{"id":57586,"date":"2020-03-13T14:56:13","date_gmt":"2020-03-13T17:56:13","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=57586"},"modified":"2020-03-13T14:56:13","modified_gmt":"2020-03-13T17:56:13","slug":"viu-sentiu-compaixao-e-cuidou-dele-lc-1033-34-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/viu-sentiu-compaixao-e-cuidou-dele-lc-1033-34-parte-iii\/","title":{"rendered":"\u201cViu, sentiu compaix\u00e3o e cuidou dele\u201d (Lc 10,33-34) | parte III"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O lema da Campanha da Fraternidade \u00e9 fundamentado na par\u00e1bola do \u201cBom Samaritano\u201d. Ela \u00e9 uma resposta de Jesus a uma pergunta te\u00f3rica: \u201cE quem \u00e9 o meu pr\u00f3ximo?\u201d A conclus\u00e3o da par\u00e1bola leva a uma resposta e a uma experi\u00eancia existencial de comporta-se como pr\u00f3ximo.\u00a0 O ponto de partida do fazer-se pr\u00f3ximo come\u00e7a com o olhar. O samaritano viu, sentiu compaix\u00e3o e cuidou. Os outros personagens da par\u00e1bola que passaram pelo mesmo caminho tamb\u00e9m viram, mas n\u00e3o desenvolveram a compaix\u00e3o e por isso tamb\u00e9m n\u00e3o se envolveram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As reflex\u00f5es do fil\u00f3sofo Jean-Paul Sartre (1905+1980) sobre o olhar, presentes na obra \u201cO ser e o nada\u201d, ajudam a compreender a profundidade da par\u00e1bola. Na an\u00e1lise da exist\u00eancia humana ele reflete sobre o olhar. Com as coisas o ser humano tem uma rela\u00e7\u00e3o, mas com os outros sujeitos a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sartre parte da constata\u00e7\u00e3o que o outro, o pr\u00f3ximo \u00e9 uma presen\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 preciso ter outro argumento para ter certeza da exist\u00eancia do outro. O ponto de partida \u00e9 a simples presen\u00e7a. Quando se percebe a presen\u00e7a de algu\u00e9m, num primeiro momento ele se apresenta como um objeto em meio a outros objetos, mas logo se percebe que este algu\u00e9m se relaciona com o que existe ao seu redor. Enquanto estiver na condi\u00e7\u00e3o de objeto o outro n\u00e3o causa nenhuma crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pensador continua argumentando que a descoberta mais dram\u00e1tica vem quando o outro levanta os olhos e me olha. De um momento para outro me sinto observado e transformado de sujeito em objeto. O olhar do outro n\u00e3o \u00e9 neutro, mas causa uma rea\u00e7\u00e3o imediata. Assim como havia olhado o outro e o tinha visto como objeto entre outros, assim o olhar do outro tamb\u00e9m me torna objeto. Independentemente de qualquer julgamento, uma coisa \u00e9 certa: s\u00f3 deste modo que se determina a descoberta do outro como sujeito, sen\u00e3o pela rela\u00e7\u00e3o eu e outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o outro entra subitamente no mundo da minha consci\u00eancia, a minha experi\u00eancia se modifica: n\u00e3o tem mais o seu centro em mim e eu me vejo como elemento de um projeto que n\u00e3o \u00e9 meu e n\u00e3o me pertence. Eu n\u00e3o estou s\u00f3. O olhar do outro provoca uma rea\u00e7\u00e3o que pode ser de vergonha, desprezo, socorro. \u00c9 o encontro de dois sujeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na par\u00e1bola do samaritano percebemos diferentes tipos de olhares. Jesus inicia a par\u00e1bola contanto que um homem descia de Jerusal\u00e9m a Jeric\u00f3. Ele \u00e9 visto pelos assaltantes. O que veem nele? Um objeto que tem objetos, por isso o roubam, inclusive o que vestia, e ainda o espancam. N\u00e3o o tratam como sujeito, mas como objeto a ser explorado e jogado fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passam tamb\u00e9m o sacerdote e o levita que veem o homem assaltado; a situa\u00e7\u00e3o dele \u00e9 descrita como se estivesse \u201cquase morto\u201d. Viram e tomaram como medida preventiva para n\u00e3o serem vistos, passando \u201cpelo outro lado\u201d. Nesta perspectiva, mant\u00eam o homem \u201cquase morto\u201d como um objeto jogado \u00e0 margem da estrada. N\u00e3o permitiram que se estabelecesse uma rela\u00e7\u00e3o de sujeitos ou de aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro viajante \u00e9 um samaritano que viu e, certamente, deixou-se ver. O \u201cquase morto\u201d entrou na vida dele e ele percebeu que n\u00e3o estava s\u00f3. Agora o ca\u00eddo o conhecia e come\u00e7ou a fazer parte da vida dele, n\u00e3o podia mais ignorar a presen\u00e7a dele. N\u00e3o estava diante de um objeto, mas de um sujeito que lhe fazia um apelo de socorro. Diz Sartre: \u201cCom o olhar do outro (&#8230;) n\u00e3o sou mais senhor da situa\u00e7\u00e3o\u201d. A partir da\u00ed, desencadeia-se a compaix\u00e3o e o cuidado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O lema da Campanha da Fraternidade \u00e9 fundamentado na par\u00e1bola do \u201cBom Samaritano\u201d. 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