{"id":56684,"date":"2020-02-06T13:12:30","date_gmt":"2020-02-06T16:12:30","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=56684"},"modified":"2020-02-06T13:12:30","modified_gmt":"2020-02-06T16:12:30","slug":"o-papa-o-mundo-rico-de-hoje-pode-e-deve-acabar-com-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-papa-o-mundo-rico-de-hoje-pode-e-deve-acabar-com-a-pobreza\/","title":{"rendered":"O Papa: o mundo rico de hoje pode e deve acabar com a pobreza"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um mundo rico e uma economia vibrante podem e devem acabar com a pobreza.&#8221; \u201cO n\u00edvel de riqueza e de t\u00e9cnica acumulados pela humanidade, bem como a import\u00e2ncia e o valor que os direitos humanos adquiriram, n\u00e3o permitem mais pretextos. Devemos ter consci\u00eancia de que todos somos respons\u00e1veis\u201d, disse o Papa falando a banqueiros, economistas e ministros da economia reunidos no Vaticano pela Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Raimundo de Lima &#8211; Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO mundo \u00e9 rico e, todavia, os pobres aumentam ao nosso redor.\u201d Foi a constata\u00e7\u00e3o expressa pelo Papa no discurso na tarde desta quarta-feira (05\/02) na Casina Pio IV, no Vaticano, no Simp\u00f3sio \u201cNovas formas de fraternidade solid\u00e1ria, de inclus\u00e3o, integra\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o\u201d, com a participa\u00e7\u00e3o, entre outros, de economistas, ministros da economia e banqueiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no in\u00edcio, Francisco agradeceu pelo encontro, exortando a aproveitar deste novo in\u00edcio do ano para construir pontes, \u201cpontes que favore\u00e7am o desenvolvimento de um olhar solid\u00e1rio a partir dos bancos, das finan\u00e7as, dos governos e das decis\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPrecisamos de muitas vozes capazes de pensar, a partir de uma perspectiva poli\u00e9drica, as v\u00e1rias dimens\u00f5es de um problema global que diz respeito aos nossos povos e \u00e0s nossas democracias\u201d, enfatizou.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Centenas de milh\u00f5es de pessoas imersas na extrema pobreza<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo relat\u00f3rios oficiais, disse o Pont\u00edfice, a renda mundial deste ano ser\u00e1 de quase 12 mil d\u00f3lares per capita. No entanto, centenas de milh\u00f5es de pessoas ainda se encontram imersas na pobreza extrema e n\u00e3o disp\u00f5em de alimento, habita\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia m\u00e9dica, escolas, eletricidade, \u00e1gua pot\u00e1vel e estruturas higi\u00eanicas adequadas e indispens\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCalcula-se que cerca de cinco milh\u00f5es de crian\u00e7as abaixo dos 5 anos morrer\u00e3o este ano devido \u00e0 pobreza. Outras 260 milh\u00f5es n\u00e3o receber\u00e3o uma educa\u00e7\u00e3o por falta de recursos, por causa das guerras e das migra\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta situa\u00e7\u00e3o, disse ainda, levou milh\u00f5es de seres humanos \u201ca ser v\u00edtimas do tr\u00e1fico de pessoas e das novas formas de escravid\u00e3o, como o trabalho for\u00e7ado, a prostitui\u00e7\u00e3o e o tr\u00e1fico de drogas\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o somos condenados \u00e0 iniquidade universal<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais realidades n\u00e3o devem ser motivo de desespero, mas de a\u00e7\u00e3o, s\u00e3o realidades que nos impulsionam a fazer algo, frisou Francisco, destacando em seguida a principal mensagem de esperan\u00e7a que gostaria de partilhar com os presentes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u201cN\u00e3o existe um determinismo que nos condene \u00e0 iniquidade universal. Permitam-me repetir: n\u00e3o somos condenados \u00e0 iniquidade universal. Isso torna poss\u00edvel um novo modo de enfrentar os eventos, que permita encontrar e gerar respostas criativas diante do evit\u00e1vel sofrimento de tantos inocentes; isso implica aceitar que, em n\u00e3o pouca situa\u00e7\u00f5es, nos encontramos diante de uma falta de vontade e de decis\u00e3o para mudar as coisas, e principalmente as prioridades.\u201d<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, o Santo Padre foi enf\u00e1tico: \u201cUm mundo rico e uma economia vibrante podem e devem acabar com a pobreza. E se podem gerar e promover din\u00e2micas capazes de incluir, alimentar, cuidar e vestir os \u00faltimos da sociedade ao inv\u00e9s de exclu\u00ed-los\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Escolher a que e a quem dar prioridade<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos escolher a que coisa e a quem dar prioridade: se favorecer mecanismos socioecon\u00f4micos humanizadores para toda a sociedade ou, ao contr\u00e1rio, fomentar um sistema que acaba por justificar determinadas pr\u00e1ticas que s\u00f3 fazem aumentar o n\u00edvel de injusti\u00e7a e de viol\u00eancia social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito isso, o Pont\u00edfice foi taxativo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u201cO n\u00edvel de riqueza e de t\u00e9cnica acumulados pela humanidade, bem como a import\u00e2ncia e o valor que os direitos humanos adquiriram, n\u00e3o permitem mais pretextos. Devemos ter consci\u00eancia de que todos somos respons\u00e1veis. Isso n\u00e3o quer dizer que todos somos culpados. Todos somos respons\u00e1veis a fazer algo.\u201d<\/i><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Extrema pobreza e extrema riqueza<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se existe a pobreza extrema em meio \u00e0 riqueza (por sua vez riqueza extrema), \u00e9 porque permitimos que a disparidade se ampliasse at\u00e9 tornar-se a maior da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baseado em dados quase oficiais, Francisco afirmou que as cinquenta pessoas mais ricas do mundo t\u00eam um patrim\u00f4nio tal que poderiam financiar a assist\u00eancia m\u00e9dica e a educa\u00e7\u00e3o de toda crian\u00e7a pobre no mundo, quer atrav\u00e9s do pagamento de impostos, quer atrav\u00e9s de iniciativas filantr\u00f3picas, ou ambas. Essas cinquenta pessoas poderiam salvar milh\u00f5es de vida todos os anos, destacou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a foi chamada \u201cina\u00e7\u00e3o\u201d. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II a chamou: estruturas de pecado. Tais estruturas encontram um clima prop\u00edcio para a sua expans\u00e3o toda vez que o Bem Comum \u00e9 reduzido ou limitado a determinados setores ou, no caso que nos re\u00fane hoje, quando a economia\u00a0 e a finan\u00e7a se tornam fins a si mesmas. \u00c9 a idolatria do dinheiro, a avidez e a especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Estruturas de pecado hoje<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo a raz\u00e3o iluminada pela f\u00e9, ressaltou Francisco, a doutrina social da Igreja celebra as formas de governo e os bancos \u201cquando realizam sua finalidade, que \u00e9, definitivamente, buscar o bem comum, a justi\u00e7a social, a paz, bem como o desenvolvimento integral de todo indiv\u00edduo, de toda comunidade humana e de todas as pessoas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodavia \u2013 observou o Papa \u2013, a Igreja alerta que essas institui\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas, tanto p\u00fablicas quanto privadas, podem decair em estruturas de pecado.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs estruturas de pecado hoje incluem repetidos cortes dos impostos para as pessoas mais ricas, justificados muitas vezes em nome do investimento e do desenvolvimento; para\u00edsos fiscais para os lucros privados e corporativos; e a possibilidade de corrup\u00e7\u00e3o por parte de algumas das maiores empresas do mundo, n\u00e3o raramente em sintonia com o setor pol\u00edtico governante.\u201d<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O peso insuport\u00e1vel da d\u00edvida externa dos pa\u00edses pobres<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, o Pont\u00edfice falou sobre o peso d\u00edvida externa dos pa\u00edses pobres e suas consequ\u00eancias sobre a popula\u00e7\u00e3o. \u201cAs pessoas pobres em pa\u00edses muito endividados suportam imposi\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias opressoras e cortes nos servi\u00e7os sociais, na medida em que seus governantes pagam as d\u00edvidas contra\u00eddas de modo insens\u00edvel e insustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, Francisco citou a Carta enc\u00edclica <i>Centesimus annus<\/i> (n. 35) de 1991, afirmando que as exig\u00eancias morais de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II se mostram hoje supreendentemente atuais:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCom certeza que \u00e9 justo o princ\u00edpio de que as d\u00edvidas devem ser pagas; n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito, por\u00e9m, pedir ou pretender um pagamento, quando esse levaria de fato a impor op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas tais que condenariam \u00e0 fome e ao desespero popula\u00e7\u00f5es inteiras. N\u00e3o se pode pretender que as d\u00edvidas contra\u00eddas sejam pagas com sacrif\u00edcios insuport\u00e1veis. Nestes casos, \u00e9 necess\u00e1rio \u2014 como, de resto, est\u00e1 sucedendo em certa medida \u2014 encontrar modalidades para mitigar, reescalonar ou at\u00e9 cancelar a d\u00edvida, compat\u00edveis com o direito fundamental dos povos \u00e0 subsist\u00eancia e ao progresso.\u201d<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Ind\u00fastria da guerra, dinheiro e tempo a servi\u00e7o da morte<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Santo Padre disse ainda que \u201c\u00e9 necess\u00e1rio afirmar que a maior estrutura de pecado \u00e9 a ind\u00fastria da guerra, porque \u00e9 dinheiro e tempo a servi\u00e7o da divis\u00e3o e da morte. O mundo perde todos os anos bilh\u00f5es de d\u00f3lares em armamentos e viol\u00eancias, somas que poderiam acabar com a pobreza e o analfabetismo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVoc\u00eas, que t\u00e3o gentilmente est\u00e3o aqui reunidos, s\u00e3o os l\u00edderes financeiros e especialistas do mundo em economia\u201d, disse o Papa dirigindo-se diretamente aos economistas, ministros da economia e banqueiros presentes no evento promovido pela Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais. \u201cVoc\u00eas conhecem por primeiro quais s\u00e3o as injusti\u00e7as da nossa economia global atual. Trabalhemos juntos para acabar com essas injusti\u00e7as\u201d, foi a exorta\u00e7\u00e3o do Pont\u00edfice.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Por uma nova arquitetura financeira internacional<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluindo, Francisco afirmou com veem\u00eancia que \u201co tempo presente exige e requer passar de uma l\u00f3gica insular e antagonista como \u00fanico mecanismo autorizado para a solu\u00e7\u00e3o dos conflitos, a outra (l\u00f3gica) capaz de promover a interconex\u00e3o que favorece uma cultura do encontro, onde se renovem as bases s\u00f3lidas de uma nova arquitetura financeira internacional\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Um mundo rico e uma economia vibrante podem e devem acabar com a pobreza.&#8221; \u201cO n\u00edvel de riqueza e de t\u00e9cnica acumulados pela humanidade, bem como a import\u00e2ncia e o valor que os direitos humanos adquiriram, n\u00e3o permitem mais pretextos. 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