{"id":60123,"date":"2020-06-20T09:38:47","date_gmt":"2020-06-20T12:38:47","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=60123"},"modified":"2020-06-21T18:39:36","modified_gmt":"2020-06-21T21:39:36","slug":"nao-tenhais-medo-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nao-tenhais-medo-4\/","title":{"rendered":"N\u00e3o tenhais medo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Estamos celebrando o D\u00e9cimo Segundo Domingo do Tempo Comum. O Evangelho que escutamos neste Domingo (cf. Mt 10,26-33) \u00e9 parte do cap\u00edtulo d\u00e9cimo do Evangelho de S\u00e3o Mateus, que traz o Discurso Apost\u00f3lico de Jesus: a\u00ed, ele chama os Doze \u2013 como ouvimos no Domingo passado, previne seus disc\u00edpulos para as incompreens\u00f5es e persegui\u00e7\u00f5es que sofrer\u00e3o, exorta-os a n\u00e3o terem medo de falar, afirma claramente que ele mesmo, Cristo, \u00e9 causa de divis\u00e3o e, finalmente, renova o convite para segui-lo. Ent\u00e3o, estejamos atentos, pois o Senhor nos est\u00e1 falando dos desafios pr\u00f3prios da miss\u00e3o de ser crist\u00e3o, ontem como hoje!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c0s vezes, encontramos pessoas angustiadas e atemorizadas pelas dificuldades que se agigantam quando se pensa que s\u00f3 se conta com as for\u00e7as humanas para enfrent\u00e1-los. Vemos tamb\u00e9m por vezes crist\u00e3os que est\u00e3o muito preocupados por um medo envergonhado de falar claramente de Deus, de dizer n\u00e3o \u00e0 mentira, de mostrar, quando necess\u00e1rio, a sua condi\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos fi\u00e9is de Cristo; t\u00eam medo do que os outros podem dizer, de um coment\u00e1rio desfavor\u00e1vel, de chamar aten\u00e7\u00e3o em ambientes de costumes paganizados, em que os valores econ\u00f4micos s\u00e3o muitas vezes os valores supremos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus diz-nos que n\u00e3o nos preocupemos demasiado com a cal\u00fania e a murmura\u00e7\u00e3o, se nos chegam a atingir. N\u00e3o temais, pois, porque n\u00e3o h\u00e1 nada de oculto que n\u00e3o venha a descobrir-se. Que pena se mais tarde se viesse a descobrir que tivemos medo de proclamar aos quatro ventos a verdade que o Senhor nos confiou! O que vos digo em segredo, dizei-o \u00e0 luz, e o que vos digo ao ouvido, pregai-o sobre os telhados. Se alguma vez nos calamos, que seja porque nesse momento o mais oportuno \u00e9 calar-se por prud\u00eancia sobrenatural, por caridade; nunca por temor ou por covardia. N\u00f3s, crist\u00e3os n\u00e3o somos amigos das sombras e dos cantos escuros, mas da luz, da claridade na vida e na Palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o podemos ter medo de perder o brilho de um prest\u00edgio apenas aparente, ou de sofrer a murmura\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 a cal\u00fania, por n\u00e3o irmos contra a corrente ou contra a moda do momento. Pois todo aquele que me confessar diante dos homens, eu tamb\u00e9m o confessarei diante de meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us, diz-nos o Senhor. Esta promessa divina compensa de longe as incompreens\u00f5es que possamos sofrer por vivermos a nossa f\u00e9 com valentia e aud\u00e1cia santas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Devemos ser fortes e valorosos diante das dificuldades, como \u00e9 pr\u00f3prio dos filhos de Deus: N\u00e3o tenhais medo dos\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que matam o corpo, mas n\u00e3o podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perder a alma e o corpo no inferno\u201d. Jesus exorta-nos a n\u00e3o temer nada, exceto o pecado, que tira a amizade com Deus e conduz \u00e0 condena\u00e7\u00e3o eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O temor de Deus \u00e9 um dom do Esp\u00edrito Santo que facilita a luta decidida contra aquilo que nos separa dEle e que nos move a fugir das ocasi\u00f5es de pecar, a n\u00e3o confiar em n\u00f3s mesmos, a ter presente a todo o momento que temos os p\u00e9s de barros, fr\u00e1geis e quebradi\u00e7os. Os males corporais, e a pr\u00f3pria morte, n\u00e3o s\u00e3o nada em compara\u00e7\u00e3o com os males da alma, com o pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo na segunda leitura (cf. Rm 5,12-15) emprega um dos seus recursos ret\u00f3ricos prediletos \u2013\u00a0 a ant\u00edtese \u2013 para contrapor as figuras de Ad\u00e3o e Cristo, a fim de evidenciar a superioridade de Cristo e a superabund\u00e2ncia da gra\u00e7a de Deus derramada por interm\u00e9dio dele (cf. Rm 5,15), cujas consequ\u00eancias s\u00e3o infinitamente superiores \u00e0s do pecado de Ad\u00e3o (cf. Rm 5,12). Fica patente que o dom ultrapassou o delito. Mesmo que retoricamente o ap\u00f3stolo estabele\u00e7a a compara\u00e7\u00e3o, a gra\u00e7a de Deus e o pecado s\u00e3o incompar\u00e1veis (cf. Rm 5,14). Est\u00e1 em jogo tamb\u00e9m a contraposi\u00e7\u00e3o entre a Lei e a gra\u00e7a (cf.\u00a0 Rm 5,13), um dos principais temas de toda a carta. A Lei n\u00e3o \u00e9 capaz de eliminar o pecado, mas apenas de identific\u00e1-lo; por isso, ela n\u00e3o justifica. Somente a gra\u00e7a de Deus manifestada em Jesus \u00e9 capaz de justificar, pois ele venceu a maior consequ\u00eancia do pecado: a morte. Enfim, a for\u00e7a de Cristo \u00e9 superior ao mal, e esta certeza \u00e9 sinal de grande esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A filia\u00e7\u00e3o divina fortalece-nos no meio das fraquezas pessoais, dos obst\u00e1culos com que trope\u00e7amos, das dificuldades de um ambiente afastado de Deus que \u00e0s vezes se op\u00f5e agressivamente aos ideais crist\u00e3os. Mas o Senhor est\u00e1 comigo, como soldado forte, diz-nos o profeta Jeremias na primeira leitura da Missa (cf. Jr 20,10-13). \u00c9 o grito de esperan\u00e7a e de segura confian\u00e7a do Profeta, quando se encontra s\u00f3, no meio dos seus inimigos. Meu Pai-Deus est\u00e1 comigo como soldado forte, podemos n\u00f3s repetir sempre que vejamos o perigo rondar-nos e o horizonte fechar-se. O Senhor \u00e9 a minha luz e a minha salva\u00e7\u00e3o, a quem temerei?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contudo, devemos manifestar a nossa fortaleza e valentia em situa\u00e7\u00f5es menos transcendentes: recusando com bons modos, mas com firmeza, um convite para ir a um lugar ou para assistir a um espet\u00e1culo em que um crist\u00e3o deve sentir-se mal; manifestando desacordo com determinada orienta\u00e7\u00e3o que os professores querem dar \u00e0 educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e muitas outras situa\u00e7\u00f5es complexas de hoje. Muitas vezes, s\u00e3o as pequenas covardias que refreiam ou impedem um apostolado de horizontes amplos. Paralelamente, s\u00e3o tamb\u00e9m as \u201cpequenas valentias\u201d que tornam uma vida eficaz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos celebrando o D\u00e9cimo Segundo Domingo do Tempo Comum. O Evangelho que escutamos neste Domingo (cf. 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