{"id":57475,"date":"2020-03-09T15:10:20","date_gmt":"2020-03-09T18:10:20","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=57475"},"modified":"2020-03-09T15:10:20","modified_gmt":"2020-03-09T18:10:20","slug":"o-encontro-com-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-encontro-com-jesus\/","title":{"rendered":"O ENCONTRO COM JESUS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Cansado da viagem atrav\u00e9s da caminhada no deserto, Jesus sentou-se junto ao po\u00e7o de Jac\u00f3 (Jo 4,5-42). Era por volta do meio dia e ali chega uma mulher samaritana para apanhar \u00e1gua. A ela Cristo pede: \u201cD\u00e1-me de beber\u201d. Ele era Deus que havia assumido um corpo humano com todas as suas limita\u00e7\u00f5es e, naquelas circunst\u00e2ncias, dele a sede se apossara. \u00a0Pendente da cruz l\u00e1 no Calv\u00e1rio uma das suas \u00faltimas palavras seria \u201cTenho sede\u201d. Em ambas as ocasi\u00f5es, era Deus que, em seu Filho encarnado para a salva\u00e7\u00e3o da humanidade, revelava algo de seu mist\u00e9rio redentor, pois, enquanto Segunda Pessoa da Sant\u00edssima Trindade, Ele era um todo-poderoso Senhor. Eis tamb\u00e9m porque, sabiamente, o di\u00e1logo com a samaritana ganhou um tom espiritual, pois Jesus revela \u00e0quela mulher que era Ele quem possu\u00eda uma \u00e1gua viva que apaga toda e qualquer sede. O papel se inverte ent\u00e3o, dado que era ela quem passa a lhe suplicar: \u201dSenhor, d\u00e1-me desta \u00e1gua\u201d. Foi o instante precioso no qual o Mestre divino lhe desvenda os dois dramas de sua vida, a saber, sua desordem conjugal, pois ela diz que n\u00e3o tinha marido e sua dubiedade religiosa, uma vez que ela n\u00e3o sabia onde se devia adorar o Criador, a saber, se naquele monte ou em Jerusal\u00e9m. Ali estavam os dois obst\u00e1culos principais que impediam que ela pudesse estar unida a Deus. Jesus, por\u00e9m, a leva, sem, por\u00e9m, a julgar, a reconhecer humildemente os dois impasses da sua vida, as duas sedes insatisfeitas que tornavam infeliz sua exist\u00eancia. Naquela mulher estava a figura da humanidade entregue a si mesma, v\u00edtima de sua desobedi\u00eancia \u00e0s ordens divinas desde o pecado original. Donde os conflitos amorosos e religiosos. O homem sem a gra\u00e7a de Deus n\u00e3o mais atingiria a plenitude do amor e nele restaria sempre a sede da verdade e do bem. A \u00e1gua viva de que fala Jesus \u00e9 o s\u00edmbolo da presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo que viria para sanar a sede do verdadeiro amor aos homens e ao pr\u00f3prio Deus, Seria, portanto, necess\u00e1rio abrir o cora\u00e7\u00e3o, retirar todas as fendas que deixassem escapar esta \u00e1gua espiritual, que restaura no ser humano toda sua dignidade. \u00c9 esta reflex\u00e3o que leva o crist\u00e3o a bem se utilizar da quaresma, para uma perfeita revis\u00e3o de vida, colocando-se inteiramente dentro dos par\u00e2metros divinos. As ilus\u00f5es do atual contexto hist\u00f3rico deturpam tantas vezes a conduta humana e o ser criado ao inv\u00e9s da \u00e1gua viva toma vinagre que n\u00e3o pode estancar sua sede de eternidade junto de Deus ap\u00f3s ter feita sua vontade aqui na terra. Eis ent\u00e3o o tempo para que cada um reconhe\u00e7a humildemente seus erros e os sane com o socorro do Todo-poderoso Senhor. A\u00ed est\u00e1 bem retratada situa\u00e7\u00e3o do homem perante Deus. A samaritana tinha sede de amar e de adorar. Jesus oferecia a \u00e1gua viva de seu amor. A\u00ed est\u00e1 o sentido de sua sede junto daquele po\u00e7o e, um dia, l\u00e1 no Calv\u00e1rio. Ele p\u00f4de dizer: \u201cEu vim para que tenham vida e vida em abund\u00e2ncia&#8221; (Jo 10,10). Junto dele h\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o para os mais profundos anseios do ser humano, sobretudo do homem ocidental contempor\u00e2neo. Este tem muitas vezes sede de riqueza, de acumula\u00e7\u00e3o de bens, de honras, de prest\u00edgio, de consumo, de prazeres tantas vezes desregrados. D\u00e1-se o que Deus queixou atrav\u00e9s do Profeta Jeremias: \u201cMeu povo fez duas maldades: a mim me deixaram o manancial de \u00e1guas vivas e cavaram cisternas rotas que n\u00e3o ret\u00eam \u00e1guas\u201d. (Jer 2,13). Donde o drama vivido por muitos. \u00c9 preciso parar e refletir sobre os desejos que s\u00f3 servem para aumentar a sede espiritual. \u00c9 preciso que a sede humana encontre a sede de Jesus para que, como ocorreu com a samaritana, a vida ganhe novos rumos. Disto resultar\u00e1 a conquista da vida eterna. Jesus leva sempre a conhecer o dom de Deus. \u00c9 para oferecer este dom que Ele cruza os caminhos de cada um. O importante \u00e9 sempre dialogar com Ele como fez a samaritana. Ele interpela para depois pronunciar a palavra que emancipa e salva. Ele conhece a hist\u00f3ria de cada um, sua esperan\u00e7a e tamb\u00e9m suas fragilidades. Mas Ele sabe tamb\u00e9m que no fundo de cada cora\u00e7\u00e3o, como acontecia com a mulher de Samaria, h\u00e1 um desejo profundo de poder beber a \u00e1gua viva que Ele oferece para se atingir a felicidade eterna. Jesus \u00e9 sempre aquele que salva. Ele quer tudo para tudo santificar, operando maravilhas como fez com a vida da samaritana. Ele coloca a lume as feridas interiores para poder agir e abrir um caminho de total felicidade e verdadeira liberdade. O di\u00e1logo com Jesus \u00e9 construtivo porque Ele n\u00e3o emprega press\u00f5es morais, mas age no n\u00edvel da verdade. Suas palavras s\u00e3o sempre de miseric\u00f3rdia e, por isto, sumamente libertadoras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cansado da viagem atrav\u00e9s da caminhada no deserto, Jesus sentou-se junto ao po\u00e7o de Jac\u00f3 (Jo 4,5-42). Era por volta do meio dia e ali chega uma mulher samaritana para apanhar \u00e1gua. A ela Cristo pede: \u201cD\u00e1-me de beber\u201d. 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