{"id":5874,"date":"2015-06-08T16:28:13","date_gmt":"2015-06-08T19:28:13","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-rio-de-gente-com-luzes-nas-maos\/"},"modified":"2017-04-10T10:27:00","modified_gmt":"2017-04-10T13:27:00","slug":"um-rio-de-gente-com-luzes-nas-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-rio-de-gente-com-luzes-nas-maos\/","title":{"rendered":"Um rio de gente com luzes nas m\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Foi encantadora a festa. Podia se respirar o clima de f\u00e9, de ora\u00e7\u00e3o, de adora\u00e7\u00e3o a Deus, al\u00e9m da genu\u00edna fraternidade reinante naquela imensa comunidade que percorria a Avenida Rio Branco, art\u00e9ria principal de Juiz de Fora. Levando velas acesas nas m\u00e3os, era como um rio de luzes que ia serena e exuberantemente se desenvolvendo rumo \u00e0 linda Catedral. Ao som de hinos, variadas can\u00e7\u00f5es religiosas e aclama\u00e7\u00f5es, a multid\u00e3o parecia ter um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma, no dizer de Lucas ao descrever o esp\u00edrito reinante entre os primeiros crist\u00e3os (Cf Atos 4, 32 ss). Nas bandeirinhas brancas que tamb\u00e9m empunhavam, e \u00e0s vezes agitavam, se podia ler as palavras Somos da Paz, pois \u00e9 Ano da Paz.\u00a0 Era festa de Corpus Christi, o louvor p\u00fablico no qual os f\u00e9is proclamam sua f\u00e9 na presen\u00e7a viva de Jesus que continua interruptamente caminhando com aqueles que nele cr\u00eaem e o amam. <br \/> A presen\u00e7a Eucar\u00edstica \u00e9 algo forte, imorredouro e infinito. N\u00e3o \u00e9 apenas simb\u00f3lica, \u00e9 mais que isto. \u00c9 real, embora invis\u00edvel. \u00c9 viva, mas m\u00edstica. Os \u00faltimos momentos de Cristo na terra ficaram marcados para sempre no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos e estes o transmitiram aos seus sucessores no caminhar da hist\u00f3ria. Os gestos e palavras do Mestre de Nazar\u00e9 na \u00faltima Ceia, o mart\u00edrio no Calv\u00e1rio, a ressurrei\u00e7\u00e3o do domingo pascal nunca sair\u00e3o da mente daqueles que nele cr\u00eaem. Tais momentos pascais ficaram t\u00e3o vivamente gravados no cora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is da Igreja primitiva que os tr\u00eas evangelistas sin\u00f3ticos a descrevem quase com os mesmos voc\u00e1bulos (Cf. Mc 14, 22-23; Lc 22, 14-20; Mt 26, 26-28). Todos eles afirmam que Jesus, tendo o p\u00e3o em suas m\u00e3os, disse, mutatis mutandis, estas palavras: \u2018Tomai e comei, Isto \u00e9 o meu Corpo\u2019 e sobre o c\u00e1lice disse \u2018Isto \u00e9 o meu sangue, o sangue da alian\u00e7a, que \u00e9 derramado em favor de muitos\u2019. Sua presen\u00e7a eucar\u00edstica se faz t\u00e3o robusta, que se torna em algo que \u00e9 mais que natural, \u00e9 sobrenatural. N\u00e3o \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 l\u00f3gica, mas a supera.<br \/>S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista registra um maravilhoso serm\u00e3o de Cristo sobre Eucaristia, onde se l\u00ea: \u201cMinha carne \u00e9 verdadeira comida, meu sangue verdadeira bebida; quem come deste p\u00e3o e bebe deste c\u00e1lice permanece em mim e eu nele\u201d (Jo 6, 56-57).<br \/> O testemunho de Paulo aos Cor\u00edntios \u00e9 tamb\u00e9m de fundamental import\u00e2ncia: Na noite em que ia ser entregue, o Senhor Jesus tomou o p\u00e3o, e depois de dar gra\u00e7as, partiu-o e disse: Isto \u00e9 o meu corpo entregue por v\u00f3s. Fazei isto em mem\u00f3ria de mim.\u201d (I Cor 11, 23-24). <br \/>A doutrina da presen\u00e7a real de Cristo nas esp\u00e9cies do p\u00e3o e do vinho eucaristizados encontra nas gera\u00e7\u00f5es posteriores integralmente fi\u00e9is aos Ap\u00f3stolos, total acolhimento. O Bispo In\u00e1cio de Antioquia, antes do ano 100, escreveu a respeito de hereges: \u201cEles se abst\u00e9m da Eucaristia e da ora\u00e7\u00e3o, porque eles n\u00e3o admitem que a Eucaristia seja a carne de Nosso Salvador, Jesus Cristo, que padeceu pelos nossos pecados\u201d.\u00a0 Justino, em carta que dirigiu ao Imperador Antonino no s\u00e9culo 2\u00ba, registrou: \u201cA Eucaristia n\u00f3s n\u00e3o a recebemos como p\u00e3o comum, ou como bebida comum, mas como fomos ensinados, recebemo-la como Corpo e Sangue de Jesus feito homem\u201d. Tamb\u00e9m Irineu de Lion (130-202) e Tertuliano de Cartago (160-220) tiveram palavras claras sobre a presen\u00e7a real de Jesus na Eucaristia. Cirilo de Jerusal\u00e9m, no s\u00e9culo 4\u00ba, perguntava: \u201cUma vez que o Senhor disse sobre o p\u00e3o: isto \u00e9 o meu Corpo, quem se atrever\u00e1 a p\u00f4r isto em d\u00favida, que seja ou n\u00e3o? E tendo Ele nos assegurado que o vinho se transforma em seu Sangue, quem poder\u00e1 contradizer que n\u00e3o \u00e9 o Sangue do Senhor?\u201d<br \/>Muitos outros autores escreveram sobre esta mesma verdade seja nos primeiros tempos do cristianismo, seja nas idades sucessivas da hist\u00f3ria, conservando a certeza indefect\u00edvel da Igreja nesta doutrina dada t\u00e3o claramente pelo pr\u00f3prio Jesus. De fundamental import\u00e2ncia s\u00e3o as teses de S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino (1225-1274), o maior dos te\u00f3logos medievais, sobre o fen\u00f4meno da transubstancia\u00e7\u00e3o.<br \/>Nas prociss\u00f5es eucar\u00edsticas, os fi\u00e9is, novos disc\u00edpulos de Cristo, continuam, exultantes proclamando que ele caminha com eles, alimenta-os na f\u00e9 e os fortifica no amor. Nutre sua fome de paz e os robustece na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e fraterno, onde n\u00e3o falte p\u00e3o para ningu\u00e9m, nem o p\u00e3o espiritual e nem o p\u00e3o material, preparando-os para a conviv\u00eancia perp\u00e9tua no Reino definitivo do c\u00e9u, o banquete infinito dos anjos e dos santos, onde tudo se reger\u00e1 pelo perfeito amor divino. <br \/> A festa continua em cada cora\u00e7\u00e3o de retorno \u00e0 sua comunidade, para l\u00e1 celebrar a mesma realidade no dia a dia da f\u00e9 e do amor que vem de Deus: a Eucaristia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi encantadora a festa. Podia se respirar o clima de f\u00e9, de ora\u00e7\u00e3o, de adora\u00e7\u00e3o a Deus, al\u00e9m da genu\u00edna fraternidade reinante naquela imensa comunidade que percorria a Avenida Rio Branco, art\u00e9ria principal de Juiz de Fora. 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