{"id":59179,"date":"2020-05-14T09:31:52","date_gmt":"2020-05-14T12:31:52","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=59179"},"modified":"2020-05-14T12:33:10","modified_gmt":"2020-05-14T15:33:10","slug":"joao-paulo-ii-um-santo-e-a-sua-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/joao-paulo-ii-um-santo-e-a-sua-familia\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Paulo II, um Santo e a sua fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure class=\"article__image\"><span class=\"didascalia_img\">Testemunho de vida da fam\u00edlia influenciou fortemente na personalidade do Papa Jo\u00e3o Paulo II\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 inabal\u00e1vel no Senhor, a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Maria, o sentido do sacrif\u00edcio, o empenho pelo pr\u00f3ximo mesmo arriscando a pr\u00f3pria vida. Karol Wojty\u0142a encontrou na sua fam\u00edlia tudo aquilo que depois desenvolveu na sua vida e de modo extraordin\u00e1rio no seu Pontificado.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Alessandro Gisotti<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu \u201cservi\u00e7o ao Povo de Deus, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II foi o\u00a0<i>Papa da fam\u00edlia<\/i>\u201d. As palavras de Papa Francisco durante a canoniza\u00e7\u00e3o de Karol Wojty\u0142a\u00a0e Angelo Roncalli, em 27 de abril, h\u00e1 6 anos atr\u00e1s, hoje encontram um significado especial enquanto nos aproximamos do centen\u00e1rio de nascimento do Santo Papa polon\u00eas. Celebrar o in\u00edcio da sua vida terrena, de fato, nos leva naturalmente a querer \u201cencontrar\u201d a sua fam\u00edlia, a tentar descobrir qual tenha sido o \u201csegredo\u201d dos seus pais, para os quais, na semana passada, \u00e9 iniciada a fase diocesana da Causa de Beatifica\u00e7\u00e3o na Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo s\u00f3 lendo os dados biogr\u00e1ficos essenciais da m\u00e3e Emilia e do pai Karol, do qual pegou o nome, se compreende quanto o testemunho deles tenha influenciado profundamente na personalidade do futuro do Pont\u00edfice. Se pode at\u00e9 afirmar, sem d\u00favida, que alguns pilares do minist\u00e9rio sacerdotal e depois pastoral do arcebispo de Crac\u00f3via antes e, sucessivamente, do bispo de Roma, tenham sido lan\u00e7ados j\u00e1 nos primeiros anos da sua exist\u00eancia em Wadowice, pequeno centro ao extremo sul da Pol\u00f4nia, onde nasceu em 18 de maio de 1920.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSobre o teu t\u00famulo branco florescem as flores brancas da vida. Oh, quantos anos j\u00e1 se foram sem voc\u00ea, quantos anos?\u201d. Essas palavras comoventes dedicadas \u00e0 m\u00e3e, em uma poesia escrita em Crac\u00f3via, na primavera de 1939, salientam o drama que, para o jovem Karol Wojty\u0142a, representou a morte da m\u00e3e que aconteceu quando o futuro Santo tinha apenas 9 anos. Emilia, de sa\u00fade muito fraca, tinha completado a gravidez entre milhares de dificuldades, apesar dos m\u00e9dicos a terem desaconselhado de prossegui-la. O seu f\u00edsico ficou fortemente comprometido, tanto que os 9 anos sucessivos ao parto foram intercalados com interna\u00e7\u00f5es em hospital e um constante enfraquecimento das for\u00e7as at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A apaixonada defesa da vida humana, mesmo em condi\u00e7\u00f5es de fragilidade \u2013 uma das caracter\u00edsticas registradas do minist\u00e9rio petrino de Wojty\u0142a\u00a0\u2013 encontrava, assim, uma seiva inesgot\u00e1vel no amor materno. \u00c9 natural pensar que a figura particularmente especial para ele de Gianna Berretta Molla, que beatificou em 1995 e depois canonizou em 2004, o fazia recordar do exemplo da m\u00e3e que, para defender a vida do seu filho, sacrificou a pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Significativamente, os cidad\u00e3os de Wadowice dedicaram a Emilia Kaczorowska Wojty\u0142a\u00a0uma obra em favor das mulheres que, apesar das dificuldades, protegeram o fruto da sua maternidade: a\u00a0<i>Casa da M\u00e3e Sozinha<\/i>. \u201cSou grato\u201d, afirmou Jo\u00e3o Paulo II na visita \u00e0 sua terra natal em junho de 1999, \u201cpor esse grande dom do amor de voc\u00eas pelo homem e da solicitude de voc\u00eas pela vida\u201d. \u201cA minha gratid\u00e3o\u201d, prosseguiu, \u201c\u00e9 tanto maior porque esta Casa \u00e9 dedicada \u00e0 minha m\u00e3e Emilia. Acredito que aquela que me colocou no mundo e envolveu de amor a minha inf\u00e2ncia, cuidar\u00e1 tamb\u00e9m desta obra\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos depois da morte precoce da m\u00e3e, um outro luto comove a fam\u00edlia Wojty\u0142a: a tr\u00e1gica morte, com apenas 26 anos, de Edmund, o amado irm\u00e3o maior que Karol olhava com admira\u00e7\u00e3o. Uma figura excepcional lembrada neste per\u00edodo marcado pelo hero\u00edsmo de tantos m\u00e9dicos e enfermeiros que comprometeram a pr\u00f3pria vida para cuidar dos doentes de coronav\u00edrus. M\u00e9dico promissor, em servi\u00e7o em Crac\u00f3via, Edmund, de fato, perdeu a vida em 1932 por ter cuidado de uma jovem doente de escarlatina, doen\u00e7a pela qual n\u00e3o existia vacina na \u00e9poca. O jovem m\u00e9dico sabia o que podia encontrar, mas, como o Bom Samaritano, n\u00e3o fez c\u00e1lculos para si, mas cuidou somente de socorrer o pr\u00f3ximo que precisava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua morte para o futuro Papa, como contou muitos anos mais tarde, foi um choque pelas circunst\u00e2ncias dram\u00e1ticas nas quais aconteceu e, tamb\u00e9m, porque tinha alcan\u00e7ado uma idade mais madura comparando quando tinha perdido a m\u00e3e. Para sempre permaneceu gravado na mem\u00f3ria de Karol Wojty\u0142a\u00a0o exemplo daquele \u201cm\u00e1rtir do dever\u201d que foi seu irm\u00e3o. Foi Edmund a encoraj\u00e1-lo nos estudos, a ensin\u00e1-lo a jogar bola e, sobretudo, a proteg\u00ea-lo, junto ao pai, depois da morte da m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com apenas 12 anos, Karol ent\u00e3o se encontra s\u00f3 com seu pai, um militar de carreira do ex\u00e9rcito polon\u00eas. Um homem bom e rigoroso, com uma f\u00e9 inabal\u00e1vel apesar de tantas trag\u00e9dias pessoais vividas que \u201cacompanhou\u201d o seu \u00fanico filho, que ficou, at\u00e9 a idade adulta, \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da personalidade, ensinando-o, antes de tudo, com a conduta da vida alguns princ\u00edpios como a honestidade, o patriotismo, o amor \u00e0 Virgem Maria que se tornaram quase um segundo DNA de Karol Wojty\u0142a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comove o retrato que, j\u00e1 como bispo de Roma, definir\u00e1 de seu pai em uma conversa com o amigo jornalista Andr\u00e9 Frossard. \u201cMeu pai\u201d, conta Jo\u00e3o Paulo II, \u201cfoi admir\u00e1vel e quase todas as minhas recorda\u00e7\u00f5es de inf\u00e2ncia e de adolesc\u00eancia se referem a ele\u201d. O Papa salienta, ent\u00e3o, que os muitos sofrimentos vividos, ao inv\u00e9s de fech\u00e1-los em si mesmo, tinham aberto nele \u201cimensas profundezas espirituais\u201d. \u201cA sua dor\u201d, \u00e9 a recorda\u00e7\u00e3o do futuro Santo, \u201cse transformava em ora\u00e7\u00e3o. O simples fato de v\u00ea-lo se ajoelhar teve uma influ\u00eancia decisiva nos meus jovens anos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma influ\u00eancia tamb\u00e9m sobre a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal. No livro autobiogr\u00e1fico\u00a0<i>Dom e Mist\u00e9rio<\/i>, publicado significativamente nos 50 anos do seu sacerd\u00f3cio, lembra que, com o seu pai, \u201cn\u00e3o se falava de voca\u00e7\u00e3o ao sacerd\u00f3cio, mas o seu exemplo foi para mim, de qualquer modo, o primeiro semin\u00e1rio, um tipo de\u00a0<i>semin\u00e1rio dom\u00e9stico<\/i>\u201d. E, no livro-entrevista\u00a0<i>Cruzar o limiar da esperan\u00e7a<\/i>, recorda que o seu pai lhe presentou um livro em que tinha a ora\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito Santo. \u201cMe disse para rez\u00e1-la diariamente\u201d, conta a Vittorio Messori, \u201cassim, daquele dia, procuro fazer. Ent\u00e3o, compreendi pela primeira vez o que significam as palavras de Cristo \u00e0 samaritana sobre os verdadeiros adoradores de Deus, isto \u00e9, sobre aqueles que O adoram em esp\u00edrito e verdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os anos da maturidade s\u00e3o decisivos pela sua confian\u00e7a total ao Senhor e \u00e0 M\u00e3e. Karol e o seu pai vivem, ent\u00e3o, em Crac\u00f3via, onde o jovem estuda na universidade, quando irrompe a ocupa\u00e7\u00e3o nazista. Os sofrimentos da sua fam\u00edlia se entrela\u00e7am e se fundem com aqueles da p\u00e1tria polonesa tornando-se num s\u00f3. Aos 21 anos, o futuro Pont\u00edfice perde tamb\u00e9m o pai, morto em uma noite fria de inverno, em 18 de fevereiro de 1941, talvez o dia mais doloroso na sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Karol Wojty\u0142a\u00a0fica sozinho no mundo. Ainda assim, justamente gra\u00e7as ao amor, ao exemplo, ao ensino daqueles \u201csantos da porta ao lado\u201d, como diria Francisco, que foram os seus pais e o seu irm\u00e3o, sabe que tem uma Esperan\u00e7a que nenhuma doen\u00e7a e nem mesmo a morte podem vencer. Ao longo do caminho da sua exist\u00eancia, no seu peregrinar pelo mundo anunciando o Evangelho, Karol Wojty\u0142a\u00a0sempre teve consigo a sua fam\u00edlia. Como a sua m\u00e3e, defendeu a vida com coragem. Como o seu irm\u00e3o, se doou ao pr\u00f3ximo at\u00e9 o final. Como o seu pai, n\u00e3o teve medo, porque abriu, ou melhor, abriu bem as portas a Cristo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testemunho de vida da fam\u00edlia influenciou fortemente na personalidade do Papa Jo\u00e3o Paulo II\u00a0 A f\u00e9 inabal\u00e1vel no Senhor, a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Maria, o sentido do sacrif\u00edcio, o empenho pelo pr\u00f3ximo mesmo arriscando a pr\u00f3pria vida. 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