{"id":5739,"date":"2015-04-17T13:09:44","date_gmt":"2015-04-17T16:09:44","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/herois-ou-viloes\/"},"modified":"2017-04-07T11:57:12","modified_gmt":"2017-04-07T14:57:12","slug":"herois-ou-viloes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/herois-ou-viloes\/","title":{"rendered":"Her\u00f3is ou vil\u00f5es?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Antes que o homem existisse, e assim foi durante milh\u00f5es de anos, e j\u00e1 um mundo desabrochara em todo o seu esplendor. As mesmas leis naturais regiam o seu equil\u00edbrio e distribu\u00edam montanhas e geleiras, estepes e florestas por todos os continentes. O homem apareceu como um verme numa fruta, como uma tra\u00e7a numa bola de l\u00e3 e roeu o seu habitat, secretando teorias para justificar a sua a\u00e7\u00e3o&#8221; (J. Dorst).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/indio.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>A dura express\u00e3o que abre a mat\u00e9ria \u00e9 do naturalista franc\u00eas Jean Dorst (1924-2001). Ela est\u00e1 no livro &#8220;Antes que a natureza morra&#8217;; e foi escrita h\u00e1 cinquenta anos, mas ganha potentes lentes de aumento na atualidade. \u00c9 uma grave den\u00fancia para a qual, desde ent\u00e3o, viraram as costas os mais variados interesses humanos. <br \/>Segundo o naturalista franc\u00eas, o homem nem bem chegou e j\u00e1 come\u00e7ou a domesticar o espa\u00e7o, a flora e a fauna. Em seguida, criou e destruiu civiliza\u00e7\u00f5es, fatos hist\u00f3ricos marcantes, mitos, Conquistas e derrotas. Animais e plantas foram eliminados, alguns para sempre. Outros agonizam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano nivela montanhas, aterra vales, assoreia rios e polui ares e mares, desmata a torto e a direito. A natureza \u00e9 for\u00e7ada a se revoltar, at\u00e9 porque n\u00e3o perdoa mesmo: secas, inunda\u00e7\u00f5es, tempestades de neve e de areia, furac\u00f5es. <br \/>Quando o tema \u00e9 a trag\u00e9dia pelo desmatamento galopante, as gritas emergem de todo lado: &#8220;A culpa \u00e9 do sistema&#8221;; &#8220;\u00e9 das multinacionais&#8221;; &#8220;\u00e9 dos ruralistas e latifundi\u00e1rios&#8221;; &#8220;\u00e9 dos posseiros&#8221;; &#8220;\u00e9 dos pol\u00edticos com suas leis predat\u00f3rias&#8221;; &#8220;\u00e9 dos nativos que desmatam e queimam, abatem animais, aves e peixes&#8217;: Mas a natureza precisa ser preservada, n\u00e3o apenas porque \u00e9 a t\u00e1bua da salva\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da humanidade, mas porque \u00e9 bela. Um para\u00edso onde Deus viu que &#8220;tudo era muito bom&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Casa vazia? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">World Wide Fund For Nature, Greenpeace, United for Wildlife, <br \/>s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es internacionais que agem em favor da conserva\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica mundial, da sustentabilidade dos recursos naturais renov\u00e1veis, da redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o e do desperd\u00edcio, de mudan\u00e7as de atitudes que garantam um futuro mais verde e limpo. Mas a prote\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o deve violar direitos humanos. <br \/>As entidades preservacionistas se preocupam com a casa, mas nem todas voltam o olhar para os habitantes ancestrais do planeta azul. Algumas organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o acusadas de expulsar os povos ind\u00edgenas e tribais, taxados de serem predadores, ca\u00e7adores sem licen\u00e7a ambiental e, portanto, merecedores de deten\u00e7\u00f5es, espancamentos, torturas e morte. <br \/>Em nosso pa\u00eds, no ano 2000 o governo instituiu o Sistema Nacional de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, atrav\u00e9s do qual protege as \u00e1reas naturais por meio de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UC). Entretanto, este Sistema n\u00e3o tem autonomia para proteger os nativos que querem habitar naquele que \u00e9 considerado patrim\u00f4nio nacional. Este patrim\u00f4nio fica, portanto, cada vez mais nas garras do agroneg\u00f3cio, das mineradoras, dos financiadores de hidrel\u00e9tricas e ferrovias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Survival International<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/indio floresta.jpg\" border=\"0\" width=\"253\" height=\"253\" align=\"right\" \/>Mas h\u00e1 uma entidade mundial, al\u00e9m de outras em \u00e2mbitos regionais, que se debru\u00e7a sobre os dramas dos grupos humanos que teimam em resistir nas florestas. Merece destaque a organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos Survival International (Sobreviv\u00eancia Internacional), surgida em 1969 e com escrit\u00f3rios em v\u00e1rios pa\u00edses, cujo trabalho \u00e9 prevenir a aniquila\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas. A Survival mostra que as florestas s\u00e3o o lar ancestral de ind\u00edgenas. Povos que dependem dessas terras, e que delas retiram muitos alimentos b\u00e1sicos e medicamentos que t\u00eam salvado milh\u00f5es de vidas nas sociedades industrializadas. As mesmas sociedades que os expulsam ou os submeteni atrav\u00e9s da viol\u00eancia genocida, escravid\u00e3o e racismo para roubar suas terras, seus recursos e sua m\u00e3o de obra em nome do &#8220;progresso&#8221; e da &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Survival denuncia <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/indiocozinhando.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Marcela Belchior, no seu texto &#8220;Povos tradicionais s\u00e3o proibidos de utilizarem recursos naturais por leis de prote\u00e7\u00e3o ambiental&#8221;, em Aditai, registra: &#8220;Citando casos recentes de expuls\u00e3o de povos abor\u00edgenes, a Survival aponta o caso dos Bayaka, pertencentes \u00e0s tribos pigmeias que vivem em selvas da regi\u00e3o sul oriental da Rep\u00fablica de Camar\u00f5es, da zona alde\u00e3 da Rep\u00fablica do Congo, da Rep\u00fablica Centro&#8211;Africana e do Gab\u00e3o. Outros povos que estariam sofrendo com os despejos seriam os ca\u00e7adores bosqu\u00edmanos, de Botsuana, que enfrentam restri\u00e7\u00f5es em suas terras ancestrais, na Reserva de Ca\u00e7a do Kalahari Central do pa\u00eds. Eles dependem da ca\u00e7a de subsist\u00eancia para alimentarem suas fam\u00edlias e a pr\u00e1tica foi proibida sem qualquer tipo de pol\u00edtica de compensa\u00e7\u00e3o&#8221;. E prossegue: &#8220;Na \u00edndia, integrantes de uma tribo que vive dentro de uma reserva de tigres foram for\u00e7ados a abandonar, em 2013, sua terra ancestral em nome da &#8220;conserva\u00e7\u00e3o&#8221; dos animais, ainda que n\u00e3o haja nenhuma evid\u00eancia que eles causem qualquer tipo de dano \u00e0 fauna da regi\u00e3o. Hoje, eles vivem em condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis, abrigados em ref\u00fagios improvisados com pl\u00e1stico&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O circulo se fecha <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/indioareflecha.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>No Brasil, a situa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas das UC vai de mal a pior. Por exemplo, os ind\u00edgenas que habitam na Ilha do Bananal, em Tocantins, est\u00e3o proibidos de ca\u00e7ar, pescar, retirar palhas de coqueiro para cobrir suas taperas. S\u00e3o tamb\u00e9m proibidos de realizar rituais tradicionais. Est\u00e1 na lei sobre as UC (Lei 9.985-2000): &#8220;\u00c9 proibido qualquer tipo de uso direto da fauna, flora e outros recursos naturais&#8217;: O Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), atrav\u00e9s da coordenadora da regional Goi\u00e1s\/Tocantis, Sara Sanchez, afirma que alguns \u00f3rg\u00e3os oficiais t\u00eam proibido as atividades tradicionais nas aldeias, especialmente no Parque Nacional do Araguaia, no norte da ilha. Ela diz que os nativos sofrem a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o poderem garantir simples atividades de subsist\u00eancia. Sanchez argumenta: &#8220;O Cimi defende que \u00e9 uma terra ind\u00edgena, que se relaciona com o meio ambiente, faz a prote\u00e7\u00e3o da floresta, dos rios, das matas e dos lagos. Tudo o que eles (os nativos) fazem \u00e9 por meio do manejo sustent\u00e1vel, sem depredar o meio ambiente&#8221;. Acrescenta: &#8220;O argumento das organiza\u00e7\u00f5es \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o ambiental. Ora, a prote\u00e7\u00e3o ambiental j\u00e1 \u00e9 feita pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas, que cuidam da terra&#8217;: E pergunta: &#8220;Esses impasses devem ter interesses pol\u00edticos; se n\u00e3o os t\u00eam, por que a persegui\u00e7\u00e3o?&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte:<\/strong> Revista Miss\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Antes que o homem existisse, e assim foi durante milh\u00f5es de anos, e j\u00e1 um mundo desabrochara em todo o seu esplendor. As mesmas leis naturais regiam o seu equil\u00edbrio e distribu\u00edam montanhas e geleiras, estepes e florestas por todos os continentes. 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