{"id":5984,"date":"2015-07-09T03:00:00","date_gmt":"2015-07-09T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/joao-paulo-ii-em-1980-no-rio\/"},"modified":"2017-04-10T13:20:37","modified_gmt":"2017-04-10T16:20:37","slug":"joao-paulo-ii-em-1980-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/joao-paulo-ii-em-1980-no-rio\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Paulo II em 1980 no Rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p> No Rio de Janeiro, em 1980, o Papa Jo\u00e3o Paulo II teve dois grandes momentos: a visita ao Corcovado e a ordena\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios presb\u00edteros no Maracan\u00e3, oriundos n\u00e3o s\u00f3 de nossa Arquidiocese, mas de todo o Pa\u00eds. <br \/> No Corcovado, queremos assim recordar algumas de suas palavras: \u201cCristo, o \u00fanico que nos pode salvar e que tem um particular direito de cidadania na hist\u00f3ria do homem e da humanidade\u201d. \u201cRedentor! Os bra\u00e7os abertos abra\u00e7am a cidade aos seus p\u00e9s! Feita de luz e cor e, ao mesmo tempo, de sombras e escurid\u00e3o, a cidade \u00e9 vida e alegria, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma teia de afli\u00e7\u00f5es e sofrimentos, de viol\u00eancia e desamor, de \u00f3dio, de mal e de pecado. Radiosa \u00e0 luz do sol, silhueta luminosa suspensa no ar \u00e0 noite, o Redentor, em prega\u00e7\u00e3o muda, mas eloquente, aqui continua a proclamar que \u201cDeus \u00e9 luz\u201d, \u201c\u00e9 amor\u201d. Um amor maior do que o pecado, do que a fraqueza e do que a \u201ccaducidade do que foi criado\u201d, \u201cmais forte do que a morte\u201d!<br \/> Segundo S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, o Cristo Redentor \u00e9 \u201cs\u00edmbolo do amor, apelo \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o e convite \u00e0 fraternidade! Cristo Redentor aqui proclama continuamente a for\u00e7a da verdade sobre o homem e sobre o mundo, da verdade contida no mist\u00e9rio da sua Encarna\u00e7\u00e3o e Reden\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/> Tamb\u00e9m no Rio de Janeiro, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II dirigiu bonitas palavras na homilia de Ordena\u00e7\u00e3o Sacerdotal ocorrida em 02 de julho no Maracan\u00e3. Recordo aqui alguns pontos: \u201cCom o rito da Sagrada Ordena\u00e7\u00e3o sereis introduzidos, filhos car\u00edssimos, em um novo g\u00e9nero de vida, que vos separa de tudo e vos une a Cristo com um v\u00ednculo original, inef\u00e1vel, irrevers\u00edvel. Assim, a vossa identidade se enriquece com uma outra nota: sois consagrados\u201d. \u201cCompreendeis agora como o sacerdote se torna um \u201csegregatus in Evangelium Dei\u201d (escolhido para anunciar o Evangelho de Deus) (cf. Rm 1,1), n\u00e3o pertence mais ao mundo, mas se acha doravante num estado de exclusiva propriedade do Senhor. O car\u00e1ter sagrado o atinge em tal profundidade que orienta integralmente todo o seu ser e o seu agir para uma destina\u00e7\u00e3o sacerdotal. De modo que n\u00e3o resta nele mais nada de que possa dispor como se n\u00e3o fosse sacerdote, ou, menos ainda, como se estivesse em contraste com tal dignidade. Ainda quando realiza\u00e7\u00f5es que, por sua natureza, s\u00e3o de ordem temporal, o sacerdote \u00e9 sempre o ministro de Deus. Nele, tudo, mesmo o profano, deve tornar-se \u201csacerdotalizado\u201d, como em Jesus, que sempre foi sacerdote, sempre agiu como sacerdote, em todas as manifesta\u00e7\u00f5es de sua vida\u201d.<br \/> Jesus nos identifica de tal modo consigo no exerc\u00edcio dos poderes que nos conferiu, que a nossa personalidade como que desaparece diante da sua, j\u00e1 que \u00e9 Ele quem age por meio de n\u00f3s. \u201cPelo Sacramento da Ordem, disse algu\u00e9m com justeza, o sacerdote se torna efetivamente id\u00f4neo a emprestar a Jesus Nosso Senhor a voz, as m\u00e3os e todo o seu ser. \u00c9 Jesus quem, na Santa Missa, com as palavras da consagra\u00e7\u00e3o, muda a subst\u00e2ncia do p\u00e3o e do vinho na do seu corpo e do seu sangue\u201d (cf. I. Escriv\u00e0 de Balaguer, Sacerdote per l\u2019eternit\u00e0, Milano 1975, p. 30). E podemos continuar. \u00c9 o pr\u00f3prio Jesus quem, no Sacramento da Penit\u00eancia, pronuncia a palavra autorizada e paterna: \u201cOs teus pecados te s\u00e3o perdoados\u201d (Mt 9,2; Lc 5,20; 7,48; cf. Jo 20,23). \u00c9 Ele quem fala quando o sacerdote, exercendo o seu minist\u00e9rio em nome e no esp\u00edrito da Igreja, enuncia a palavra de Deus. \u00c9 o pr\u00f3prio Cristo quem tem cuidado dos enfermos, das crian\u00e7as e dos pecadores, quando os envolve o amor e a solicitude pastoral dos ministros sagrados.<br \/> Como vedes, encontramo-nos aqui nas culmin\u00e2ncias do sacerd\u00f3cio de Cristo, do qual n\u00f3s somos part\u00edcipes, e que fazia o autor da Carta aos Hebreus exclamar: \u201c&#8230; grandis sermo et ininterpretabilis ad dicendum\u201d (ter\u00edamos muitas coisas a dizer sobre isso, e coisas dif\u00edceis de explicar) (Hb 5, 11). A express\u00e3o \u201cSacerdos alter Christus\u201d (o Sacerdote \u00e9 um outro Cristo), criada pela intui\u00e7\u00e3o do povo crist\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um simples modo de dizer, uma met\u00e1fora, mas, sim, uma maravilhosa, surpreendente e consoladora realidade.<br \/> Este dom do Sacerd\u00f3cio, lembrai-vos sempre disto, \u00e9 um prod\u00edgio que foi realizado em v\u00f3s, mas n\u00e3o para v\u00f3s. Ele o foi para a Igreja, o que quer dizer, para o mundo a ser salvo. A dimens\u00e3o sagrada do sacerd\u00f3cio \u00e9 totalmente ordenada \u00e0 dimens\u00e3o apost\u00f3lica, isto \u00e9, \u00e0 miss\u00e3o, ao minist\u00e9rio pastoral. \u201cComo o Pai me enviou, assim Eu vos envio\u201d (Jo 20,21). O sacerdote \u00e9, portanto, um enviado. Eis uma nova conota\u00e7\u00e3o essencial da identidade sacerdotal. O sacerdote \u00e9 o homem da comunidade, ligado de forma total e irrevog\u00e1vel ao seu servi\u00e7o, como o Conc\u00edlio o ilustrou claramente (cf. Presbyterorum Ordinis, 12). Sob este aspecto, v\u00f3s sois destinados ao cumprimento de uma dupla fun\u00e7\u00e3o, que bastaria, ela s\u00f3, para uma infind\u00e1vel medita\u00e7\u00e3o sobre o Sacerd\u00f3cio. Revestindo a pessoa de Cristo, exercitareis de alguma forma a sua fun\u00e7\u00e3o de mediador. Sereis int\u00e9rpretes da palavra de Deus, dispensadores dos mist\u00e9rios divinos junto ao povo (cf. 1Cor 4,1; 2Cor 6, 4). E sereis, junto de Deus, os representantes do povo em todos os seus componentes: as crian\u00e7as, os jovens, as fam\u00edlias, os trabalhadores, os pobres, os pequenos, os doentes, e at\u00e9 mesmo os distantes e os advers\u00e1rios. Sereis os portadores das suas ofertas. Sereis a sua voz orante e suplicante, exultante e gemente. Sereis a sua expia\u00e7\u00e3o (cf. 2Cor 5, 21). <br \/> Jo\u00e3o Paulo II fez seus discursos com clareza e sem rodeios. Em pleno regime militar, defendeu justi\u00e7a social, liberdade sindical, reforma agr\u00e1ria, direitos humanos e educa\u00e7\u00e3o sexual. Enfatizou a situa\u00e7\u00e3o social da popula\u00e7\u00e3o &#8211; e o aborto. <br \/> Gostaria de escrever este artigo para lembrar aos nossos sacerdotes, que gastam as suas vidas nas periferias existenciais mais dif\u00edceis de nossa Arquidiocese, e a todos os outros que juntos formamos este bonito Presbit\u00e9rio, que n\u00f3s n\u00e3o devemos ter medo de anunciar, testemunhar, viver e convidar a todos a abrirem os cora\u00e7\u00f5es para o Redentor e a clamar ao Pai das Miseric\u00f3rdias por paz e justi\u00e7a social para a nossa amada cidade! <br \/> S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, aben\u00e7oai a cidade e a Arquidiocese do Rio de Janeiro e nos ensinai a paz que tanto Vossa Santidade testemunhou!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Rio de Janeiro, em 1980, o Papa Jo\u00e3o Paulo II teve dois grandes momentos: a visita ao Corcovado e a ordena\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios presb\u00edteros no Maracan\u00e3, oriundos n\u00e3o s\u00f3 de nossa Arquidiocese, mas de todo o Pa\u00eds. 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