nos \u00faltimos meses. A vida do marinheiro j\u00e1 \u00e9 em si mesma desgastante, porque s\u00e3o obrigados a permanecer longe de suas fam\u00edlias por 8 a 10 meses. O que aconteceu com a Covid? As fronteiras estavam fechadas, os avi\u00f5es n\u00e3o estavam mais voando. Assim, estes mar\u00edtimos ficaram presos nos navios e seu contrato de 8 a 10 meses tornou-se de 14-15-16 meses. No momento temos cerca de 200 mil mar\u00edtimos bloqueados nos navios e n\u00e3o se consegue fazer a troca da tripula\u00e7\u00e3o. Portanto, gostaria realmente de fazer um apelo a todos os governos, gostaria tamb\u00e9m de fazer um apelo \u00e0s autoridades nos portos: os mar\u00edtimos s\u00e3o trabalhadores essenciais, n\u00e3o apenas para a economia da It\u00e1lia, mas para a economia global. Portanto, devemos criar canais especiais para facilitar esta mudan\u00e7a de tripula\u00e7\u00e3o e devemos insistir nisso, caso contr\u00e1rio, nestas pessoas aumenta a fadiga, aumenta o estresse, especialmente o estresse mental. Recebi de nossos capel\u00e3es alguns relatos de marinheiros que n\u00e3o resistiram a essa press\u00e3o psicol\u00f3gica e cometeram suic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Padre, quando falamos do mar, de portos, de mar\u00edtimos, nunca pensamos que a economia do mar tenha um retorno sobre a economia terrestre, isto \u00e9 outra coisa que o Papa se preocupa muito e sublinha&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Pe. Ciceri:<\/b> Sim, a maior parte do mundo depende do mar. Sabemos muito bem que a maioria dos produtos vem do leste da \u00c1sia e deve ser transportado para c\u00e1. O transporte a\u00e9reo \u00e9 muito caro, portanto, se usam os navios. Pensemos nisso por um momento: desde o telefone celular que usamos para tudo, at\u00e9 a televis\u00e3o, roupas, carros, gasolina, tudo \u00e9 transportado pelo mar, mas n\u00e3o nos damos conta disso. Tenho certeza de que muitos de voc\u00eas tamb\u00e9m j\u00e1 fizeram um cruzeiro e o cruzeiro se faz no mar. Devemos estar cientes de tudo isso. Pensemos na ind\u00fastria pesqueira, a pesca. Cerca de 60 milh\u00f5es de pessoas no mundo est\u00e3o envolvidas na pesca e 15% desses 60 milh\u00f5es de pessoas que trabalham na pesca e na cultura da \u00e1gua s\u00e3o mulheres. At\u00e9 mesmo a comida que comemos, muito vem do peixe. Devemos tamb\u00e9m ter em mente que muitos dos pa\u00edses em desenvolvimento t\u00eam o peixe como seu principal alimento. Portanto, o mundo marinho, como um todo, \u00e9 um mundo muito importante para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Pe. Ciceri: O Papa pensa tamb\u00e9m nos capel\u00e3es dos marinheiros e na pastoral que diz respeito aos marinheiros. Qual \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de um sacerdote que vive esta dimens\u00e3o religiosa?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Pe. Ciceri:<\/b>\u00a0Devemos dizer que a Igreja sempre esteve pr\u00f3xima \u00e0s pessoas do mar. Em 1920, um grupo de leigos se encontrou e reuniu todas estas realidades da Igreja e a chamou de Apostolado do Mar. Aqui se encontra esta pequena realidade formada por 4-5 leigos. Ao longo do tempo ela cresceu e se desenvolveu at\u00e9 os dias atuais em que temos uma organiza\u00e7\u00e3o presente em trezentos portos com muitos capel\u00e3es e volunt\u00e1rios. O que eles fazem? Todos os dias eles v\u00e3o ao porto, embarcam nos navios, visitam os marinheiros e escutam suas necessidades. Sempre foi assim antes da Covid. Infelizmente, com a Covid, houve o fechamento, mas os nossos capel\u00e3es encontraram novas formas de estar presentes. Eles usaram muito as m\u00eddias sociais, por exemplo, criaram um chat que \u00e9 uma aplica\u00e7\u00e3o onde qualquer marinheiro de qualquer parte do mundo pode ligar e encontrar algu\u00e9m que fala sua l\u00edngua e pode ajud\u00e1-lo e confort\u00e1-lo. Geralmente prestamos todo tipo de assist\u00eancia: come\u00e7amos com a assist\u00eancia espiritual, depois a celebra\u00e7\u00e3o da missa nos navios, mas tamb\u00e9m intervimos quando h\u00e1 eventos dram\u00e1ticos nos navios. Pode haver um acidente e algu\u00e9m morrer; ou os marinheiros podem cometer suic\u00eddio, e numa pequena comunidade de 15-20 pessoas num navio, se acontece alguma coisa a algum deles, torna-se um drama. Ent\u00e3o os nossos capel\u00e3es s\u00e3o geralmente os primeiros a entrar a bordo para levar-lhes conforto. Mas os marinheiros precisam de muitas outras pequenas coisas: para n\u00f3s \u00e9 muito simples, se acabar o xampu, se acabar a pasta de dente, sa\u00edmos para comprar. Se eles chegam ao porto \u00e0 noite e partem pela manh\u00e3, n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a de sair e comprar. Os portos est\u00e3o todos longe da cidade. Ent\u00e3o n\u00f3s vamos comprar xampu ou pasta de dente, pequenas coisas que s\u00e3o importantes para eles. Depois, outra coisa essencial: procuramos de diferentes maneiras levar-lhes wi-fi a bordo para que aqueles que t\u00eam celulares possam se comunicar e ver suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Estamos no Ano da Laudato si\u2019. O que os marinheiros podem fazer para defender o mar?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Pe. Ciceri:\u00a0<\/b>Eu diria que no mundo mar\u00edtimo, na ind\u00fastria mar\u00edtima muito j\u00e1 est\u00e1 sendo feito para respeitar o mar. Por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es poluentes dos navios: diferentes tipos de combust\u00edvel est\u00e3o sendo procurados para que o ar n\u00e3o seja polu\u00eddo. Tamb\u00e9m, por exemplo, a lavagem dos por\u00f5es, antes toda a \u00e1gua era jogada no mar e talvez houvesse subst\u00e2ncias poluentes. Agora, est\u00e3o tentando mudar tudo isso e, mais cedo ou mais tarde, conseguiremos. Depois, falando sobre os pescadores, eles, em diferentes partes do mundo, n\u00e3o pescam mais apenas peixe, mas tamb\u00e9m o pl\u00e1stico que encontram no mar e h\u00e1 muito. \u00a0Eles o trazem de volta para terra e o entregam \u00e0 reciclagem. Portanto, existe uma consci\u00eancia muito, muito forte por parte dos pescadores em rela\u00e7\u00e3o ao respeito pelo meio ambiente. Mas a coisa mais importante n\u00f3s temos que fazer: devemos nos comprometer a n\u00e3o dispersar o pl\u00e1stico no meio ambiente porque, como a Terra \u00e9 coberta por maior parte de \u00e1gua, certamente o que deixamos na terra acaba na \u00e1gua e polui a \u00e1gua que \u00e9 o sustento, n\u00e3o s\u00f3 para os pescadores e marinheiros, mas tamb\u00e9m para n\u00f3s.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O respons\u00e1vel pelo setor do Apostolado do Mar no \u00e2mbito do Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral, pe. 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