{"id":60406,"date":"2020-06-29T10:54:22","date_gmt":"2020-06-29T13:54:22","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=60406"},"modified":"2020-07-01T10:55:14","modified_gmt":"2020-07-01T13:55:14","slug":"pincando-o-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pincando-o-cristo\/","title":{"rendered":"PIN\u00c7ANDO O CRISTO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos de pandemia, qualquer bombinha \u00e9 trovoada. Igualmente, qualquer trovoada pode ser uma simples bombinha. Mas, \u00e0s vezes, devemos colocar os pingos nos is de certas situa\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias. Por exemplo: a f\u00e9 cat\u00f3lica est\u00e1 adotando em seus kits de objetos lit\u00fargicos um novo instrumental. (Perdoem-me, mas tamb\u00e9m observo o exagero do modismo dos paramentos de muitos sacerdotes, preocupados -at\u00e9 inconscientemente- mais com a beleza de suas vestes lit\u00fargicas, do que a riqueza da un\u00e7\u00e3o sacerdotal de que est\u00e3o revestidos diante do povo). Par\u00eanteses fechado, eis a raz\u00e3o de minha indigna\u00e7\u00e3o: est\u00e3o pin\u00e7ando o Cristo para oferece-lo ao povo. Isso mesmo! Em tempos de pandemia, um novo instrumental est\u00e1 sendo aceito por muitas par\u00f3quias como saneador do ato eucar\u00edstico: a pin\u00e7a de h\u00f3stias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00e1 n\u00e3o nos bastam as pol\u00eamicas que temos, como a quest\u00e3o da comunh\u00e3o na boca ou na m\u00e3o, de p\u00e9 ou de joelhos, de v\u00e9us ou mangas compridas? Vamos distribuir o Cristo com uma pin\u00e7a, um instrumental quase cir\u00fargico, como os talheres que a etiqueta humana inventou? Estaremos manipulando mat\u00e9ria com riscos de contamina\u00e7\u00e3o? Vale a preocupa\u00e7\u00e3o, apesar de sua desnecessidade. Voc\u00ea tocaria o Cristo apenas com uma pin\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o posso deixar de citar aqui um testemunho real, mesmo sem a permiss\u00e3o do seu protagonista. Tenho certeza de sua b\u00ean\u00e7\u00e3o. Frad\u00e3o\u00a0 \u00e9 seu codinome. Pois bem: Frad\u00e3o, diretor espiritual do grupo mission\u00e1rio do qual fa\u00e7o parte, o Meac, certo per\u00edodo de sua vida foi dependente do \u00e1lcool. Como bem o sabemos, para um alco\u00f3latra, por mais distante que esteja de sua abstin\u00eancia, uma dose m\u00ednima de \u00e1lcool \u00e9 capaz de reanimar seu v\u00edcio ou repetir situa\u00e7\u00f5es de embriagues e at\u00e9 coma ou del\u00edrio, como se estive ingerido um porre de bebidas. Um meu amigo um dia ficou totalmente embriagado com um peda\u00e7o de bolo que continha vermute. Frad\u00e3o \u00e9 um desses. Abstin\u00eancia total ou pane&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Possuidor das ordens sacerdotais, foi autorizado a celebrar substituindo o vinho por suco de uva. Mas ent\u00e3o se questionou: Que f\u00e9 essa minha? Se digo no ato consagrat\u00f3rio; \u201cEste \u00e9 meu sangue\u201d, se bebo daquele c\u00e1lice, estou dizendo que bebo do sangue verdadeiro do Cristo, como de sua carne, n\u00e3o do simples p\u00e3o. Aquele vinho n\u00e3o mais era vinho, mas sangue. Sangue de Cristo! Ent\u00e3o deixou de lado o suco e passou a consagrar o vinho, o vinho que se tornava sangue. Bebia do sangue, n\u00e3o do vinho. E para provar, bebia em doses cavalares, sem nunca ter se embriagado, nem obtido coma ou del\u00edrios por isso. Mas, quando fora da liturgia, s\u00f3 o cheiro do \u00e1lcool j\u00e1 o repugnava!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso \u00e9 a f\u00e9 eucar\u00edstica. Por\u00e9m, muitos crist\u00e3os cat\u00f3licos n\u00e3o a vivenciam com a clareza de esp\u00edrito necess\u00e1ria diante do altar. \u201cDe fato, Deus n\u00e3o nos deu um esp\u00edrito de medo, mas um esp\u00edrito de for\u00e7a, de amor e de sabedoria. N\u00e3o se envergonhe, portanto, de dar testemunho de nosso Senhor (2Tim 1,7-8), diria Paulo a Tim\u00f3teo, num conselho claro e suscinto ao comportamento eclesi\u00e1stico diante dos mist\u00e9rios da f\u00e9. N\u00e3o questionar, n\u00e3o demonstrar medo ou inseguran\u00e7a, mas dar testemunho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o me pergunto: Como ficamos? Se a Eucaristia \u00e9 o rem\u00e9dio que tantos anseiam, se nela est\u00e3o contidos os maiores mist\u00e9rios da nossa f\u00e9, se ali Cristo realmente se faz presente em corpo e alma e atrav\u00e9s desse mist\u00e9rio irradia seu poder e sua gra\u00e7a, se um simples toque ou desejo de alcan\u00e7a-lo e senti-lo em nossas vidas (a comunh\u00e3o do desejo quando impossibilitados de sua pr\u00e1tica &#8211; lembrem-se do milagre do toque em suas vestes e da pergunta: Quem me tocou?), se tudo isso constitui nossa f\u00e9 eucar\u00edstica, porque n\u00e3o toc\u00e1-lo, n\u00e3o recebe-lo de m\u00e3os devidamente ungidas ou purificadas por sua gra\u00e7a? Ser\u00e1 que nosso Cristo est\u00e1 contaminado? Ou \u00e9 nossa f\u00e9 que padece?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de pandemia, qualquer bombinha \u00e9 trovoada. Igualmente, qualquer trovoada pode ser uma simples bombinha. Mas, \u00e0s vezes, devemos colocar os pingos nos is de certas situa\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias. Por exemplo: a f\u00e9 cat\u00f3lica est\u00e1 adotando em seus kits de objetos lit\u00fargicos um novo instrumental. 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