{"id":59262,"date":"2020-05-18T13:38:09","date_gmt":"2020-05-18T16:38:09","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=59262"},"modified":"2020-05-18T13:38:09","modified_gmt":"2020-05-18T16:38:09","slug":"isolamento-e-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/isolamento-e-fe\/","title":{"rendered":"ISOLAMENTO E F\u00c9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos dias de prova\u00e7\u00f5es. Apartar-se da sociedade, afastar-se dos familiares, abandonar o trabalho, os afazeres cotidianos, isolar-se da vida e do mundo n\u00e3o nos parece uma atitude coerente de pessoas minimamente normais. Nem crist\u00e3s. Mas, de repente, passou a ser. Em nome da sa\u00fade e at\u00e9 da responsabilidade social; em nome da caridade e do bem querer comunit\u00e1rio ou familiar, o isolamento moment\u00e2neo passou a ser uma atitude de responsabilidade e de f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quanto tempo h\u00e1 de durar essa fuga para um deserto de priva\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o o sabemos. Jesus se isolou por quarenta dias. O povo de Deus por quarenta anos, naquela hist\u00f3rica travessia do deserto. Nem oito, nem oitenta. O que aqui temos \u00e9 uma atitude de confronto em vista das amea\u00e7as externas de uma pandemia devastadora. No deserto se d\u00e1 o confronto, a pondera\u00e7\u00e3o de nossas responsabilidades com a vida, com o outro, conosco mesmos. Mesmo quando o convite do mundo seja tentador. A fome de liberdade grite em nosso \u00edntimo. As ilus\u00f5es das pedras n\u00e3o sejam os p\u00e3es desejados. E nossas derrocadas financeiras nos roubem as ilus\u00f5es de poder, de fama, de vit\u00f3rias, sucessos que somos obrigados a abortar. A \u00fanica certeza que hoje temos \u00e9 que o deserto \u00e9 purificador. Nos faz melhores, mais fortes. Que nos diga o povo de Deus naqueles quarenta anos. Que nos diga Jesus, citando Deuteron\u00f4mio, o livro dos mandamentos e das leis sagradas: \u201cN\u00e3o s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem, mas de toda a palavra de Deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nessa verdade devemos nos fiar em momentos de dores e afli\u00e7\u00f5es. Deus \u00e9 o cerne, a esperan\u00e7a maior de um povo sofredor, escravo em seu mundinho contaminado pelas mazelas de um corpo perec\u00edvel, fr\u00e1gil, sens\u00edvel aos humores da sa\u00fade f\u00edsica. Por outro lado, um povo forte, guerreiro, vencedor e humanamente glorioso quando purificado nas promessas da Palavra de Deus, que lhe restitui o tesouro da alma, seu cerne de f\u00e9, sua sa\u00fade espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse \u00e9 o grande segredo que muitos est\u00e3o redescobrindo no isolamento, no confronto consigo mesmo, com sua realidade f\u00edsica e espiritual. O dem\u00f4nio n\u00e3o quer esse confronto, essa percep\u00e7\u00e3o do que somos neste mundo. Ao conduzir Jesus para o ponto mais alto do templo de Jerusal\u00e9m, desafiou-o a se lan\u00e7ar dali, pois seus anjos haveriam de salv\u00e1-lo .Se o fizesse, teria o mundo a seus p\u00e9s. Mois\u00e9s chegou perto, pode contemplar a Terra Prometida do alto de um monte, mas n\u00e3o entrou em seu gozo. Nem por isso se atirou daquele monte; morreu ali. Nem por isso o povo de Deus deixou de conquistar o \u201csonho do deserto\u201d, a posse da terra. Penetrou em novo dom\u00ednio \u201csustentado pela m\u00e3o de Deus, sem ferir seus p\u00e9s em pedra alguma\u201d \u2013 refer\u00eancia \u00e0 terceira tenta\u00e7\u00e3o de Cristo (Sal 90). O isolamento nos ensina a pondera\u00e7\u00e3o, a nunca tentar Deus com nossas ambi\u00e7\u00f5es desmedidas, nossos sonhos de grandeza, pois nossa fragilidade \u00e9 gritante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Muitos h\u00e1 por a\u00ed que ainda n\u00e3o perceberam a preciosidade desse momento. Se por um lado h\u00e1 um isolamento for\u00e7ado, por outro a f\u00e9 se torna a fortaleza de muitos. Nunca se rezou tanto neste mundo. Uma corrente de clamor aos c\u00e9us, de verdadeiro grito de socorro e at\u00e9 de gratid\u00e3o por pequenas vit\u00f3rias aqui e ali, faz emergir um mundo novo, uma humanidade restaurada em seus princ\u00edpios de f\u00e9 e esperan\u00e7a. Louvado seja Deus que nos purifica at\u00e9 na dor. Louvado o Senhor Jesus, que tamb\u00e9m viveu seu isolamento social para nos dar um exemplo de fortaleza sempre. O dem\u00f4nio \u00e9 capaz de tudo, at\u00e9 de se disfar\u00e7ar como doen\u00e7a virulenta para nos destruir. Mas Deus \u00e9 maior. \u201cDepois de t\u00ea-lo assim tentado, o dem\u00f4nio apartou-se dele at\u00e9 outra ocasi\u00e3o\u201d (Lc 4,13).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos dias de prova\u00e7\u00f5es. Apartar-se da sociedade, afastar-se dos familiares, abandonar o trabalho, os afazeres cotidianos, isolar-se da vida e do mundo n\u00e3o nos parece uma atitude coerente de pessoas minimamente normais. Nem crist\u00e3s. Mas, de repente, passou a ser. 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