{"id":57122,"date":"2020-02-24T10:15:27","date_gmt":"2020-02-24T13:15:27","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=57122"},"modified":"2020-02-26T14:18:51","modified_gmt":"2020-02-26T17:18:51","slug":"um-sonho-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-sonho-cultural\/","title":{"rendered":"UM SONHO CULTURAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 O segundo sonho do Papa Francisco em sua exorta\u00e7\u00e3o \u201cQuerida Amaz\u00f4nia\u201d vem impregnado de um desejo de justi\u00e7a: respeitar a cultura ind\u00edgena. Foi exatamente esse desrespeito que levou \u00e0 bancarrota e ao exterm\u00ednio as culturas de povos e na\u00e7\u00f5es superdesenvolvidas para a \u00e9poca, como os Incas, Maias ou Astecas. O massacre infringido pelos colonizadores, acompanhados pela cobi\u00e7a do maldito ouro ou prata, foi a gota d\u00b4\u00e1gua dum desastre cultural nunca visto na hist\u00f3ria da humanidade. Jamais saberemos quais segredos culturais, religiosos e m\u00edsticos constitu\u00edam os pilares da harmonia e do progresso social desses povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas ainda \u00e9 tempo de salvar o pouco que restou. Preservar a cultura de um povo \u00e9 devolver-lhes a pr\u00f3pria identidade. \u201cTal \u00e9 o sentido da melhor obra educativa: cultivar sem desenraizar, fazer crescer sem enfraquecer a identidade, promover sem invadir (28)\u201d, alerta Francisco. E vaticina: \u201cAssim como h\u00e1 potencialidades na natureza que se poderiam perder para sempre, o mesmo pode acontecer com culturas portadoras duma mensagem ainda n\u00e3o escutada e que est\u00e3o amea\u00e7adas hoje mais do que nunca (28)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o os \u00edndios tem algo a nos ensinar? E como. Em especial em sua harmonia com a natureza, o divino, o transcendente. \u201cDeus manifesta-Se, reflete algo de sua\u00a0 beleza inesgot\u00e1vel atrav\u00e9s dum territ\u00f3rio e das suas caracter\u00edsticas, pelo que os diferentes grupos, numa s\u00edntese vital com o ambiente circundante, desenvolvem uma forma peculiar de sabedoria (32)\u201d. Aqui a m\u00edstica humana se mescla \u00e0 natureza, donde flui como caudaloso rio de revela\u00e7\u00f5es. Deus se manifesta como raiz de toda cultura e conhecimento humano, sem qualquer refer\u00eancia ou considera\u00e7\u00f5es ao seu est\u00e1gio cultural. \u201cConvido os jovens da Amaz\u00f4nia, especialmente os ind\u00edgenas, a &lt;assumir as ra\u00edzes, pois das ra\u00edzes prov\u00e9m a for\u00e7a que os far\u00e1 crescer, florescer e frutificar&gt; (33)\u201d. Quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia cultural. \u201cPor isso, \u00e9 importante &lt;deixar que os idosos contem longas hist\u00f3rias&gt; e que os jovens se detenham a beber desta fonte (34)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o se trata de um retrocesso cultural, mas resgate. Nessa busca de identidade cresce o interc\u00e2mbio e o respeito entre os povos de culturas d\u00edspares. H\u00e1 nisso um crescimento m\u00fatuo. \u201cAs culturas da Amaz\u00f4nia profunda, como ali\u00e1s a realidade cultural, t\u00eam as suas limita\u00e7\u00f5es; as culturas urbanas do Ocidente tamb\u00e9m as t\u00eam (36)\u201d. Eis a oportunidade de se encontrar um equil\u00edbrio que favore\u00e7a a todos. \u201cDeste modo a diferen\u00e7a, que pode ser uma\u00a0 bandeira ou uma fronteira, transforma-se numa ponte. A identidade e o di\u00e1logo n\u00e3o s\u00e3o inimigos 37)\u201d. Chegamos ent\u00e3o a um denominador comum no respeito \u00e0 cultura, tradi\u00e7\u00f5es e aspectos sociais para as quais at\u00e9 ent\u00e3o pouca aten\u00e7\u00e3o dispens\u00e1vamos. \u201cUma cultura pode tornar-se est\u00e9ril quando &lt;se fecha em si pr\u00f3pria e procura perpetuar formas antiquadas de vida, recusando qualquer mudan\u00e7a e confronto com a verdade do homem&gt;, escreveu S.Jo\u00e3o Paulo II (Cent. Annus)\u201d e Francisco acrescentou: \u201cNem mesmo a no\u00e7\u00e3o da qualidade de vida se pode impor, mas deve ser entendida dentro do mundo de s\u00edmbolos e h\u00e1bitos pr\u00f3prios de cada grupo humano (40)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Que se calem as vozes contr\u00e1rias a intromiss\u00e3o da Igreja em quest\u00f5es que pens\u00e1vamos como exclusividade nossas. Como vemos, o S\u00ednodo que nos fornece essa exorta\u00e7\u00e3o vem bem a calhar com as respostas que buscamos para nossos conflitos culturais. Mais que nossas querelas territoriais e estrat\u00e9gias de domina\u00e7\u00e3o, precisamos fazer crescer nosso di\u00e1logo cultural e consequente respeito \u00e0queles que partilham conosco do mesmo verde (esperan\u00e7a) amarelo (riquezas e sonhos) e azul (olhar infinito \u00e0s belezas que temos). \u201cIsto abre passagem ao sonho sucessivo\u201d, diz Francisco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 O segundo sonho do Papa Francisco em sua exorta\u00e7\u00e3o \u201cQuerida Amaz\u00f4nia\u201d vem impregnado de um desejo de justi\u00e7a: respeitar a cultura ind\u00edgena. Foi exatamente esse desrespeito que levou \u00e0 bancarrota e ao exterm\u00ednio as culturas de povos e na\u00e7\u00f5es superdesenvolvidas para a \u00e9poca, como os Incas, Maias ou Astecas. 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