{"id":6067,"date":"2015-07-21T13:51:11","date_gmt":"2015-07-21T16:51:11","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/questoes-sobre-o-aborto-4-aqui-mando-eu\/"},"modified":"2017-04-10T16:12:23","modified_gmt":"2017-04-10T19:12:23","slug":"questoes-sobre-o-aborto-4-aqui-mando-eu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/questoes-sobre-o-aborto-4-aqui-mando-eu\/","title":{"rendered":"Quest\u00f5es sobre o aborto &#8211; 4: \u201cAqui mando eu\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/questes sobre.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Alguns exemplos bem pr\u00e1ticos para saber se voc\u00ea &#8220;manda mesmo&#8221; naquilo que acha \u00e9 &#8220;s\u00f3 seu&#8221;\u00a0\u00a0 <\/p>\n<p>Aborto &#8211; Tirem seus ros\u00e1rios dos meus ov\u00e1rios Creative Commons<br \/>Com mon\u00f3tona repeti\u00e7\u00e3o, como um ex-libris da causa a favor da descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, s\u00e3o mostradas fotografias de barrigas de mulheres com as palavras: &#8220;Aqui mando eu!&#8221;.<\/p>\n<p>Parece uma afirma\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel. \u00c9 interessante mostrar em que princ\u00edpio se apoia e a que consequ\u00eancias tal princ\u00edpio pode levar. A moral n\u00e3o est\u00e1 feita de senten\u00e7as isoladas: os mesmos princ\u00edpios morais devem estar na base das nossas diversas actua\u00e7\u00f5es, pois, se assim n\u00e3o acontecer, tornamo-nos pessoas ou moralmente &#8220;esquizofr\u00e9nicas&#8221; ou sem princ\u00edpios. Defendo que ter como incondicional o princ\u00edpio do \u201caqui (no meu corpo) mando eu\u201d \u00e9 simplesmente um erro.<\/p>\n<p>1) Consideremos que a mulher queira dizer com essa frase que o embri\u00e3o \u00e9 apenas uma parte do seu corpo.<\/p>\n<p>Mesmo se assim fosse (que n\u00e3o \u00e9), o argumento seria v\u00e1lido? Vejam bem como alguns exemplos mostram que a resposta \u00e9 negativa:<\/p>\n<p>Um homem chega a um m\u00e9dico e diz: &#8220;Estou farto de ver. Os olhos s\u00e3o meus e aqui, nos meus olhos, mando eu. Por favor, pode tornar-me cego?&#8221;. Se o m\u00e9dico acedesse ao seu pedido, como actuar\u00e1 a Justi\u00e7a? O ent\u00e3o cego ser\u00e1 tido por maluco, mas porventura o m\u00e9dico ser\u00e1 inocente?<\/p>\n<p>Uma mulher saud\u00e1vel e com sentimentos generosos chega a um consult\u00f3rio e pede ao m\u00e9dico: &#8220;Por favor, tire-me os dois rins para doa\u00e7\u00e3o, pois ambos s\u00e3o meus e aqui mando eu. N\u00e3o me importo de passar a vida com hemodi\u00e1lise&#8221;. Se o m\u00e9dico proceder \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, a mulher n\u00e3o ser\u00e1 condenada por insensatez. Mas receber\u00e1 louvores o m\u00e9dico por ter acedido \u00e0quele pedido?<\/p>\n<p>Mesmo com exemplos que afectam apenas o corpo (e n\u00e3o uma nova vida), percebe-se que n\u00e3o se deve interpretar o \u201daqui mando eu\u201d como um salvo-conduto para toda e qualquer actua\u00e7\u00e3o sobre os pr\u00f3prios \u00f3rg\u00e3os e que se deve pedir \u00e0 sociedade e \u00e0 Justi\u00e7a que actuem sobre quem fosse c\u00famplice de um tresloucado dador.<\/p>\n<p>2) Mas consideremos agora que a mulher &#8220;sabe&#8221; que o embri\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m diferente dela e que o que pretende significar com o \u201caqui mando eu\u201d \u00e9 que, enquanto estiver dentro dela, a mulher \u00e9 dona absoluta da crian\u00e7a e do seu destino.<\/p>\n<p>A frase tamb\u00e9m \u00e9 falsa. Permitam-me novos exemplos:<\/p>\n<p>Uma mulher gr\u00e1vida vai ao m\u00e9dico e desabafa: &#8220;J\u00e1 tenho 3 filhos saud\u00e1veis. Quem me dera ter uma crian\u00e7a deficiente, para exteriorizar os meus sentimentos de altru\u00edsmo sacrificado; por favor, d\u00ea-me um medicamento que altere o desenvolvimento normal do meu filho; n\u00e3o se esque\u00e7a de que aqui mando eu&#8221;. Se o m\u00e9dico atender o pedido, n\u00e3o dever\u00e1 ser julgado e castigado? E que far\u00e1 a Justi\u00e7a com a m\u00e3e? Ou vai para tratamento psiqui\u00e1trico ou ser\u00e1 igualmente condenada.<\/p>\n<p>Passemos a casos mais reais. Uma m\u00e3e pode com legitimidade dizer: &#8220;Estes filhos, de 2 e 3 anos, s\u00e3o meus. E como na minha casa mandamos eu e o meu marido (verdade inquestion\u00e1vel), posso espancar os meus filhos para os educar&#8221;. Neste caso de viol\u00eancia dom\u00e9stica, a Justi\u00e7a n\u00e3o ter\u00e1 uma palavra a dizer?<\/p>\n<p>Os exemplos poderiam suceder-se, mas penso que se torna patente que sim, \u201caqui mando eu\u201d, mas nem sozinha, nem sempre e n\u00e3o de qualquer maneira. A afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o inquestion\u00e1vel quanto parece.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, na maioria dos pa\u00edses onde o aborto \u00e9 legal, o &#8220;aqui mando eu&#8221; aplicado ao nascituro deixa de ser reconhecido a partir de certa idade da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Portanto, se n\u00e3o \u00e9 o &#8220;lugar&#8221; que d\u00e1 \u00e0 mulher um dom\u00ednio absoluto sobre a crian\u00e7a, o que ser\u00e1 ent\u00e3o? Por que \u00e9 que at\u00e9 aos 14 meses (ou quantos forem) manda ela e depois n\u00e3o? A quest\u00e3o acabar\u00e1 sempre por se orientar para o estatuto ontol\u00f3gico do embri\u00e3o: se for &#8220;algu\u00e9m&#8221;, n\u00e3o se pode tocar nunca; se for &#8220;algo&#8221;, admitir\u00e1 excep\u00e7\u00f5es. No entanto, a m\u00ednima d\u00favida sobre a entidade do embri\u00e3o (para quem n\u00e3o souber ainda que se trata de &#8220;algu\u00e9m&#8221;) deveria ser suficiente para n\u00e3o se arriscar a matar ou deixar matar uma pessoa.<br \/>Curiosamente, o &#8220;aqui mando eu&#8221; \u00e9 absolutamente verdadeiro em sentido inverso ao usado pelos defensores do aborto quando o que a mulher quer dizer \u00e9 que ningu\u00e9m pode matar o seu filho ou fazer-lhe mal. As tais fotografias teriam sido muito \u00fateis na China, por exemplo, nas d\u00e9cadas passadas, quando as mulheres com mais de um filho eram obrigadas a abortar. Realmente, de uma m\u00e3e espera-se que tenha consci\u00eancia da miss\u00e3o gigantesca que tem por diante: o seu ventre deve ser a fortaleza inexpugn\u00e1vel contra todas as amea\u00e7as ao beb\u00e9. Usar o &#8220;aqui mando eu&#8221; em sentido perverso \u2013 eu, m\u00e3e, sou a amea\u00e7a para o meu beb\u00e9 \u2013, al\u00e9m de irracional, deveria chocar-nos a todos.<\/p>\n<p>Mas por que raz\u00e3o dever\u00e1 uma lei interferir na decis\u00e3o da mulher? Penso que os exemplos dados atr\u00e1s sugerem a resposta: nem todas as decis\u00f5es pessoais s\u00e3o boas e algumas t\u00eam uma incid\u00eancia social not\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o da descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, enfrentam-se duas atitudes inconcili\u00e1veis: por um lado, a de quem estima que a liberdade pessoal n\u00e3o paga nunca tributo a ningu\u00e9m. S\u00e3o os que se negam a entender que certas op\u00e7\u00f5es pessoais afectam a pr\u00f3pria sociedade: para esses, n\u00e3o h\u00e1 bem nem mal nesse tipo de op\u00e7\u00f5es ou, se h\u00e1, fica subordinado \u00e0 mera capacidade de escolha, valor supremo e intoc\u00e1vel. Assim, s\u00f3 seria um mal o que limitasse a possibilidade de escolher. Claro que os defensores de tal tese ter\u00e3o dificuldade em explicar por que raz\u00e3o o Estado alem\u00e3o condenou o canibal de Fulda, um homem que \u201capenas\u201d comeu algu\u00e9m que, voluntariamente, se apresentou para essa expl\u00edcita finalidade (ser comido), proposta abertamente num site da internet.<\/p>\n<p>Do outro lado, encontramos a atitude de quem pensa que a liberdade \u00e9 respons\u00e1vel pelas suas op\u00e7\u00f5es, que muitas vezes tem de se justificar perante terceiros e que, nalguns casos, a sociedade pode e deve orientar para o bem da pr\u00f3pria pessoa e da sociedade essa liberdade, pois ela pr\u00f3pria &#8211; a liberdade -, no seu exerc\u00edcio, n\u00e3o \u00e9 infal\u00edvel. E \u00e9 prefer\u00edvel balizar as op\u00e7\u00f5es de escolha para que a pessoa n\u00e3o opte por comportamentos que transformem a sua liberdade num tirano cruel e insens\u00edvel.<\/p>\n<p>As leis anti-aborto s\u00e3o dissuasoras, mas s\u00e3o, al\u00e9m disso, muito pedag\u00f3gicas, pois recordam que o novo ser \u00e9 tamb\u00e9m um novo cidad\u00e3o (mesmo que com direitos incipientes). E recordam igualmente que a mulher \u00e9 a primeira respons\u00e1vel pelo bem da crian\u00e7a. Ao mesmo tempo, essas leis (onde ainda existem) protegem a mulher de press\u00f5es externas de todo o tipo: dos pais, do namorado ou marido, dos patr\u00f5es desp\u00f3ticos, de mexericos, etc.<\/p>\n<p>N\u00e3o deveria a sociedade sentir-se mais segura quando v\u00ea que o Estado tamb\u00e9m vela pelos mais indefesos e reconhece \u00e0 mulher o direito de defender o filho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns exemplos bem pr\u00e1ticos para saber se voc\u00ea &#8220;manda mesmo&#8221; naquilo que acha \u00e9 &#8220;s\u00f3 seu&#8221;\u00a0\u00a0 Aborto &#8211; Tirem seus ros\u00e1rios dos meus ov\u00e1rios Creative CommonsCom mon\u00f3tona repeti\u00e7\u00e3o, como um ex-libris da causa a favor da descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, s\u00e3o mostradas fotografias de barrigas de mulheres com as palavras: &#8220;Aqui mando eu!&#8221;. 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