{"id":5986,"date":"2015-07-10T14:15:03","date_gmt":"2015-07-10T17:15:03","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-descristianizacao-e-a-objecao-de-consciencia\/"},"modified":"2017-04-10T13:37:14","modified_gmt":"2017-04-10T16:37:14","slug":"a-descristianizacao-e-a-objecao-de-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-descristianizacao-e-a-objecao-de-consciencia\/","title":{"rendered":"A descristianiza\u00e7\u00e3o e a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>Os estudiosos s\u00e9rios n\u00e3o costumam negar, independente de suas cren\u00e7as ou convic\u00e7\u00f5es, os benef\u00edcios que a Igreja trouxe, enquanto guardi\u00e3 da Lei Natural e da Revela\u00e7\u00e3o Divina, \u00e0 humanidade, a partir da prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e da forma\u00e7\u00e3o das primeiras comunidades espalhadas pelo mundo conhecido nos primeiros s\u00e9culos da nossa era.<br \/>Os valores do Evangelho foram penetrando no cora\u00e7\u00e3o das pessoas que aderiam \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica e delas transbordava para a vida social mais pr\u00f3xima (fam\u00edlia, amigos, vizinhos etc.) ou mais remota (as institui\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas) como o fermento na massa, de que fala o Senhor Jesus (cf. Mt 13,33).<br \/>Certo \u00e9 que se a gra\u00e7a de Deus acompanhava (e acompanha) a Igreja, n\u00e3o \u00e9 menos certo que o mundo de ent\u00e3o \u2013 assim como o de hoje \u2013 fazia grande afronta aos valores crist\u00e3os. Registra, por exemplo, Dom Est\u00eav\u00e3o Bettencourt, OSB, te\u00f3logo de renome e monge beneditino do Mosteiro de S\u00e3o Bento do Rio de Janeiro (RJ), que \u201cos destinat\u00e1rios greco-romanos aos quais se dirigia a prega\u00e7\u00e3o crist\u00e3, achavam-se em n\u00edvel moral extremamente baixo: os v\u00edcios eram n\u00e3o somente praticados, mas at\u00e9 venerados nas figuras das divindades do paganismo. A sodomia, o adult\u00e9rio, o lenoc\u00ednio, o infantic\u00eddio, a crueldade constitu\u00edam, por vezes, o espet\u00e1culo p\u00fablico tanto dos nobres como das massas\u201d. (Problemas de f\u00e9 e moral. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2007, p. 87).<br \/>Nesse ambiente, as coisas mais absurdas ou conden\u00e1veis eram consideradas por alguns fil\u00f3sofos como racionais. Da\u00ed, o famoso fil\u00f3sofo S\u00eaneca (\u2020 65) ter escrito com certa \u00eanfase: \u201cQuando matamos os c\u00e3es furiosos&#8230; e submergimos as crian\u00e7as fracas ou monstruosas, n\u00e3o o fazemos movidos pela c\u00f3lera, mas pela raz\u00e3o\u201d. (Sobre a ira, I, 1.5)<br \/>Os crist\u00e3os se opuseram a isso. Essa oposi\u00e7\u00e3o entre o mundo pag\u00e3o e o mundo crist\u00e3o a\u00ed est\u00e3o de modo muito n\u00edtido e, por isso, os estudiosos n\u00e3o podem, sem cometer injusti\u00e7as, negar o papel da Igreja na agrega\u00e7\u00e3o de valores \u00e0 humanidade errante. O tempo, por\u00e9m, passou e estamos em uma sociedade que, sem medo, podemos chamar de p\u00f3s-crist\u00e3 ou neopag\u00e3, dado os costumes ou leis aprovadas em mais de um pa\u00eds, especialmente no que ofende a vida, a fam\u00edlia.<br \/>Nessa cultura neopag\u00e3 ou \u201cp\u00f3s-crist\u00e3\u201d, n\u00e3o basta apenas tornar legal pelas leis humanas \u2013 j\u00e1 que a lei divina natural ou positiva \u00e9 intoc\u00e1vel \u2013 o assassinato de inocentes e indefesos no ventre materno, retirar os s\u00edmbolos religiosos de locais p\u00fablicos, desfigurar o conceito de fam\u00edlia como sendo o n\u00facleo formado pelo pai, a m\u00e3e e os filhos por meio de redefini\u00e7\u00f5es ardilosas, a laiciza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds assumindo uma postura arreligiosa e, portanto, confessional, a ideologia de g\u00eanero (n\u00e3o se nasce mais homem e mulher, mas apenas um ser neutro que escolhe ser homem, mulher ou nem um nem outro), a intoler\u00e2ncia religiosa, \u00e9tnica, cultural, ideol\u00f3gica e social, e tantas outras quest\u00f5es.<br \/>N\u00e3o! S\u00f3 isso \u2013 quanta coisa! \u2013 n\u00e3o basta. \u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m for\u00e7ar todos os homens ou mulheres de nossos dias a adotarem, na pr\u00e1tica, esse novo modo de ser e de agir, ainda que para isso se desrespeite o que eles t\u00eam de mais \u00edntimo e indevass\u00e1vel: a sua consci\u00eancia.<br \/>Como se faz isso? \u2013 respondem porta-vozes de grupos defensores do aborto com duas constata\u00e7\u00f5es muito interessantes, que vale a pena ser observadas. O primeiro ponto \u00e9 atacar a Igreja, a come\u00e7ar pelos Bispos. \u201cO argumento dos Bispos afirma que o aborto \u00e9 um assassinato, que abortar \u00e9 matar; e que a vida come\u00e7a na concep\u00e7\u00e3o. Mas esta perspectiva cat\u00f3lica \u00e9 o lugar adequado para se come\u00e7ar o trabalho [abortista], porque a posi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica \u00e9 a mais desenvolvida. Assim, caso se consiga refutar a posi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, ter-se-\u00e1 refutado todas as demais. Nenhum dos outros grupos religiosos realmente tem declara\u00e7\u00f5es t\u00e3o bem definidas sobre a personalidade, sobre quando tem in\u00edcio, sobre fetos etc. Assim, caso se derrube a posi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, se ganha\u201d. (Pe. David Francisquini. Catecismo contra o aborto. S\u00e3o Paulo: Artpress, 2009, p. 61).<br \/>O segundo ponto, de acordo com uma das grandes propugnadoras do grupo pr\u00f3-aborto, \u00e9 o seguinte: enquanto os movimentos se limitarem a legalizar o aborto nenhuma conquista ser\u00e1 definitiva. A vit\u00f3ria s\u00f3 ser\u00e1 total e irrevers\u00edvel quando, al\u00e9m de se mudar a legisla\u00e7\u00e3o, forem derrubadas as obje\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia de fundo moral.<br \/>O Estado do Rio de Janeiro transformou-se no primeiro no Brasil a aprovar uma lei, derrubando um veto governamental, a instituir esse grande passo, esclarecendo assim a liberdade da pessoa, n\u00e3o a constrangendo a praticar atos contra sua consci\u00eancia. E isso tamb\u00e9m profissionalmente. Os deputados deram um passo muito importante.<br \/>\u201cEntende-se por obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia qualquer tipo de resist\u00eancia \u00e0 autoridade p\u00fablica por motivos \u00edntimos, ou seja, quando o cidad\u00e3o julga, de modo bem fundamentado, que as determina\u00e7\u00f5es da autoridade s\u00e3o injustas e, por isso, n\u00e3o merecem a obedi\u00eancia, mas, sim, oposi\u00e7\u00e3o\u201d. (Vanderlei de Lima. Obedecer antes a Deus que aos homens. Amparo: Ed. do Autor, 2013, p. 7). Com esse direito humano b\u00e1sico, o cat\u00f3lico enfrenta as adversidades; sem ele (e os opositores da Igreja querem derrub\u00e1-lo), \u00e9 obrigado a praticar tudo o que contraria a sua consci\u00eancia \u2013 em uma das maiores ditaduras da hist\u00f3ria \u2013 ou a fugir do emprego, colocando em risco o seu futuro e o de sua fam\u00edlia.<br \/>Da\u00ed, a import\u00e2ncia de que a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia seja mais bem conhecida, recomendada no cotidiano de cada um nos diversos momentos em que a voz interior lhe falar: Isso n\u00e3o lhe \u00e9 l\u00edcito! \u00c9 contr\u00e1rio \u00e0 lei de Deus!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os estudiosos s\u00e9rios n\u00e3o costumam negar, independente de suas cren\u00e7as ou convic\u00e7\u00f5es, os benef\u00edcios que a Igreja trouxe, enquanto guardi\u00e3 da Lei Natural e da Revela\u00e7\u00e3o Divina, \u00e0 humanidade, a partir da prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e da forma\u00e7\u00e3o das primeiras comunidades espalhadas pelo mundo conhecido nos primeiros s\u00e9culos da nossa era.Os valores do Evangelho foram penetrando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-5986","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5986","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5986"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5986\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10850,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5986\/revisions\/10850"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}