{"id":60514,"date":"2020-07-06T09:10:45","date_gmt":"2020-07-06T12:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=60514"},"modified":"2020-07-08T16:11:25","modified_gmt":"2020-07-08T19:11:25","slug":"abencoado-seja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/abencoado-seja\/","title":{"rendered":"ABEN\u00c7OADO SEJA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Saudades dos bons tempos. Da normalidade cotidiana. Do bom-dia, boa noite, ben\u00e7\u00e3o pai, ben\u00e7\u00e3o m\u00e3e&#8230; Desculpe, com licen\u00e7a&#8230; Saudades da vidinha pacata e feliz, do leite no curral (diretamente da fonte para o consumidor), dos ovos colhidos debaixo da galinha e do milho verde assado na brasa. Do luar prateado em noites de inverno e dourado intenso no ver\u00e3o. Do canto amea\u00e7ador do quero-quero vigiando seu ninho e das maritacas em algazarra na palmeira cacheada. Saudades da vida livre no campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sei que muitos n\u00e3o a tiveram, mas imaginam o que tudo isso possa representar. Sei que a saudade \u00e9 o inconsciente que produz e sempre nos deixa rastros de nostalgia. Que esta, real ou imaginaria, remete-nos a atitudes de bons prop\u00f3sitos e acerto de rumos na nossa vida. Que assim seja, que as gra\u00e7as e b\u00ean\u00e7\u00e3os desses prop\u00f3sitos de retomada, de mudan\u00e7as, de resgate do que nos parece bom, renov\u00e1vel, retorn\u00e1vel, possa acontecer na vida de todos. Aben\u00e7oado seja o bom prop\u00f3sito. Aben\u00e7oado seu sonho de vida nova, de mudan\u00e7a, de novo olhar sobre sua vida ap\u00f3s tantas tormentas e decep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o fique no saudosismo apenas. N\u00e3o se finque no passado, na lembran\u00e7a do que foi bom, mas que tamb\u00e9m pode acontecer no aqui e agora, no hoje de nossas vidas. O que passou, passou. Mas o que vir\u00e1 depende de como reagirmos \u00e0s perdas da estrada percorrida. Se apenas olharmos pela janela do passado perdemos o encantamento das janelas que o futuro nos reserva. Quem vive no passado, sem perspectivas de renova\u00e7\u00e3o ou repeti\u00e7\u00e3o de seus bons momentos, corre o risco de estacionar no tempo, matar seus dias na madorra de lembran\u00e7as apenas. Projetos mais positivos nos d\u00e3o alento, nos oxigenam novas esperan\u00e7as e, quando muito, nos animam a reencontrar seus hiatos no tempo presente. Sem essas possibilidades, revivem em n\u00f3s um sentimento de gratid\u00e3o pela experi\u00eancia positiva. Outras acontecer\u00e3o e deixar\u00e3o saudades. \u00c9 essa a arte do bem viver. Cada dia, cada passo, cada momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E os que ficaram nessa estrada? Dizia uma frase tumular que os mortos vivem na saudade dos vivos. Revivem em n\u00f3s. Tamb\u00e9m os bons costumes. A b\u00ean\u00e7\u00e3o m\u00fatua (recomendada recentemente pelo Papa Francisco) o cumprimento cordial, a educa\u00e7\u00e3o no trato com nossos semelhantes, a cultura da solidariedade, o respeito \u00e0s diferen\u00e7as, tudo isso \u00e9 poss\u00edvel reconquistar e valorizar novamente, depois de experimentarmos o qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 um mundo onde a dor e o sofrimento imperam. Tempos dif\u00edceis anseiam por tempos de paz e harmonia maiores. O saudosismo refaz a esperan\u00e7a. A guerra luta pela paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essas contradi\u00e7\u00f5es est\u00e3o a\u00ed, a testar nossa capacidade de renova\u00e7\u00e3o. N\u00e3o chore o tempo passado, o leite derramado. Olhe n\u00e3o apenas a curva do passado, mas a retid\u00e3o da estrada futura. Essa n\u00e3o deixa poeira, mas um horizonte l\u00edmpido, imaculado, de luz e luar sempre cativantes. O trem sempre apita na curva, porque seu condutor se preocupa em evitar acidentes na estrada futura. Nessa viagem, nosso condutor \u00e9 t\u00e3o cauteloso quanto. Lembra-nos a tranquilidade da crian\u00e7a num voo turbulento, onde todos demonstravam pavor, medo do que estava por acontecer. Menos aquela crian\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Indagada do porqu\u00ea de estar t\u00e3o tranquila, respondeu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; N\u00e3o tenho medo. Meu pai \u00e9 o piloto!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saudades dos bons tempos. Da normalidade cotidiana. Do bom-dia, boa noite, ben\u00e7\u00e3o pai, ben\u00e7\u00e3o m\u00e3e&#8230; Desculpe, com licen\u00e7a&#8230; Saudades da vidinha pacata e feliz, do leite no curral (diretamente da fonte para o consumidor), dos ovos colhidos debaixo da galinha e do milho verde assado na brasa. 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