{"id":58049,"date":"2020-04-03T09:26:02","date_gmt":"2020-04-03T12:26:02","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=58049"},"modified":"2020-04-03T09:26:02","modified_gmt":"2020-04-03T12:26:02","slug":"frei-cantalamessa-mulher-este-e-o-teu-filho-maria-mae-dos-fieis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/frei-cantalamessa-mulher-este-e-o-teu-filho-maria-mae-dos-fieis\/","title":{"rendered":"Frei Cantalamessa: \u201cMulher, este \u00e9 o teu filho! Maria, m\u00e3e dos fi\u00e9is\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Nesta quarta media\u00e7\u00e3o da Quaresma, o capuchino reflete sobre os t\u00edtulos de Maria como \u201cM\u00e3e de Deus, \u201cM\u00e3e dos fi\u00e9is\u201d, \u201cM\u00e3e dos crist\u00e3os, como nossa M\u00e3e\u201d.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMulher, este \u00e9 o teu filho!\u201d Estas palavras que Jesus da cruz dirige \u00e0 sua m\u00e3e nortearam a quarta prega\u00e7\u00e3o da Quaresma 2020 do frei Raniero Cantalamessa, desta sexta-feira (03\/04).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa media\u00e7\u00e3o, o capuchino reflete sobre os t\u00edtulos de Maria como \u201cM\u00e3e de Deus, \u201cM\u00e3e dos fi\u00e9is\u201d, \u201cM\u00e3e dos crist\u00e3os, como nossa M\u00e3e\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cM\u00e3e de Deus\u201d \u00e9 um t\u00edtulo definido solenemente; baseia-se numa maternidade real, n\u00e3o s\u00f3 espiritual; tem um relacionamento muito estreito e, ali\u00e1s, necess\u00e1rio com a verdade central da nossa f\u00e9, que \u00e9 Jesus Deus e Homem na mesma pessoa. \u00c9 um t\u00edtulo universalmente aceito na Igreja. \u201cM\u00e3e dos fi\u00e9is\u201d, ou \u201cNossa M\u00e3e\u201d, \u00e9 t\u00edtulo que indica uma maternidade espiritual; tem um relacionamento menos estreito com a verdade central do Credo; n\u00e3o se pode dizer que tenha sido aceito no cristianismo \u201cem toda parte, sempre e por todos\u201d, mas reflete a doutrina e a piedade de algumas Igrejas, particularmente da Igreja cat\u00f3lica, mas n\u00e3o s\u00f3 dela\u201d, disse o frei capuchinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras de Jesus a Maria: \u201cMulher, este \u00e9 o teu filho\u201d, e a Jo\u00e3o: \u201cEsta \u00e9 a tua m\u00e3e\u201d, t\u00eam certamente, um significado imediato e concreto. Jesus entrega Maria a Jo\u00e3o e Jo\u00e3o a Maria.<b><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras de Jesus \u00e0s vezes descrevem algo j\u00e1 presente, isto \u00e9, revelam o que existe; \u00e0s vezes, criam e mandam existir o que exprimem. A esta segunda ordem pertencem as palavras de Jesus dirigidas a Maria e a Jo\u00e3o no momento da morte. Dizendo:\u00a0<i>Isto \u00e9 o meu corpo&#8230;<\/i>, Jesus transformou o p\u00e3o no seu corpo; assim tamb\u00e9m, com as devidas propor\u00e7\u00f5es, dizendo:\u00a0<i>Esta \u00e9 a tua m\u00e3e,<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Este \u00e9 o teu filho,<\/i>\u00a0Jesus constitui Maria m\u00e3e de Jo\u00e3o e Jo\u00e3o filho de Maria. Jesus n\u00e3o apenas proclamou a nova maternidade de Maria, mas a instituiu. Esta, pois, n\u00e3o vem de Maria, mas da Palavra de Deus; n\u00e3o se baseia no m\u00e9rito, mas na gra\u00e7a.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Maria no Concilio Vaticano II<b><\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doutrina tradicional cat\u00f3lica de Maria M\u00e3e dos crist\u00e3os recebeu uma nova formula\u00e7\u00e3o na Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica sobre a Igreja, Lumen Gentium, do Conc\u00edlio Vaticano II. O Conc\u00edlio tamb\u00e9m preocupou-se em determinar exatamente o sentido da maternidade de Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao lado do t\u00edtulo de Maria M\u00e3e de Deus e dos fi\u00e9is, a outra categoria fundamental que o Conc\u00edlio usou para esclarecer a fun\u00e7\u00e3o de Maria, \u00e9 a de modelo ou tipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm virtude da gra\u00e7a da divina maternidade e da miss\u00e3o pela qual ela est\u00e1 unida com seu Filho Redentor, e em virtude de suas singulares gra\u00e7as e fun\u00e7\u00f5es, a Bem-aventurada Virgem est\u00e1 tamb\u00e9m intimamente relacionada com a Igreja.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, o Conc\u00edlio, n\u00e3o sem sofrimentos e feridas, como \u00e9 inevit\u00e1vel nesses casos, atuava uma profunda renova\u00e7\u00e3o na mariologia dos \u00faltimos s\u00e9culos. O discurso sobre Maria j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 isolado, como se ela ocupasse uma posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre Cristo e a Igreja, mas \u00e9 reconduzido ao \u00e2mbito da Igreja, como tinha sido na \u00e9poca dos Santos Padres.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<aside class=\"article__readmore\">\n<div class=\"teaser--labelEvidence teaser teaser--type-article\">\n<article>\n<div class=\"teaser__labelWrapper\"><\/div>\n<div class=\"teaser__contentWrapper\">\n<div>Maria \u00e9 considerada, como dizia Sto. Agostinho, como o membro mais excelente da Igreja, mas um membro seu, n\u00e3o fora ou acima dela.<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois do Conc\u00edlio, S\u00e3o Paulo VI desenvolveu ulteriormente a ideia da maternidade de Maria a respeito dos fi\u00e9is, atribuindo a ela, expl\u00edcita e solenemente, o t\u00edtulo de M\u00e3e da Igreja.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">\u201cDaquela hora em diante, o disc\u00edpulo a acolheu consigo\u201d<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplar Maria como \u201cnossa m\u00e3e\u201d, requer uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica particular. \u201cN\u00e3o consiste, evidentemente, em imitar Maria, mas em acolh\u00ea-la. \u00a0Devemos imitar Jo\u00e3o, tomando Maria conosco em nossa vida\u201d, disse o frei Cantalamessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem pode dizer o que significou, para o disc\u00edpulo que Jesus amava, ter consigo Maria, em casa, dia e noite? Rezar com ela, com ela tomar as refei\u00e7\u00f5es, t\u00ea-la como ouvinte quando falava aos fi\u00e9is, celebrar com ela o mist\u00e9rio do Senhor? Pode-se pensar que Maria tenha vivido no c\u00edrculo do disc\u00edpulo que Jesus amava, sem ter tido nenhum influxo no lento trabalho de reflex\u00e3o e de aprofundamento que levou \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do Quarto Evangelho? Parece que, na antiguidade, Or\u00edgenes ao menos intuiu o segredo que h\u00e1 debaixo deste fato e ao qual os estudiosos e os cr\u00edticos do Quarto Evangelho e os pesquisadores das suas fontes n\u00e3o d\u00e3o, geralmente, nenhuma aten\u00e7\u00e3o. Ele escreve:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPrim\u00edcias dos Evangelhos \u00e9 o de Jo\u00e3o, cujo sentido profundo n\u00e3o pode colher quem n\u00e3o tenha colocado a cabe\u00e7a sobre o peito de Jesus e n\u00e3o tenha recebido dele Maria, como sua pr\u00f3pria m\u00e3e\u201d[1].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora n\u00f3s nos perguntamos: o que significa para n\u00f3s, concretamente, receber Maria em nossa casa? Este, creio, \u00e9 o lugar onde colocar o n\u00facleo s\u00f3brio e sadio da espiritualidade monfortina da entrega a Maria. Ela consiste em \u201cfazer todas as a\u00e7\u00f5es por meio de Maria, com Maria, em Maria e para Maria, para poder cumpri-las do modo mais perfeito por meio de Jesus, com Jesus, em Jesus e para Jesus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto \u00e9, num sentido espiritual, receber Maria consigo: receb\u00ea-la como companheira e conselheira, sabendo que ela conhece, melhor do que n\u00f3s, quais s\u00e3o os desejos de Deus a nosso respeito. Se aprendemos a consultar e a escutar Maria em todas as coisas, ela se torna para n\u00f3s a mestra incompar\u00e1vel dos caminhos de Deus, mestra que ensina interiormente, sem barulho de palavras. N\u00e3o se trata de uma possibilidade abstrata, mas de uma realidade experimentada, hoje como no passado, por in\u00fameras almas.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">\u201cA coragem que tiveste&#8230;\u201d<b><\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O frei capuchinho concluiu a contempla\u00e7\u00e3o de Maria no mist\u00e9rio pascal, na cruz, dedicando \u201cum pensamento a ela como modelo de f\u00e9 e esperan\u00e7a. Chega uma hora na vida, na qual precisamos de uma f\u00e9 e uma esperan\u00e7a como a de Maria. Chega uma hora na vida, quando \u00e9 preciso ter uma f\u00e9 e uma esperan\u00e7a como a de Maria. Isso quando parece que Deus j\u00e1 n\u00e3o escuta as nossas s\u00faplicas, quando se diria que ele desmente a si mesmo e suas promessas, quando nos faz passar de derrota em derrota, e os poderes das trevas parecem triunfar em todas as frentes ao nosso redor, e dentro de n\u00f3s se faz noite, como naquele dia \u201csobre toda a terra\u201d. Quando, como diz um salmo, ele parece \u201cter esquecido de ter piedade e a ira lhe fechou o cora\u00e7\u00e3o\u201d. Quando chegar esta hora, lembre-se da f\u00e9 de Maria e clame como outros fizeram: \u201cMeu Pai, j\u00e1 n\u00e3o te entendo, mas confio em ti!\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quarta media\u00e7\u00e3o da Quaresma, o capuchino reflete sobre os t\u00edtulos de Maria como \u201cM\u00e3e de Deus, \u201cM\u00e3e dos fi\u00e9is\u201d, \u201cM\u00e3e dos crist\u00e3os, como nossa M\u00e3e\u201d. 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