{"id":5998,"date":"2015-07-14T11:43:08","date_gmt":"2015-07-14T14:43:08","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pequenos-gestos-grandes-resultados-no-lar\/"},"modified":"2017-04-10T13:45:16","modified_gmt":"2017-04-10T16:45:16","slug":"pequenos-gestos-grandes-resultados-no-lar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pequenos-gestos-grandes-resultados-no-lar\/","title":{"rendered":"Pequenos gestos, grandes resultados no lar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>Meditando profundamente sobre o texto da Audi\u00eancia Geral do Papa Francisco, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, em 13 de maio \u00faltimo, podemos colher muitas li\u00e7\u00f5es capazes de ajudar as fam\u00edlias a obterem com pequenos gestos grandes resultados para a felicidade no lar.<br \/>Na verdade, naquele encontro, o Santo Padre retomou tr\u00eas palavras-chaves que ele mesmo j\u00e1 havia proposto em outras ocasi\u00f5es que s\u00e3o: \u201ccom licen\u00e7a\u201d, \u201cobrigado\u201d e \u201cdesculpa\u201d. Simples, mas se oportunamente usadas podem evitar muitos problemas; se n\u00e3o utilizadas s\u00e3o capazes de levar, junto a outros fatores, at\u00e9 ao fim de um matrim\u00f4nio, como, n\u00e3o raras vezes, acontece nos nossos dias, independente da \u00e1rea geogr\u00e1fica ou da posi\u00e7\u00e3o social dos envolvidos&#8230;<br \/>O Santo Padre Francisco afirma que esses voc\u00e1bulos \u201cencerram em si uma grande for\u00e7a: o vigor de proteger o lar, at\u00e9 no meio de in\u00fameras dificuldades e prova\u00e7\u00f5es; ao contr\u00e1rio, a sua falta gradualmente abre fendas que at\u00e9 o podem fazer ruir\u201d. Elas prov\u00eam da boa educa\u00e7\u00e3o de cada pessoa herdada, por sua vez, em um lar bem estruturado e esta pode, por sua vez, viver e passar esses valores a seus filhos e filhas para que tamb\u00e9m eles os retransmitam \u00e0 sua prole e assim sucessivamente. \u00c9 a corrente do bem!<br \/>O Papa lembra-se de que S\u00e3o Francisco de Sales (1567-1622) ensinou ser a boa educa\u00e7\u00e3o meia santidade. Mas por que meia? Porque se n\u00e3o for nascida da autenticidade do cora\u00e7\u00e3o \u201cleva a um formalismo das boas maneiras que pode tornar-se uma m\u00e1scara que oculta a aridez do esp\u00edrito e o desinteresse em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo\u201d. E continua Francisco: \u201cCostuma-se dizer: \u2018por detr\u00e1s de tantas boas maneiras escondem-se maus h\u00e1bitos\u2019. Nem sequer a religi\u00e3o est\u00e1 imune deste risco, que leva a observ\u00e2ncia formal a decair na mundanidade espiritual\u201d.<br \/>Esse ponto \u00e9 chave, dado que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o incomum encontrarmos aqueles que se apegam ao mero ritualismo ou formalismo e se esquecem do essencial que \u00e9 o amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, especialmente o mais pr\u00f3ximo que convive dentro do mesmo lar, mas nem sempre \u00e9 bem tratado como deveria. Primeiro porque \u00e9 um ser humano portador de especial dignidade, segundo porque Deus o (a) colocou em nossa vida como esposo(a), filho(a), sogro(a), genro ou nora e devemos acolh\u00ea-los com as suas virtudes e defeitos, assim como eles nos aceitam com as nossas grandezas e limita\u00e7\u00f5es. A vida \u00e9 assim.<br \/>No entanto, como diz S\u00e3o Jo\u00e3o, aquele que n\u00e3o ama o irm\u00e3o a quem v\u00ea, como pode amar a Deus a quem n\u00e3o v\u00ea? (cf. 1Jo 4,20). Se ele \u00e9 somente formal com o pr\u00f3ximo tamb\u00e9m o \u00e9 na sua rela\u00e7\u00e3o com Deus e vice-versa. Usa dos detalhes, e n\u00e3o do todo inserido em um contexto maior, como pretexto para demonstrar, nas boas maneiras, uma grande piedade ou devo\u00e7\u00e3o que na realidade, pode esconder, nas apar\u00eancias de piedosismo, uma rela\u00e7\u00e3o superficial com Deus e com os irm\u00e3os. N\u00e3o ser\u00e1 nenhuma grande novidade se, amanh\u00e3 ou depois, o lar ou a pr\u00e1tica religiosa dessa pessoa, infelizmente, vier a desaparecer. Era uma casa constru\u00edda sobre a areia movedi\u00e7a (cf. Mt 7,24-27).<br \/>Ali\u00e1s, o Papa tem como \u201cdiab\u00f3lica\u201d essa a\u00e7\u00e3o farisaica ao escrever que \u201co diabo que tenta Jesus ostenta boas maneiras \u2013 \u00e9 mesmo um senhor, um cavalheiro \u2013 e at\u00e9 cita as Sagradas Escrituras, parece um te\u00f3logo. O seu estilo parece correto, mas tem a inten\u00e7\u00e3o de desviar da verdade, do amor de Deus. Quanto a n\u00f3s entendemos a boa educa\u00e7\u00e3o nos seus termos aut\u00eanticos, onde o estilo das boas rela\u00e7\u00f5es est\u00e1 solidamente arraigado no amor pelo bem e no respeito pelo pr\u00f3ximo. A fam\u00edlia vive dessa delicadeza do bem-querer\u201d.<br \/>Chegamos assim ao \u00e2mago da catequese papal come\u00e7ando pela palavra \u201ccom licen\u00e7a\u201d. Sempre que vamos entrar na casa ou em um espa\u00e7o restrito, devemos pedir permiss\u00e3o. Ora, para entrar na vida de algu\u00e9m, seja como esposos, no matrim\u00f4nio, seja como amigo, requer-se ainda mais esse pedido de licen\u00e7a. \u201cEntrar na vida do outro, mesmo quando faz parte da nossa exist\u00eancia, exige a delicadeza de uma atitude n\u00e3o invasiva, que renova a confian\u00e7a e o respeito. Em s\u00edntese, a confian\u00e7a n\u00e3o autoriza a presumir tudo\u201d, mas, sim, a paci\u00eancia de esperar que o outro \u201cabra a porta do seu cora\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>Recordando Apocalipse 3,20 no qual se l\u00ea que o pr\u00f3prio Deus n\u00e3o entra na vida de ningu\u00e9m sem que a pessoa consinta, o Papa assegura: \u201cAt\u00e9 o Senhor pede licen\u00e7a para entrar! N\u00e3o esque\u00e7amos! Antes de fazer algo em fam\u00edlia: \u2018com licen\u00e7a, posso fazer isto? Queres que eu fa\u00e7a assim?\u2019 Uma linguagem bem educada, mas cheia de amor. E isso faz bem \u00e0s fam\u00edlias\u201d.<br \/>O segundo ponto \u00e9 a gratid\u00e3o por meio do \u201cobrigado\u201d em uma civiliza\u00e7\u00e3o que, como recorda Francisco, parece julgar bonito falar palavr\u00f5es e pensa ser sinal de fraqueza ser bom e educado fazendo uso de uma linguagem cort\u00eas. Ali\u00e1s, o palavr\u00e3o nunca deve ser usado em nenhum contexto, por pior que ele seja. Da\u00ed o pr\u00f3prio Senhor Jesus ter asseverado que toda pessoa prestar\u00e1 contas de cada palavra ociosa que tiver pronunciado e os te\u00f3logos, ao longo da hist\u00f3ria da Igreja, sempre entenderam que ela se refere ao palavr\u00e3o e Deus dela pedir\u00e1 contas no dia do Ju\u00edzo (cf. Mt 12,36).<br \/>Ao contr\u00e1rio, por\u00e9m, desse mundanismo reinante, \u201cdevemos tornar-nos intransigentes sobre a educa\u00e7\u00e3o para a gratid\u00e3o e o reconhecimento: a dignidade da pessoa e a justi\u00e7a social passam ambas por aqui. Se a vida familiar ignorar este estilo, tamb\u00e9m a vida social o perder\u00e1\u201d. N\u00e3o \u00e9 demasiado lembrar que a gratid\u00e3o est\u00e1 na Sagrada Escritura. Da\u00ed ter o pr\u00f3prio Jesus, no epis\u00f3dio da cura dos dez leprosos (Lc 17,11-19), ter censurado os nove ingratos que foram sanados, mas n\u00e3o voltaram agradec\u00ea-lo, ao passo que louvou aquele estrangeiro (n\u00e3o bem visto entre os judeus daquele tempo e nem entre muitos de n\u00f3s hoje, haja visto a luta da Europa com os imigrantes&#8230;) cheio de gratid\u00e3o por ter voltado dizer, talvez: \u201cMuito obrigado, Senhor, estou limpo!\u201d<br \/>Tamb\u00e9m o grande Ap\u00f3stolo Paulo nos recomenda que sejamos agradecidos (cf. Hb 12,28) ou que em tudo demos a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Deus (cf. 1Ts 5,18), n\u00e3o s\u00f3 pelo que julgamos bom, mas tamb\u00e9m pelas cruzes presentes em nossas vidas. Elas s\u00e3o instrumentos de santifica\u00e7\u00e3o. S\u00f3 seremos co-herdeiros de Cristo se passarmos com Ele pela via da cruz (cf. Rm 8,17). Se em alguns tempos, nossa vida parece sem cruz, n\u00e3o nos preocupemos, mas, sim, busquemos ajudar o nosso pr\u00f3ximo a levar a cruz dele como verdadeiros cirineus do s\u00e9culo XXI que auxiliam o Cristo sofredor na pessoa do pr\u00f3ximo a ter uma jornada menos penosa, dentro ou fora da fam\u00edlia.<br \/>A terceira palavra proposta pelo Papa \u00e9 a \u201cdesculpa\u201d. Quanto ela \u00e9 necess\u00e1ria, mas tamb\u00e9m como se nota a sua aus\u00eancia em nossa sociedade um tanto \u00e1spera, grosseira, mal educada que parece preferir agir na base do grito, do palavr\u00e3o e da trucul\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 verbal, mas at\u00e9 armada, mesmo contra pequenas ofensas recebidas. <br \/>Volta-se a um est\u00e1gio de vida anterior \u00e0 lei do \u201colho por olho; dente por dente\u201d. Quer-se o imp\u00e9rio da vingan\u00e7a a qualquer custo dentro e fora de casa. Afinal, \u00e9 no lar que a crian\u00e7a aprende a educa\u00e7\u00e3o ou a deseduca\u00e7\u00e3o, o perd\u00e3o ou a vingan\u00e7a, a fineza no falar e agir ou a trucul\u00eancia est\u00fapida dos palavr\u00f5es, gritos e agress\u00f5es f\u00edsicas gratuitas contra quem pensa diferente dela. Se na escola, na rua, no trabalho, em programas de TV ou na internet essa mesma pessoa tiver a desgra\u00e7a de encontrar um mau mestre tudo estar\u00e1 ainda mais arruinado e o Evangelho poder\u00e1 se apagar de sua vida como fruto do p\u00e9ssimo exemplo recebido de terceiros.<br \/>O crist\u00e3o aut\u00eantico, por\u00e9m, apesar de suas falhas, sabe reconhecer com o Pai-Nosso, ora\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio Cristo nos ensinou, que s\u00f3 podemos recorrer ao perd\u00e3o de Deus a partir do momento em que somos plenamente capazes de tamb\u00e9m perdoarmos os nossos ofensores. Fora disso, a vida crist\u00e3 se encontra seriamente comprometida. Da\u00ed dizer o Papa: \u201cN\u00e3o \u00e9 sem motivo que na prece ensinada por Jesus, o \u2018Pai-Nosso\u2019, que resume todas as quest\u00f5es essenciais para a nossa vida, encontramos essa express\u00e3o: \u2018Perdoai as nossas ofensas, assim como n\u00f3s perdoamos a quem nos tem ofendido\u2019 (Mt 6,12). Reconhecer que erramos e desejar restituir o que tiramos \u2013 respeito, sinceridade, amor \u2013 torna-nos dignos do perd\u00e3o. \u00c9 assim que se impede a infec\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o soubermos pedir desculpa, quer dizer que tamb\u00e9m n\u00e3o seremos capazes de perdoar\u201d.<br \/>Relembra-nos ainda Francisco que mesmo nos momentos mais dif\u00edceis em que nos desacordos familiares chegam a \u201cvoar pratos\u201d, \u00e9 preciso insistir no pedido de desculpas e no perd\u00e3o rec\u00edproco no mesmo dia. \u201cOuvi bem: esposa e esposo, brigastes? Filhos e pais, entrastes em forte desacordo? N\u00e3o, est\u00e1 bem, mas o problema n\u00e3o \u00e9 este. O problema \u00e9 quando este sentimento persiste, inclusive no dia seguinte. Por isso se brigastes, nunca termineis o dia sem fazer as pazes em fam\u00edlia. E como devo fazer as pazes? Ajoelhar-me? N\u00e3o! A harmonia familiar restabelece-se s\u00f3 com um pequeno gesto, s\u00f3 com uma coisinha. \u00c9 suficiente uma car\u00edcia, uma palavra. Mas nunca permitais que o dia em fam\u00edlia termine sem fazer as pazes. Entendes isto? N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas \u00e9 preciso agir deste modo. Assim a vida ser\u00e1 mais bonita\u201d.<br \/>Ora, tudo isso nos lembra, a t\u00edtulo de conclus\u00e3o, duas passagens importantes: uma \u00e9 de S\u00e3o Paulo ao escrever aos ef\u00e9sios recomendando: \u201cN\u00e3o pequeis. Que o sol n\u00e3o se ponha sobre o vosso ressentimento. N\u00e3o vos exponhais ao diabo\u201d (Ef 4,26-27) e a outra dos ensinamentos dos Padres da Igreja (escritores crist\u00e3os dos primeiros oito s\u00e9culos) na palavra de Santo Ambr\u00f3sio de Mil\u00e3o que diz: \u201cPecar \u00e9 comum a todos os homens, mas arrepender-se \u00e9 pr\u00f3prio dos santos\u201d (Apologia David ad Theodosium Augustum II 5-6 apud Pergunte e Responderemos n. 452, janeiro de 2000, p. 6).<br \/>Que esse desejo de santidade decorrente do nosso Batismo e fortalecido pelos demais sacramentos, especialmente da Confiss\u00e3o e da Eucaristia, invada o nosso cora\u00e7\u00e3o, a nossa fam\u00edlia e a sociedade em geral com a gra\u00e7a de Deus. Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meditando profundamente sobre o texto da Audi\u00eancia Geral do Papa Francisco, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, em 13 de maio \u00faltimo, podemos colher muitas li\u00e7\u00f5es capazes de ajudar as fam\u00edlias a obterem com pequenos gestos grandes resultados para a felicidade no lar.Na verdade, naquele encontro, o Santo Padre retomou tr\u00eas palavras-chaves que ele mesmo j\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-5998","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5998"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5998\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10860,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5998\/revisions\/10860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}