{"id":58221,"date":"2020-04-11T08:44:49","date_gmt":"2020-04-11T11:44:49","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=58221"},"modified":"2020-04-08T12:46:35","modified_gmt":"2020-04-08T15:46:35","slug":"na-pandemia-uma-igreja-sempre-samaritana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/na-pandemia-uma-igreja-sempre-samaritana\/","title":{"rendered":"NA PANDEMIA, UMA IGREJA SEMPRE SAMARITANA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nossa gera\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada por profundas e abruptas mudan\u00e7as e at\u00e9 mesmo rupturas culturais, pol\u00edticas, sociais e morais, que se manifestam na sociedade como descontinuidade de todos os nossos referenciais do passado. Ora, a Palavra de Deus nos ensina que jamais se deve dizer \u201ccomo pode ser que os dias de outrora eram melhores que estes de agora? Pois esta pergunta n\u00e3o \u00e9 inspirada pela sabedoria\u201d (Eclesiastes 7,10). N\u00e3o se trata de desprezar o tempo passado, que \u00e9 base de refer\u00eancia e constru\u00e7\u00e3o para o tempo presente, mas fato \u00e9 que saudosismos n\u00e3o ajudam a resolver as dificuldades da atualidade. Cada \u00e9poca possui os seus pr\u00f3prios desafios e oportunidades. E parece-nos que o grande desafio deste nosso tempo de descontinuidades, talvez seja a pandemia da Covid-19, comparada por muitos como uma esp\u00e9cie de \u201cTerceira Guerra Mundial\u201d a mobilizar todos os grandes e pequenos atores do globo, por\u00e9m agora contra um inimigo invis\u00edvel, um v\u00edrus, o novo coronav\u00edrus. E em meio a este novo desafio de dimens\u00f5es incomensur\u00e1veis, qual tem sido o papel da Igreja? Que oportunidades surgem para ela?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, em uma \u00e9poca de tremendas rupturas, a Igreja continua a exercer o seu protagonismo prof\u00e9tico na continuidade dos atos libertadores de Jesus, compendiados no an\u00fancio do Reino de Deus. Foi precisamente para isso que Ele veio ao mundo. E manter-se na continuidade de seu minist\u00e9rio salv\u00edfico \u00e9 express\u00e3o m\u00e1xima de fidelidade ao Senhor. Mas, ao an\u00fancio do Reino feito pelo Salvador, acompanhavam os seus sinais, ou seja, curas, exorcismos, milagres e tantos outros prod\u00edgios, que davam autoridade \u00e0 prega\u00e7\u00e3o de Jesus e evidenciava o dom\u00ednio e a for\u00e7a de Deus n\u2019Ele presentes, de modo que o reino do pr\u00edncipe deste mundo perdia for\u00e7a e crescia em meio aos homens o Reino de Deus. Entretanto, todos os sinais realizados por Jesus t\u00eam por fundamento o amor de seu cora\u00e7\u00e3o pelos pobres em toda a plenitude da express\u00e3o. Jesus em sua vida terrena teve a iniciativa de se aproximar dos pecadores p\u00fablicos, dos enfermos, dos miser\u00e1veis; fiel ao seu Senhor, a Igreja segue continuamente este mesmo caminho ao longo de toda a sua hist\u00f3ria. Ela fundou hospitais, orfanatos, creches, dispens\u00e1rios, escolas, universidades, etc. Ao longo destes 20 s\u00e9culos de exist\u00eancia, a Igreja Cat\u00f3lica tem sido a maior institui\u00e7\u00e3o de caridade j\u00e1 vista na hist\u00f3ria da humanidade, a levar conforto e esperan\u00e7a para aqueles que mais sofrem; muitos, inclusive, dependem unicamente dela para sobreviver. Quando a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa no s\u00e9culo XVIII come\u00e7ou a propagar no Ocidente os seus ideais revolucion\u00e1rios de igualdade, fraternidade e liberdade, a Igreja j\u00e1 o fazia desde seus primeiros dec\u00eanios. Quando a ONU come\u00e7ou a erguer a bandeira dos Direitos Humanos no p\u00f3s-guerra, a Igreja j\u00e1 defendia o valor inalien\u00e1vel da vida e da dignidade humanas desde a era apost\u00f3lica. Quando se fala em defesa dos mais pobres, da vida e da dignidade da pessoa humana, a Igreja n\u00e3o recebe li\u00e7\u00f5es. Ela \u00e9 mestra, especialista em humanidades e a mais profunda conhecedora do cora\u00e7\u00e3o humano em todos os seus valores e desvalores, estes, fruto da natureza deca\u00edda. Longe de querermos aqui tomar a Igreja como referencial para si mesma em todo o seu passado de incompreens\u00f5es e gl\u00f3rias, mas tamb\u00e9m pecados, ela \u00e9, antes de tudo, serva e imitadora d\u2019Aquele que \u00e9 o \u00fanico e verdadeiro referencial para toda a sua exist\u00eancia e miss\u00e3o. Miss\u00e3o, diga-se de passagem, verdadeiramente samaritana, por assim dizer, e confiada pelo pr\u00f3prio Senhor. Na pr\u00e1tica do amor ao pr\u00f3ximo, a Igreja n\u00e3o faz acep\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o, cor, nacionalidade e nem ideologia pol\u00edtica. Ela \u00e9 verdadeiramente sacramento da unidade e do encontro com o Ressuscitado, que antes mesmo de ressuscitar, sofreu dor, abandono e desprezo por parte dos homens, assim fazendo-se solid\u00e1rio com todos os que sofrem e apontando para a Igreja o caminho da cruz como o \u00fanico caminho de seu santo seguimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, ainda no in\u00edcio deste s\u00e9culo, o mundo se depara com a maior crise humanit\u00e1ria que esta gera\u00e7\u00e3o j\u00e1 viveu. E tamb\u00e9m agora, neste momento de tormenta, a barca da Igreja segue destemidamente rumo \u00e0s \u00e1guas mais profundas, pois \u00e9 a\u00ed onde ela deve lan\u00e7ar as suas redes na presen\u00e7a do Senhor. \u00c9 a\u00ed onde ela vive e realiza a dial\u00e9tica da continuidade de sua miss\u00e3o redentora em fidelidade a Cristo, ao levar a Palavra, ou o an\u00fancio do Reino de Deus, juntamente com os sinais concretos do seu amor pelos pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Santo Padre, o Papa Francisco, no in\u00edcio de seu pontificado, dizia ver a Igreja como um verdadeiro hospital de campanha. Pois \u00e9! Somente agora temos no\u00e7\u00e3o do que de fato seja um hospital de campanha. Neste sentido, a Igreja, mesmo com os seus templos fechados, sem poder reunir as massas em grandes momentos celebrativos, e com dificuldades de toda ordem, continua a sua miss\u00e3o samaritana, de modo a todos acolher para servir, curar, confortar, libertar, redimir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outrossim, ela \u00e9 tamb\u00e9m capaz de lan\u00e7ar um olhar sobrenatural sobre a atual realidade em que vivemos. Esta pandemia, antes mesmo de assim ser classificada, chegou de modo avassalador ao Ocidente exatamente no tempo da Santa Quaresma, tempo do deserto espiritual da Igreja, em que ela \u00e9 chamada a intensificar tudo aquilo que j\u00e1 faz de modo ordin\u00e1rio em sua cotidianidade, ou seja, suas ora\u00e7\u00f5es, mortifica\u00e7\u00f5es e caridade. Ora, a pandemia da Covid-19, apela a nossa f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade exatamente para intensificarmos todos estes exerc\u00edcios que s\u00e3o, sobretudo, crist\u00e3os. De maneira que o corona v\u00edrus surge para n\u00f3s, por um lado, como verdadeira prova\u00e7\u00e3o quaresmal, mas por outro, como ocasi\u00e3o privilegiada para a santifica\u00e7\u00e3o e intensifica\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja, neste grave momento, de forma redobrada se empenha no servi\u00e7o e na evangeliza\u00e7\u00e3o dos pobres. Se tudo isso acontece durante a Quaresma, deve se estender ainda ao longo de boa parte deste ano dedicado em nossa arquidiocese \u00e0 miss\u00e3o apost\u00f3lica. Com efeito, esta pandemia tem despertado a criatividade do nosso clero e de todo o laicato, tamb\u00e9m chamado a exercer seu protagonismo na miss\u00e3o pastoral. Tenho visto muitas iniciativas de arrecada\u00e7\u00e3o de mantimentos, produtos de limpeza, higiene pessoal, distribui\u00e7\u00e3o de refei\u00e7\u00f5es para aqueles que n\u00e3o t\u00eam moradia, etc. E tudo isso sem mal conseguirmos tomar f\u00f4lego ap\u00f3s as campanhas que fizemos para socorrer os mais afetados pelas trag\u00e9dias provocadas por fortes chuvas nos \u00faltimos meses. De igual modo, h\u00e1 que se ressaltar tamb\u00e9m a criatividade de nossos sacerdotes que promovem a f\u00e9 e levam esperan\u00e7a \u00e0s pessoas neste dif\u00edcil momento, transmitindo pelas m\u00eddias digitais celebra\u00e7\u00f5es e momentos de ora\u00e7\u00e3o, e tendo ainda a coragem de levar a sagrada un\u00e7\u00e3o aos enfermos, inclusive aos infectados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, seja sob aplausos ou ultrajes, a Igreja segue firme e vibrante na sua sagrada miss\u00e3o de ser \u201cpovo messi\u00e2nico, fecund\u00edssima semente de unidade, de esperan\u00e7a e de salva\u00e7\u00e3o. Constitu\u00edda por Cristo para uma comunh\u00e3o de vida, de amor e de verdade, e por ele assumida para ser instrumento da reden\u00e7\u00e3o universal, enviada ao mundo inteiro como luz do mundo e sal da terra\u201d (Lumen Gentium, 9).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa gera\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada por profundas e abruptas mudan\u00e7as e at\u00e9 mesmo rupturas culturais, pol\u00edticas, sociais e morais, que se manifestam na sociedade como descontinuidade de todos os nossos referenciais do passado. 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