{"id":5926,"date":"2015-06-22T03:00:00","date_gmt":"2015-06-22T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-esperanca-nos-move\/"},"modified":"2017-04-10T11:13:43","modified_gmt":"2017-04-10T14:13:43","slug":"a-esperanca-nos-move","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-esperanca-nos-move\/","title":{"rendered":"A esperan\u00e7a nos move"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos momentos complexos em nossa sociedade! Persegui\u00e7\u00f5es, vilip\u00eandios, mart\u00edrios, intoler\u00e2ncias, fanatismos ideol\u00f3gicos, culturais, sociais e religiosos, laicidade mal compreendida, o Estado ocupando o lugar da fam\u00edlia na educa\u00e7\u00e3o dos filhos, promessas de solu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia juvenil com encaminhamentos falaciosos, intoler\u00e2ncia religiosa em todos os n\u00edveis e certo anticatolicismo espalhado pelo mundo. Sabemos que nesse tempo de \u201cmudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d, todos estes conceitos e pr\u00e1ticas arraigadas em filosofias e vis\u00f5es do mundo, que j\u00e1 h\u00e1 s\u00e9culos v\u00eam sendo fermentadas na sociedade, devem passar por uma reflex\u00e3o profunda para que possamos escolher o melhor caminho para o futuro. Estamos colocados diante de uma situa\u00e7\u00e3o que necessita de um grande discernimento. <br \/>J\u00e1 h\u00e1 muito tempo que no Brasil e no exterior acompanhamos as manifesta\u00e7\u00f5es de intoler\u00e2ncia religiosa em v\u00e1rias modalidades e contra os mais diversos credos, mas tamb\u00e9m um aumento da viol\u00eancia e insatisfa\u00e7\u00e3o com revoltas. Existe um clima da necessidade de tempos novos no ar! Eis a oportunidade de uma s\u00e9ria reflex\u00e3o e escolhas para o futuro. Aparece um direcionamento para banir da sociedade em geral os valores humanos transcendentais e sagrados em favor de um laicismo agressivo, fan\u00e1tico e intolerante.<br \/>Quando recebi, no Pal\u00e1cio S\u00e3o Joaquim, na manh\u00e3 do dia 19 de junho, sexta-feira, a menina Kailane Campos, de 11 anos, que foi atingida por uma pedrada na cabe\u00e7a por ser reconhecida pela sua religi\u00e3o porque estava vestida com as roupas pr\u00f3prias do Candombl\u00e9, na Vila da Penha, aqui no Rio de Janeiro, al\u00e9m do fato pessoal, pude ver no gesto com uma crian\u00e7a uma terr\u00edvel intoler\u00e2ncia religiosa que chegou tamb\u00e9m em nosso pa\u00eds, infelizmente. No citado encontro, em nome da Arquidiocese, ocasi\u00e3o em pude expressar a nossa solidariedade e reafirmar sua abertura ao di\u00e1logo com outras religi\u00f5es, contamos tamb\u00e9m com a presen\u00e7a da av\u00f3 de Kailane, K\u00e1tia Marinho, que estava com a menina no momento da pedrada. Representantes da Comiss\u00e3o Arquidiocesana de Ecumenismo e Di\u00e1logo Inter-religioso e da Comiss\u00e3o de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa tamb\u00e9m participaram da reuni\u00e3o. Este foi um dos fatos dentro de tantos outros que ocorreram aqui no Brasil e no exterior. <br \/>Neste ano em que comemoramos os 50 anos da conclus\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II \u00e9 bom recordar que \u201ca Igreja, por conseguinte, reprova toda e qualquer discrimina\u00e7\u00e3o ou vexame contra homens por causa de ra\u00e7a ou cor, classe ou religi\u00e3o, como algo incompat\u00edvel com o esp\u00edrito de Cristo\u201d. E ainda recorda, citando 1Ped 2,12: \u201cQuanto deles depende, mantenham paz com todos os homens, de modo que sejam verdadeiramente filhos do Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us\u201d (Nostra Aetate 5).<br \/>Os fatos atuais devem nos levar \u00e0 reflex\u00e3o e \u00e0 tomada de consci\u00eancia quanto ao nosso respeito pelo pr\u00f3ximo e pelos valores religiosos que lhe s\u00e3o subjetivamente caros, dado que ele, na f\u00e9 c\u00e2ndida, pratica seu culto sem prejudicar o bom andamento da reta ordem e sem desrespeitar os demais credos religiosos da sociedade pluralista em que vive. Ora, se ele respeita, por que n\u00e3o mereceria reciprocidade?<br \/>Ali\u00e1s, a pr\u00f3pria B\u00edblia, Palavra de Deus escrita, nos adverte sobre isso ao nos ensinar o seguinte: \u201cN\u00e3o fa\u00e7as a ningu\u00e9m o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am\u201d (Tb 4,15), ou \u201cTudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos fa\u00e7am, fazei-o v\u00f3s a eles, pois esta \u00e9 a Lei e os Profetas\u201d (Mt 7,12). N\u00e3o est\u00e1 j\u00e1 aqui um importante ponto de reflex\u00e3o sobre a nossa conduta humana com rela\u00e7\u00e3o a quem professa uma f\u00e9 diferente da nossa?<br \/>N\u00e3o pensemos, contudo, que s\u00e3o fatos isolados estes que estamos abordando; n\u00e3o, eles parecem mais ou menos organizados, como diz\u00edamos, para derrubar tudo o que represente algo de sagrado na humanidade, a fim de dar lugar a um secularismo doentio e desumano, pois, feito para Deus, o ser humano n\u00e3o descansa enquanto n\u00e3o repousa n\u2019Ele j\u00e1, provisoriamente, aqui neste mundo e, definitivamente, na eternidade.<br \/>N\u00f3s lamentamos muitas situa\u00e7\u00f5es de intoler\u00e2ncia! Que se veja os mart\u00edrios dos crist\u00e3os, que se reflita sobre o vilip\u00eandio e desrespeito aos templos queimados, a imagens religiosas tanto no exterior como aqui entre n\u00f3s. Em alguns lugares se pro\u00edbe e se destr\u00f3i, em outros (como aqui), al\u00e9m de quebrar, vilipendiam como que insultando todos os que t\u00eam nesses s\u00edmbolos um sinal querido e amado.<br \/>Creio que necessitamos de uma reflex\u00e3o aprofundada, que gostaria de iniciar mesmo sabendo que isso merece um pouco mais de considera\u00e7\u00f5es. Vamos iniciar com uma abordagem sobre as orienta\u00e7\u00f5es laicas, que desejam manipular as religi\u00f5es e seus ensinamentos.<br \/>Dois pronunciamentos mais ou menos recentes nos fizeram constatar isso e, por essa raz\u00e3o, \u00e9 oportuno que nos atentemos a eles, ainda que de passagem. O primeiro vem do Sr. Vincent Peillon, ministro da Educa\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, em 2013, com as seguintes palavras: \u201cAt\u00e9 agora foi feita uma revolu\u00e7\u00e3o essencialmente pol\u00edtica, mas n\u00e3o a revolu\u00e7\u00e3o moral e espiritual. Deixamos \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica o controle da moral e do espiritual. Agora \u00e9 preciso substituir tudo isso (&#8230;). Jamais poderemos construir um pa\u00eds de liberdade com a religi\u00e3o cat\u00f3lica. \u00c9 preciso inventar uma religi\u00e3o republicana que deve ir junto com a religi\u00e3o material, religi\u00e3o que, de fato, \u00e9 a laicidade. E \u00e9 por causa disso, ali\u00e1s, que no in\u00edcio do s\u00e9culo XX se come\u00e7ou a falar de f\u00e9 laica, de religi\u00e3o laica\u201d (Obedecer antes a Deus que aos homens, p. 84).<br \/>O segundo discurso \u00e9 bem recente, parte da Sra. Hillary Clinton e foi proferido em 24 de abril \u00faltimo no Lincoln Center de Manhattan. Ali, ela exp\u00f4s de modo claro que \u201cos c\u00f3digos culturais profundamente arraigados, as cren\u00e7as religiosas e os enfoques culturais devem ser modificados\u201d, desde que privem a sociedade de desfrutar da \u201csa\u00fade reprodutiva\u201d, termo amb\u00edguo denunciado mais de uma vez pela Santa S\u00e9 como fruto de engenharia de linguagem para designar o aborto.<br \/>Indo al\u00e9m, a pr\u00e9-candidata \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos, na conven\u00e7\u00e3o de seu partido, defendeu um Estado autorit\u00e1rio e controlador ao declarar que \u201cos governos devem empregar seus recursos coercitivos para redefinir os dogmas religiosos tradicionais\u201d. Essa coer\u00e7\u00e3o levaria \u00e0 troca dos dogmas religiosos pelos do Estado laicista e perseguidor das religi\u00f5es, uma vez que estas lembram o Transcendental. Lembram que nenhum poder t\u00eam os governantes deste mundo se ele n\u00e3o vier do alto (cf. Jo 19,11).<br \/>A fala da Sra. Clinton causou grande repercuss\u00e3o nos Estados Unidos, de modo que Bill Donohue, dirigente da Catholic League, pode declarar que \u201cnunca antes se viu um aspirante \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos atacar diretamente os ensinamentos da Igreja Cat\u00f3lica\u201d, mas at\u00e9 a\u00ed chegou a intoler\u00e2ncia religiosa naquele pa\u00eds que sempre se arvorou em defensor das liberdades individuais ou do homem livre.<br \/>Esses discursos que n\u00e3o se intimidam em deixar transparecer o \u00f3dio \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica e crist\u00e3 em geral v\u00e3o al\u00e9m em outras falas ou escritos que tamb\u00e9m atacam a religi\u00e3o de uma maneira mais ampla, como se fosse ela um grande mal para a humanidade e precisasse ser extirpada a fim de que o ser humano pudesse ser feliz, segundo dizem. Na realidade, por\u00e9m, se d\u00e1 exatamente o contr\u00e1rio, conforme asseguram renomados estudiosos: a f\u00e9 \u00e9 um alimento propulsor da humanidade para o progresso desde a Antiguidade at\u00e9 nossos dias.<br \/>Sim, o sin\u00e2ntropo, ou o homem de Pequim, por ter os vest\u00edgios descobertos em Chou-Kou-Thien, a 50 km da atual capital da China, intriga os estudiosos por revelar tr\u00eas aspectos muito importantes: a) sabia produzir e usar o fogo, algo imposs\u00edvel a infra-humanos; b) utilizava instrumentos devidamente talhados ou trabalhados, reveladores de capacidade de inven\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o, dado que preparavam um objeto com finalidades bem pr\u00f3prias; c) exp\u00f5em grande respeito perante o mist\u00e9rio da morte, com ritos f\u00fanebres, que d\u00e3o a entender uma cren\u00e7a no al\u00e9m ou numa Divindade. Da\u00ed constatar Bergounioux: \u201cSeria imprudente deduzir desses fatos (os tr\u00eas atr\u00e1s recenseados) conclus\u00f5es demasiado precisas. Contudo, \u00e9 necess\u00e1rio registrar cuidadosamente essas manifesta\u00e7\u00f5es de vida de uma tribo ditadas por preocupa\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o meramente materiais e j\u00e1 caracter\u00edsticas de uma consci\u00eancia religiosa que veremos expandir-se e aprimorar-se no homem da etapa seguinte\u201d (Les Relligions des Prehistoriques et des Primitifs, cole\u00e7\u00e3o Je sais \u2013 j\u00ea crois n\u00ba. 140. Paris, 1958, p. 14 apud E. Bettencourt, OSB. Teologia Fundamental. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2013, p. 43).<br \/>O famoso psicanalista Carl Gustav Jung, mais recentemente nos assegura o seguinte: \u201cDe todos os meus pacientes na segunda metade da vida, isto \u00e9, tendo mais de trinta anos, n\u00e3o houve um cujo problema mais profundo n\u00e3o fosse constitu\u00eddo pela quest\u00e3o de sua atitude religiosa. Todos, em \u00faltima an\u00e1lise, estavam doentes por ter perda daquilo que uma religi\u00e3o viva sempre deu em todos os tempos a seus adeptos, e nenhum se curou realmente sem recuperar a atitude religiosa que lhe fosse pr\u00f3pria\u201d (cf. N. da Silveira. Jung: vida e obras, p. 141s).<br \/>Visto isso, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel negar o valor da religi\u00e3o, do sagrado entre os homens, pois sem Deus, como inst\u00e2ncia superior, o homem se torna lobo do homem e se arroga no direito de ocupar o lugar do Criador, a fim de menosprezar o seu pr\u00f3ximo seja por ideologias de cunhos totalit\u00e1rios que conseguiram chegar ao governo de alguns pa\u00edses, seja por outras que \u2013 como a ideologia de g\u00eanero \u2013 vai tentando se implantar nos programas educacionais de nossos munic\u00edpios para procurar deixar Deus e a natureza humana em segundo plano a fim de manipular o homem e a mulher segundo os caprichos desses mesmos ide\u00f3logos de plant\u00e3o. Mas toda religi\u00e3o bem vivida se op\u00f5e a isso e a outras formas de opress\u00e3o. Da\u00ed o desejo de remov\u00ea-las do caminho revolucion\u00e1rio de qualquer modo.<br \/>Uns optam por ridiculariz\u00e1-la intelectualmente, outros por persegui-la a partir de sistemas de governo autorit\u00e1rio, outros ainda por meio de recursos de manipula\u00e7\u00e3o de linguagem ou da hipocrisia verbal, que vai substituindo conceitos cl\u00e1ssicos por novas linguagens, desejam nos fazer crer, quase sem perceber, que \u00e9 necess\u00e1rio apagar da sociedade tudo o que ainda nos leve a Deus. J\u00e1 alguns outros preferem o ataque frontal com bombas, pedras, tiros, picha\u00e7\u00f5es em templos, destrui\u00e7\u00e3o de imagens ou s\u00edmbolos religiosos diversos. \u00c9 a intoler\u00e2ncia em seus v\u00e1rios n\u00edveis e que precisa ser combatida.<br \/>Da\u00ed, em 1\u00ba de janeiro de 2011, por ocasi\u00e3o do Dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI pedia: \u201cDiante das tens\u00f5es amea\u00e7adoras do momento, especialmente a discrimina\u00e7\u00e3o, o abuso de poder e a intoler\u00e2ncia religiosa que hoje atingem particularmente os crist\u00e3os, eu volto a fazer um convite premente para que n\u00e3o cedam ao des\u00e2nimo e \u00e0 resigna\u00e7\u00e3o\u201d. (&#8230;) \u201cEu exorto todos a rezar para que os esfor\u00e7os feitos por muitos lados para promover e construir a paz no mundo tenha um bom resultado\u201d, dizia.<br \/>Tamb\u00e9m o Papa Francisco nos exorta: \u201cNo mundo e nas sociedades existe pouca paz, tamb\u00e9m porque falta di\u00e1logo e h\u00e1 dificuldade de sair do horizonte limitado dos interesses pr\u00f3prios, para se abrir a um confronto verdadeiro e sincero. Para que haja paz \u00e9 preciso um di\u00e1logo persistente, paciente, forte e inteligente, para o qual nada est\u00e1 perdido\u201d (&#8230;). \u201cN\u00f3s, l\u00edderes religiosos, somos chamados a ser verdadeiros \u2018dialogantes\u2019, a agir na constru\u00e7\u00e3o da paz, e n\u00e3o como intermedi\u00e1rios, mas como mediadores aut\u00eanticos. Os intermedi\u00e1rios procuram contentar todas as partes, com a finalidade de obter um lucro para si mesmo. O mediador, ao contr\u00e1rio, \u00e9 aquele que nada reserva para si pr\u00f3prio, mas que se dedica generosamente, at\u00e9 se consumir, consciente de que o \u00fanico lucro \u00e9 a paz. Cada um de n\u00f3s \u00e9 chamado a ser um art\u00edfice da paz, unindo e n\u00e3o dividindo, extinguindo o \u00f3dio em vez de conserv\u00e1-lo, abrindo caminhos de di\u00e1logo em vez de erguer novos muros! Dialogar, encontrar-se para instaurar no mundo a cultura do di\u00e1logo, a cultura do encontro\u201d. (Papa Francisco. A Igreja da miseric\u00f3rdia: minha vis\u00e3o para a Igreja. S\u00e3o Paulo: Paralela, 2014, p. 97-98).<br \/>Se essas palavras se fizerem a\u00e7\u00f5es em nossa vida, na de todos os l\u00edderes religiosos, ou n\u00e3o, certamente o mundo ter\u00e1 alcan\u00e7ado uma fase da civiliza\u00e7\u00e3o do amor e teremos menos guerra e mais paz em todos os meios, a come\u00e7ar em nossa casa, na nossa rua, no nosso bairro, na nossa cidade at\u00e9 estender-se pelo pa\u00eds e pelo mundo inteiro. Isso, no entanto, tem de come\u00e7ar de n\u00f3s, de nosso cora\u00e7\u00e3o, de dentro para fora e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<br \/>Ainda recordando o cinquenten\u00e1rio do Conc\u00edlio Vaticano II \u00e9 bom salientar que: \u201c&#8230; ainda existem regimes que, embora reconhe\u00e7am em sua Constitui\u00e7\u00e3o a liberdade do culto religioso, levam assim mesmo seus poderes p\u00fablicos a empenhar-se em afastar os cidad\u00e3os da profiss\u00e3o da religi\u00e3o, dificultando ao m\u00e1ximo e pondo at\u00e9 em perigo a vida das comunidades religiosas\u201d (Dignitatis Humanae 15). E ainda: \u201cos homens todos devem ser imunes da coa\u00e7\u00e3o tanto por parte de pessoas particulares quanto de grupos sociais e de qualquer poder humano, de tal sorte que em assuntos religiosos ningu\u00e9m seja obrigado a agir contra a pr\u00f3pria consci\u00eancia, nem se impe\u00e7a de agir de acordo com ela, em particular e em p\u00fablico, s\u00f3 ou associado a outrem, dentro dos devidos limites\u201d (DH 2).<br \/>S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel dizer um basta bem forte a todo tipo de preconceito religioso ou social injusto, e juntos afirmar que somos, realmente, filhos de Deus e irm\u00e3os e irm\u00e3s de verdade querendo um mundo mais justo, humano e fraterno e agindo para que isso realmente aconte\u00e7a. As pedras, as intoler\u00e2ncias, os vilip\u00eandios, os mart\u00edrios, os escritos ou desenhos difamando s\u00edmbolos religiosos, a compreens\u00e3o maldosa do estado laico e tantas outras situa\u00e7\u00f5es nos fazem pensar sobre qual a dire\u00e7\u00e3o de nossa sociedade. Verdi, ao escrever a \u00f3pera Nabucco em 1842, fez com que o c\u00e2ntico do \u201ccoro dos escravos hebreus\u201d servisse analogamente para despertar o nacionalismo italiano quando estavam dominados por for\u00e7as estrangeiras, recordando a saudade da liberdade \u201c\u00f3 minha p\u00e1tria, t\u00e3o bela e perdida\u201d sonhando com os pensamentos navegando por asas douradas! Para n\u00f3s, crist\u00e3os, hoje esse an\u00fancio \u00e9 claro: \u00e9 nesse momento que n\u00f3s anunciamos o Cristo Ressuscitado e somos testemunhas da esperan\u00e7a neste mundo mudado, cansado e abatido. Cristo venceu a morte e o pecado e n\u2019Ele n\u00f3s vivemos, nos movemos e somos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos momentos complexos em nossa sociedade! Persegui\u00e7\u00f5es, vilip\u00eandios, mart\u00edrios, intoler\u00e2ncias, fanatismos ideol\u00f3gicos, culturais, sociais e religiosos, laicidade mal compreendida, o Estado ocupando o lugar da fam\u00edlia na educa\u00e7\u00e3o dos filhos, promessas de solu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia juvenil com encaminhamentos falaciosos, intoler\u00e2ncia religiosa em todos os n\u00edveis e certo anticatolicismo espalhado pelo mundo. 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