{"id":6054,"date":"2015-07-21T11:51:29","date_gmt":"2015-07-21T14:51:29","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/alguns-pontos-de-reflexao-da-laudato-si\/"},"modified":"2017-04-10T14:37:43","modified_gmt":"2017-04-10T17:37:43","slug":"alguns-pontos-de-reflexao-da-laudato-si","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/alguns-pontos-de-reflexao-da-laudato-si\/","title":{"rendered":"Alguns pontos de reflex\u00e3o da Laudato Si\u2019"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"> Toda sele\u00e7\u00e3o de temas \u00e9 arbitr\u00e1ria e depende de quem as seleciona. Procuramos salientar aqui alguns pontos controversos que o Santo Padre nos coloca em sua Enc\u00edclica e que chama a comunidade internacional, com seus especialistas, cientistas e estudiosos, a continuar procurando com seriedade uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o.<br \/>O Santo Padre o Papa reconhece que existe diversidade de opini\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o e sobre as poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es. Cita dois extremos: quem sustenta que \u201cos problemas ecol\u00f3gicos ser\u00e3o resolvidos simplesmente com a aplica\u00e7\u00e3o de novas t\u00e9cnicas, sem considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas nem mudan\u00e7as de fundo\u201d. E quem considera que \u201ca esp\u00e9cie humana, n\u00e3o importa qual seja a sua forma de interven\u00e7\u00e3o, s\u00f3 poder\u00e1 ser uma amea\u00e7a e comprometer o ecossistema mundial, de modo que \u00e9 conveniente reduzir a sua presen\u00e7a no planeta\u201d. Sobre v\u00e1rias quest\u00f5es concretas, a Igreja \u201cn\u00e3o tem motivo para propor uma palavra definitiva\u201d, basta, no entanto, \u201cobservar a realidade com sinceridade para ver que existe uma grande deteriora\u00e7\u00e3o da nossa casa comum\u201d.<br \/> A Enc\u00edclica n\u00e3o faz nenhuma concess\u00e3o ao afirmar a responsabilidade moral dos homens que \u2013 com os seus comportamentos \u2013 influem sobre o meio ambiente, a polui\u00e7\u00e3o, o aquecimento global e \u2013 em \u00faltima an\u00e1lise \u2013 de como poderemos impedir tudo isso. O Santo Padre o Papa conclama a todos para uma convers\u00e3o ecol\u00f3gica. Instiga a mudarmos de rota: a nos empenharmos pela salvaguarda do ambiente, da nossa casa comum. E afirma que poluir, contribuir para o aquecimento global, para a desfloresta\u00e7\u00e3o \u00e9 \u2013 no fundo \u2013 um pecado.<br \/> Quando o Romano Pont\u00edfice, a partir do segundo cap\u00edtulo da Enc\u00edclica, introduz os aspectos da f\u00e9, ele o faz com um pre\u00e2mbulo muito claro: \u201cPor que inserir neste documento, dirigido a todas as pessoas de boa vontade, um cap\u00edtulo referente \u00e0s convic\u00e7\u00f5es de f\u00e9? Tenho consci\u00eancia de que, no campo da pol\u00edtica e do pensamento, alguns refutam com for\u00e7a a ideia de um Criador, ou a consideram irrelevante, a ponto de relegar ao \u00e2mbito do irracional a riqueza que as religi\u00f5es podem oferecer para uma ecologia integral e para o pleno desenvolvimento do g\u00eanero humano. Outras vezes, sup\u00f5e-se que elas constituam uma subcultura que deve ser simplesmente tolerada. Contudo, a ci\u00eancia e a religi\u00e3o, que fornecem abordagens diversas da realidade, podem entrar em um di\u00e1logo intenso e produtivo para ambas\u201d.<br \/> S\u00e3o 180 p\u00e1ginas de reflex\u00f5es teol\u00f3gicas e com numerosos atos de acusa\u00e7\u00e3o dirigidos aos poderosos e \u00e0s na\u00e7\u00f5es desenvolvidas. Selecionamos abaixo aqueles que consideramos ser os seus pontos principais: Preservar o mundo natural e\u0301 a melhor heran\u00e7a que podemos deixar para as gera\u00e7\u00f5es futuras:<br \/>1. Abandono dos combust\u00edveis f\u00f3sseis: \u201c\u00c0 espera de solu\u00e7\u00f5es melhores (as energias renov\u00e1veis) \u00e9 melhor preferir o mal menor. No caso energ\u00e9tico, o pior de todos \u00e9 o carv\u00e3o f\u00f3ssil. Sabemos que a tecnologia baseada nos combust\u00edveis f\u00f3sseis, todos muito poluidores \u2013 especialmente o carv\u00e3o, seguido pelo petr\u00f3leo e, em medida um pouco menor, pelos gases combust\u00edveis \u2013 deve ser substitu\u00edda progressivamente, por\u00e9m sem hesita\u00e7\u00e3o. Na expectativa de um amplo desenvolvimento das energias renov\u00e1veis, que j\u00e1 deveria ter come\u00e7ado, \u00e9 leg\u00edtimo optar pelo mal menor ou recorrer a solu\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias\u201d.<br \/>2. A fal\u00eancia dos encontros da ONU sobre o clima: \u201cMais de vinte anos de \u201csummits\u201d serviram pouco para o controle do aquecimento global. Digna de nota \u00e9 a debilidade da rea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica internacional. A submiss\u00e3o da pol\u00edtica \u00e0 tecnologia e \u00e0 finan\u00e7a demonstra-se na fal\u00eancia dos v\u00e9rtices mundiais sobre o ambiente. Existem demasiados interesses particulares e muito facilmente o interesse econ\u00f4mico prevalece sobre o bem comum e manipula a informa\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>3. Os \u201ccr\u00e9ditos de emiss\u00e3o\u201d constituem negociata in\u00fatil: \u201cA estrat\u00e9gia de compra e venda de \u2018cr\u00e9ditos de emiss\u00e3o\u2019 pode redundar em uma nova forma de especula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o serve para reduzir a emiss\u00e3o global de gases poluidores. Esse sistema parece ser uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e f\u00e1cil, com a apar\u00eancia de certo empenho para o ambiente, mas ele n\u00e3o implica, de fato, numa mudan\u00e7a radical \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias. Longe disso, pode se tornar um expediente que consente sustentar o super consumo de alguns pa\u00edses e setores\u201d.<br \/>4. Import\u00e2ncia das iniciativas locais: \u201cEm alguns lugares desenvolvem-se cooperativas para a explora\u00e7\u00e3o das energias renov\u00e1veis que possibilitam a autossufici\u00eancia local e inclusive a venda da produ\u00e7\u00e3o excedente. Esse simples exemplo indica que, enquanto a ordem mundial existente mostra-se impotente em assumir a responsabilidade, a inst\u00e2ncia local pode fazer a diferen\u00e7a. \u00c9 nela que podem nascer uma maior responsabilidade, um forte senso comunit\u00e1rio, uma capacidade especial de bons cuidados e uma criatividade mais generosa, um profundo amor pela pr\u00f3pria terra, bem como a se pensar naquilo que ser\u00e1 deixado para os filhos e os netos. Esses valores t\u00eam ra\u00edzes muito profundas nas popula\u00e7\u00f5es abor\u00edgenes\u201d.<br \/>5. Transg\u00eanicos? Nem a favor, nem contra: \u201c\u00c9 dif\u00edcil emitir um julgamento geral a respeito do desenvolvimento dos organismos geneticamente modificados (OGM), vegetais ou animais, para fins m\u00e9dicos ou na agricultura, pois eles podem ser muito diversos entre si e requererem distintas considera\u00e7\u00f5es. Por outro lado, os riscos n\u00e3o devem ser sempre atribu\u00eddos \u00e0 t\u00e9cnica em si, mas \u00e0 sua aplica\u00e7\u00e3o inadequada ou excessiva. Na realidade, as muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas foram e continuam sendo produzidas muitas vezes pela pr\u00f3pria natureza. Nem mesmo aquelas provocadas pelo ser humano s\u00e3o um fen\u00f4meno moderno. A domestica\u00e7\u00e3o de animais, o cruzamento de esp\u00e9cies e outras pr\u00e1ticas antigas e universalmente aceitas podem ser objeto dessas considera\u00e7\u00f5es. \u00c9 oportuno recordar que o in\u00edcio dos trabalhos cient\u00edficos sobre cereais transg\u00eanicos foi a observa\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias que naturalmente e espontaneamente produzem modifica\u00e7\u00f5es no genoma de um vegetal. Todavia, na natureza esses processos t\u00eam um ritmo lento, que n\u00e3o pode ser comparado \u00e0 velocidade imposta pelos progressos tecnol\u00f3gicos atuais, at\u00e9 mesmo quando tais progressos s\u00e3o baseados sobre desenvolvimentos cient\u00edficos multisseculares\u201d.<br \/>6. O consumo \u00e9 o problema mais grave da popula\u00e7\u00e3o mundial: \u201cCulpar o incremento demogr\u00e1fico e n\u00e3o o consumismo extremo e seletivo por parte de alguns \u00e9 um modo de n\u00e3o enfrentar os problemas. Pretende-se dessa forma legitimar o atual modelo distributivo, no qual uma minoria se cr\u00ea no direito de consumir numa propor\u00e7\u00e3o que seria imposs\u00edvel generalizar, porque o planeta sequer conseguiria absorver os detritos produzidos por tal consumo\u201d.<br \/>7. Celulares e outros aparelhos est\u00e3o arruinando nossa rela\u00e7\u00e3o com a natureza: \u201cAo mesmo tempo, as rela\u00e7\u00f5es reais com os outros, com todos os desafios que elas implicam, tendem a ser substitu\u00eddas por um tipo de comunica\u00e7\u00e3o intermediada pela internet. Isso permite selecionar ou eliminar as rela\u00e7\u00f5es segundo o nosso arb\u00edtrio e, dessa forma, gera-se com frequ\u00eancia um novo tipo de emo\u00e7\u00f5es artificiais, que tem mais a ver com dispositivos eletr\u00f4nicos e monitores visuais do que com pessoas e com a natureza. Os meios atuais permitem que nos comuniquemos e que compartilhemos conhecimentos e afetos. Contudo, \u00e0s vezes eles nos impedem de tomar contato direto com a ang\u00fastia, com o temor, com a alegria do pr\u00f3ximo e com a complexidade da sua experi\u00eancia pessoal. Por isso n\u00e3o deveria espantar o fato de que, junto \u00e0 opressiva oferta desses produtos, v\u00e1 crescendo uma profunda e melanc\u00f3lica insatisfa\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, ou um danoso isolamento\u201d.<br \/>8. A heran\u00e7a para as novas gera\u00e7\u00f5es? A desola\u00e7\u00e3o: \u201cAs previs\u00f5es catastr\u00f3ficas j\u00e1 n\u00e3o podem ser consideradas com desprezo e ironia. Poderemos deixar \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es demasiadas ru\u00ednas, desertos e lixo. Os ritmos do consumo, do desperd\u00edcio e de altera\u00e7\u00f5es do meio ambiente superaram as possibilidades do planeta, de maneira tal que o estilo atual de vida, sendo insustent\u00e1vel, apenas pode desembocar em cat\u00e1strofes, como de fato j\u00e1 est\u00e1 acontecendo periodicamente em diversas regi\u00f5es\u201d.<br \/>9. Poluir e extinguir recursos \u00e9 um pecado: \u201cO ambiente \u00e9 um bem coletivo, patrim\u00f4nio de toda a humanidade e responsabilidade de todos. Quem dele possui uma parte \u00e9 apenas para administr\u00e1-la em benef\u00edcio de todos. Se n\u00e3o o fizermos, carregaremos em nossa consci\u00eancia o peso de negarmos a exist\u00eancia dos outros. Por isso, os bispos da Nova Zel\u00e2ndia se perguntaram o que significa o mandamento \u201cn\u00e3o matar\u00e1s\u201d, quando cerca de 20 por cento da popula\u00e7\u00e3o mundial consome recursos em medida tal de roubar \u00e0s na\u00e7\u00f5es pobres e \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es aquilo de que t\u00eam necessidade para sobreviver\u201d.<br \/>10. A polui\u00e7\u00e3o sonora tamb\u00e9m \u00e9 conden\u00e1vel: \u201cPara poder falar de um desenvolvimento aut\u00eantico, ser\u00e1 preciso que aconte\u00e7a uma melhora integral da qualidade da vida humana, e isso implica analisar o espa\u00e7o no qual transcorre a exist\u00eancia das pessoas. Os ambientes nos quais vivemos influem no nosso modo de ver a vida, de sentir e de agir. Ao mesmo tempo, no nosso quarto, na nossa casa, no nosso lugar de trabalho e no nosso bairro devemos fazer uso do ambiente para exprimir a nossa identidade. Esfor\u00e7amos-nos para nos adaptar ao ambiente, mas quando ele \u00e9 desordenado, ca\u00f3tico ou saturado de polui\u00e7\u00e3o visual e sonora, o excesso de est\u00edmulos p\u00f5e \u00e0 prova nossas tentativas de desenvolver uma identidade integrada e feliz\u201d.<br \/> S\u00e3o estes alguns pontos interessantes e pol\u00eamicos da Enc\u00edclica que nos ajudam na reflex\u00e3o e na tomada de posi\u00e7\u00f5es, e que merecem de nossa parte estudos para aprofundarmos e \u00e9 um desafio tamb\u00e9m para os governos e para os t\u00e9cnicos. Um grande avan\u00e7o na reflex\u00e3o e na tomada de posi\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o a tantas situa\u00e7\u00f5es importantes para o mundo de hoje e de amanh\u00e3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda sele\u00e7\u00e3o de temas \u00e9 arbitr\u00e1ria e depende de quem as seleciona. 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