{"id":6106,"date":"2015-07-24T13:31:34","date_gmt":"2015-07-24T16:31:34","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-mendiga-que-foi-bailarina\/"},"modified":"2017-04-10T15:54:57","modified_gmt":"2017-04-10T18:54:57","slug":"a-mendiga-que-foi-bailarina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-mendiga-que-foi-bailarina\/","title":{"rendered":"A mendiga que foi bailarina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/a mendiga.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Uma hist\u00f3ria de vida que convida a reconhecer-se no irm\u00e3o que sofre<\/p>\n<p>Minha amiga M\u00f4nica me contou de sua amizade com uma mulher especial.<\/p>\n<p>Uma ou duas vezes por semana, M\u00f4nica ia conversar com uma senhora que teria cerca de 80 anos em apar\u00eancia, e talvez uns 15 a menos na realidade. Era magra, cabelo longo e branco e vestia elegantes trapos que havia conseguido em uma par\u00f3quia de Buenos Aires. Ocupa\u00e7\u00e3o atual: mendiga.<\/p>\n<p>Segundo a idosa, em sua juventude foi bailarina de bal\u00e9 em conhecidos teatros da cidade e do mundo. Sentada na fonte, apontava para o teatro Col\u00f3n e dizia \u00e0 M\u00f4nica: \u201cEu j\u00e1 dancei l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Observando as dimens\u00f5es do seu corpo, descreve M\u00f4nica, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha sido bailarina mesmo. Mas tamb\u00e9m pode ter sido banc\u00e1ria, padeira, enfermeira ou qualquer outra coisa. Talvez se chame Raquel. Digo isso porque M\u00f4nica n\u00e3o tinha certeza do seu nome.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que M\u00f4nica sempre a encontrava na mesma pra\u00e7a, junto \u00e0 fonte na qual ela realizava seus cuidados de higiene pessoal.<\/p>\n<p>Tentou convid\u00e1-la para tomar um caf\u00e9 diversas vezes, mas os bares da regi\u00e3o n\u00e3o permitiam sua entrada. Finalmente, um bar foi gentil e lhes permitiu entrar e sentar-se. E ent\u00e3o come\u00e7aram a se encontrar semanalmente l\u00e1 para conversar e compartilhar hist\u00f3rias nem sempre fi\u00e1veis: \u201cLembro-me que em Roma&#8230;\u201d, \u201cUma vez, em Paris&#8230;\u201d, \u201cComo foi bonito dan\u00e7ar em Madri&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>M\u00f4nica ficava admirada diante da linguagem culta da educada senhora, das suas express\u00f5es em ingl\u00eas e franc\u00eas de excelente pron\u00fancia. Em um dos seus encontros, tocaram no bar a m\u00fasica de um bal\u00e9 (n\u00e3o dos mais conhecidos), e Raquel imediatamente identificou o t\u00edtulo, autor, ano e lugar de grava\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o que estava tocando.<\/p>\n<p>Seriam, ver\u00eddicas, ent\u00e3o, as hist\u00f3rias narradas? Estava M\u00f4nica diante de algu\u00e9m de renome internacional?<\/p>\n<p>Desde aquela descoberta, M\u00f4nica come\u00e7ou a levar as vers\u00f5es de bal\u00e9 que Raquel lhe pedia, e escutavam enquanto tomavam caf\u00e9. Ao perguntar-lhe sobre por que havia abandonado a profiss\u00e3o, Raquel suspirava e, com seus enormes olhos lacrimejantes, dizia: \u201cUma trai\u00e7\u00e3o\u201d. E mudava de assunto.<\/p>\n<p>M\u00f4nica acabou se mudando, parou de vir conversar comigo e eu n\u00e3o soube mais nada daquela senhora misteriosa. Lembro-me com frequ\u00eancia dessa hist\u00f3ria e n\u00e3o pude deixar as coisas assim. H\u00e1 alguns dias, fui \u00e0 mesma pra\u00e7a e perguntei a outros moradores do local se conheciam Raquel.<\/p>\n<p>Muitos se lembravam dela, mas fazia alguns meses que n\u00e3o a viam. Um dos moradores chegou a me comentar que ela tinha viajado para a Europa, e outros confirmaram a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dirigi-me ao bar do qual M\u00f4nica havia me falado. Um dos gar\u00e7ons se lembrava perfeitamente de ambas. Mostrou-me a mesa na qual costumavam se encontrar, e me sentei no mesmo lugar para tomar um caf\u00e9 enquanto escrevia estas linhas.<\/p>\n<p>O rapaz me disse que, na \u00faltima vez que M\u00f4nica esteve l\u00e1, deixou 20 caf\u00e9s pagos para Raquel, mas esta foi somente duas vezes e depois n\u00e3o voltou mais. Na \u00faltima vez que esteve l\u00e1, comentou que \u201csozinha n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa\u201d e foi embora triste.<\/p>\n<p>Quantas hist\u00f3rias deambulando pela vida!<\/p>\n<p>Alguns dos que est\u00e3o nas ruas j\u00e1 foram mec\u00e2nicos, artistas, enganados no amor, fugitivos da lei. Mas a grande maioria \u00e9 formada por exclu\u00eddos, marginalizados, sem emprego e sem lar. Uns t\u00eam fam\u00edlia, mas circunst\u00e2ncias dif\u00edceis de entender impedem sua volta.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o n\u00fameros an\u00f4nimos. N\u00e3o s\u00e3o parte da paisagem urbana.<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea e eu, que n\u00e3o moramos na rua, tamb\u00e9m tenhamos guardadas no cora\u00e7\u00e3o experi\u00eancias vividas, conhecidas por poucos. Certamente, Jesus conhece todas estas experi\u00eancias e nos ama assim. A todos n\u00f3s. No sucesso e no fracasso.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m \u00e9 an\u00f4nimo aos seus olhos.<\/p>\n<p>Desejo que, neste novo ano, deixemos de lado o olhar ego\u00edsta e nos reconhe\u00e7amos como irm\u00e3os!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma hist\u00f3ria de vida que convida a reconhecer-se no irm\u00e3o que sofre Minha amiga M\u00f4nica me contou de sua amizade com uma mulher especial. 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