{"id":61084,"date":"2020-07-31T08:35:44","date_gmt":"2020-07-31T11:35:44","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=61084"},"modified":"2020-07-31T09:36:53","modified_gmt":"2020-07-31T12:36:53","slug":"economia-de-belem-em-crise-por-causa-da-emergencia-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/economia-de-belem-em-crise-por-causa-da-emergencia-covid\/","title":{"rendered":"Economia de Bel\u00e9m em crise por causa da emerg\u00eancia Covid"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Vincenzo Bellomo, da Associa\u00e7\u00e3o pro Terra Sancta em Bel\u00e9m, descreve a dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das fam\u00edlias palestinas, por causa do bloqueio do turismo religioso, e os projetos da Cust\u00f3dia para ajudar a popula\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Fabio Colagrande\/Mariangela Jaguraba \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Terra Santa, a segunda onda da pandemia, que come\u00e7ou no final de junho, foi mais intensa que a primeira e continua produzindo s\u00e9rias repercuss\u00f5es sociais, sobretudo na Palestina. Particularmente afetada pelo bloqueio das peregrina\u00e7\u00f5es, em vigor desde o in\u00edcio de mar\u00e7o, \u00e9 a comunidade crist\u00e3 de Bel\u00e9m, que baseia sua economia no turismo religioso. Numa situa\u00e7\u00e3o de preocupa\u00e7\u00e3o com o v\u00edrus, exacerbada por um sistema de sa\u00fade estruturalmente carente, se insere o desconforto criado pela crise econ\u00f4mica e trabalhista. As dificuldades das fam\u00edlias s\u00e3o aumentadas pela falta de apoio social p\u00fablico. \u00c9 o que confirma de Bel\u00e9m ao Vatican News\u00a0<b>Vincenzo Bellomo<\/b>, respons\u00e1vel dos projetos da Associa\u00e7\u00e3o pro Terra Sancta, uma estrutura a servi\u00e7o da miss\u00e3o da Cust\u00f3dia.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-61084-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/07\/31\/10\/135671452_F135671452.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/07\/31\/10\/135671452_F135671452.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/07\/31\/10\/135671452_F135671452.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Bellomo:\u00a0<\/b>Tivemos um primeiro alerta de coronav\u00edrus nos primeiros dias de mar\u00e7o em toda a Terra Santa. Naqueles dias, em Bel\u00e9m, havia o maior n\u00famero de casos. A mesma fase inicial de medo que caracterizou a hist\u00f3ria da It\u00e1lia e de outros pa\u00edses da Europa. Depois, no final de maio e nos primeiros dias de junho, parecia que a emerg\u00eancia tinha passado. Mas desde o final de junho, os casos de coronav\u00edrus aumentaram fortemente em todo Israel e tamb\u00e9m aqui na Palestina hoje, somos novamente considerados \u201czona vermelha\u201d. Pensar que os primeiros voos tinham come\u00e7ado novamente, havia bons sinais entre maio e junho! Mas agora estamos no meio da segunda onda, estamos em estado de emerg\u00eancia. H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o muito particular de aten\u00e7\u00e3o em Israel, com cerca de dois mil casos por dia, enquanto aqui na Palestina a m\u00e9dia \u00e9 de cerca de seiscentos casos por dia. Infelizmente, a situa\u00e7\u00e3o permanece bastante grave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o atual da sa\u00fade na Palestina?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Bellomo:<\/b>\u00a0A Autoridade Palestina inicialmente se sentiu um pouco em dificuldade com a pandemia, sobretudo porque na Palestina por quest\u00f5es ligadas \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica vivemos uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da sa\u00fade em tempos normais. A gest\u00e3o sanit\u00e1ria do pa\u00eds est\u00e1 praticamente sempre em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. Nesses tr\u00eas ou quatro meses, a Autoridade Nacional Palestina tentou fazer todo o poss\u00edvel para se organizar com centros nas cidades mais importantes afetadas pelo v\u00edrus. Um pequeno centro para a Covid com cinquenta leitos tamb\u00e9m foi instalado em Bel\u00e9m. Mas \u00e9 um centro que deve cobrir uma popula\u00e7\u00e3o de quase duzentos mil habitantes, ent\u00e3o voc\u00ea entende que a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande, pois quase a metade desses cinquenta leitos j\u00e1 est\u00e3o ocupados em terapia intensiva. Portanto, eu diria que a preocupa\u00e7\u00e3o permanece elevada, mesmo que o desconforto criado pela crise econ\u00f4mica atualmente seja mais forte do que o causado pelo v\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>As repercuss\u00f5es econ\u00f4micas e sociais para a popula\u00e7\u00e3o palestina s\u00e3o de fato muito fortes&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Bellomo<\/b>: Infelizmente sim, sobretudo na regi\u00e3o de Bel\u00e9m que arrasta por toda a Palestina a economia ligada ao turismo religioso dos peregrinos. Dentro da \u00e1rea de Bel\u00e9m, \u00e9 particularmente afetada a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da comunidade crist\u00e3, da minoria crist\u00e3, que aqui est\u00e1 ligada principalmente ao acolhimento dos peregrinos e \u00e0 gest\u00e3o do turismo religioso. Basta pensar que desde 5 de mar\u00e7o tudo aqui est\u00e1 parado e n\u00e3o existe nenhuma previd\u00eancia social, n\u00e3o h\u00e1 sistema de apoio. Nesses casos, as fam\u00edlias s\u00e3o a \u00fanica forma de apoio, de ajuda. Quem pode ajuda os v\u00e1rios membros da fam\u00edlia. Mas a situa\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 muito grave e infelizmente n\u00e3o temos sequer uma proje\u00e7\u00e3o que nos diga quanto tempo esta crise pode durar. O que \u00e9 certo \u00e9 que at\u00e9 que as peregrina\u00e7\u00f5es retomem a situa\u00e7\u00e3o financeira das fam\u00edlias e das pessoas que servimos aqui por muitos anos est\u00e1 realmente no limite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A Bas\u00edlica da Natividade e os outros Lugares Santos est\u00e3o atualmente fechados?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Bellomo:<\/b>\u00a0Est\u00e3o fechados, mas tamb\u00e9m abertos. Deixe-me explicar: a Bas\u00edlica da Natividade \u00e9 tamb\u00e9m uma par\u00f3quia, portanto \u00e9 o lugar central para a comunidade crist\u00e3 de Bel\u00e9m. Foi fechada nas \u00faltimas tr\u00eas semanas, mas agora desde domingo, 26 de julho, foi reaberta. Como todos os lugares de ora\u00e7\u00e3o, ela fica fechada durante o fim de semana, mas durante a semana, \u00e9 claro, observando as medidas de seguran\u00e7a sanit\u00e1ria, os crist\u00e3os podem ir \u00e0 igreja. Os frades e religiosos da Bas\u00edlica utilizam as capelas para pequenos n\u00fameros de religiosos ou paroquianos que querem participar da missa, mas oficialmente os Santu\u00e1rios est\u00e3o fechados, assim como a \u201cGruta do Leite\u201d e o \u201cCampo dos Pastores\u201d em Bel\u00e9m. Tamb\u00e9m porque n\u00e3o h\u00e1 peregrinos, tudo est\u00e1 completamente parado. Passamos de repente de um per\u00edodo em que havia muitos visitantes, muitos peregrinos, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual. Agora, ver a grama alta em diferentes pontos da cidade, devo admitir que \u00e9 bastante triste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Muitos palestinos investiram, talvez at\u00e9 se endividando, contando com o turismo porque sabiam que era uma fonte segura de renda&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Bellomo:<\/b>\u00a0Sim, foi o que aconteceu com nossas comunidades. Nos \u00faltimos dois anos, houve uma explos\u00e3o de peregrinos, incentivados tamb\u00e9m por uma situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sempre no limite, mas est\u00e1vel em compara\u00e7\u00e3o com os anos anteriores. Muita gente expressou o desejo de vir \u00e0 Terra Santa, de tal forma que era quase dif\u00edcil para quem chegasse aqui encontrar um lugar para dormir. Esta situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica encorajou as fam\u00edlias a fazerem pequenos investimentos, matricular seus filhos na universidade, fazer alguns planos para o futuro e, portanto, tamb\u00e9m se endividar. O problema \u00e9 que agora tudo est\u00e1 parado e aqui a Autoridade Palestina n\u00e3o tem \u201cassist\u00eancia social\u201d, de estado social. Para as fam\u00edlias a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante dram\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o dos belemitas acostumados a atravessar o posto de controle israelense para ir trabalhar em Jerusal\u00e9m e arredores?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Bellomo<\/b>: Essa \u00e9 uma pequena parte da economia que ainda se mant\u00e9m, porque as licen\u00e7as nos \u00faltimos meses foram asseguradas por Israel. A Autoridade Palestina tentou deter o movimento entre os pontos de controle porque em Israel o n\u00famero de pessoas infectadas por causa da pandemia foi muito maior do que na Palestina. Portanto, havia a preocupa\u00e7\u00e3o de que esses trabalhadores se tornassem canais para transmitir o v\u00edrus e depois lev\u00e1-lo para as fam\u00edlias, num contexto onde n\u00e3o h\u00e1 sa\u00fade p\u00fablica. Esta foi a principal preocupa\u00e7\u00e3o, mas a necessidade de trabalhar para sustentar a fam\u00edlia \u00e9 maior. Portanto, muitas pessoas continuam atravessando o ponto de controle e h\u00e1 cerca de um m\u00eas as autoridades israelenses e palestinas concordaram, estabelecendo que quem passa o ponto de controle para ir trabalhar em Israel deve ter um lugar para dormir l\u00e1 por pelo menos quatorze dias. Depois, quando retorna \u00e0 Palestina, em teoria, deve fazer a an\u00e1lise, ou alguns dias de quarentena. Devo dizer que a pandemia tamb\u00e9m colocou em crise o sistema de controles, das fronteiras, porque \u00e9 uma crise que afeta a todos, n\u00e3o apenas uma parte. Portanto, existem regras, mas tamb\u00e9m h\u00e1 muita confus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Quais s\u00e3o os projetos com os quais voc\u00eas ajudam a popula\u00e7\u00e3o neste momento?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Bellomo:<\/b>\u00a0Vivo e trabalho em Bel\u00e9m h\u00e1 treze anos, a servi\u00e7o da miss\u00e3o dos Franciscanos na Terra Santa, com a Associa\u00e7\u00e3o Pro Terra Sancta, e durante estes anos sempre cuidamos das pessoas. Por um lado, as necessidades prim\u00e1rias das pessoas e, por outro, comunicar a beleza desses lugares. Cuidamos dos idosos, especialmente neste momento, mas sempre o fizemos porque num lugar onde n\u00e3o h\u00e1 \u201cassist\u00eancia social\u201d eles est\u00e3o entre os mais afetados, pois n\u00e3o h\u00e1 sistema de aposentadoria aqui. Tamb\u00e9m trabalhamos com os portadores de defici\u00eancia, com pessoas em dificuldade, temos um centro de escuta que administro diretamente com outro assistente social onde recebemos pessoas que precisam de assist\u00eancia m\u00e9dica. Aqui, de fato, n\u00e3o h\u00e1 um sistema de sa\u00fade p\u00fablica que funcione. Mas o centro de nossa miss\u00e3o sempre foi a aten\u00e7\u00e3o ao trabalho, sobretudo para os jovens. Nessas semanas, tamb\u00e9m estamos ativando um importante projeto que queremos perseguir com coragem, porque estava em nossos sonhos mesmo antes da pandemia. Trata-se do projeto \u201cA Casa dos Reis Magos\u201d, que quer ser o primeiro Centro de emprego na Palestina. O objetivo \u00e9 dar ao trabalho a import\u00e2ncia que ele merece para todas as pessoas, com um olhar especial para quem est\u00e1 em dificuldade. A Palestina, entre os pa\u00edses \u00e1rabes, \u00e9 o que tem o maior n\u00famero de jovens com problemas de defici\u00eancia mental, mas tamb\u00e9m depress\u00e3o. Isso se deve a quest\u00f5es relacionadas ao conflito. Queremos oferecer a esses jovens, a essas pessoas, uma oportunidade de trabalho. Trabalhar aqui tamb\u00e9m \u00e9 o meio de evitar a emigra\u00e7\u00e3o, de manter as fam\u00edlias aqui. Se a pessoa tem um emprego e um sal\u00e1rio decente, n\u00e3o tenta emigrar, n\u00e3o sai de sua casa, de sua terra. Especialmente nestas semanas em que muitas pessoas perderam seus trabalhos, estamos tentando inventar projetos e atividades. Por exemplo, a produ\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras com um grupo de mulheres que est\u00e3o aprendendo a costur\u00e1-las ou projetos de reestrutura\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios. Estamos procurando estar perto da comunidade local, oferecendo oportunidades tanto de assist\u00eancia quanto de proximidade.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vincenzo Bellomo, da Associa\u00e7\u00e3o pro Terra Sancta em Bel\u00e9m, descreve a dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das fam\u00edlias palestinas, por causa do bloqueio do turismo religioso, e os projetos da Cust\u00f3dia para ajudar a popula\u00e7\u00e3o. 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