{"id":6117,"date":"2015-07-24T16:20:58","date_gmt":"2015-07-24T19:20:58","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/uma-homenagem-a-tanta-sabedoria-que-se-esconde-e-se-manifesta-nos-cabelos-brancos\/"},"modified":"2017-04-10T15:49:44","modified_gmt":"2017-04-10T18:49:44","slug":"uma-homenagem-a-tanta-sabedoria-que-se-esconde-e-se-manifesta-nos-cabelos-brancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/uma-homenagem-a-tanta-sabedoria-que-se-esconde-e-se-manifesta-nos-cabelos-brancos\/","title":{"rendered":"Uma homenagem a tanta sabedoria que se esconde e se manifesta nos cabelos brancos."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Reflex\u00f5es de Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa, Arcebispo Metropolitano de Bel\u00e9m do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Bel\u00e9m do Par\u00e1, 24 de Julho de 2015 (ZENIT.org) Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa<\/p>\n<p>No dia vinte e seis de julho, comemora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Joaquim e Sant&#8217;Ana, pais da Virgem Maria, fazemos festa para os av\u00f3s, homens e mulheres com uma miss\u00e3o importante e essencial nas fam\u00edlias e na sociedade. E o grande Papa Francisco, quando lhe perguntaram sobre os celulares com os quais jovens de todas as idades querem fazer &#8220;selfies&#8221; com ele, disse sentir-se bisav\u00f4! Nas Filipinas, foi chamado &#8220;Lolo Kiko&#8221; \u2014 ou seja, vov\u00f4 Francisco. E recentemente, numa s\u00e9rie de catequeses sobre a fam\u00edlia, dedicou duas delas aos av\u00f3s e aos idosos em geral, das quais recolhi ensinamentos que me apraz oferecer aos leitores (Cf. Catequeses do Papa Francisco nos dias quatro e onze de mar\u00e7o de dois mil e quinze), em homenagem a tanta sabedoria que se esconde e se manifesta nos cabelos brancos.<\/p>\n<p>Constata o Papa que, gra\u00e7as aos progressos da medicina, a vida prolongou-se, mas nossas sociedades n\u00e3o se organizaram suficientemente para deixar espa\u00e7o aos idosos, com o justo respeito e a concreta considera\u00e7\u00e3o pela sua fragilidade e dignidade. Quando jovens, somos levados a ignorar a velhice, como se fosse uma enfermidade da qual nos devemos manter \u00e0 dist\u00e2ncia; depois, quando envelhecemos, especialmente se somos pobres, doentes e s\u00f3s, experimentamos as lacunas de uma sociedade programada sobre a efic\u00e1cia que, consequentemente, ignora os idosos. Mas os idosos s\u00e3o uma riqueza, n\u00e3o podem ser ignorados!<\/p>\n<p>No Ocidente, os estudiosos apresentam nosso s\u00e9culo como o s\u00e9culo do envelhecimento, pois os filhos diminuem e os anci\u00e3os aumentam. Este desequil\u00edbrio \u00e9 um grande desafio. Uma cultura do lucro insiste em fazer com que os idosos pare\u00e7am um peso, pois n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o produzem, mas chegam a ser uma carga, e devem ser descartados. H\u00e1 algo de vil neste habituar-se \u00e0 cultura do descart\u00e1vel. E n\u00f3s nos habituamos a descartar as pessoas. Queremos remover o nosso elevado medo da debilidade e da vulnerabilidade; mas agindo deste modo, aumentamos nos anci\u00e3os a ang\u00fastia de serem mal tolerados e at\u00e9 abandonados.<\/p>\n<p>Conta o Papa: &#8220;Quando eu era crian\u00e7a, um dia a minha av\u00f3 narrou-me a hist\u00f3ria de um av\u00f4 que se sujava quando comia, porque n\u00e3o conseguia levar bem a colher de sopa \u00e0 pr\u00f3pria boca. E o filho, ou seja o pai de fam\u00edlia, decidiu tir\u00e1-lo da mesa comum e mandou fazer-lhe uma mesinha na cozinha, onde n\u00e3o se via, para ali comer sozinho. Assim, n\u00e3o faria m\u00e1 figura quando os amigos viessem almo\u00e7ar ou jantar. Poucos dias depois, chegou em casa e encontrou o seu filho pequeno brincando com um peda\u00e7o de madeira, um martelo e alguns pregos; constru\u00eda algo, e o pai disse-lhe: &#8216;Mas o que fazes? \u2014 Fa\u00e7o uma mesa, pai. \u2014 Uma mesa, por que? \u2014 Para que esteja pronta quando tu envelheceres, assim poder\u00e1s comer a\u00ed!&#8217;. As crian\u00e7as t\u00eam mais consci\u00eancia que n\u00f3s!&#8221;<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, assim como em povos de nosso tempo com respeito cultivado aos mais velhos, existe uma bagagem de sabedoria que sempre sustentou a proximidade aos anci\u00e3os e seu acompanhamento. A raiz est\u00e1 na Sagrada Escritura: Esta tradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 arraigada na Sagrada Escritura: &#8220;N\u00e3o desprezes algu\u00e9m na sua velhice, pois n\u00f3s tamb\u00e9m ficaremos velhos. N\u00e3o te escape o que contam os velhos, pois eles o aprenderam de seus pais: deles aprender\u00e1s a intelig\u00eancia e a arte de responder na hora oportuna&#8221; (Eclo 8, 7.11-12).<\/p>\n<p>Impressionou-me a abertura de cora\u00e7\u00e3o do Papa: &#8220;N\u00f3s, idosos, somos todos um pouco fr\u00e1geis. No entanto, alguns s\u00e3o particularmente d\u00e9beis, muitos vivem sozinhos, marcados por uma enfermidade. Outros dependem de curas indispens\u00e1veis e da aten\u00e7\u00e3o dos outros. Daremos por isso um passo atr\u00e1s, abandonando-os ao seu destino? Uma sociedade sem proximidade, onde a gratuidade e o afago sem retribui\u00e7\u00e3o come\u00e7am a desaparecer, \u00e9 uma sociedade perversa. Fiel \u00e0 Palavra de Deus, a Igreja n\u00e3o pode tolerar estas degenera\u00e7\u00f5es. Uma comunidade crist\u00e3 em que a proximidade e a gratuidade deixassem de ser consideradas indispens\u00e1veis perderia juntamente com elas tamb\u00e9m a sua alma. Onde n\u00e3o h\u00e1 honra pelos idosos n\u00e3o h\u00e1 porvir para os jovens&#8221;. E o Papa estimulou os sentimentos adequados a serem cultivados, a gratid\u00e3o, o apre\u00e7o e a hospitalidade, que levem as pessoas idosas a se sentirem parte viva da fam\u00edlia e da comunidade.<\/p>\n<p>Para ele, devemos despertar o sentido comunit\u00e1rio de gratid\u00e3o, de apre\u00e7o e de hospitalidade, que levem o idoso a sentir-se parte viva da sua comunidade, pois s\u00e3o homens e mulheres, pais e m\u00e3es que antes de n\u00f3s percorreram o nosso pr\u00f3prio caminho, estiveram na nossa mesma casa, combateram a nossa mesma batalha di\u00e1ria por uma vida digna. O idoso somos n\u00f3s: daqui a pouco ou daqui a muito tempo, inevitavelmente, embora n\u00e3o pensemos nisto.<\/p>\n<p>Ensina o Papa que o Senhor nos chama a segui-lo em todas as fases da vida. Para ele, a velhice \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o! Ainda n\u00e3o chegou o momento de se resignar. Para ele, trata-se de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas, e n\u00e3o faltam testemunhos de santos e santas idosos! No m\u00eas de outubro, pela primeira vez, simultaneamente, um casal de pais de fam\u00edlia ser\u00e1 canonizado, durante o S\u00ednodo da Fam\u00edlia. Trata-se dos pais de Santa Teresinha, Lu\u00eds e Z\u00e9lia Martin, exemplo de santidade vivida no matrim\u00f4nio, que educaram os filhos no caminho da santidade. Em tempos de fam\u00edlia em crise, justamente a santidade de um casal que percorreu exemplarmente os passos da fidelidade \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o se torna um presente da Igreja ao mundo!<\/p>\n<p>Ainda o Papa, falando sobre a fam\u00edlia, oferece uma imagem muito bonita, tirada o Evangelho de S\u00e3o Lucas (Cf. Lc 2, 25-39): \u00e9 a imagem de Sime\u00e3o e Ana. Certamente eram idosos, o velho Sime\u00e3o e a profetisa Ana, que tinha oitenta e quatro anos, uma mulher n\u00e3o escondia a sua idade! Todos os dias esperavam a vinda de Deus, havia muitos anos. Este era o seu compromisso: esperar o Senhor e rezar. Ao encontrarem Maria, Jos\u00e9 e o Menino, eles reconheceram o Menino e descobriram uma nova for\u00e7a, para uma renovada tarefa: dar gra\u00e7as e testemunhar este Sinal de Deus. Dar gra\u00e7as, interceder, purificar o cora\u00e7\u00e3o pela ora\u00e7\u00e3o! \u00c9 a recomenda\u00e7\u00e3o do Papa aos idosos. Precisamos de anci\u00e3os que orem, pois a velhice nos \u00e9 oferecida precisamente para isto. A ora\u00e7\u00e3o dos idosos \u00e9 bonita! E como \u00e9 bonito o encorajamento que o anci\u00e3o consegue transmitir ao jovem em busca do sentido da f\u00e9 e da vida! &#8220;Esta \u00e9 verdadeiramente a miss\u00e3o dos av\u00f3s, a voca\u00e7\u00e3o dos idosos! Como gostaria de uma Igreja que desafia a cultura do descart\u00e1vel com a alegria transbordante de um novo abra\u00e7o entre jovens e idosos! E \u00e9 isto, este abra\u00e7o, que hoje pe\u00e7o ao Senhor&#8221;, concluiu o Papa Francisco.<\/p>\n<p>Confio \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Joaquim e de Sant&#8217;Ana o tesouro que s\u00e3o os av\u00f3s na Igreja e na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Zenit<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00f5es de Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa, Arcebispo Metropolitano de Bel\u00e9m do Par\u00e1. 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