{"id":58871,"date":"2020-05-04T08:44:05","date_gmt":"2020-05-04T11:44:05","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=58871"},"modified":"2020-05-04T01:45:26","modified_gmt":"2020-05-04T04:45:26","slug":"rumo-a-um-dia-das-maes-sem-consumismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/rumo-a-um-dia-das-maes-sem-consumismo\/","title":{"rendered":"Rumo a um Dia das M\u00e3es sem consumismo"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Esse pode ser um Dia das M\u00e3es especial, onde nos damos conta do quanto a mentalidade consumista e o individualismo moderno nos impedem de saborear a riqueza dos relacionamentos familiares<\/h2>\n<div class=\"base-post-content\">Ocristianismo, em sua sabedoria milenar, instituiu per\u00edodos de prepara\u00e7\u00e3o (a Quaresma e o Advento) para suas grandes festas (P\u00e1scoa e Natal). Nosso cora\u00e7\u00e3o e nossa intelig\u00eancia precisam desses tempos para se colocarem numa postura adequada para saborear as festas. Num senso bem mais profano, as festas populares tamb\u00e9m t\u00eam seu tempo de prepara\u00e7\u00e3o, informal e geralmente usado para os preparativos da festa. Antes do Dia das M\u00e3es, a prepara\u00e7\u00e3o normalmente se concentra na procura do presente adequado e na escolha e prepara\u00e7\u00e3o do card\u00e1pio familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ano, com quarentena na maior parte do Pa\u00eds, as coisas ser\u00e3o um pouco diferentes para a maioria de n\u00f3s. O isolamento social nos afasta das matriarcas, agora \u201cpopula\u00e7\u00e3o de risco\u201d, ao mesmo tempo que d\u00e1 a muitas jovens m\u00e3es trabalhadoras uma possibilidade in\u00e9dita (e complicada) de uma longa conviv\u00eancia com seus filhos pequenos. Os servi\u00e7os online podem suprir em parte as compras nas lojas, mas pode-se constatar uma redu\u00e7\u00e3o no volume de propagandas e no movimento consumista que normalmente antecede essa data.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teremos um Dia das M\u00e3es menos consumista e no qual todos, m\u00e3es e filhos, ter\u00e3o a chance de refletir sobre o significado da maternidade \u2013 e isso \u00e9 muito, muito bom. O aumento do consumo nessa \u00e9poca n\u00e3o \u00e9 um mal em si. Nesse sentido, precisamos at\u00e9 superar certos moralismos que atrapalham a festa. Presentear \u00e9 uma forma de demonstrar afeto e considera\u00e7\u00e3o em praticamente todas as culturas humanas. A alegria da festa tamb\u00e9m sempre se expressa em refei\u00e7\u00f5es especiais. \u00c9 natural e justo que os presentes (os quais n\u00e3o implicam sempre em compras) e as grandes refei\u00e7\u00f5es familiares se multipliquem nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema reside em nossa dificuldade de expressar afeto e considera\u00e7\u00e3o sem recorrer a objetos, \u00e0 tend\u00eancia de avaliar uma rela\u00e7\u00e3o pelo pre\u00e7o do presente, de fazer a festa sem antes ir se reconciliar sinceramente com o irm\u00e3o (cf. Mt 5, 19). Por isso, uma comemora\u00e7\u00e3o na qual a reuni\u00e3o festiva e as compras est\u00e3o comprometidas pode ser uma oportunidade para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O amor desencontrado<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tempos atuais, falamos muito de amor, mas somos cada vez mais deseducados a amar. Bento XVI, na\u00a0<i>Deus caritas est<\/i>\u00a0(DCE 3-8), lembra que come\u00e7amos a amar desejando algo bom para n\u00f3s \u2013 como a crian\u00e7a quer a m\u00e3e e o adolescente deseja a namorada. Este \u00e9 o\u00a0<i>eros<\/i>. Contudo, \u00e0 medida que amadurecemos, percebemos que s\u00f3 isso n\u00e3o basta para nos satisfazer. O impulso er\u00f3tico acaba por tentar se apoderar da pessoa amada, privando-a de liberdade, e frustrando o pr\u00f3prio amante. O amor, para crescer, continua Bento XVI, deve evoluir para se tornar doa\u00e7\u00e3o (\u00e1gape). \u00c9 a experi\u00eancia do casal, que deseja primeiro o bem um do outro e depois a doa\u00e7\u00e3o a um outro, o filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O individualismo cada vez maior de nossa cultura, contudo, vem acompanhado de uma imaturidade afetiva crescente. \u00c9 cada vez mais dif\u00edcil o\u00a0<i>eros<\/i>\u00a0evoluir para \u00e1gape. As rela\u00e7\u00f5es interpessoais deixam de ser regidas pelo afeto e se tornam \u201ccontratos\u201d, onde um d\u00e1 ao outro em fun\u00e7\u00e3o daquilo que recebe. Quando a reciprocidade \u00e9 quebrada, quando um n\u00e3o corresponde mais \u00e0s expectativas do outro, o contrato deve ser quebrado, segundo essa mentalidade \u2013 \u00e9 o drama de tantos relacionamentos destru\u00eddos em nossa sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a \u201cd\u00favida sistem\u00e1tica\u201d, que seria um valor ineg\u00e1vel quando usada pelo m\u00e9todo cient\u00edfico, n\u00e3o sabe trabalhar com a contradi\u00e7\u00e3o inerente ao ser humano, que n\u00e3o faz o bem que quer, mas sim o mal que n\u00e3o quer (cf. Ro 7, 19). Ningu\u00e9m sabe amar perfeitamente ou consegue ser sempre coerente ao amor que sente. Para a mentalidade atual, contudo, essa contradi\u00e7\u00e3o lan\u00e7a uma d\u00favida sobre a pr\u00f3pria exist\u00eancia do amor. N\u00e3o conseguimos amar como gostar\u00edamos, mas cobramos que os outros nos amem como gostar\u00edamos \u2013 e quando as coisas n\u00e3o acontecem segundo nosso projeto passamos a duvidar do pr\u00f3prio amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num mundo que n\u00e3o sabe amar, a doa\u00e7\u00e3o se confunde com subservi\u00eancia, a dedica\u00e7\u00e3o e a preocupa\u00e7\u00e3o com o bem do outro com cobran\u00e7a ou controle. O justo desejo de superar os limites do autoritarismo patriarcal se torna um questionamento sobre a pr\u00f3pria ess\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es familiares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Maternidade e compreens\u00e3o do amor<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse pode ser um Dia das M\u00e3es especial, onde nos damos conta do quanto a mentalidade consumista e o individualismo moderno nos impedem de saborear a riqueza dos relacionamentos familiares, redescobrir o amor humano, t\u00e3o belo quanto contradit\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com propriedade, o Papa Jo\u00e3o Paulo I\u00a0lembrava\u00a0que Deus \u00e9 pai, mas tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e. A maternidade \u00e9, sem d\u00favida, o \u00faltimo e mais forte baluarte da gratuidade poss\u00edvel mesmo com os limites do amor humano. Sem a compreens\u00e3o dessa riqueza, viveremos uma sociedade reduzida ao c\u00e1lculo e a interesses individualistas, incapaz de compreender a ternura e o dom de si necess\u00e1rios \u00e0 plena realiza\u00e7\u00e3o da pessoa humana. N\u00e3o percamos essa chance, uma das tantas que Deus nos d\u00e1 nesse tempo de pandemia \u2013 pois Ele pode fazer um bem maior surgir do pr\u00f3prio mal.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse pode ser um Dia das M\u00e3es especial, onde nos damos conta do quanto a mentalidade consumista e o individualismo moderno nos impedem de saborear a riqueza dos relacionamentos familiares Ocristianismo, em sua sabedoria milenar, instituiu per\u00edodos de prepara\u00e7\u00e3o (a Quaresma e o Advento) para suas grandes festas (P\u00e1scoa e Natal). 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