{"id":56881,"date":"2020-02-17T08:30:01","date_gmt":"2020-02-17T11:30:01","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=56881"},"modified":"2020-02-17T11:06:41","modified_gmt":"2020-02-17T14:06:41","slug":"um-sonho-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-sonho-social\/","title":{"rendered":"UM SONHO SOCIAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica do santo padre Francisco est\u00e1 dando o que falar. Mas tamb\u00e9m o que pensar. Sua estrutura meramente reflexiva e recheada de construtivas sugest\u00f5es aos governantes dos nove pa\u00edses que comp\u00f5em a regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, parte de quatro grandes sonhos: social, cultural, ecol\u00f3gico e eclesial. S\u00e3o estes os pilares b\u00e1sicos do propalado documento com o carinhoso t\u00edtulo \u201cQuerida Amaz\u00f4nia\u201d. Antes, pois, de qualquer cr\u00edtica sem fundamento, vamos analis\u00e1-lo por partes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTudo o que a Igreja oferece deve encarnar-se de maneira original em cada lugar do mundo (6)\u201d. Ela n\u00e3o interfere em quest\u00f5es de soberania ou econ\u00f4mica ou cultural ou pol\u00edtica de um povo, mas possui a vis\u00e3o global da casa comum que ocupamos e que temos por bem preservar \u201cpara que a Esposa de Cristo adquira rostos multiformes que manifestem melhor a riqueza inesgot\u00e1vel da gra\u00e7a (6)\u201d. Dito isto, voltemos nosso olhar para a grande floresta. \u201cPois, apesar do desastre ecol\u00f3gico que a Amaz\u00f4nia est\u00e1 a enfrentar, deve-se notar que &lt;uma verdadeira abordagem ecol\u00f3gica sempre se torna uma abordagem social&gt;&#8230; N\u00e3o serve um conservacionismo &lt;que se preocupa com o bioma, por\u00e9m ignora os povos amaz\u00f4nicos&gt; (8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que vemos acontecer nesta regi\u00e3o \u00e9 o excessivo zelo pela preserva\u00e7\u00e3o ambiental, com Ongs e institui\u00e7\u00f5es governamentais ou internacionais deitando e rolando sobre normas e leis preservacionistas, sem grandes preocupa\u00e7\u00f5es com seu povo. \u201cAs suas vidas e preocupa\u00e7\u00f5es, a sua maneira de lutar e sobreviver n\u00e3o interessavam, considerando-os mais como um obst\u00e1culo de que n\u00f3s temos de livrar do que como seres humanos com a mesma dignidade que qualquer outro e com direitos adquiridos (12)\u201d. Alguma inverdade aqui? Sabemos que n\u00e3o. \u201cAs opera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, nacionais ou internacionais, que danificam a Amaz\u00f4nia e n\u00e3o respeitam o direito dos povos nativos ao territ\u00f3rio e sua demarca\u00e7\u00e3o, \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e ao consentimento pr\u00e9vio, h\u00e1 que rotul\u00e1-las com o nome devido: injusti\u00e7a e crime (14)\u201d. N\u00e3o h\u00e1 outro nome para tais a\u00e7\u00f5es intervencionistas. O papa d\u00e1 nome aos bois: \u201cN\u00e3o podemos permitir que a globaliza\u00e7\u00e3o se transforme num &lt;novo tipo de colonialismo&gt;\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs bispos da Amaz\u00f4nia brasileira recordaram que &lt;a hist\u00f3ria da Amaz\u00f4nia revela que foi sempre uma minoria que lucrava \u00e0 custa da pobreza da maioria e da depreda\u00e7\u00e3o sem escr\u00fapulos das riquezas naturais da regi\u00e3o, d\u00e1diva divina para os povos que aqui vivem h\u00e1 mil\u00eanios&#8230;&gt; (16)\u201d. Recordem o ciclo da Borracha, o ouro da Serra Pelada, a civiliza\u00e7\u00e3o pr\u00e9-colombiana&#8230; O que restou disso tudo? \u201cAos membros dos povos nativos agrade\u00e7o e digo novamente que, &lt;com a vossa vida, sois um grito lan\u00e7ado \u00e0 consci\u00eancia (&#8230;) V\u00f3s sois mem\u00f3ria viva da miss\u00e3o que Deus nos confiou a todos: cuidar da Casa Comum\u201d (19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos numa encruzilhada: preservar e amparar. \u00c9 uma quest\u00e3o mais que humana, pois nos mostra o qu\u00e3o intr\u00ednseca \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o humana com seu mundo. \u201cA Amaz\u00f3nia deveria ser tamb\u00e9m um local de di\u00e1logo social, especialmente entre os diferentes povos nativos, para encontrar formas de comunh\u00e3o e luta conjunta (26)\u201d. \u00c9 preciso saber ouvi-los. Entend\u00ea-los. \u201cS\u00e3o os principais interlocutores, dos quais primeiro devemos aprender, a quem temos de escutar por um dever de justi\u00e7a e a quem devemos pedir autoriza\u00e7\u00e3o para poder apresentar as nossas propostas (Ib 26)\u201d. N\u00e3o se diz nenhuma asneira nessa afirmativa. \u201cO di\u00e1logo n\u00e3o se deve limitar a privilegiar a op\u00e7\u00e3o preferencial pela defesa dos pobres, marginalizados e exclu\u00eddos, mas h\u00e1 de tamb\u00e9m respeit\u00e1-los como protagonistas (27)\u201d. Eis, pois, que nossa querida Amaz\u00f4nia sugere ao mundo uma constru\u00e7\u00e3o de mais di\u00e1logo antes de qualquer a\u00e7\u00e3o de preservacionismo puro e simples. \u201cDaqui nasce o sonho sucessivo\u201d, conclui o papa nesta primeira parte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00faltima exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica do santo padre Francisco est\u00e1 dando o que falar. Mas tamb\u00e9m o que pensar. 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