{"id":57909,"date":"2020-03-31T09:37:45","date_gmt":"2020-03-31T12:37:45","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=57909"},"modified":"2020-03-31T09:37:45","modified_gmt":"2020-03-31T12:37:45","slug":"a-cidade-e-ao-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-cidade-e-ao-mundo\/","title":{"rendered":"\u00c0 CIDADE E AO MUNDO"},"content":{"rendered":"<p>A cena do Papa Francisco galgando as escadarias de uma pra\u00e7a S\u00e3o Pedro completamente vazia, no \u00faltimo 27 de mar\u00e7o, possui mais que um emblem\u00e1tico significado&#8230; \u00c9 sintom\u00e1tica, aterradora. \u00c9 bela, esperan\u00e7osa. O quadro comp\u00f5e todos os elementos para um aprofundamento da realidade que a pandemia mundial de um v\u00edrus pode representar. Um anci\u00e3o numa pra\u00e7a vazia, perfazendo o caminho de uma escada bela, por\u00e9m imensa \u2013 como aquela de Jac\u00f3 \u2013 tendo por meta um altar, uma mesa e \u00edcones da f\u00e9 crist\u00e3, mas por objetivo aben\u00e7oar o mundo e seus habitantes! Poesia apenas ou s\u00e9rio alerta \u00e0s a\u00e7\u00f5es humanas que negligenciam o poder de Deus nessa hist\u00f3ria toda?<\/p>\n<p>N\u00e3o sei mais o que dizer. Estamos vivendo dias de prova\u00e7\u00f5es nunca dantes provados e testemunhados pela totalidade do g\u00eanero humano. Alguns dizem que o dia apocal\u00edptico das dores finais bate \u00e0 porta. Outros que a volta gloriosa do Mestre j\u00e1 faz ouvir os sons das trombetas e clarins angelicais, quais batedores alvissareiros de um novo tempo. Por outro lado, a dor e o medo provocam a latente espiritualidade humana. Muitos voltam a acreditar e apelam a miseric\u00f3rdia do Pai de todas as coisas. A f\u00e9 at\u00e9 ent\u00e3o recrudescida pelos prazeres do bem viver aflora como aquela \u00e1gua que brotou da rocha no deserto. Ainda bem! Constata-se a velha m\u00e1xima das for\u00e7as contidas na realidade da dor e do amor. Quem n\u00e3o se aproxima pelo amor, vem pela dor. Deus-Pai, de uma forma ou de outra, sempre se faz presente na hist\u00f3ria humana.<\/p>\n<p>Todavia, o essencial n\u00e3o foi dito ainda. Constata-se na m\u00eddia brasileira um sil\u00eancio e uma indiferen\u00e7a questionadora quanto ao serm\u00e3o proferido naquela pra\u00e7a vazia. Nenhum \u00f3rg\u00e3o da grande m\u00eddia se preocupou em comentar ou ao menos reproduzir o que foi dito pelo solit\u00e1rio anci\u00e3o da c\u00e1tedra de Pedro. Suas palavras de esperan\u00e7a ecoaram no vazio da m\u00eddia fatalista e extremamente imediatista. Para esta o que vale \u00e9 a palavra da ci\u00eancia, desta triste e falida ci\u00eancia humana capaz de disseminar um v\u00edrus, mas incapaz de frear sua a\u00e7\u00e3o. Palavras, no caso, apenas soltam seus perdigotos contaminadores. Mas no caso da esperan\u00e7a adoecida, eis que a Palavra cura. \u201cComo sois medrosos! Ainda n\u00e3o tendes f\u00e9?\u201d<\/p>\n<p>Nesse momento de dor e angustia que assola a grande nave humana e muitos de seus tripulantes zombam da \u201csonol\u00eancia\u201d divina, eis que Papa Francisco renova nosso esp\u00edrito com a profundidade da Palavra de Deus. A cita\u00e7\u00e3o e os coment\u00e1rios sobre o texto de Marcos (4, 35-41) era tudo o que o mundo precisava ouvir nesse tempo de tempestades e trovoadas. N\u00e3o se compreende a indiferen\u00e7a midi\u00e1tica sobre palavras de alento e conforto providencial. Fica aqui minha indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m, ecos dessas palavras. Quais as raz\u00f5es de nosso p\u00e2nico? Simples falta de f\u00e9. \u201cO in\u00edcio da f\u00e9 \u00e9 reconhecer-se necessitado de salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somos autossuficientes, sozinhos afundamos, precisamos do Senhor como os antigos navegadores das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida\u201d, lembrou o papa com seu discurso alentador. Igualmente recordou nossa necessidade de abra\u00e7ar as cruzes cotidianas, n\u00e3o fugir da sua realidade. \u201cAbra\u00e7ar a sua cruz significa encontrar a coragem de abra\u00e7ar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa \u00e2nsia de onipot\u00eancia e possess\u00e3o, para dar espa\u00e7o \u00e0 criatividade que s\u00f3 o Esp\u00edrito \u00e9 capaz de suscitar. Significa encontrar a coragem de abrir espa\u00e7os onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade, de solidariedade\u201d.<\/p>\n<p>Eis que, de repente, o mundo se descobre fraterno e solid\u00e1rio. Aprende a amar, apesar das suas dores. \u201cMas Tu, Senhor, n\u00e3o nos deixe \u00e0 merc\u00ea da tempestade\u201d, foi o brado de Roma para o Mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cena do Papa Francisco galgando as escadarias de uma pra\u00e7a S\u00e3o Pedro completamente vazia, no \u00faltimo 27 de mar\u00e7o, possui mais que um emblem\u00e1tico significado&#8230; \u00c9 sintom\u00e1tica, aterradora. \u00c9 bela, esperan\u00e7osa. O quadro comp\u00f5e todos os elementos para um aprofundamento da realidade que a pandemia mundial de um v\u00edrus pode representar. 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