{"id":5901,"date":"2015-06-18T15:14:52","date_gmt":"2015-06-18T18:14:52","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-problematica-dos-refugiados-no-mundo-e-a-assistencia-humanitaria-oferecida-pela-igreja\/"},"modified":"2017-04-10T11:06:07","modified_gmt":"2017-04-10T14:06:07","slug":"a-problematica-dos-refugiados-no-mundo-e-a-assistencia-humanitaria-oferecida-pela-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-problematica-dos-refugiados-no-mundo-e-a-assistencia-humanitaria-oferecida-pela-igreja\/","title":{"rendered":"\u201cA Problem\u00e1tica dos Refugiados no Mundo e a Assist\u00eancia Humanit\u00e1ria oferecida pela Igreja\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Comemoramos no dia 19 de junho o Dia Mundial do Refugiado, em \u00e2mbito civil, e no dia 21 de junho, o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, em \u00e2mbito da Igreja, e recebemos a mensagem especial do Papa Francisco para este dia. Estamos tamb\u00e9m na 30\u00aa Semana Nacional do Migrante.<br \/> Esta oportunidade nos d\u00e1 a possibilidade de partilhar preocupa\u00e7\u00f5es comuns da Igreja com a Sociedade que acolhe os refugiados e migrantes. O fen\u00f4meno das migra\u00e7\u00f5es no mundo sempre foi algo preocupante pelas graves implica\u00e7\u00f5es humanas, sociais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas, culturais e religiosas que provocam. A quest\u00e3o dos refugiados agravou-se em nosso tempo, dando origem a uma crise humanit\u00e1ria que se multiplica em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo, tendo frequentemente como motivo a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, religiosa e \u00e9tnica, como tamb\u00e9m por quest\u00f5es sociais e provocando ondas de terror, intimida\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia. Representa um grande desafio \u00e0 comunidade nacional e internacional.<br \/>Dirigindo-se a um grupo de crist\u00e3os refugiados em uma igreja de Erbil, ap\u00f3s fugir do avan\u00e7o jihadista no Iraque, o Papa Francisco enviou-lhes uma mensagem por ocasi\u00e3o do Natal de 2014, dizendo-lhes que s\u00e3o &#8220;como Jesus&#8221;, pois &#8220;ele tamb\u00e9m foi expulso e teve que fugir ao Egito para salvar-se&#8221;.<br \/>Realmente, para os crist\u00e3os de vastas regi\u00f5es do Oriente M\u00e9dio e da \u00c1frica, o sofrimento de Jesus Cristo tem se reproduzido em suas vidas de tal modo que podemos encontrar no seu testemunho a continuidade do mart\u00edrio que sempre acompanhou a caminhada da Igreja desde os seus prim\u00f3rdios.<br \/>Recorda-nos o Papa Francisco em sua Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado \u2013 2015, no qual considero que o Sumo Pont\u00edfice resumiu de maneira objetiva e, ao mesmo tempo com sensibilidade, a situa\u00e7\u00e3o que o mundo atravessa:<br \/>\u201cCom efeito, numa \u00e9poca de t\u00e3o vastas migra\u00e7\u00f5es, um grande n\u00famero de pessoas deixa os locais de origem para empreender a arriscada viagem da esperan\u00e7a com uma bagagem cheia de desejos e medos, \u00e0 procura de condi\u00e7\u00f5es de vida mais humanas. N\u00e3o raro, por\u00e9m, estes movimentos migrat\u00f3rios suscitam desconfian\u00e7a e hostilidade, inclusive nas comunidades eclesiais, mesmo antes de se conhecer as hist\u00f3rias de vida, de persegui\u00e7\u00e3o ou de mis\u00e9ria das pessoas envolvidas. Neste caso, as suspeitas e preconceitos est\u00e3o em contraste com o mandamento b\u00edblico de acolher, com respeito e solidariedade, o estrangeiro necessitado\u201d.<br \/>Na Arquidiocese do Rio de Janeiro temos o trabalho com os migrantes internacionais organizado pela Pastoral dos Migrantes, que procura acolher, encaminhar, orientar os que v\u00eam de outros pa\u00edses para aqui viver. Al\u00e9m disso, temos as migra\u00e7\u00f5es internas, que \u00e9 um trabalho que as pastorais sociais da Arquidiocese conduzem com muita clareza e caridade. Os problemas dos desalojados e problemas de habita\u00e7\u00e3o na grande cidade est\u00e3o com a Pastoral das Favelas e tamb\u00e9m com o Vicariato da Caridade Social que, de uma certa forma, congregam todas as v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es sociais da Arquidiocese.<br \/>Para o trabalho com os refugiados, de longa data j\u00e1 temos a Caritas Arquidiocesana, que, com seus relacionamentos nacionais e internacionais, procura responder \u00e0s necessidades daqueles que para c\u00e1 v\u00eam movidos por situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a ou persegui\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, de maneira extraordin\u00e1ria, a Caritas tamb\u00e9m tem atuado com os migrantes do Haiti, procurando acolh\u00ea-los e encaminh\u00e1-los.<br \/>Tudo isso \u00e9 feito com o pano de fundo crist\u00e3o, vivenciado nossa identidade cat\u00f3lica que procura amar o pr\u00f3ximo e acolher Cristo no pr\u00f3ximo sem fazer proselitismo, respeitando a f\u00e9 daqueles que aqui aportam. Queremos fazer o bem como crist\u00e3os, por\u00e9m respeitando a diversidade cultural e religiosa de cada pessoa.\u00a0 Como crist\u00e3os vamos al\u00e9m da lei do refugiado, pois procuramos colocar em pr\u00e1tica o mandamento de Jesus de amor ao pr\u00f3ximo.<br \/>Fazendo uma breve abordagem sobre a situa\u00e7\u00e3o dos refugiados no mundo, e segundo dados do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados, divulgados por ocasi\u00e3o do Dia Mundial dos Refugiados do ano passado, temos informa\u00e7\u00e3o de que existe no mundo um total de 51.2 milh\u00f5es de deslocados for\u00e7ados, que representa um grande n\u00famero de pessoas necessitadas de ajuda, com implica\u00e7\u00f5es tanto para os or\u00e7amentos de ajuda internacional de doadores das na\u00e7\u00f5es mundiais, como para a absor\u00e7\u00e3o e as capacidades de hospedagem dos pa\u00edses que se encontram na linha de frente das crises de refugiados. <br \/>Os dados de deslocamentos abarcam refugiados, requerentes de asilo e deslocados internos. Entre esses, o n\u00famero de refugiados totalizou 16.7 milh\u00f5es de pessoas no mundo, dos quais 11.7 milh\u00f5es est\u00e3o sob os cuidados do ACNUR e o restante est\u00e1 sob os ausp\u00edcios da Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Assist\u00eancia aos Refugiados da Palestina (UNRWA). Este total \u00e9 o mais alto do ACNUR desde 2001. Vale acrescentar que mais da metade dos refugiados sob os cuidados do ACNUR (6.3 milh\u00f5es) estavam, no final de 2013, no ex\u00edlio h\u00e1 mais de cinco anos. <br \/>No geral, as maiores popula\u00e7\u00f5es de refugiados sob os cuidados do ACNUR por pa\u00eds de origem s\u00e3o afeg\u00e3os, s\u00edrios e somalis \u2013 que juntos representam mais da metade do total mundial de refugiados. Paquist\u00e3o, Ir\u00e3 e L\u00edbano, por sua vez, acolhem mais refugiados que outros pa\u00edses. <br \/>Agrava-se nestes \u00faltimos tempos a cat\u00e1strofe humana de milhares de migrantes e refugiados que padecem em barcos na travessia do Mar Mediterr\u00e2neo, muitas vezes ao encontro da morte. Estes acidentes, como por exemplo, os da Ilha de Lampedusa, t\u00eam chocado a opini\u00e3o p\u00fablica, e desafiam a comunidade internacional na busca de solu\u00e7\u00f5es para evitar a perda de tantas vidas. S\u00e3o urgentes n\u00e3o s\u00f3 as medidas de intensifica\u00e7\u00e3o dos resgates no mar, como tamb\u00e9m o estabelecimento de vias legais de entrada na Europa, tudo isso visando \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de futuras trag\u00e9dias. O Papa Francisco esteve presente na ilha de Lampedusa e v\u00e1rias vezes fez refer\u00eancia a essas trag\u00e9dias no Mar Mediterr\u00e2neo. Assistimos tamb\u00e9m com tristeza ao fechamento de muitos pa\u00edses ao acolhimento dos necessitados que fogem com medo de seus pa\u00edses e, quando n\u00e3o encontram a morte no mar, acabam se deparando com a rejei\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses \u201cdesenvolvidos\u201d.<br \/>Al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com o acolhimento aos refugiados \u00e9 preciso erradicar, com a mesma urg\u00eancia, as raz\u00f5es que impelem popula\u00e7\u00f5es inteiras a deixarem sua terra natal, fugindo de guerras, fome e persegui\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 uma tarefa imensa, pois os movimentos migrat\u00f3rios assumiram tais propor\u00e7\u00f5es que s\u00f3 uma colabora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e concreta, envolvendo os Estados e as Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais, poder\u00e1 alcan\u00e7ar solu\u00e7\u00f5es para o problema. <br \/>Assim se expressou o Alto Comiss\u00e1rio Antonio Guterres: &#8220;A comunidade internacional tem que superar suas diferen\u00e7as e encontrar solu\u00e7\u00f5es para os conflitos de hoje no Sud\u00e3o do Sul, na S\u00edria, na Rep\u00fablica Centro-Africana e em diversos outros lugares. Doadores n\u00e3o tradicionais necessitam dar passos ao lado dos doadores tradicionais. Como muitas pessoas se encontram deslocadas hoje em dia, os n\u00fameros representam popula\u00e7\u00f5es de pa\u00edses m\u00e9dios e grandes como Col\u00f4mbia ou Espanha, \u00c1frica do Sul ou Cor\u00e9ia do Sul&#8221;. <br \/>O Brasil \u00e9 signat\u00e1rio dos principais tratados internacionais de direitos humanos e \u00e9 parte da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados e do seu Protocolo de 1967. O pa\u00eds promulgou, em julho de 1997, a sua lei de ref\u00fagio (n\u00ba 9.474\/97), contemplando os principais instrumentos regionais e internacionais sobre o tema. A lei adota a defini\u00e7\u00e3o ampliada de refugiado estabelecida na Declara\u00e7\u00e3o de Cartagena de 1984, que considera a \u201cviola\u00e7\u00e3o generalizada de direitos humanos\u201d como uma das causas de reconhecimento da condi\u00e7\u00e3o de refugiado. <br \/>A lei brasileira de ref\u00fagio criou o Comit\u00ea Nacional para os Refugiados (CONARE), um \u00f3rg\u00e3o interministerial presidido pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e que lida principalmente com a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para refugiados no pa\u00eds, com a elegibilidade, mas tamb\u00e9m com a integra\u00e7\u00e3o local de refugiados. A lei garante documentos b\u00e1sicos aos refugiados, incluindo documento de identifica\u00e7\u00e3o e de trabalho, al\u00e9m da liberdade de movimento no territ\u00f3rio nacional e de outros direitos civis. <br \/>Todas as solicita\u00e7\u00f5es de ref\u00fagio apresentadas no Brasil s\u00e3o analisadas e decididas pelo CONARE, que \u00e9 composto por representantes dos minist\u00e9rios da Justi\u00e7a, das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, da Educa\u00e7\u00e3o, do Trabalho e da Sa\u00fade, al\u00e9m de representantes da Pol\u00edcia Federal, da Caritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, como titular, e da Caritas Arquidiocesana de S\u00e3o Paulo e do Instituto de Migra\u00e7\u00e3o e Direitos Humanos. O ACNUR \u00e9 parte do comit\u00ea apenas com direito a voz.<br \/>Dados do CONARE de outubro de 2014 indicam que o Brasil tem 7.289 refugiados reconhecidos pelo Governo Brasileiro, e mais 8.302 solicitantes de refugio aguardando decis\u00e3o.<br \/>Em vista da relev\u00e2ncia do trabalho com os refugiados acolhidos pela C\u00e1ritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, \u00e9 bom recordar que o acolhimento e o compromisso com os pobres faz parte de nossa vida como Igreja, por\u00e9m os trabalhos mais organizados tem uma data que iniciam e come\u00e7am a desenvolver.\u00a0 <br \/>A Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro come\u00e7ou o trabalho com refugiados em abril de 1976, atendendo refugiados procedentes da Argentina, Chile e Uruguai. O Cardeal D. Eugenio Sales, ent\u00e3o Arcebispo, informou as autoridades militares da \u00e9poca que iria come\u00e7ar esta atividade e que estava entregando a tarefa \u00e0 Caritas Arquidiocesana, bra\u00e7o social da Arquidiocese, por\u00e9m sob sua responsabilidade. Era impens\u00e1vel alguma a\u00e7\u00e3o como esta em fun\u00e7\u00e3o de os candidatos a ref\u00fagio serem considerados subversivos, sendo alguns deles procurados internacionalmente. Em agosto do mesmo ano, o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados iniciou suas atividades no Brasil, reconhecendo os solicitantes de ref\u00fagio sob mandato do ACNUR, dando-lhes prote\u00e7\u00e3o internacional e conseguindo um terceiro pa\u00eds que os recebesse. At\u00e9 1988 passaram pela C\u00e1ritas em torno de 5.000 pessoas oriundas destes tr\u00eas pa\u00edses. O atendimento a refugiados at\u00e9 2008 era realizado no Pal\u00e1cio S\u00e3o Joaquim. Hoje continua em sua sede na Catedral Metropolitana.<\/p>\n<p>Com dados de Dezembro de 2014, a nossa entidade tinha computado o atendimento a 6.547 pessoas, dos quais 3.212 refugiados e os demais (3.335) solicitantes. Desses 22% s\u00e3o mulheres e os demais (78%) do sexo masculino.<br \/>E elas s\u00e3o de mais de 60 diferentes nacionalidades. Entre as principais nacionalidades est\u00e3o: Angola, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Col\u00f4mbia e S\u00edria. Atualmente o fluxo migrat\u00f3rio tem sido principalmente da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Bangladesh, Senegal e S\u00edria. E\u00a0 nesses dados n\u00e3o est\u00e1 computado o trabalho da Pastoral do Migrante e nem mesmo o da Caritas com o acolhimento dos haitianos. Trabalho realizado sempre com a caridade crist\u00e3 e respeitando a convic\u00e7\u00e3o de cada pessoa que aqui aporta.<br \/>O trabalho da C\u00e1ritas ele tem quatro importantes vertentes: a) acolhida;\u00a0 b) prote\u00e7\u00e3o legal;\u00a0 c) integra\u00e7\u00e3o e\u00a0 d) articula\u00e7\u00e3o. <br \/>\u00c9 sempre bom lembrar que este trabalho se d\u00e1 com profissionais, em geral assistentes sociais. O clima \u00e9 de quem \u00e9 crist\u00e3o e acolhe a todos, al\u00e9m de profissionais com o amor e caridade crist\u00e3, por\u00e9m sem fazer proselitismo e respeitando a todos em suas convic\u00e7\u00f5es.<br \/>Isto significa que o trabalho tem sido de receber e dar as primeiras orienta\u00e7\u00f5es aos solicitantes de ref\u00fagio, acompanh\u00e1-los nos primeiros passos na cidade e, em seguida, ampar\u00e1-los durante seu processo de ref\u00fagio, dando assessoria jur\u00eddica adequada. Ao mesmo tempo, a equipe tem, desde os primeiros momentos, tomado as medidas necess\u00e1rias para que eles tenham acesso \u00e0 cidadania, ao trabalho, \u00e0 sa\u00fade e a todos os direitos previstos. E, por \u00faltimo, o trabalho tem sido de sensibilizar a sociedade, convencer as autoridades e reunir for\u00e7as em torno do tema.<br \/>A integra\u00e7\u00e3o na sociedade \u00e9 o tema mais complexo, pois envolve problemas como moradia, idioma, adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura, rela\u00e7\u00f5es de trabalho, recursos financeiros para se movimentar, entre outros. H\u00e1 limita\u00e7\u00e3o dos recursos oriundos do ACNUR e do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<br \/>O protocolo de inten\u00e7\u00f5es celebrado entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e a Caritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro j\u00e1 resultou no recebimento de subs\u00eddios oriundos de Termos de Ajustamento de Conduta, que possibilitou a C\u00e1ritas aumentar o atendimento para que possa enfrentar a quest\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o dos refugiados, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho. Isso nos deu oportunidade de aumentar o n\u00famero de salas e hor\u00e1rios para ministrar aulas de portugu\u00eas aos refugiados. Temos tamb\u00e9m esperan\u00e7a em obter mais um para aplicarmos em um novo alojamento provis\u00f3rio.<br \/>A posi\u00e7\u00e3o da Igreja sempre foi de solicitude pelos mais pobres e abandonados, pois foi esse o exemplo que Jesus nos deixou. Esta tem sido tamb\u00e9m a t\u00f4nica que o Papa Francisco tem dado ao seu pontificado. Suas preocupa\u00e7\u00f5es com os refugiados, perseguidos, famintos, pobres, abandonados, esquecidos, ou, como ele mesmo diz, com as periferias existenciais do mundo. Al\u00e9m de todos esses trabalhos, temos muitos outros nas v\u00e1rias quest\u00f5es sociais, como povo de rua, dependentes qu\u00edmicos, encarcerados, menores privados de liberdade e tantos outros. Muitos n\u00e3o conhecem esse trabalho, pois n\u00e3o se d\u00e1 muita divulga\u00e7\u00e3o. Mas o fazemos com muito carinho, procurando dar nossa colabora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 para que esse mundo seja melhor e mais justo. Jesus tamb\u00e9m nos ensinou a reconhecer o seu pr\u00f3prio rosto nos mais sofredores, pois se identifica com todas as v\u00edtimas inocentes da viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o: \u00abTive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na pris\u00e3o e viestes a mim\u00bb (Mt 25, 35-36). Isso faz nossa diferen\u00e7a no atendimento \u00e0s pessoas. O carinho e a generosidade de nossos agentes s\u00e3o assim inspirados para fazer o melhor pelo pr\u00f3ximo.<br \/>O Senhor nos chama a partilhar os recursos com os mais carentes, por vezes renunciando um pouco ao que temos para coloc\u00e1-lo a servi\u00e7o dos outros e, assim, reduzir as dist\u00e2ncias que nos separam dos dramas humanos. Isso nos faz carrear recursos com coletas e doa\u00e7\u00f5es para esses trabalhos, muitas vezes renunciando a tantas necessidades que uma Arquidiocese tem, para realizar sua miss\u00e3o evangelizadora e cuidar do povo que acredita e que necessita de atendimentos v\u00e1rios. <br \/>Hoje, os migrantes e refugiados est\u00e3o entre os mais vulner\u00e1veis e marginalizados das nossas sociedades. Procuram deixar para tr\u00e1s duras condi\u00e7\u00f5es de vida e perigos de toda esp\u00e9cie, mas, frequentemente, v\u00e3o encontrar rejei\u00e7\u00e3o, preconceito e impedimentos sociais e legais que n\u00e3o lhes permitem viver com dignidade, quando n\u00e3o perecem em \u00e1rduas viagens.<br \/>Nossa voca\u00e7\u00e3o, enquanto crist\u00e3os, \u00e9 para a caridade. Nosso Senhor nos conferiu a miss\u00e3o de evangelizar os povos, o que significa transpor fronteiras e promover unidade, o que supera a mera toler\u00e2ncia. Esta \u00e9 a \u201ccultura do encontro\u201d, da qual tanto nos fala o Papa Francisco e que nos parece a \u00fanica forma de assegurar a conviv\u00eancia harmoniosa entre pessoas de diferentes origens e culturas. <br \/>Recordo ainda outro trecho da mensagem de Sua Santidade pelo Dia Mundial do Migrante e do Refugiado \u2013 2015:<br \/> \u201c\u00c0 globaliza\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno migrat\u00f3rio \u00e9 preciso responder com a globaliza\u00e7\u00e3o da caridade e da coopera\u00e7\u00e3o, a fim de se humanizar as condi\u00e7\u00f5es dos migrantes. \u00c0 solidariedade para com os migrantes e os refugiados h\u00e1 que unir a coragem e a criatividade necess\u00e1rias para desenvolver, a n\u00edvel mundial, uma ordem econ\u00f4mico-financeira mais justa e equitativa, juntamente com um maior empenho a favor da paz, condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel de todo verdadeiro progresso\u201d.<br \/>A Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro tem uma s\u00f3lida tradi\u00e7\u00e3o no trabalho com os refugiados, reconhecido no Brasil e internacionalmente. Isso se insere em nosso trabalho social, cultural, com os migrantes e todas as demais situa\u00e7\u00f5es de marginaliza\u00e7\u00e3o nas periferias existenciais da sociedade. E isso com alegria crist\u00e3 e sem fazer proselitismo.<br \/>Diante, tamb\u00e9m, da grave situa\u00e7\u00e3o mundial no que se refere ao problema, \u00e9 nosso desejo prosseguir com as iniciativas j\u00e1 assumidas e at\u00e9 mesmo intensific\u00e1-las, na medida das nossas possibilidades. Para isto, queremos reafirmar nossa disponibilidade em cooperar com as entidades com as quais j\u00e1 trabalhamos, de forma que possamos perseguir o ideal que a Igreja nos prop\u00f5e, sob o ensinamento do Papa Francisco, de construir um mundo melhor, em que todos possam viver segundo a sua dignidade de filhos de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comemoramos no dia 19 de junho o Dia Mundial do Refugiado, em \u00e2mbito civil, e no dia 21 de junho, o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, em \u00e2mbito da Igreja, e recebemos a mensagem especial do Papa Francisco para este dia. Estamos tamb\u00e9m na 30\u00aa Semana Nacional do Migrante. 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