{"id":5996,"date":"2015-07-13T18:41:14","date_gmt":"2015-07-13T21:41:14","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/uma-ecologia-integral\/"},"modified":"2017-04-10T13:46:44","modified_gmt":"2017-04-10T16:46:44","slug":"uma-ecologia-integral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/uma-ecologia-integral\/","title":{"rendered":"Uma ecologia integral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"> N\u00f3s humanos somos parte da natureza. Esse \u00e9 o foco do quarto cap\u00edtulo da enc\u00edclica Louvado Sejas. \u201cNunca \u00e9 demais insistir que tudo est\u00e1 interligado. O tempo e o espa\u00e7o n\u00e3o s\u00e3o independentes entre si; nem os pr\u00f3prios \u00e1tomos ou part\u00edculas subat\u00f4micas se podem considerar separadamente\u201d, diz o papa, que ainda nos lembra: \u201cBoa parte da nossa informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e9 partilhada com muitos seres vivos\u201d (138). Ent\u00e3o, n\u00e3o tem como falar de ecologia e deixar de lado o ser humano e suas crises s\u00f3cio-ambientais \u201cN\u00e3o h\u00e1 duas crises separadas: uma ambiental e outra social\u201d (139).<br \/> Essa novidade no debate ecol\u00f3gico s\u00f3 poderia vir de uma vis\u00e3o transcendental, da qual o papa e a Igreja s\u00e3o possuidores e administradores incontestes. \u00c9 a mais oportuna contribui\u00e7\u00e3o que o mundo poderia receber num momento de crise. Da\u00ed o valor dessa contribui\u00e7\u00e3o. \u201cHoje, a an\u00e1lise dos problemas ambientais \u00e9 insepar\u00e1vel da an\u00e1lise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos, e da rela\u00e7\u00e3o de cada pessoa consigo mesma, que gera um modo espec\u00edfico de se relacionar com os outros e com o meio ambiente\u201d (141). Ent\u00e3o o papa denuncia: \u201cV\u00e1rios pa\u00edses s\u00e3o governados por um sistema institucional prec\u00e1rio, \u00e0 custa do sofrimento do povo e para benef\u00edcio daqueles que lucram com este estado de coisas\u201d. E acrescenta: \u201cAs leis podem estar redigidas de forma correta, mas muitas vezes permanecem letra morta\u201d (142). Essa verdade bem conhecemos.<br \/> A preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja prima pela integridade total da obra de Deus: o homem e seu mundo. \u201cAssim como a vida e o mundo s\u00e3o din\u00e2micos, assim tamb\u00e9m o cuidado do mundo deve ser flex\u00edvel e din\u00e2mico\u201d (144), pois dele somos parte. \u201cO desaparecimento duma cultura pode ser tanto ou mais grave do que o desaparecimento duma esp\u00e9cie animal ou vegetal\u201d (145). Neste sentido a ecologia se torna integral. \u201cOs ambientes onde vivemos influem sobre a maneira de ver a vida, sentir e agir. Ao mesmo tempo, no nosso quarto, na nossa casa, no nosso lugar de trabalho e no nosso bairro, usamos o ambiente para exprimir a nossa identidade\u201d (147). Somos parte do meio. Por isso, \u201cest\u00e1 provado que a pen\u00faria extrema vivida nalguns ambientes privados da harmonia facilita o aparecimento de comportamentos desumanos\u201d (149). Por isso a preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cA propriedade da nossa casa tem muita import\u00e2ncia para a dignidade das pessoas\u201d (152). \u201cNas cidades, a qualidade de vida est\u00e1 largamente relacionada com os transportes\u201d (153). \u201cTamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio ter apre\u00e7o pelo pr\u00f3prio corpo na sua feminilidade ou masculinidade, para se poder reconhecer a si mesmo no encontro com o outro que \u00e9 diferente\u201d (155).<br \/> Realmente, tudo se interliga. Essa vis\u00e3o global da natureza e o seu mais ilustre habitante, o ser humano, pressup\u00f5e respeito ao bem comum. \u201cToda a sociedade \u2013 e, nela, especialmente o Estado \u2013 tem obriga\u00e7\u00e3o de defender e promover o bem comum\u201d (157). Afinal, a vida \u00e9 nosso maior patrim\u00f4nio. \u201cSe a terra nos \u00e9 dada, n\u00e3o podemos pensar apenas a partir dum crit\u00e9rio utilitarista de efici\u00eancia e produtividade para lucro individual, pois a terra que recebemos pertence tamb\u00e9m \u00e0queles que h\u00e3o de vir\u201d (159).<br \/> Ser\u00e1 ent\u00e3o que j\u00e1 beiramos o fim dos tempos? \u201cAs previs\u00f5es catastr\u00f3ficas j\u00e1 n\u00e3o se podem olhar com desprezo e ironia. A atenua\u00e7\u00e3o do desequil\u00edbrio atual depende do que fizermos agora\u201d (161). N\u00e3o \u00e9 uma tarefa a longo prazo, mas pra ontem, pois a divina cria\u00e7\u00e3o d\u00e1 sinais de alerta. \u201cA dificuldade em levar a s\u00e9rio esse desafio tem a ver com uma deteriora\u00e7\u00e3o \u00e9tica e cultural, que acompanha a deteriora\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d. Na ecologia integral o maior desastre recai sobre os pobres. \u201cN\u00e3o percamos tempo a imaginar os pobres do futuro; \u00e9 suficiente que recordemos os pobres de hoje, que poucos anos t\u00eam para viver nesta terra e n\u00e3o podem continuar a esperar (162).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00f3s humanos somos parte da natureza. Esse \u00e9 o foco do quarto cap\u00edtulo da enc\u00edclica Louvado Sejas. \u201cNunca \u00e9 demais insistir que tudo est\u00e1 interligado. 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