{"id":5675,"date":"2015-03-30T03:00:00","date_gmt":"2015-03-30T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/vamos-servir\/"},"modified":"2017-04-07T13:52:21","modified_gmt":"2017-04-07T16:52:21","slug":"vamos-servir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/vamos-servir\/","title":{"rendered":"Vamos servir"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Vamos servir, Jesus manda servir! \u00c9 a grande express\u00e3o do mandamento do amor, que transborda do Cora\u00e7\u00e3o Amant\u00edssimo de Jesus na noite santa em que Ele se nos d\u00e1 inteiramente na institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, perpetuada pelo sacerd\u00f3cio ministerial, dom de amor, para sempre fazer presente o memorial de sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o at\u00e9 o fim dos tempos. Vamos servir, Jesus manda servir e o Papa Francisco, apesar de n\u00e3o ser imitado por poucos, nos d\u00e1 o testemunho com a sua vida simples, sem triunfalismos ou sem arroubos de auto-sufici\u00eancia.<br \/>N\u00e3o podemos resistir \u00e0 sua palavra, nascida do seu exemplo: \u201cCompreendeis o que vos fiz? V\u00f3s me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se eu pois, Mestre e Senhor, vos lavei os p\u00e9s, deveis lavar os p\u00e9s uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, assim tamb\u00e9m v\u00f3s devais fazer.\u201d<br \/>No in\u00edcio do Evangelho desta noite santa de quinta-feira santa, Jesus assegura a sua condi\u00e7\u00e3o divina, o Pai lhe colocara em suas m\u00e3os todas as coisas, \u00e9 o Rei do Universo. Saira de Deus e a Deus iria voltar, ressoado no hino que S\u00e3o Paulo entoa na Carta aos Filipenses (2,5-11) recomendando-nos a ter os mesmos sentimentos de Cristo, que se fez escravo, obediente at\u00e9 a morte e morte de escravo, a morte de cruz.<br \/>A escravid\u00e3o, a pior das submiss\u00f5es contrapondo-se ao senhorio, que se pretende deus, como nosso pai Ad\u00e3o na sua revolta contra o Criador \u2013 \u201csereis, como deus\u201d disse a serpente. O escravo devia fazer para o seu senhor as coisas mais humilhantes, como o lavar os p\u00e9s do seu senhor, pena dos castigos mais cru\u00e9is, a morte humilhante da cruz.<br \/>Hoje tamb\u00e9m temos a escravid\u00e3o, talvez de forma mais sofisticada, como a submiss\u00e3o moral, a repulsa social, a recusa do perd\u00e3o inclusive para o penitente, pela absurda raz\u00e3o de \u201cn\u00e3o posso perder a autoridade e o poder do mando\u201d.<br \/>Jesus deu-nos o exemplo, sendo submetido ao poder arrogante dos chefes do povo, dos sacerdotes, dos homens da lei do povo eleito e \u00e0 arrog\u00e2ncia e medo de perder o cargo, do governador dos gentios dominadores. Ele nada respondeu \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es, somente afirmou para ambos sua condi\u00e7\u00e3o divina.<br \/>Esse momento deve nos levar a uma profunda reflex\u00e3o sobre nossa vida \u00e0 luz deste preceito da caridade, tanto para n\u00f3s que vivemos em comunidade e que devemos ser sol\u00edcitos \u00e0s necessidades dos irm\u00e3os, como tamb\u00e9m par aqueles a quem foi conferido o dever (n\u00e3o o privil\u00e9gio) da autoridade, a quem cabe distribuir com justi\u00e7a os bens da natureza e a puni\u00e7\u00e3o dos delitos, em vista do bem comum.<br \/>O exemplo de Cristo vai bem mais longe. Se lermos atentamente, vamos observar que, em tentativa misericordiosa, lavou e osculou os p\u00e9s do traidor, como, no Horto, n\u00e3o recusou o seu beijo, lan\u00e7ando um \u00faltimo apelo \u00e0 convers\u00e3o.<br \/>Nossos tempos est\u00e3o dif\u00edceis, a vingan\u00e7a e o \u00f3dio enchem as p\u00e1ginas de nossos jornais e mancham de sangue a tela dos televisores, e n\u00e3o passa desapercebida nem mesmo nas hostes eclesi\u00e1sticas. At\u00e9 politicamente se colocou o \u00f3dio entre os cidad\u00e3os, filhos da mesma p\u00e1tria e, para a qual cada um dentro com suas possibilidades deveria trabalhar e contribuir para seu engrandecimento. Mesma atitude nos meios religiosos, n\u00e3o se considerando somente as diferen\u00e7as de credo, mas entre n\u00f3s mesmos. N\u00e3o sabemos perdoar. N\u00e3o sabemos amar. Muitos n\u00e3o querem enxergar a revolu\u00e7\u00e3o do Papa Francisco que nos pede miseric\u00f3rdia e n\u00e3o puni\u00e7\u00f5es por perversidade. <br \/>O mestre da Lei, questionando a Jesus e questionado por ele, teve a gra\u00e7a de afirmar a similaridade dos dois preceitos, do amor a Deus e do amor ao pr\u00f3ximo, quando Jesus lhe respondeu que tinha dito bem e estaria pr\u00f3ximo do Reino. <br \/>E aqui, parafraseando o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o na sua Carta, podemos sentir em muitas pessoas, e em n\u00f3s mesmos, que \u00e9 muito f\u00e1cil dizer que amamos a Deus e que amamos ao pr\u00f3ximo, mas nossa viv\u00eancia n\u00e3o condiz com essa afirma\u00e7\u00e3o. Quantos que tem jurisdi\u00e7\u00e3o, vivem sorrindo para esconder a sua perversidade, vivem uma vida somente voltada para perseguir os irm\u00e3os e irm\u00e3s? <br \/>Onde est\u00e1 a caridade, a\u00ed tamb\u00e9m est\u00e1 Deus, cantamos na solenidade desta noite santa, assim tamb\u00e9m, durante a cerim\u00f4nia do lava-p\u00e9s, o texto joanino: \u201cNisto todos h\u00e3o de reconhecer que sois meus disc\u00edpulos, se vos amardes uns aos outros, como eu vos amei.\u201d<br \/>Em todos os tempos na Igreja h\u00e1 testemunhos desta vida de caridade, de amor de servi\u00e7o e de perd\u00e3o. Tamb\u00e9m nos nossos dias, Maximiliano Kolbe, que se ofereceu para morrer pelo irm\u00e3o condenado \u00e0 morte pela fome. Tereza de Calcult\u00e1 que, enquanto cuidava das chagas de um leproso, ouviu a argui\u00e7\u00e3o de um passante: \u201cpor dinheiro nenhum eu faria isso\u201d e ela humildemente respondeu: \u201ctamb\u00e9m eu\u201d, porque seu cora\u00e7\u00e3o era impelido por uma raz\u00e3o que tudo supera, o amor. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II perdoa publicamente quem o ferira para tirar-lhe a vida. O sangue dos m\u00e1rtires continua a correr pelo ch\u00e3o, v\u00edtimas do \u00f3dio, como o do beato Oscar Romero em defesa dos pobres e abandonados.<br \/>Este amor, que levou Cristo a perpetuar a loucura da cruz no sacramento eucar\u00edstico, \u201cno qual se consome o pr\u00f3prio Cristo e nosso cora\u00e7\u00e3o se enche de gra\u00e7a e nos assegura o penhor da gl\u00f3ria futura\u201d, deve impregnar nosso cora\u00e7\u00e3o, fazendo-nos ultrapassar da beleza da contempla\u00e7\u00e3o do sacramento para a vida real do amor que se expressa no servi\u00e7o, tornando-nos praticantes da Palavra e n\u00e3o simples ouvintes, como ensina o ap\u00f3stolo Tiago, enganando-nos a n\u00f3s mesmos. Ningu\u00e9m tem maior amor que aquele que d\u00e1 a vida por seu irm\u00e3o. E continuando o hino quaresmal com que iniciamos, continuemos, \u201cEle serviu ao Pai e aos seus irm\u00e3os. Quero acolher Senhor tua Palavra, seguir o teu exemplo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos servir, Jesus manda servir! \u00c9 a grande express\u00e3o do mandamento do amor, que transborda do Cora\u00e7\u00e3o Amant\u00edssimo de Jesus na noite santa em que Ele se nos d\u00e1 inteiramente na institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, perpetuada pelo sacerd\u00f3cio ministerial, dom de amor, para sempre fazer presente o memorial de sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o at\u00e9 o fim [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-5675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5675"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5675\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10480,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5675\/revisions\/10480"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}