{"id":60010,"date":"2020-06-17T22:14:28","date_gmt":"2020-06-18T01:14:28","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=60010"},"modified":"2020-06-16T22:15:35","modified_gmt":"2020-06-17T01:15:35","slug":"pesquisa-realizada-com-seminaristas-reflete-sobre-a-missao-formativa-em-tempos-de-pandemia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pesquisa-realizada-com-seminaristas-reflete-sobre-a-missao-formativa-em-tempos-de-pandemia-2\/","title":{"rendered":"Pesquisa realizada com seminaristas reflete sobre a miss\u00e3o formativa em tempos de pandemia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A psic\u00f3loga Luciana Campos e o padre Douglas Alves Fontes, reitor do Semin\u00e1rio S\u00e3o Jos\u00e9 da arquidiocese de Niter\u00f3i (RJ), decidiram realizar uma pesquisa na busca por tentar compreender melhor o momento vivido, no que diz respeito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o sacerdotal, no contexto da pandemia do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Questionamentos sobre como manter o ritmo da forma\u00e7\u00e3o neste ambiente, quais s\u00e3o os desafios e a interfer\u00eancia no processo formativo dos futuros padres foram feitos para, sobretudo, tentar destacar algumas luzes que a pandemia convidou a todos a enxergar e assumir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNeste artigo, recolhemos as respostas que recebemos na pesquisa e nos propomos a refletir sobre a miss\u00e3o formativa em tempos de pandemia. Veremos os desafios da continuidade da forma\u00e7\u00e3o sacerdotal, em tempos desafiadores para todos. O artigo se apresenta como uma s\u00edntese do que refletimos e uma ante-sala do que queremos refletir\u201d, explica Luciana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201dEm breve, um novo artigo ser\u00e1 publicado, com um vi\u00e9s mais acad\u00eamico. Contudo, achamos por bem publicar esta s\u00edntese, antecipando o que falaremos e j\u00e1 apresentando um primeiro fruto da pesquisa! Por isso, de antem\u00e3o,\u00a0manifestamos nossa gratid\u00e3o a todos os seminaristas que se dispuseram a nos responder, os quais continuamos querendo acompanhar e formar nesse caminho t\u00e3o significativo.\u00a0Gratid\u00e3o a todos os que nos apoiaram, ao longo da aplica\u00e7\u00e3o dos question\u00e1rios!\u201d disse o padre Douglas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O religioso conta ainda que a quantidade de respostas foi algo inesperado. \u201cPara nossa surpresa, em pouco mais de duas semanas, recebemos o retorno de 2.000 seminaristas de todo o Brasil, na pesquisa que girou em torno da vida deles, no contexto da pandemia. Tocava em diversos pontos: disciplina, vida de ora\u00e7\u00e3o, voca\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, luto, estudos, rela\u00e7\u00f5es\u2026\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luciana contou ainda que o question\u00e1rio teve um retorno de respostas com percentual muito significativo, que talvez compreenda perto de 50% dos seminaristas do Brasil. E detalhou que, dos que responderam, a maior parte veio dos formandos para o clero diocesano (92,1%), residentes nas regi\u00f5es Sudeste (38,9%), Nordeste (30,2%), Sul (15,9%) e Centro-oeste (8%) do pa\u00eds. O maior grupo faz parte da etapa do discipulado (42,8%), seguindo-se os da etapa da configura\u00e7\u00e3o (34,9%) e do proped\u00eautico (20%).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>A Pesquisa<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa, feita com 2 mil seminaristas do pa\u00eds, apresentou que durante a pandemia a maioria foi para a casa de suas fam\u00edlias (62,2%) e um segundo grande grupo permaneceu nos semin\u00e1rios (25,6%). O restante se dividiu\u00a0 entre casas paroquiais, conventos e alternando casa e semin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente do que muitos poderiam pensar, os seminaristas que responderam ao question\u00e1rio, em sua maioria, disseram que conseguiram ter privacidade dentro da pr\u00f3pria fam\u00edlia (71%). Este dado pode, segundo a pesquisa, dizer algo sobre a necess\u00e1ria independ\u00eancia do formando em rela\u00e7\u00e3o a sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, estando em casa, outro desafio poss\u00edvel apresentado seria o enfrentamento dos conflitos familiares. 42,6% responderam que tiveram que enfrent\u00e1-los. Se para muitos de n\u00f3s, a pandemia favoreceu um estado de eleva\u00e7\u00e3o da ansiedade, a maioria dos seminaristas respondeu que seu estado emocional, nesse momento de pandemia, est\u00e1 normal (41,9%). N\u00e3o obstante, um outro grupo se percebeu levemente ansioso (33%) e (8,1%) muito ansioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista, (35,7%) dos rapazes responderam que sentiam o peso da solid\u00e3o. A maioria (64,3%) afirmou que n\u00e3o sentia. Outro dado interessante, mas n\u00e3o novo, diz respeito ao uso das redes sociais. A entrevista revelou que (36,7%) dos seminaristas estavam usando a internet para redes sociais.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o continuada fora do semin\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um aspecto importante, indicado nos question\u00e1rios, refere-se ao momento de profunda introspec\u00e7\u00e3o, propiciado pelo confinamento, e a quest\u00e3o vocacional (67,2%). Os rapazes admitiram que repensaram sua voca\u00e7\u00e3o, neste per\u00edodo. Apenas (30,8%) dos rapazes continuaram contando com o acompanhamento espiritual online, ao passo que (69,2%) ficaram sem esta possibilidade, ressaltando que este \u00e9 um percentual muito pr\u00f3ximo dos que admitiram questionar sua voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, quando indagados sobre a presen\u00e7a dos formadores neste per\u00edodo, as respostas s\u00e3o mais animadoras, pois a maioria dos rapazes (89%) foram contatados pelos formadores, para intera\u00e7\u00e3o social (25,6%) e tamb\u00e9m para a continuidade do trabalho formativo (74,4%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao serem questionados sobre as\u00a0 maiores dificuldades, neste momento,\u00a0 as respostas s\u00e3o bem difusas e plurais: dificuldades para manter a rotina de ora\u00e7\u00f5es (32,5%) aparecem seguidas de dificuldades pela falta de contatos sociais (22,1%), de manuten\u00e7\u00e3o da castidade (11,1%), por\u00a0 falta de dire\u00e7\u00e3o espiritual (10,5%), dificuldades de assistir \u00e0 missa online (7%), entre outros fatores. Outro desafio no momento refere-se \u00e0 perda de entes queridos: (14,6%) perderam algum ente pr\u00f3ximo e deste quantitativo, (31,9%) v\u00eam demonstrando dificuldades em elaborar o luto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte dos seminaristas brasileiros relataram que deram continuidade aos seus estudos, neste per\u00edodo, de modo remoto (86,7%), contrastando com um n\u00famero menor que n\u00e3o tiveram oportunidade de faz\u00ea-lo (13,3%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um \u00faltimo dado destacado da pesquisa \u00e9 o que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es. Dos seminaristas participantes, (53,5%) responderam que se sentiam bem, na rela\u00e7\u00e3o com eles mesmos, enquanto (30,6%) disseram que se sentiam regulares, nessa rela\u00e7\u00e3o. (8,2%) disseram que essa rela\u00e7\u00e3o estava ruim. J\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o com Deus, (43,7%) responderam que estavam vivendo uma boa rela\u00e7\u00e3o, enquanto (32,1%) disseram que era uma rela\u00e7\u00e3o regular.\u00a0 Na rela\u00e7\u00e3o social, (45,9%) disseram que viviam uma boa rela\u00e7\u00e3o e (36,4%) viviam uma rela\u00e7\u00e3o regular.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>P\u00f3s-Pandemia<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao concluir o percurso, a partir da pesquisa, com 2000 seminaristas do Brasil, Luciana e padre Douglas puderam destacar algumas luzes que a pandemia convidou a todos a enxergar e assumir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira luz que encontram \u00e9 uma experi\u00eancia de maturidade que a pandemia pediu. \u201cUm contexto, como este, pede presb\u00edteros maduros e, por consequ\u00eancia, formandos que se empenham por uma maturidade humana e tamb\u00e9m espiritual\u201d, diz um trecho da pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra luz que a pandemia est\u00e1 oferecendo, sobretudo aos formandos, \u00e9 a possibilidade de uma rela\u00e7\u00e3o mais profunda, favorecendo o autoconhecimento, de tal maneira que o formando alcance \u201cum satisfat\u00f3rio conhecimento das pr\u00f3prias fraquezas, sempre presentes em sua personalidade, tendo em vista a capacidade de autodetermina\u00e7\u00e3o e de uma viv\u00eancia respons\u00e1vel.\u201d (Doc. 110, n. 190b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste mesmo caminho, a pandemia ofereceu a todos e, particularmente, aos formandos, um contato muito pr\u00f3ximo das fam\u00edlias. \u201cPrincipalmente, isso ocorreu, como vimos na entrevista, porque a maioria dos seminaristas est\u00e1 passando a pandemia nas casas de suas fam\u00edlias. Este contato pode ter sido muito proveitoso, para que os formandos consigam \u201crelacionar-se, com sinceridade, com a pr\u00f3pria fam\u00edlia, sem apegos e depend\u00eancias, nem rejei\u00e7\u00f5es e descompromissos, e sem perder as ra\u00edzes sociais e culturais.\u201d (Doc. 110, 190g)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acesse (<a href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2020\/06\/A-Formac%CC%A7a%CC%83o-Sacerdotal-e-a-Pandemia.pdf\">aqui<\/a>) a pesquisa completa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Com informa\u00e7\u00f5es do regional Leste 1<br \/>\nFoto de Capa: Monika Robak\/Pixabay<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A psic\u00f3loga Luciana Campos e o padre Douglas Alves Fontes, reitor do Semin\u00e1rio S\u00e3o Jos\u00e9 da arquidiocese de Niter\u00f3i (RJ), decidiram realizar uma pesquisa na busca por tentar compreender melhor o momento vivido, no que diz respeito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o sacerdotal, no contexto da pandemia do coronav\u00edrus. 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