{"id":59691,"date":"2020-06-03T11:31:05","date_gmt":"2020-06-03T14:31:05","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=59691"},"modified":"2020-06-03T11:31:05","modified_gmt":"2020-06-03T14:31:05","slug":"os-papas-e-o-sonho-de-martin-luther-king","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/os-papas-e-o-sonho-de-martin-luther-king\/","title":{"rendered":"Os Papas e o sonho de Martin Luther King"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Protestos contra o racismo com a foto de Martin Luther King, Los Angeles, 2 de junho de 2020<\/p>\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">De Paulo VI ao Papa Francisco, o &#8220;sonho&#8221; de plenos direitos para a comunidade afro-americana nos Estados Unidos encontrou o apoio apaixonado dos Pont\u00edfices que indicam Martin Luther King como um exemplo a seguir na batalha n\u00e3o violenta pela igualdade<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Alessandro Gisotti<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tr\u00e1gica morte de George Floyd mostrou dramaticamente que o sonho de Martin Luther King ainda est\u00e1 longe de se tornar realidade. No entanto, o hist\u00f3rico discurso \u201cI have a dream\u201d, proferido pelo l\u00edder do movimento de direitos civis em 28 de agosto de 57 anos atr\u00e1s, continua a ressoar, ainda nestes dias, nos apelos de todos os que exigem justi\u00e7a e dignidade para a comunidade afro-americana e com ela para todas as minorias de todos os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse &#8220;sonho&#8221;, enraizado no Evangelho e na for\u00e7a libertadora do amor de Deus, encontrou nos Papas que se sucederam grandes aliados, a come\u00e7ar por S\u00e3o Paulo VI que recebeu Luther King no Vaticano em 18 de setembro de 1964 e o encorajou a continuar sua luta pac\u00edfica contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial. Quatro anos depois, Paulo VI recebeu com consterna\u00e7\u00e3o a not\u00edcia da morte do pastor batista, Martin Luther King, em 4 de abril de 1968 em Memphis, Tennessee.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No domingo de Ramos, de tr\u00eas dias depois, o Papa Paulo VI recordou comovido a figura do Pr\u00eamio Nobel da Paz com palavras de extraordin\u00e1ria atualidade. O Papa rezava para que este crime possa &#8220;assumir o valor de sacrif\u00edcio&#8221;. &#8220;Que n\u00e3o se aprofunde o \u00f3dio, nem a vingan\u00e7a, nem um novo abismo entre cidad\u00e3os da mesma grande e nobre terra &#8211; adverte &#8211; mas que se imponha um novo prop\u00f3sito comum de perd\u00e3o, de paz, de reconcilia\u00e7\u00e3o na igualdade de direitos livres e justos \u00e0s injustas discrimina\u00e7\u00f5es e lutas presentes&#8221;. Nossa dor se torna maior e mais temerosa por causa das rea\u00e7\u00f5es violentas e desordenadas que o triste fato provocou. Ao mesmo tempo a nossa esperan\u00e7a cresce quando vemos que de toda parte respons\u00e1vel e do cora\u00e7\u00e3o do povo saud\u00e1vel cresce o desejo e o compromisso de tirar da morte in\u00edqua de Martin Luther King uma efetiva supera\u00e7\u00e3o das lutas raciais e estabelecer leis e m\u00e9todos de conviv\u00eancia mais conformes com a civiliza\u00e7\u00e3o moderna e a fraternidade crist\u00e3&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vinte anos depois, em 12 de setembro de 1987, outro Papa Santo relembra o sonho do l\u00edder afro-americano. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II estava em Nova Orleans, onde encontrou a Comunidade Cat\u00f3lica Negra da cidade. Karol Wojtyla lembrou do longo e dif\u00edcil caminho da comunidade afro-americana para superar a injusti\u00e7a e se libertar do peso da opress\u00e3o. \u201cNas horas mais dif\u00edceis de sua luta pelos direitos civis em meio \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o&#8221;, enfatizou, &#8220;o pr\u00f3prio Deus tem guiado seus passos no caminho da paz. Diante da hist\u00f3ria, a resposta da n\u00e3o-viol\u00eancia eleva-se na mem\u00f3ria desta na\u00e7\u00e3o como um monumento que honra a comunidade negra dos Estados Unidos&#8221;. Jo\u00e3o Paulo II fala do &#8220;papel providencial&#8221; desempenhado por Martin Luther King &#8220;ao contribuir para a justa melhoria da condi\u00e7\u00e3o dos negros americanos, e como consequ\u00eancia para a melhoria da pr\u00f3pria sociedade americana&#8221;. Como Paulo VI, encontra uma particular harmonia com a vis\u00e3o crist\u00e3 da fraternidade humana encarnada pelo pastor da Atlanta que acreditou, at\u00e9 ao sacrif\u00edcio extremo, na a\u00e7\u00e3o libertadora da f\u00e9 em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta vis\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m referida por Bento XVI que, na cerim\u00f4nia de acolhida em Washington, em 16 de abril de 2008, sublinhou que a f\u00e9 em Deus tem sido &#8220;uma inspira\u00e7\u00e3o constante e uma for\u00e7a motriz&#8221; na luta liderada por Martin Luther King &#8220;contra a escravid\u00e3o e no movimento pelos direitos civis&#8221;. Palavras refor\u00e7adas dois dias depois no encontro do Papa Ratzinger com a filha do Reverendo, Bernice Albertine, em uma celebra\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica em Nova York. Tinha passado sete anos: pela primeira vez na hist\u00f3ria, um Pont\u00edfice se dirige ao Congresso dos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 25 de setembro de 2015, na sede do mesmo Congresso estadunidense,\u00a0o Papa Francisco fez um discurso sobre o esp\u00edrito dos Estados Unidos observando que \u201cuma na\u00e7\u00e3o pode ser considerada grande, quando (\u2026) promove uma cultura que permita \u00e0s pessoas \u2018sonhar\u2019 com plenos direitos para todos os seus irm\u00e3os e irm\u00e3s, como procurou fazer Martin Luther King\u201d. Para o Papa, aquele \u201csonho continua a inspirar-nos\u201d, porque, \u201cdesperta o que h\u00e1 de mais profundo e verdadeiro na vida das pessoas\u201d. E como em muitas outras ocasi\u00f5es, faz quest\u00e3o de destacar que este g\u00eanero de sonhos \u201clevam \u00e0 a\u00e7\u00e3o, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o, ao compromisso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco como seu predecessor Jo\u00e3o Paulo II tamb\u00e9m encontra a filha de Martin Luther King, que \u00e9 uma ativista, como seu pai, pelos direitos civis. Desta vez o encontro com Bernice Albertine foi no Vaticano, em 12 de mar\u00e7o de 2018. A audi\u00eancia foi privada, mas seu significado foi muito grande porque ocorreu tr\u00eas semanas depois do 50\u00ba anivers\u00e1rio da morte de Martin Luther King. Para o Papa, como escreveu na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2017, Martin Luther King conseguiu sucessos contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial que \u201cjamais ser\u00e3o esquecidos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a forma como estes foram alcan\u00e7ados n\u00e3o conta menos do que os pr\u00f3prios resultados. &#8220;A n\u00e3o-viol\u00eancia&#8221;, escreve Francisco, &#8220;praticada com determina\u00e7\u00e3o e coer\u00eancia produziu resultados impressionantes&#8221;. Pelo contr\u00e1rio, como afirmou na audi\u00eancia geral desta quarta-feira (03\/06) dirigindo seu pensamento aos acontecimentos nos Estados Unidos, \u201cnada se ganha com a viol\u00eancia e muito se perde\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Protestos contra o racismo com a foto de Martin Luther King, Los Angeles, 2 de junho de 2020 De Paulo VI ao Papa Francisco, o &#8220;sonho&#8221; de plenos direitos para a comunidade afro-americana nos Estados Unidos encontrou o apoio apaixonado dos Pont\u00edfices que indicam Martin Luther King como um exemplo a seguir na batalha n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":59692,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-59691","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59691"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59691\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59693,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59691\/revisions\/59693"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}