{"id":6121,"date":"2015-07-27T11:42:52","date_gmt":"2015-07-27T14:42:52","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/outros-estilos-de-vida\/"},"modified":"2017-04-10T15:46:38","modified_gmt":"2017-04-10T18:46:38","slug":"outros-estilos-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/outros-estilos-de-vida\/","title":{"rendered":"Outros estilos de vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"> O sexto e \u00faltimo cap\u00edtulo da Carta Verde, a enc\u00edclica do papa Francisco que mostra ao homem a necessidade de maior sintonia e melhor rela\u00e7\u00e3o com seu mundo, em especial seu planeta, \u00e9 deveras surpreendente. Com muita sensibilidade aponta novos caminhos, em especial a necessidade de se buscar uma espiritualidade ecol\u00f3gica. O termo \u00e9 novidade para muitos, mas n\u00e3o para aqueles que j\u00e1 experimentam em suas vidas uma sintonia maior com as maravilhas que nos cercam, atitude comum na vida dos maiores santos, portanto fonte de uma espiritualidade encarnada na realidade do mundo.<br \/> Come\u00e7a com um dedo na ferida, o consumismo que nos devora: \u201cquanto mais vazio est\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o da pessoa, tanto mais necessita de objetos para comprar, possuir, consumir\u201d (204). Essa voraz e competitiva necessidade de consumo, que assola as rela\u00e7\u00f5es humanas, tamb\u00e9m devasta seu meio ambiente e sua espiritualidade. A obsess\u00e3o por esse estilo de vida consumista tem nos trazido muitos dissabores. \u201cMuitos est\u00e3o cientes de que n\u00e3o basta o progresso atual e a mera acumula\u00e7\u00e3o de objetos ou prazeres para dar sentido e alegria ao cora\u00e7\u00e3o humano, mas n\u00e3o se sentem capazes de renunciar \u00e0quilo que o mercado lhes oferece\u201d (209). Tornamo-nos alvos preferenciais do mercado, sem regras, sem piedade, bombardeados que somos diuturnamente pela publicidade e apelos distantes muitas vezes da \u00e9tica, da moral, da pr\u00f3pria espiritualidade. Precisamos \u201crecuperar os distintos n\u00edveis do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico: o interior consigo mesmo, o solid\u00e1rio com os outros, o natural com todos os seres vivos, o espiritual com Deus\u201d (210). Ent\u00e3o o papa aconselha: \u201co exerc\u00edcio destes comportamentos restitui-nos o sentimento da nossa dignidade, leva-nos a uma maior profundidade existencial, permite-nos experimentar que vale a pena a nossa passagem por este mundo\u201d (212). <br \/> Mas como se dar\u00e1 essa convers\u00e3o? A f\u00e9 crist\u00e3 oferece pistas e exemplos. \u201cA grande riqueza da espiritualidade crist\u00e3, proveniente de vinte s\u00e9culos de experi\u00eancias pessoais e comunit\u00e1rias, constitui uma magn\u00edfica contribui\u00e7\u00e3o para o esfor\u00e7o de renovar a humanidade\u201d (216). N\u00e3o \u00e9 mera presun\u00e7\u00e3o religiosa, mas experi\u00eancia de respeito e gratid\u00e3o \u00e0 vida. \u201cViver a voca\u00e7\u00e3o de guardi\u00f5es da obra de Deus n\u00e3o \u00e9 algo de opcional nem um aspecto secund\u00e1rio da experi\u00eancia crist\u00e3, mas parte essencial duma exist\u00eancia virtuosa\u201d (217). A convers\u00e3o ecol\u00f3gica \u00e9 tamb\u00e9m um princ\u00edpio de vida comunit\u00e1ria. Parte do \u201creconhecimento de que Deus criou o mundo, inscrevendo nele uma ordem e um dinamismo que o ser humano n\u00e3o tem o direito de ignorar\u201d (221). A espiritualidade crist\u00e3 nos ensina que \u201ca felicidade exige saber limitar algumas necessidades que nos entorpecem, permanecendo assim dispon\u00edveis para as m\u00faltiplas necessidades que a vida oferece\u201d (223). \u00c9 um desafio extensivo a todo homem de boa vontade. \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil desenvolver esta humildade sadia e uma sobriedade feliz, se nos tornamos aut\u00f4nomos, se exclu\u00edmos Deus da nossa vida fazendo o nosso eu ocupar o seu lugar\u201d (224).<br \/> O cristianismo n\u00e3o exige a convers\u00e3o global \u00e0 sua f\u00e9 para se salvar o mundo. \u201cNa casa de meu Pai h\u00e1 muitas moradas\u201d, j\u00e1 dizia Jesus. Mas alerta: \u201c\u00e9 necess\u00e1rio voltar a sentir que precisamos uns dos outros\u201d (229). E lembra: \u201cO universo desenvolve-se em Deus, que o preenche completamente\u201d (233). \u201cE isto, n\u00e3o porque as coisas limitadas do mundo sejam realmente divinas, mas porque o m\u00edstico experimenta a liga\u00e7\u00e3o \u00edntima que h\u00e1 entre Deus e todos os seres vivos\u201d (234). Mas ao cat\u00f3lico o papa adverte: a vida eucar\u00edstica \u00e9 sua fonte de renova\u00e7\u00e3o. \u201cAssim, o dia do descanso, cujo centro \u00e9 a Eucaristia, difunde a sua luz sobre a semana inteira e encoraja-nos a assumir o cuidado da natureza e dos pobres\u201d (237). E convoca a todos para um desafio maior: \u201cEstamos a caminhar para o s\u00e1bado da eternidade, para a nova Jerusal\u00e9m, para a casa comum do C\u00e9u. Diz-nos Jesus: <Eu renovo=\"renovo\" todas=\"todas\" as=\"as\" coisas=\"coisas\" \/>\u201d (243). Com essa alegria e esperan\u00e7a, louvado seja Deus. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sexto e \u00faltimo cap\u00edtulo da Carta Verde, a enc\u00edclica do papa Francisco que mostra ao homem a necessidade de maior sintonia e melhor rela\u00e7\u00e3o com seu mundo, em especial seu planeta, \u00e9 deveras surpreendente. Com muita sensibilidade aponta novos caminhos, em especial a necessidade de se buscar uma espiritualidade ecol\u00f3gica. 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