{"id":5950,"date":"2015-07-02T17:59:32","date_gmt":"2015-07-02T20:59:32","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tecelas-da-oracao\/"},"modified":"2017-04-10T11:48:38","modified_gmt":"2017-04-10T14:48:38","slug":"tecelas-da-oracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tecelas-da-oracao\/","title":{"rendered":"Tecel\u00e3s da ora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/tecels da orao.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>A jovem aprendiz de jornalismo conta sua experi\u00eancia de 29 horas no mosteiro<br \/>Religiosas do mosteiro Nossa Senhora das Gra\u00e7as Luana Barbosa<br \/>Aleteia oferece aos seus leitores a possibilidade de publicarem seus textos e divulgarem seu site, blog ou perfil em redes sociais, com o fim de ajudar a estender a mais leitores os testemunhos de cat\u00f3licos que amam a Igreja e querem torn\u00e1-la mais conhecida do p\u00fablico.SAIBA MAIS<\/p>\n<p>Este artigo foi enviado por Luana Aparecida Barbosa, de Belo Horizonte. Luana est\u00e1 no sexto per\u00edodo da faculdade de jornalismo, faz est\u00e1gio na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e mora com a comunidade cat\u00f3lica Caminho Novo. Na faculdade, ela construiu uma pauta sobre a aventura de passar um dia em um mosteiro. Levando em conta que este \u00e9 o ano da vida consagrada e que a imagem das voca\u00e7\u00f5es religiosas se encontra deturpada, a sua mat\u00e9ria pretende desmitificar a ideia de convento e, colaborando com o Esp\u00edrito Santo, contribuir para o despertar de novas voca\u00e7\u00f5es! Luana chegou ao mosteiro de Nossa Senhora das Gra\u00e7as em um s\u00e1bado, \u00e0s 8 horas, e saiu no domingo, \u00e0s 13h. Acompanhe o relato!<\/p>\n<p>TECEL\u00c3S DA ORA\u00c7\u00c3O<br \/>Luana Barbosa<\/p>\n<p>Palco de revolu\u00e7\u00f5es e cercados por mitos, estes intrigantes lugares foram cen\u00e1rios de hist\u00f3rias como a do famoso romance Os miser\u00e1veis, de Victor Hugo. Ali\u00e1s, como desconstruir as imagens criadas em nossas cabe\u00e7as, tamb\u00e9m, a partir de filmes como A novi\u00e7a rebelde ou Mudan\u00e7a de h\u00e1bito? Mosteiros e conventos s\u00e3o habitados por seres humanos, e n\u00e3o por her\u00f3is ou protagonistas famosos. Amor ou loucura? Qual o sentido do chamado religioso?<\/p>\n<p>Chego a meu destino final. Sem saber como seria esta experi\u00eancia, decido, simplesmente, vivenci\u00e1-la, mas o frio na barriga \u00e9 inevit\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 todo dia que se dorme em um convento. Deparo-me com a rua do Mosteiro, 138, no bairro Vila Paris, em Belo Horizonte. Por tr\u00e1s dos altos muros, o sil\u00eancio que temia parece se aproximar.<\/p>\n<p>Na portaria, um morador de rua tocava a campainha. Uma freira o atendeu, depois me acompanhou \u00e0 cela, o quarto. Uma cama, uma pequena mesa e um arm\u00e1rio revelaram a simplicidade do ambiente. Trata-se de m\u00f3veis suficientes para aquela proposta de hospedaria, de acolher pessoas comuns: leigos, padres e freiras para descanso, retiros ou pacientes em tratamento de sa\u00fade. Mara, 52, limpa as celas. Seria ela meu anjo durante este s\u00e1bado.<\/p>\n<p>Desfa\u00e7o as malas minutos antes de come\u00e7ar a terceira ora\u00e7\u00e3o do dia. As religiosas t\u00eam sete momentos de ora\u00e7\u00e3o, com idas \u00e0 igreja e \u00e0 missa. Elas se dividem em vig\u00edlias (4h50), laudes (6h20), missas (7h), ter\u00e7as (9h), sextas (11h20), noas (15h), v\u00e9speras (17h25) e completas (19h40). O sino toca: passo a cumprir minha primeira atividade do dia. As freiras entram em sil\u00eancio e, em dupla, reverenciam a Deus e se cumprimentam. Com salmos, cantos gregorianos e a pr\u00f3pria liturgia, louvam ao Senhor, clamam por miseric\u00f3rdia e intercedem pela humanidade.<\/p>\n<p>Os nomes de cada tempo de ora\u00e7\u00e3o v\u00eam do tempo dos ap\u00f3stolos, quando o dia era dividido de tr\u00eas em tr\u00eas horas. Minha inexperi\u00eancia com a liturgia das horas, livro por meio do qual acompanham-se as ora\u00e7\u00f5es, \u00e9 compensada pela caridade de Mara, vocacionada da congrega\u00e7\u00e3o. Participo de cada um destes momentos, e, ap\u00f3s a hora ter\u00e7a, posso conversar com Irm\u00e3 Felicidade, hoje com 83 anos, sendo 58 dedicados ao mosteiro. \u201cAntes de conhecer a vida mon\u00e1stica, queria ir para o Amazonas trabalhar com os \u00edndios. Eu descobri, por\u00e9m, que poderia atingir mais pessoas no mosteiro\u201d, conta, ao lembrar que decidiu ir para o convento aos 18 anos, mas, como n\u00e3o havia vagas, fez o concurso dos Correios, onde trabalhou durante quatros anos.<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Felicidade explica, tamb\u00e9m, que as primeiras regras mon\u00e1sticas sempre tiveram como base o Evangelho e a orienta\u00e7\u00e3o de viv\u00eancia no dia a dia. Por\u00e9m, os monges viviam como eremitas, sozinhos e isolados. No s\u00e9culo VI, na It\u00e1lia, S\u00e3o Bento reuniu a vida mon\u00e1stica comunit\u00e1ria e escreveu sua Regra, que\u00a0 prioriza o sil\u00eancio, a ora\u00e7\u00e3o, o trabalho, o recolhimento, a caridade fraterna e a obedi\u00eancia. Assim nascia a Ordem dos Beneditinos \u2013 ou Ordem de S\u00e3o Bento. <br \/> Irm\u00e3 Felicidade<\/p>\n<p>Escolhas<\/p>\n<p>O voto de estabilidade surgiu a partir da necessidade do monge de permanecer em sua comunidade e realizar a voca\u00e7\u00e3o recebida de Deus. Atualmente, se precisarem\u00a0 ir a outro mosteiro para uma nova cria\u00e7\u00e3o ou para ajudar algu\u00e9m temporariamente, elas t\u00eam a permiss\u00e3o de sair. Sobre a obedi\u00eancia, Irm\u00e3 Felicidade relata que se busca a imita\u00e7\u00e3o do Cristo, que obedeceu ao Pai at\u00e9 a morte. \u201cN\u00e3o quer dizer que a gente fique como bobo, ou que sejamos joguetes nas m\u00e3os de nossos superiores\u201d, afirma, ao destacar que tudo, no convento, \u00e9 fruto de consenso e intelig\u00eancia. \u201cTudo \u00e9 conversado\u201d, completa.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao voto de convers\u00e3o de costumes, o que inclui pobreza e castidade, n\u00e3o se trata de simples mudan\u00e7a de h\u00e1bito \u2013 ou decis\u00e3o que se toma de um dia para o outro: \u201c\u00c9 uma continuidade, um aprofundamento \u00e0 busca de Deus, uma maior consci\u00eancia de nossa pobreza ontol\u00f3gica e um desejo de entrega total ao reino na castidade\u201d, explica, ao completar: \u201cPor isso, n\u00e3o nos casamos. Com o casamento, ficar\u00edamos limitadas a um grupo pequeno: a fam\u00edlia. N\u00e3o se trata, por\u00e9m, de desprezo. Pelo contr\u00e1rio: a fam\u00edlia \u00e9 o n\u00facleo essencial n\u00e3o s\u00f3 da Igreja, mas da sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Conforme destaca Irm\u00e3 Felicidade, o sentido da castidade \u00e9 estar dispon\u00edvel o tempo todo. \u201cToda nossa vida toda, 24 horas por dia, \u00e9 ser de Deus como \u00fanica raz\u00e3o de nosso ser, mas, ao mesmo tempo, com os olhos na humanidade\u201d.<\/p>\n<p>Sobre a situa\u00e7\u00e3o do mundo, por vezes usada como argumento para contra-atacar a exist\u00eancia de Deus, Irm\u00e3 Felicidade destaca que Ele n\u00e3o fez rob\u00f4s, e que realiza suas fun\u00e7\u00f5es conforme o planejado. \u201cDeus fez pessoas humanas, com liberdade, consci\u00eancia de si mesmas e capacidade de decis\u00e3o. Ent\u00e3o, Ele espera nossa ades\u00e3o a seu plano, como n\u00f3s somos\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Selfie<\/p>\n<p>A vida de Mara<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o bate-papo com Irm\u00e3 Felicidade, almo\u00e7o e participo das ora\u00e7\u00f5es, no in\u00edcio da tarde, ao som da c\u00edtara, que, por sinal, eu s\u00f3 conhecia via Google. Ou\u00e7o, ainda, os cantos em latim. Tamb\u00e9m tenho a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a vida de Mara, cujo caminho no noviciado \u00e9 um pouco fora do comum.<\/p>\n<p>Natural de Uberl\u00e2ndia (MG), ela se mudou para Bras\u00edlia, onde se casou e teve tr\u00eas filhos. Hoje, \u00e9 av\u00f3 de sete netos e vi\u00fava. Uma vez por m\u00eas, Mara chega a Belo Horizonte para fazer acompanhamentos e n\u00e3o perder o contato com o mosteiro, at\u00e9 que regularize sua vida \u201caqui fora\u201d. Formada em Moda, ela cuidou de empresas de vestu\u00e1rio em tr\u00eas shoppings no Distrito Federal, junto ao marido.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a tr\u00e1gica morte do companheiro, assumiu o controle das finan\u00e7as, at\u00e9 que um de seus filhos, J\u00fanior, pudesse cuidar da parte da empresa que ela n\u00e3o vendeu e das fazendas. \u201cMeu esposo era rotariano e tinha uma vida social muito intensa, mas sempre o acompanhei mesmo n\u00e3o sendo o meu ideal de vida. Depois que ele faleceu, decidi que iria assumir a vida religiosa que eu sempre quis\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>O \u201clugar\u201d em que Mara mais sofre preconceito \u00e9 na pr\u00f3pria fam\u00edlia. Seus filhos temem a dist\u00e2ncia e a escolha por uma ordem radical, de clausura: \u201cEles n\u00e3o acham ruim por eu estar velha, ou pelo fato de ser vi\u00fava. Sou uma pessoa com vida estabilizada l\u00e1 fora, mas que deseja entrar para um convento. Eles gostariam que eu assumisse uma linha menos radical, mas \u00e9 por esta que me encanto: o sil\u00eancio e a intimidade profunda me apaixonam\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio como alimento<\/p>\n<p>Os hor\u00e1rios no convento s\u00e3o bem diferentes, mas n\u00e3o d\u00e1 tempo de ficar com fome. Para as freiras, o refeit\u00f3rio parece uma extens\u00e3o da capela. Por isso, o sil\u00eancio \u00e9 absoluto.\u00a0 Impressionante como um pequenino barulho parece pisada de elefante. Esbarro no prato e consigo at\u00e9 ouvir os ecos. Na verdade, nunca havia percebido que fazia tanto barulho: a escova cai no ch\u00e3o e parece um terremoto. A porta \u2013 ixiiiii! \u2013 bate v\u00e1rias vezes&#8230; O copo na pia e o caderninho de anota\u00e7\u00f5es, que d\u00e1 um salto dos meus bra\u00e7os e vai ao ch\u00e3o. Tento salv\u00e1-lo em c\u00e2mera lenta, mas meus movimentos bruscos fazem um pouco mais de ru\u00eddos. Eis, em breves linhas, a descri\u00e7\u00e3o de minha falta de intimidade com o sil\u00eancio.\u00a0 <br \/>Novi\u00e7as<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Vera L\u00facia, 35 anos \u2013 sendo dois de mosteiro e noviciado \u2013 \u00e9 de Bras\u00edlia e descobriu \u201co chamado\u201d um pouco antes de completar 19 anos: \u201cMesmo no tempo de namoro, j\u00e1 sentia muito forte o convite \u00e0 vida religiosa\u201d, diz. Enquanto morava na capital federal, estudou Psicologia at\u00e9 o s\u00e9timo per\u00edodo, mas, ao mudar-se para BH, preferiu abandonar o curso. \u201cQuando entrei, n\u00e3o tinha muita no\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a entre vida apost\u00f3lica e mon\u00e1stica. Por\u00e9m, carregava a certeza de minha voca\u00e7\u00e3o\u201d. Ap\u00f3s 13 anos nesta ordem religiosa e prestes a fazer votos perp\u00e9tuos, com a ajuda de um diretor espiritual, decidiu sair. Dois meses depois, come\u00e7ou a conhecer o mosteiro pela internet e fez os primeiros contatos.<\/p>\n<p>J\u00e1 Isabela, 32, \u00e9 natural de Ponte Nova (MG) e est\u00e1 em discernimento vocacional, quando as jovens t\u00eam a oportunidade de fazer experi\u00eancia, dentro da clausura, de at\u00e9 tr\u00eas meses. Ela se sentiu apaixonada pela igreja e pela palavra de Deus. Seu caso, na verdade, deu-se pela internet. No espa\u00e7o virtual, teve contato com a \u201cRegra de S\u00e3o Bento\u201d. Formada em Direito, ao final da faculdade, ela passou por um processo de nova convers\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando chegava em casa, ap\u00f3s o est\u00e1gio, lia a B\u00edblia e sentia arrepios. \u00c9 um amor profundo, uma coisa t\u00e3o maravilhosa! Deus \u00e9 um amor que o ser humano precisa redescobrir\u201d, exalta. Isabela, por\u00e9m, achou que n\u00e3o daria conta da vida religiosa e deixou a ideia para depois. Em 2014, entrou em contato com o mosteiro, tamb\u00e9m pela internet, e come\u00e7ou sua nova hist\u00f3ria. \u201cEspero contribuir cada vez mais com a Igreja, que me tocou, me chamou. Eu a amo muito\u201d, completa, aos risos.<\/p>\n<p>Novi\u00e7as e irm\u00e3 Marcela<\/p>\n<p>Ao final desta aventura, depois de 29 horas no mosteiro, posso concluir que dia ap\u00f3s dia elas tecem a pr\u00f3pria vida, a partir de suas escolhas, baseadas na ora\u00e7\u00e3o e sem muito barulho, ou melhor, quase nada&#8230; E o sentido do chamado? A resposta a ele diz respeito a cada uma!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A jovem aprendiz de jornalismo conta sua experi\u00eancia de 29 horas no mosteiroReligiosas do mosteiro Nossa Senhora das Gra\u00e7as Luana BarbosaAleteia oferece aos seus leitores a possibilidade de publicarem seus textos e divulgarem seu site, blog ou perfil em redes sociais, com o fim de ajudar a estender a mais leitores os testemunhos de cat\u00f3licos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-5950","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5950"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10817,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5950\/revisions\/10817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}