{"id":5700,"date":"2015-04-03T03:00:00","date_gmt":"2015-04-03T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sexta-feira-da-paixao\/"},"modified":"2017-04-07T13:41:13","modified_gmt":"2017-04-07T16:41:13","slug":"sexta-feira-da-paixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sexta-feira-da-paixao\/","title":{"rendered":"Sexta-Feira da Paix\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No Tr\u00edduo Pascal, a Sexta-feira Santa \u00e9 um dia de sil\u00eancio e ora\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da tarde nos coloca diante do grande mist\u00e9rio da morte de Jesus na Cruz, e a salva\u00e7\u00e3o que Ele nos mereceu. Somos convidados a um tempo de reflex\u00e3o diante desse grande mist\u00e9rio. Jesus pregava a chegada do Reino de Deus, anunciado nas Escrituras de Israel; afirmava ter vindo de Deus, ser o Filho de Deus. Escolhera Doze disc\u00edpulos, indicando claramente que, a partir Dele, Israel, o povo das Doze tribos, deveria ser renovado e transformado. Afirmava que aqueles que Nele acreditassem e O aceitassem como Messias e Salvador, que O amassem mais que a pr\u00f3pria vida e se abrissem \u00e0 sua mensagem sem nenhuma reserva, encontrariam a Luz verdadeira, a Vida verdadeira e venceriam, com Ele e como Ele, a pr\u00f3pria morte: as mortes da vida e a Morte \u00faltima.<br \/> Jesus est\u00e1 na cruz humanamente aniquilado, um farrapo, um trapo de gente. Perdoa seus inimigos, entrega-se nas m\u00e3os do Pai com total confian\u00e7a. Morreu e foi sepultado. No terceiro dia, seus disc\u00edpulos testemunham que O encontraram vivo, ressuscitado, totalmente transfigurado, glorioso, divinizado na Sua natureza humana. Tudo mudou para aqueles Doze, tudo mudou para os disc\u00edpulos, tudo mudou para Paulo de Tarso, judeu culto, letrado, prudente, que diz ter sido encontrado por Jesus vivo, ressuscitado, vitorioso, no caminho de Damasco&#8230; Desse testemunho dos Ap\u00f3stolos, a Igreja vive h\u00e1 dois mil anos; por esse testemunho muitos deram a vida, muitos consagraram toda a exist\u00eancia. Os crist\u00e3os creem com todas as for\u00e7as nessa grande not\u00edcia: Jesus venceu a morte, ressuscitou, est\u00e1 no Pai e, na pot\u00eancia do seu Esp\u00edrito Santo, estar\u00e1 presente \u00e0 sua Igreja at\u00e9 o fim dos tempos.<br \/> Por\u00e9m, para chegarmos \u00e0 Pascoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o passamos pela cruz e morte de Jesus. Passamos pela Sexta-feira Santa de sil\u00eancio, de jejum, de ora\u00e7\u00e3o, de abstin\u00eancia de carne. Como pode a vida ser morta pela Morte? Como pode a Luz dissipar-se ante as trevas? Como pode o Pai se calar e permitir que o Justo fosse assassinado e derrotado? Onde est\u00e1 Deus? Se existe, por que n\u00e3o salvou o seu Filho amado?<br \/> De fato, a cruz, por si mesma, \u00e9 um esc\u00e2ndalo terr\u00edvel! Alguns zombam de n\u00f3s, chamando-nos adoradores da cruz, e o mundo atual odeia com todas as for\u00e7as tudo que signifique cruz, tudo que estrague a curti\u00e7\u00e3o do homem embevecido com sua raz\u00e3o, com sua tecnologia, com seu conforto, com suas solu\u00e7\u00f5es \u201cmorais\u201d pr\u00e1ticas e f\u00e1ceis, tanto quanto levianas e vulgares, com sua ilus\u00e3o de ser senhor do bem e do mal, do certo e do errado, da vida e da morte.<br \/> Para os crist\u00e3os, no entanto, a cruz nos descortina, fundamentalmente, dois mist\u00e9rios tremendos. Primeiro, o Mist\u00e9rio da Iniquidade, Mist\u00e9rio do Pecado do mundo, fruto da liberdade humana que pode de tal modo fechar-se para Deus, levando o homem \u2013 cada indiv\u00edduo e a humanidade toda \u2013 a tal soberba, a tal autossufici\u00eancia, a ponto de matar o Filho de Deus: \u201cN\u00e3o queremos que esse a\u00ed reine sobre n\u00f3s! N\u00e3o temos outro rei a n\u00e3o ser C\u00e9sar\u201d (Jo 19,15)! Isso mesmo: a cruz revela at\u00e9 onde o homem pode ir: ele pode querer eliminar Deus de sua vida! E continua tentando&#8230; erradicando-O da cultura, da sociedade, dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, das escolas, das fam\u00edlias, dos cora\u00e7\u00f5es. Basta que escutemos o brado prepotente e realista do ateu Nietzsche \u201cDeus morreu! Deus est\u00e1 morto! E n\u00f3s \u00e9 que O matamos! Tudo o que havia de mais sagrado e mais poderoso no mundo esvai-se em sangue sob o peso do nosso punhal. N\u00e3o vos parece grande demais essa a\u00e7\u00e3o? N\u00e3o dever\u00edamos n\u00f3s mesmos nos tornar deuses? Nunca houve uma a\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande como essa\u201d!<br \/> Apregoa-se que o mundo est\u00e1 se \u201clibertando\u201d de Deus! Deus vai se tornando uma palavra vazia, insossa, in\u00fatil, sem nenhum sentido definido e nenhuma exig\u00eancia que incida na vida das pessoas. O deus que o mundo aceita \u2013 quando aceita \u2013 \u00e9 um deus constru\u00eddo pelo racioc\u00ednio e interesses humanos, inofensivo, sem exig\u00eancias ou long\u00ednquo. O Deus verdadeiro, esse o mundo odeia e O mata! O Deus verdadeiro se revelou em Jesus Cristo, Nosso Senhor, que deu a vida por n\u00f3s. Que nenhum crist\u00e3o se iluda: o mundo nunca compreender\u00e1 o mist\u00e9rio da cruz! Aqui, n\u00e3o existe acordo, n\u00e3o tem boa vontade capaz de superar o abismo, a n\u00e3o ser a convers\u00e3o: Cristo \u00e9 esc\u00e2ndalo, a cruz \u00e9 esc\u00e2ndalo, os disc\u00edpulos s\u00e3o esc\u00e2ndalo: \u201cPai, eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os odiou, porque n\u00e3o s\u00e3o do mundo, como eu n\u00e3o sou do mundo\u201d (Jo 17,14). O disc\u00edpulo estar\u00e1 sempre, como o seu Senhor, crucificado para o mundo, e o mundo crucificado para ele: \u201cQuanto a mim, n\u00e3o aconte\u00e7a gloriar-me sen\u00e3o na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo est\u00e1 crucificado para mim e eu para o mundo\u201d (Gl 6,14).<br \/> A cruz revela tamb\u00e9m um outro mist\u00e9rio: o Mist\u00e9rio da Piedade! Mist\u00e9rio de um Deus t\u00e3o grande no seu amor, t\u00e3o humilde no profundo respeito pela liberdade humana que \u00e9 capaz de se entregar \u00e0 morte para salvar essa humanidade tola e prepotente: \u201cDeus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho \u00fanico para que todo aquele que nele cr\u00ea n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna. Pois Deus n\u00e3o enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele\u201d (Jo 3,16-17). Na cruz revela-se at\u00e9 onde Deus est\u00e1 disposto a ir por n\u00f3s: um Deus que entra em nossa vida, que assume as nossas contradi\u00e7\u00f5es, que sofre conosco e morre conosco para nos fazer ressuscitar com Ele, mantendo-nos sempre aberto o caminho da salva\u00e7\u00e3o.<br \/> Sexta-feira Santa; da Paix\u00e3o! Em Cristo, Deus e o homem est\u00e3o crucificados, Deus e o homem sofrem juntos, gritam juntos, morrem juntos! Na cruz aparece o amor de Deus e a esperan\u00e7a para o mundo. Na Cruz Cristo venceu a morte! Com Ele tamb\u00e9m n\u00f3s somos convidados a viver para sempre passando da morte para a Vida. N\u00f3s Vos bendizemos Senhor, porque com a sua Cruz redimistes o mundo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Tr\u00edduo Pascal, a Sexta-feira Santa \u00e9 um dia de sil\u00eancio e ora\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da tarde nos coloca diante do grande mist\u00e9rio da morte de Jesus na Cruz, e a salva\u00e7\u00e3o que Ele nos mereceu. Somos convidados a um tempo de reflex\u00e3o diante desse grande mist\u00e9rio. 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