{"id":60475,"date":"2020-07-08T09:04:42","date_gmt":"2020-07-08T12:04:42","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=60475"},"modified":"2020-07-08T09:04:42","modified_gmt":"2020-07-08T12:04:42","slug":"de-lampedusa-a-covid-19-o-papa-e-o-desafio-da-fraternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/de-lampedusa-a-covid-19-o-papa-e-o-desafio-da-fraternidade\/","title":{"rendered":"De Lampedusa \u00e0 Covid-19, o Papa e o desafio da fraternidade"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\"><span class=\"didascalia_img\">Crian\u00e7a sendo resgatada nas \u00e1guas internacionacionais do Mediterr\u00e2neo, em julho de 2019\u00a0 (AFP or licensors)<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Sete anos depois da sua visita \u00e0 ilha, o apelo do Papa Francisco feito naquela oportunidade, para nos sentirmos e nos vermos como irm\u00e3os uns dos outros, \u00e9 ainda mais urgente. Na era da p\u00f3s-pandemia, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de nos salvarmos sozinhos, a fraternidade \u00e9 a \u00fanica maneira para construir o futuro.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Alessandro Gisotti<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a o artigo e compartilhe<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-60475-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/07\/07\/14\/135650129_F135650129.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/07\/07\/14\/135650129_F135650129.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/07\/07\/14\/135650129_F135650129.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u2019Onde est\u00e1 o teu irm\u00e3o? A voz do seu sangue clama at\u00e9 Mim\u2019, diz o Senhor Deus. Essa n\u00e3o \u00e9 uma pergunta dirigida aos outros, \u00e9 uma pergunta dirigida a mim, a ti, a cada um de n\u00f3s&#8221;. J\u00e1 se passaram sete anos da visita do Papa Francisco a Lampedusa e daquela pergunta dirigida \u00e0 humanidade na missa celebrada no campo esportivo da ilha, no cora\u00e7\u00e3o do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma viagem que durou apenas algumas horas, mas que foi de alguma forma &#8220;program\u00e1tica&#8221; para o Pontificado. Ali, na ponta sul da Europa, Francisco mostrou o que entende quando fala de &#8220;Igreja em sa\u00edda&#8221;. Ele tornou vis\u00edvel a afirma\u00e7\u00e3o de que a realidade pode ser vista melhor a partir das periferias do que a partir do centro. Em meio aos migrantes que fugiram da guerra e da mis\u00e9ria, ele mostrou concretamente o seu sonho de uma &#8220;Igreja pobre e para os pobres&#8221;. Em Lampedusa, por outro lado, falando de Caim e Abel, tamb\u00e9m colocou a quest\u00e3o da fraternidade em primeiro plano. Um questionamento fundamental para o nosso tempo. Ou talvez, de todos os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o eixo da fraternidade gira todo o Pontificado de Francisco. &#8220;Irm\u00e3os&#8221; \u00e9 precisamente a primeira palavra que ele dirigiu ao mundo como Papa na noite de 13 de mar\u00e7o de 2013. A dimens\u00e3o da fraternidade est\u00e1, se assim se pode dizer, no DNA deste Pont\u00edfice que escolheu o nome do Pobrezinho de Assis, um homem que queria para si, como \u00fanico t\u00edtulo, aquele de \u201cfrate\u201d, frater, irm\u00e3o precisamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fraterno \u00e9 tamb\u00e9m o modo como define a sua rela\u00e7\u00e3o com o Papa em\u00e9rito Bento XVI. Ap\u00f3s a assinatura da Declara\u00e7\u00e3o sobre a Fraternidade Humana, esse valor do Pontificado certamente aparece mais marcado e evidente a todos. No entanto, voltando aos primeiros sete anos de Pontificado de Francisco, encontramos v\u00e1rios marcos no caminho que levou \u00e0 assinatura, juntamente com o Grande Im\u00e3 de Al Azhar, do documento hist\u00f3rico em Abu Dhabi, em 4 de fevereiro de 2019. Um caminho que agora continua, porque aquele evento em solo \u00e1rabe foi um ponto de chegada, certamente, mas tamb\u00e9m de um novo come\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando \u00e0 &#8220;quest\u00e3o de Lampedusa&#8221;, \u00e9 particularmente significativo que o Papa retome as mesmas palavras em uma outra visita altamente simb\u00f3lica, aquela que faz ao Sacr\u00e1rio Militar de Redipuglia, no centen\u00e1rio do in\u00edcio da I Guerra Mundial. Tamb\u00e9m aqui, em setembro de 2014, o di\u00e1logo entre Deus e Caim, ap\u00f3s a morte do irm\u00e3o Abel, volta a ressoar com todo o seu drama. &#8220;N\u00e3o sei. Acaso sou o guarda do meu irm\u00e3o&#8221;? (Gn 4,9). Para Francisco, naquela recusa de se sentir o guardi\u00e3o do irm\u00e3o, de cada irm\u00e3o, est\u00e1 a raiz de todos os males que abalam a humanidade. Essa atitude, enfatiza o Papa, &#8220;\u00e9 exatamente o oposto do que Jesus nos pede no Evangelho&#8221;, &#8220;Aquele que cuida de seu irm\u00e3o, entra na alegria do Senhor; aquele que n\u00e3o o faz, com as suas omiss\u00f5es diz: &#8216;O que me importa?\u2019, fica de fora\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a passagem do Pontificado, vemos que a perten\u00e7a comum \u00e0 fraternidade humana \u00e9 declinada em todo o seu dinamismo multiforme, desde o ecum\u00eanico ao inter-religioso, da dimens\u00e3o social \u00e0quela pol\u00edtica. Mais uma vez o poliedro \u00e9 a figura que melhor representa o pensamento e a a\u00e7\u00e3o de Francisco. A fraternidade, de fato, tem muitas facetas. Tantas quantas forem os homens e as rela\u00e7\u00f5es entre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco fala de irm\u00e3os no encontro de ora\u00e7\u00e3o e de paz nos Jardins do Vaticano com Shimon Peres e Abu Mazen. &#8220;A vossa presen\u00e7a&#8221;, enfatiza ao se dirigir ao l\u00edder israelense e aquele palestino, &#8220;\u00e9 um grande sinal de fraternidade, que cumprem como filhos de Abra\u00e3o, e uma express\u00e3o concreta de confian\u00e7a em Deus, Senhor da hist\u00f3ria, que hoje nos olha como irm\u00e3os, uns dos outros, e deseja nos conduzir em seu caminho&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nome da fraternidade, animada pela f\u00e9 comum em Cristo, h\u00e1 tamb\u00e9m o encontro, impens\u00e1vel at\u00e9 poucos anos antes, do bispo de Roma com o Patriarca de Moscou, um evento aben\u00e7oado pelo Patriarca de Constantinopla, o irm\u00e3o Bartolomeu I. Em Cuba, Francisco e Kirill assinam um documento comum que, em suas palavras iniciais, enfatiza: &#8220;Com alegria, nos encontramos como irm\u00e3os na f\u00e9 crist\u00e3, que se encontram para &#8216;falar de viva voz&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fraternidade \u00e9 tamb\u00e9m a palavra-chave que nos permite decodificar um dos atos mais fortes e surpreendentes do Pontificado: o gesto de se ajoelhar para beijar os p\u00e9s dos l\u00edderes do Sud\u00e3o do Sul convocados ao Vaticano para um retiro espiritual e de paz. &#8220;Aos tr\u00eas, que assinaram o Acordo de Paz\u201d, diz o Papa com palavras sinceras, \u201cpe\u00e7o-lhes, como irm\u00e3o, que permane\u00e7am na paz. Eu lhes pe\u00e7o de cora\u00e7\u00e3o. Vamos adiante&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, se a Declara\u00e7\u00e3o de Abu Dhabi foi como a flora\u00e7\u00e3o de sementes plantadas no in\u00edcio e, depois, durante todo o Pontificado, certamente a &#8220;mudan\u00e7a de \u00e9poca&#8221; que estamos vivendo, acelerada pela pandemia, torna improrrog\u00e1vel assumir a responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da fraternidade humana. &#8220;Onde est\u00e1 o teu irm\u00e3o?&#8221; Aquela pergunta-apelo, levantada na ensolarada manh\u00e3 de 8 de julho de 2013 em Lampedusa, \u00e9 hoje &#8220;a&#8221; quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo, convencido de poder fazer sozinho, de poder ir adiante com a l\u00f3gica ego\u00edsta do &#8220;sempre se fez assim&#8221;, ao inv\u00e9s disso, se viu no ch\u00e3o, incr\u00e9dulo e impotente diante de um inimigo invis\u00edvel e esquivo. E agora luta para se levantar porque n\u00e3o encontra a base correta para se sustentar. Essa base, nos repete Francisco, \u00e9 a fraternidade. Ali est\u00e3o as \u00fanicas bases sobre as quais construir uma casa s\u00f3lida para a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O coronav\u00edrus mostrou dramaticamente que n\u00e3o importa qu\u00e3o diferentes sejam os n\u00edveis de desenvolvimento entre as na\u00e7\u00f5es e a renda dentro das na\u00e7\u00f5es, todos n\u00f3s somos vulner\u00e1veis. Somos irm\u00e3os no mesmo barco, abalados pelas ondas de uma tempestade que atinge todos e a cada um indiscriminadamente. &#8220;Com a tempestade\u201d, afirma o\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/urbi\/documents\/papa-francesco_20200327_urbi-et-orbi-epidemia.html\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\">Papa sob a chuva de 27 de mar\u00e7o na Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro vazia<\/a>, \u201ccaiu a maquiagem dos estere\u00f3tipos com que mascaramos o nosso &#8216;eu&#8217;, sempre preocupado com a pr\u00f3pria imagem; e ficou descoberto, uma vez mais, aquela (aben\u00e7oada) perten\u00e7a comum a que n\u00e3o nos podemos subtrair: a perten\u00e7a como irm\u00e3os&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 o que pode despertar as nossas consci\u00eancias um pouco anestesiadas diante das muitas &#8220;pandemias&#8221;, como a guerra e a fome, que bateram \u00e0s nossas portas, mas que n\u00e3o nos curamos, porque n\u00e3o conseguiram entrar em casa. &#8220;H\u00e1 muitas outras pandemias que fazem as pessoas morrerem\u201d, lembrou Francisco na missa na Santa Marta em 14 de maio, \u201ce n\u00f3s n\u00e3o nos damos conta, olhamos para o outro lado\u201d. Hoje, assim como h\u00e1 sete anos em Lampedusa, o Papa nos diz que n\u00e3o devemos olhar para o outro lado porque, se realmente nos sentimos irm\u00e3os, membros uns do outros, o outro lado n\u00e3o existe. O outro lado somos n\u00f3s.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7a sendo resgatada nas \u00e1guas internacionacionais do Mediterr\u00e2neo, em julho de 2019\u00a0 (AFP or licensors) Sete anos depois da sua visita \u00e0 ilha, o apelo do Papa Francisco feito naquela oportunidade, para nos sentirmos e nos vermos como irm\u00e3os uns dos outros, \u00e9 ainda mais urgente. 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