{"id":56765,"date":"2020-02-10T08:39:35","date_gmt":"2020-02-10T11:39:35","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=56765"},"modified":"2020-02-10T15:41:45","modified_gmt":"2020-02-10T18:41:45","slug":"na-carona-do-virus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/na-carona-do-virus\/","title":{"rendered":"NA CARONA DO V\u00cdRUS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Desde que o mundo \u00e9 mundo e o homem \u00e9 homem, endemias e pandemias fazem parte da nossa hist\u00f3ria. Assustaram no passado e muito mais agora, quando a interatividade e mobilidade humanas transp\u00f5em fronteiras e vencem dist\u00e2ncias em quest\u00f5es de horas. Hoje estou aqui, amanh\u00e3&#8230; J\u00falio Verne e seus 80 dias para dar uma volta ao mundo, de aventura que era, tornou-se um conto de carochinha, hist\u00f3ria pra boi dormir. Nossa comunica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea tem seu aspecto belo e positivo, pois uma declara\u00e7\u00e3o de amor ou uma not\u00edcia alvissareira podem ser dadas \u201cao vivo\u201d, independentemente do fator dist\u00e2ncia. O mesmo para declara\u00e7\u00f5es de guerra ou an\u00fancio de cat\u00e1strofes. O mesmo para a prolifera\u00e7\u00e3o das viroses ou muitas das doen\u00e7as que nos rondam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse \u00e9 o pre\u00e7o do nosso espantoso progresso. Como abelhas atrevidas, insaci\u00e1veis em seus territ\u00f3rios, \u00e1vidas por desvendar seu mundinho, levando mel aqui e acol\u00e1, mas trazendo para suas colmeias o v\u00edrus desconhecido de seus voos exorbitantes, aventureiros, ambiciosos, sempre audaciosos e altaneiros&#8230; Bem resumiu uma simpl\u00f3ria amiga: \u201cEsse povo n\u00e3o sossega a bunda&#8230; \u00c9 nisso que d\u00e1\u201d. Mas n\u00e3o sejamos t\u00e3o simpl\u00f3rios assim. A maior interatividade humana pode ser um fator de risco, mas talvez seja esta a maior conquista do nosso g\u00eanero, em busca do sonhado esp\u00edrito de comunh\u00e3o universal, apregoado por muitas cren\u00e7as e sonhado por muitos povos que imaginam \u201cum mundo sem fronteiras\u201d. Sonho ou utopia, esse \u00e9 o cerne da pr\u00f3pria doutrina crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Acontece que doen\u00e7as e endemias desconhecem fronteiras. A China tornou-se o epicentro desse novo corona v\u00edrus, mas sua galopante prolifera\u00e7\u00e3o e assustadora letalidade p\u00f5e o mundo em alerta. Mais do que nunca, as fronteiras entre pa\u00edses tornam-se linhas demarcat\u00f3rias de soberanias que mostram suas garras e for\u00e7as defensivas. Alguns se mostram solid\u00e1rios, mas \u00e0 dist\u00e2ncia. Outros apontam dedos em riste, para acusar. Muitos simplesmente se fecham em suas ilus\u00f3rias defesas, pois que um descontrole ou neglig\u00eancia pode ser um lapso fatal. De repente, o grito de alerta ecoa em todos os quadrantes, mostrando aos tripulantes humanos o qu\u00e3o fr\u00e1gil somos e o qu\u00e3o vulner\u00e1vel e nosso mundinho globalizado. O \u201ccruzeiro\u201d abortado n\u00e3o \u00e9 um navio de alguns milhares de turistas ancorado em porto inseguro, mas todo e qualquer passageiro ou tripulante desse ador\u00e1vel planeta azul. Estamos num mesmo barco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os entendidos culpam at\u00e9 mesmo o regime pol\u00edtico que ignorou um alerta m\u00e9dico. Coitado! Morreu o m\u00e9dico v\u00edtima da pr\u00f3pria descoberta. Talvez se torne um her\u00f3i popular, mas que m\u00e9rito lhe coube? Buscar respostas na base de acusa\u00e7\u00f5es, no momento, parece-me dispender esfor\u00e7os em v\u00e3o. Al\u00e9m da solidariedade, h\u00e1 o fator da profilaxia, dos cuidados b\u00e1sicos de higiene e normas de etiqueta que a ocasi\u00e3o exige. Isso, sim, \u00e9 preocupante, pois n\u00e3o somos uma ra\u00e7a exemplo desse comportamento saud\u00e1vel nos tempos atuais. At\u00e9 por quest\u00f5es religiosas, nossa informalidade no trato interpessoal, muitas vezes, \u00e9 preocupante. Modera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nosso forte. Conter alguns impulsos e aprimorar normas de conduta e comportamento social talvez seja algo oportuno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todavia, nada mais oportuno que rever nossos padr\u00f5es de conviv\u00eancia. N\u00e3o somos invulner\u00e1veis, indestrut\u00edveis, inalcan\u00e7\u00e1veis em nossos castelos de prepot\u00eancia pessoal. O inimigo se faz invis\u00edvel e nos ataca por todos os lados. Tanto f\u00edsica quanto espiritualmente falando. Vem donde menos se espera e reduz nossa exist\u00eancia a uma quest\u00e3o de fragilidade absoluta. Dias dif\u00edceis nos batem \u00e0 porta. Mas ainda nos resta a f\u00e9, esta que ressurge nas tribula\u00e7\u00f5es. Como confortou o Mestre: \u201cmas por causa dos escolhidos, aqueles dias ser\u00e3o abreviados\u201d (Mt 24,22).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Desde que o mundo \u00e9 mundo e o homem \u00e9 homem, endemias e pandemias fazem parte da nossa hist\u00f3ria. Assustaram no passado e muito mais agora, quando a interatividade e mobilidade humanas transp\u00f5em fronteiras e vencem dist\u00e2ncias em quest\u00f5es de horas. 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